2.3 Değişen Politikalarla Birlikte Ortaya Çıkan Kavramlar
2.3.7 Kent Kimliği ve Kişilikli Kentler
O capítulo anterior mostrou que o grupo formado pela reunião de bens diversos, entre eles móveis, joias, ferramentas, maquinário e veículos, foi pouco significativo na composição da riqueza de Campinas entre 1870 e 1940. Tal como esperado, a elite também concentra a maior parte desses bens, superando a casa dos 80% na maior parte do estudo. Essa concentração é crescente, superando 10 pontos percentuais do primeiro para o último período. O topo da elite, os 5% mais ricos, corrobora o resultado. No estrato intermediário, o percentual declina no segundo período e mantém-se no final. O estrato inferior tem participação estável do primeiro para o segundo período, mas declina no final. A Tabela 4.13 resume a distribuição para cada período.
Tabela 4.13 – Distribuição de outros bens por estratos de inventariados, Campinas, 1870-1940, em % 1870-1890 1895-1915 1920-1940 20% mais ricos 76,6 80,5 86,8 20%-50% mais ricos 13,8 9,5 9,6 50% menos ricos 9,6 10,0 3,6 Totais 100,0 100,0 100,0 5% mais ricos 43,1 50,8 59,6
Fonte: inventários TJSP–Campinas.
16 São os casos, por exemplo, dos inventários TJC, 4º Ofício, n.4694, 1875 e TJC, 1º Ofício, n.5385, 1885.
A característica desse grupo de bens é a pouca minúcia dos escreventes em relacionar alguns itens que antes eram descritos detalhadamente nos inventários. Os exemplos mais claros são móveis, utensílios domésticos e joias. Quando um inventário mais recente apresenta registros de outros bens, trata-se geralmente de veículos, ferramentas ou maquinário especial, e não de objetos do interior da residência ou de uso pessoal de membros da família.
Apesar de pouca relevância no cômputo geral do estudo, há importantes trabalhos que se apoiam nesses itens, sobretudo os de cultura material. Geralmente, os estudos dessa linha tomam como obras de referência os fichários
elaborados por Ernani da Silva Bruno, como já explicitado no capítulo anterior.17
Dessa maneira, seguindo o padrão do autor, identificam-se três categoriais de bens: os Objetos reúnem mobiliário, alfaias, vestuário e joias; os Equipamentos agrupam armas, veículos, maquinário, ferramentas de uso profissional. Há, ainda, uma categoria de Animais, utilizados em tração de veículos e moendas e para alimentação. A Tabela 4.14 resume os resultados de cada estrato em cada período.
Tabela 4.14 – Tipos de outros bens entre os estratos de inventariados, Campinas, 1870-1940, em % 20% mais ricos 1870-1890 1895-1915 1920-1940 Objetos 51,5 35,7 48,3 Animais 39,2 55,2 28,5 Equipamentos 9,3 9,1 23,2 Totais 100,0 100,0 100,0 5% mais ricos Objetos 47,1 39,9 43,1 Animais 47,4 53,0 34,7 Equipamentos 5,5 7,1 22,2 Totais 100,0 100,0 100,0 20%-50% mais ricos Objetos 60,8 33,3 37,2 Animais 32,0 51,7 38,6 Equipamentos 7,2 15,0 25,2 Totais 100,0 100,0 100,0 50% menos ricos Objetos 56,7 49,8 37,3 Animais 33,3 35,6 37,1 Equipamentos 10,0 14,6 25,6 Totais 100,0 100,0 100,0
Fonte: inventários TJSP–Campinas.
17 Equipamentos, usos e costumes da Casa Brasileira: fichário de Ernani da Silva Bruno. Coordenadora-geral da coleção Marlene Milan Acayaba. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, 2000. V. 1. Alimentação, V. 2. Construção, V. 3. Costumes, V. 4. Objetos e V. 5. Equipamentos.
As categorias de objetos e de animais alternam-se como predominantes em todos os grupos de inventariados e em todos os períodos, mas também é claro o vigoroso crescimento percentual da categoria equipamentos no período 1920- 1940, em todos os estratos. Uma explicação para essa transformação pode advir da necessidade de melhorar o desempenho produtivo com a mecanização da agricultura, que se desenvolveu nas décadas mais recentes.
4.6. Considerações finais
A distribuição da riqueza nos inventários de Campinas revelou que o estrato dos 20% mais ricos – a elite – concentrou de 88% a 90% dos bens e dos direitos, ao passo que os estratos intermediário e inferior dividiram os demais 10% a 12% do total, ao longo dos três períodos deste estudo. Diante dessas proporções, fica claro que a riqueza gerada pela economia cafeeira concentrou-se em relativamente pouquíssimas famílias.
A análise da formação geral das riquezas de cada segmento ajudou a compreender as razões para a alta concentração de bens pela elite. Nota-se, por exemplo, que durante o período escravista a elite preferiu compor seu patrimônio com a aquisição de imóveis e de ativos financeiros e estoques. Os escravos não foram grande parte desse portfólio. Ainda que o comércio de cativos em Campinas tenha sido movimentado na época final da escravidão, os dados mostram que tal patrimônio estava longe de ser o mais expressivo entre as alternativas de posse de riqueza.
Por sua vez, os ativos financeiros e estoques sempre se aproximaram aos imóveis como forma de riqueza, chegando mesmo a superá-los nos anos 1920- 1940. Tem-se, então, um marco da transformação dessa sociedade agrária para uma sociedade urbana. É nesse processo que se deu o surgimento de empresas ferroviárias, de distribuição de gás e energia elétrica, de telefonia, indústrias de metal e mecânica, comércio de maquinário agrícola, entre outras.
Mesmo com uma economia dinâmica, as possibilidades de mobilidade social ascendente para os indivíduos dos grupos subalternos da sociedade parecem ter sido bastante restritas. Todavia, é interessante notar como os inventários analisados revelam a existência de oportunidades econômicas também para os menos ricos, registrando a presença de estabelecimentos de vários ramos, ainda que menores e mais modestos.
Também fica claro que os imóveis foram os bens preferidos no estrato intermediário durante quase todo o período analisado, e no estrato inferior durante os anos 1870 até 1940. Esses indivíduos também possuíam escravos, em número muito menor e para trabalhos domésticos ou no comércio. Sua maior característica, contudo, foi alterar seu perfil para atividades mais rurais nos anos 1920-1940. Essa transformação certamente teve relação com as oportunidades de aquisição de pequenas propriedades rurais para a produção de gêneros que abasteciam a cidade, que decorreu do avanço das fronteiras do café para o interior de São Paulo e da divisão de antigas e grandes fazendas em núcleos coloniais.
Mas quem eram essas pessoas? Quais os resultados das estratégias de que se valeram os imigrantes para entrar, circular e permanecer em uma sociedade cuja elite concentrava 90% da riqueza? Esse é o mote dos capítulos seguintes, que estudarão as proporções das nacionalidades e das ocupações na distribuição da riqueza.