MECÂMİU’L-HAKÂİK ÖZELİNDE HÂDİMÎ’NİN USULCÜLÜĞÜ
I. DELİLLER A KİTAB
2. Kitab ve Sünnet Arasında Ortak Konular a Lafızlar
O conjunto de ações acima citadas somadas ao debate publico veiculado pela imprensa prepararam o terreno para implentação de um instrumento jurídico que permitia ao poder público local atuar de modo efetivo nesta área, expresso na Lei 6108. O ponto central do texto era a implantação do tombamento total ou parcial de bens móveis ou imóveis, públicos ou privados no município. Ele se faria independente de outras esferas, a partir da existência de alguns valores como histórico, arqueológico, etnográfico, paisagístico, paleográfico, bibliográfico, artístico, arquitetônico ou ambiental.
A prática de tombamento no Brasil constitui-se, em termos jurídicos, numa medida de cunho preservacionista através da inscrição de um bem em um – ou mais de um - dos livros de tombo e suas implicações. Os livros de inscrição de bens tombados indicam a forma como é classificado o patrimônio do país, estado ou cidade, podendo variar de um lugar para outro, tanto o número de livros, quanto as categorias de que se utiliza. O sistema de classificação adotado no país em âmbito nacional pelo IPHAN apresenta quatro livros35: Histórico, Belas Artes, Artes Aplicadas e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Cada um deles indica uma diretriz de conservação e, caso um mesmo bem seja inscrito em mais de um livro, pode ser incluído, igualmente, em mais de uma dessas diretrizes. O tombamento pode incidir sobre bens públicos ou privados, sendo voluntário, quando constatado o valor e interesse coletivos, ou compulsório, quando há oposição por parte de seu detentor. Pode também ser provisório. Este caso ocorre durante a tramitação do processo, desde a notificação do proprietário até o desfecho e decisão sobre o tombamento
35 O numero de Livros de tombo e os termos a que se referem podem variar de acordo com cada órgão em âmbito estadual ou municipal.
38 de fato. Trata-se de uma medida cautelar que visa garantir a proteção do bem enquanto durar o processo, prevendo assim a mesma proteção e mesmos mecanismos penais em caso de danos. O tombamento, uma vez efetivado, coloca algumas limitações em relação ao bem, como restrições a alienabilidade, modificações, visibilidade e vizinhança. Ao mesmo tempo, abre a possibilidade de que o bem possa ser explorado por meio seja do turismo, reivindicação política identitária, etc.36
No mundo Ocidental moderno a experiência francesa na prática do tombamento é constantemente citada como pioneira. Com a queda do antigo regime no fim do século XVIII, e a transferência dos bens da aristocracia e do clero para a nação, gerou-se a demanda por uma ação sistemática de preservação. Uma vez que estes bens simbolizavam princípios contrários aos ideais revolucionários tornaram-se alvo de assédio e vandalismo. Para dar conta dessa demanda criou-se a Comissão dos Monumentos. Sua primeira atividade foi tombar as diferentes categorias de bens apropriados pela nação, seguido de um inventário das mesmas. Esta medida visava, antes de mais nada, proteger estes bens e retirá-los de circulação; deslocá-los da esfera cotidiana, para o status de documentos da nação imbuídos de interesses culturais e também políticos (CHOAY, 2001; FONSECA1997).
O trâmite de uma proposta de tombamento tem seu percurso descrito no texto da Lei 6108. O pedido poderia partir de cinco categorias de grupos, assim classificados: a Comissão permanente Técnico Cultural - CPTC37; pessoas de direito público; entidades
culturais do município; proprietário do bem; qualquer do povo. Tais grupos expressariam uma forma de classificação da sociedade, onde figuram indivíduos e entidades, esferas pública e privada. As propostas – contendo informações sobre o bem em pauta e justificativa sobre sua importância cultural – deveriam ser encaminhadas à CPTC, que procederia à notificação do proprietário, estipulando um prazo de 15 dias para que este apresentasse argumentos para impugnação. Havendo argumento contrário, seria analisada a réplica, decidindo-se por uma tréplica ou arquivamento da proposta. O passo seguinte na tramitação seria a análise e deliberação por parte da CPTC, que, em seguida, o encaminharia ao prefeito que decretaria o tombamento ou não do bem, podendo antes, caso
36 Esses elementos coincidem na maioria com órgãos locais e estaduais podendo ser encontrados algumas variações.
39 achasse necessário, ouvir o Conselho Consultivo. Uma vez decretado o tombamento, proceder-se-ia à sua averbação no registro de Imóveis da Comarca (em caso de edificações), e inscrição no livro de tombo do município. Este tombamento no entanto, poderia ser cancelado mediante apresentação de um motivo e justificativa relevante à CPTC e Conselho Consultivo, que avalia caso. A partir daí, e a elaboração de um parecer, o prefeito opina se decreta ou não o cancelamento. Durante a tramitação do processo incidiria sobre o bem a mesma proteção estipulada no tombamento.
Aos proprietários de bens tombados, a lei deixa previsto o incentivo fiscal variando de 10% a 80% sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU de acordo com avaliação da comissão enquanto vigorar o tombamento. Este, no entanto, poderia ser cancelado em “caso de qualquer violação aos preceitos legais relativos ao tombamento do imóvel”. Prevê ainda assistência técnica a ser prestada pela CPTC, que, somente “em casos especiais” poderá se estender ao financeiro. Os encargos de preservação caem então, sobre o proprietário do imóvel.
A Lei 6108 cria também a já citada CPTC – Comissão Permanente Técnico Cultural -, subordinada ao IPPLAN, mas com regulamento próprio e mandato de dois anos. Tal Comissão seria composta por sete membros à livre escolha do prefeito, sendo: “6 (seis) cidadãos de nível universitário completo e um de notório saber histórico e cultural”. Sobre os primeiros, a lei especifica que deveriam ter formação nas áreas de humanas ou exatas. Cabe também ao prefeito a escolha de um dos membros para coordenar a comissão. Nota- se que ela se compõe de elementos detentores de saber especializado com formação acadêmica. Uma única cadeira é concedida a um indivíduo classificado na alcunha “notório saber”. A finalidade da comissão fica expressa no art. 7º que menciona caber a ela: “exercer a proteção dos bens culturais, móveis e imóveis de propriedade do município ou particular que foram tombados na forma desta lei, bem como atuar integrado com os setores competentes que planejam e legislam sobre o uso do solo e edificações”. Suas demais atribuições aparecem expostas em 13 itens e podem ser agrupadas em termos de inventário, fiscalização e assistência técnica quanto a projetos de uso e reparo nos bens, atuação no âmbito de formulação de diretrizes e normas políticas de preservação,
40 realização de estudos e atividades que divulguem o patrimônio municipal.38A comissão tem então caráter ativo, ela protege os bens culturais.
Um ponto a destacar é que a preocupação com a preservação do patrimônio cultural coincide com a discussão sobre a regulação do uso e ocupação do solo na cidade. naquele momento havia se constatado a necessidade de se criar mecanismos de ordemaneto global de ocupação dos espaços urbanos sob a justificativa de garantir “a melhoria da qualidade de vida”39 aos citadinos. Era uma tentativa de contenção do desenvolvimento
descontrolado pelo qual tinha passado o município, sobretudo na região central. A elaboração de uma Lei de uso e ocupação do solo visava assim, dar conta não somente da preservação da fisionomia da cidade em seus aspectos arquitetônicos, mas também suas reservas naturais e aspectos culturais. A proteção ao patrimônio estaria assim, atrelada ao planejamento urbano da cidade.
Além da CPTC, a Lei 6108 estipula a criação de um Conselho Consultivo. A este caberia a tarefa de “Opinar e emitir parecer sobre toda e qualquer questão pertinente ao tombamento se consultado pelo Prefeito Municipal”, regendo-se por regimento próprio. Seu exercício é considerado ‘munus’ público. Sua composição se faz “pelas diversas entidades representativas da comunidade”, com nove membros à escolha do prefeito. O mais interessante, no entanto, é que a própria lei apresenta o que vem a ser tais entidades, e, consequentemente quem representa a comunidade. Daí mencionar: “1. Associação Comercial; 2. Centro Industrial; 3. O.A.B – Sub-Seção de Juiz de Fora; 4. Clube de Engenharia; 5. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - JF; 6. Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora; 7. Universidade Federal de Juiz Fora - UFJF; 8. Câmara Municipal de Juiz de Fora; 9. Comunidade.” É curioso notar que em meio às diversas entidades que representam a comunidade, aparece a própria comunidade, como entidade de si própria.40
O sistema de classificação que norteou o processo de implantação da Lei 6108/82 trazia uma concepção de valores cuja entrada principal era categoria ‘bens culturais’. Dela se subdividiam oito categorias – ou atribuições de valores – que seriam as constituintes desse sistema de patrimônio e cultura local, contemplados em um livro único de tombamento.
38 Em março do mesmo ano é publicado o Decreto 2704 que traz as atribuições da CPTC. 39 Diário mercantil, 01 e 02 de agosto de 1982. Caderno Juiz de Fora Novo Tempo. P.17.
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Entrada Principal
Categoria Livros do tombo
Bens culturais
Histórico
Livro do tombo local Arqueológico Etnográfico Paisagístico Bibliográfico Artístico Arquitetônico Ambiental
Esse sistema se assemelha estruturalmente em alguns aspectos à classificação e valores sugeridos por Mário de Andrade no anteprojeto de lei que deu origem posteriormente – com alterações – ao Decreto 25 que cria o Sphan. A visão e valores andradianos tal qual indicado em relação à Juiz de Fora se desenha a partir de uma grande categoria e dela uma subdivisão octogonal. As semelhanças residem na proposta de fazer um amplo catálogo de valores utilizando termos abrangentes, que pudessem servir como um grande guarda-chuva.
No projeto de Mário de Andrade a entrada principal é a categoria arte. A arte segundo ele “é uma palavra geral, que neste seu sentido geral significa a habilidade com que o engenho humano utiliza-se da ciência, das coisas e dos fatos”(Andrade, apud CHAGAS, 2003). Cabe chamar a atenção, que a forma como Mário de Andrade formula sua noção de arte remete a toda e qualquer forma de expressão humana; aproxima-se de uma concepção antropológica de cultura. Dela são designadas oito sub-categorias, que em termos de salvaguarda seriam agrupados em quatro livros. O quadro abaixo permite visualizar estas categorias.
Entrada Principal Categoria Livros do tombo
Arqueologia Arqueológico e Etnográfico Ameríndia
Popular
40 O conselho Consultivo, embora criado, nunca chegou a ser acionado ativamente nas discussões sobre a preservação do patrimônio local.
42 Arte
Histórica Histórico Erudita nacional Das belas artes Erudita Estrangeira
Aplicada Nacional Das artes aplicadas Aplicada estrangeira
As proposições do projeto andradiano, no entanto, foram reclassificadas no projeto Lei n° 25 que de fato criava o Sphan. A entrada principal, a categoria arte, passou a dividir espaço com a história. Esta última foi colocada em pé de igualdade com a primeira. Assim, à ampliação das categorias de entrada, corresponde uma subtração da história do domínio da arte, e a partir de então: “constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja do interesse público, quer por seu valor arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou artístico”.41 Observe-se que
o patrimônio é ligado de um lado à memória nacional e de outro a valores excepcionais. Se a arte se aproxima de uma concepção de cultura, a história é posta como um sistema paralelo. Essa nova classificação parece sugerir duas temporalidades; uma “cultural” e outra “histórica”; uma preponderando uma concepção diacrônica e outra preponderando uma concepção sincrônica.
Entrada Principal Categoria Livros do tombo
Arte
Arqueologia Arqueológico e etnográfico Ameríndia
Popular
Erudita nacional Das belas artes Erudita Estrangeira
Aplicada Nacional Das artes aplicadas Aplicada estrangeira
História História Histórico
Arte histórica
Na proposta de Juiz de Fora a categoria utilizada para nortear o projeto patrimonial é bem cultural. Este termo começa a ganhar força nas discussões de patrimônio a partir da segunda metade do séc. XX. Reflete o esforço de uma ampliação das concepções de patrimônio até então vigentes, calcadas fortemente na idéia de monumento e monumento
43 histórico. Nos documentos de referencia sobre o tema, uma das primeiras tentativas de definir o que é bem cultural foi elaborada na conferencia da Unesco de 1964. No texto resultante desse encontro o bem cultural aparece descrito como:
“os bens moveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país, tais como as obras de arte e de arquitetura, os manuscritos, os livros e outros bens de interesse artístico, histórico ou arqueológico, os documentos etnológicos, os espécimes-tipo da flora e da fauna, as coleções cientificas e as coleções importantes de livros e arquivos, incluídos os arquivos musicais” (UNESCO, 1964).
No inicio da década de 1980, Aloísio Magalhães advogava que o uso que se fazia da idéia de bem cultural no Brasil era um tanto restrito, em geral associado aos chamados bens moveis e imóveis. Recuperando as discussões do próprio Mario de Andrade sugere um uso mais amplo do termo: “Permeando essas duas categorias, existe vasta gama de bens (moveis e imóveis) - procedentes sobretudo, do fazer popular – que por estarem inseridos na dinâmica viva do cotidiano não são considerados como bens culturais nem utilizados na formulação das políticas econômica e tecnológica.” (MAGALHAES, 1985: 42)
A concepção de bem cultural elaborada em Juiz de Fora pela Lei 6108 parece textualmente mais próxima da que foi proposta pela Unesco, cujo cerne situa-se ainda calcado entre os bens moveis e imóveis. Inova talvez ao sugerir o paisagístico como item integrante dessa definição. Sinaliza com isso o interesse em propor contornos um pouco mais amplos ao patrimônio local. Os elementos vividos cotidianamente no sentido proposto por Aloísio Magalhães, no entanto, não se fazem presentes a não ser enquanto parte do valor etnográfico, termo que aparece sem definições precisas.
Algumas questões podem ser pontuadas na Lei 6108, ou nos princípios norteadores da política pública local. Em primeiro lugar, o discurso impresso no texto parece estar voltado, sobretudo para o patrimônio imóvel, embora mencione várias outras categorias passíveis de tombamento.42 Outro dado que se constata no texto é a presença de um prefeito absoluto quanto às suas decisões do que deve ou não ser tombado. É dele o veredicto final sobre o que vai ou não ser tombado, independente do material apresentado pela CPTC. Sua autoridade inconteste se revela mesmo no início de toda tramitação. Cabe a ele decidir quem vai compor a CPTC e o Conselho. Esse aspecto assume um caráter
44 ainda mais restritivo, já que a comissão se forma predominantemente de indivíduos com formação superior e, o Conselho Consultivo, de entidades muito bem delimitadas. É o prefeito então que configura o grupo dos ideólogos do patrimônio juizforano e, em última instancia, o que é este patrimônio.
Outro ponto a destacar é o fato de que a discussão sobre o patrimônio em Juiz de Fora neste momento está ligada à um órgão que é o IPPLAN. O patrimônio seria então, um dos vários outros setores a serem pesquisados e planejados na cidade. Ele seria então passível de ser projetado, fenômeno característico da sociedade moderna,43 embora o que impulsione todo esse processo nesse momento seja o eminente risco de perda deste patrimônio.
Para execução do projeto de preservação do patrimônio local um dos personagens centrais foi o arquiteto Luiz Alberto do Prado Passaglia. Natural de São Paulo, seu contato com as discussões sobre o patrimônio juizforano tiveram início quando o mesmo fora convidado a participar da semana de história em 1979, por indicação de Nívea Bracher. Logo após o evento Passaglia foi convidado por Melo Reis para dar norte ao desenvolvimento de tais práticas na cidade. Sua escolha advinha da experiência de Passaglia no campo tendo atuado na Secretaria de Cultura em São Paulo. Passaglia capitaneou o inicio dos trabalhos da CPTC buscando definir parâmetros e estratégias de atuação. De sua atuação resultou uma das poucas publicações sobre o tema na cidade, sobretudo a respeito do processo de implantação de sua política de patrimônio local (PASSAGLIA, 1982).
Junto de Passaglia um conjunto de nomes se consolidou nos primeiros anos de atuação da CPTC. As primeiras reuniões da Comissão ocorreram em abril e maio de 1982 e contavam ainda com um numero reduzido de membros, os arquitetos Luiz Pasaglia, Ignes Passaglia e Alvimar Machado, coordenados pelo engenheiro Luiz César Falabella. A comissão foi regulamentada somente dois anos depois por meio da portaria 975 de 20 de agosto de 1984. Esse relativo ostracismo da CPTC coincide com a mudança na administração municipal. Em 1983 assumiu a prefeitura Tarcisio Delgado, pelo PMDB. Tarcísio implementou alguns ajustes na administração municipal e a principal marca de seu
43 Na análise de Gilberto Velho nas sociedades modernas “O projeto e a memória associam-se e articulam-se ao dar significado à vida e às ações dos indivíduos, em outros termos, à própria identidade”.
45 governo foi a criação do Conselho Comunitário, que seria acionado pelo prefeito em determinadas situações para decisões coletivas.
Na terceira reunião da CPTC, nove dias após sua nomeação pode ser visto os nomes que se consolidariam nesta primeira fase da política local de patrimônio. Para além de Passaglia e Nívea Bracher, constavam os nomes da escritora Rachel Jardim, que possui várias obras publicadas sobre suas memórias da cidade de Juiz de Fora, além de ter atuado na secretaria de patrimônio cultural na cidade do Rio de Janeiro. Reginaldo Arcuri, historiador, tinha experiência com historiografia local; completava a equipe o jurista Antonio Medina e o coordenador o também advogado com formação também na área de ciências sociais e administração pública custodio Mattos, que mais tarde se tornaria prefeito da cidade.
Esta configuração da comissão imprimiu um olhar diferenciado sobre o tema. Não se tratava dos “arquitetos da memória” como Chuva (1998) identifica em relação ao IPHAN, mas de um grupo de intelectuais com perfis, discursos e formações variados. Nas atas das reuniões é possível perceber a presença de distintas visões sobre o patrimônio local. Sua leitura leva a crer terem sido Passaglia, Rachel Jardim, Nívea Bracher, os principais articuladores de uma visão lírica do patrimônio local. A eles somaram-se neste momento Inês Passaglia e Reginaldo Arcuri personagens fortemente engajados com a causa do patrimônio. Este grupo torna-se defensor ativo da política local de tombamento e de um projeto patrimonialização local. Tratava-se de uma missão a ser levada a cabo em prol da preservação de uma determinada fisionomia da cidade e que correspondia com uma determinada visão de historia e passado.
Não obstante, a CPTC foi desde o início uma arena permeada por disputas e conflitos com diferentes visões sobre a cidade e seu passado. Neste momento foram frequentes os embates com o jurista Antonio Medina. Este se posicionava recorrentemente contrário aos tombamentos discutidos, advogando os impactos de tal medida sobre a propriedade de bens particulares. Sob sua ótica deveria haver alguma medida de compensação já que o tombamento acarretava em prejuízos econômicos e restrições de uso ao proprietário. Para além de uma voz destoante no grupo Medina prenunciava uma as questões que se tornaria recorrente em meio aos embates da comissão ao longo de sua trajetória, o da antinomia dos direitos sobre o patrimônio.
46 A leitura das atas das reuniões da CPTC permite identificar que a implementação da política de preservação pública em Juiz de Fora partiu de algumas estratégias específicas. Para que se pudesse dar andamento no trâmite dos processos de tombamento, a CPTC adotou como principio privilegiar, num primeiro momento, os bens pertencentes à esfera pública. Os especialistas do órgão local de patrimônio justificaram essa preferência