2.3 Değişen Politikalarla Birlikte Ortaya Çıkan Kavramlar
2.3.4 Küresel Rekabet ve Dünya Kenti
Alguns casos observados nos inventários referem-se às propriedades originárias de antigas fazendas transformadas em núcleos coloniais estabelecidos com apoio governamental. Um elemento da política de valorização do café foi promover a policultura, de modo que, ao adquirirem pequenas propriedades no entorno das cidades, os produtores agrícolas passariam a abastecê-las com gêneros alimentícios de primeira necessidade, evitando, assim, os aumentos constantes na importação desses gêneros. Também era importante conter o avanço de plantio de novos cafeeiros, que gerava enormes custos de compra e estocagem do produto pelo governo. A baixa oferta de terras produtivas para a implantação do projeto de núcleos coloniais foi contornada pelo governo provincial com a aquisição de áreas pouco produtivas de fazendas de café, cujos proprietários passavam por problemas econômicos e até por insolvências. Feitas as compras das áreas de terras, promovia-se a divisão em lotes de até oito alqueires. O passo
9 CANO, Wilson. Raízes da concentração industrial em São Paulo, p. 42-43, a plantação de novos cafezais foi coibida pelos governos Campos Salles e Rodrigues Alves (1898-1902 e 1902-1906), com tributos de Rs.2:000$000 (2 contos de réis) por novo alqueire de café plantado. Essa imposição pode ter concorrido para que os grandes cafeicultores adquirissem propriedades menos valorizadas, mas produtivas.
final foi facilitar as vendas desses lotes rurais aos colonos de qualquer nacionalidade.10
A análise dos inventários de Campinas sugere que essa diretriz governamental obteve sucesso, uma vez que é significativa a quantidade de propriedades em núcleos coloniais que foram declaradas pelos inventariantes, sobretudo os da metade menos rica dos inventariados. Trata-se de propriedades do Núcleo Colonial Campos Salles, fundado em 1897, sobre as terras da Companhia Agrícola Funilense e da família Nogueira, que deu origem à cidade de Cosmópolis, antigo distrito de Campinas. Em menor número, há ocorrências referentes ao Núcleo Colonial Nova Odessa, fundado em 1905, e ao Núcleo Colonial Nova Veneza, fundado em 1910, ambos também próximos a Campinas e constituídos sobre terras de fazendas particulares, que deram origem às cidades
de Nova Odessa e Sumaré, respectivamente.11
Entre os inventariados do estrato dos 50% menos ricos, de 1920-1940, com propriedades no Núcleo Colonial Campos Salles, encontram-se vários indivíduos de origem europeia: Oscar Paulo Homing, com propriedade de 8 alqueires; Ana Lenz, com 6 alqueires; João Ortmann, com 7 alqueires; Martha Sievert e Germano Krepski, ambos sem áreas declaradas (alemães); Affonso Cattozzi, sem área declarada; Emiglio Balloni, com 5 alqueires; e Luiza Diazzi, com 2 alqueires (italianos); Hans Sorensen e sua esposa, Margareth Sorensen; e Sover Moller Panlsen, ambos sem áreas e produções agrícolas declaradas (dinamarqueses). Já no Núcleo Colonial Nova Veneza aparecem os nacionais: Olympia Garcia, sem área declarada, e Silvino Pereira da Silva, com 4 alqueires.12
Entre os espólios dos proprietários do segmento entre 20 e 50% mais ricos, registram-se os casos da alemã Ottilia Hegert, com 7 alqueires, sem produção declarada, em 1915, e da brasileira Nicolina Lopes, com 6 alqueires produzindo frutas, em 1925, ambas do Núcleo Campos Salles. No Núcleo de Nova Odessa, há
10 GADELHA, Regina Maria D´Aquino Fonseca. Os núcleos coloniais e o processo de acumulação
cafeeira (1850-1920). Contribuição ao estudo da colonização em São Paulo. São Paulo: [s. n.],
1982. Tese (Doutorado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Universidade de São Paulo.
11 BALDINI, Kelly. Núcleo Colonial Campos Salles / Campinas: um estudo de caso sobre a dinâmica
das relações bairro rural – cidades. Campinas: [s. n.], 2010. Dissertação (Mestrado) – Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas – Universidade Estadual de Campinas, p. 135.
12 TJC, 1º Ofício, n.10753, 1920; 1º Ofício, n.10806, 1920; 1º Ofício, n.11506, 1930; 2º Ofício, n.962, 1920; 2º Ofício, n.1062, 1940; 3º Ofício, n.6381, 1935; 3º Ofício, n.8045, 1920; 3º Ofício, n.8056, 1920; 3º Ofício, n.8496, 1940; 4º Ofício, n.362, 1920; 4º Ofício, n.379, 1920; 5º Ofício, n.37, 1935.
o inventário da italiana Lavinia Pedroni, proprietária de 3 lotes, sendo um de 4 alqueires e dois de 8 alqueires, todos produzindo cana-de-açúcar e cereais, em 1920.13
Também entre os 20% mais ricos há 2 inventários que declaram propriedades em núcleos coloniais. Um deles é do italiano Pedro Gallani, com 7
alqueires no Núcleo Campos Salles, produzindo café, em 1930.14 Gallani era antigo
serralheiro na cidade e, pelas propagandas nos almanaques e jornais da cidade, sua fortuna parecia ter advindo desse ofício, não da produção agrícola. O outro caso é do brasileiro Herculano Ferreira, cujo inventário registrou um lote no Núcleo Colonial Riachuelo, em Araras (SP), sem declarações de área ocupada e do tipo de produção agrícola.15
4.3. Ativos financeiros e estoques
Os valores que compõem os ativos financeiros e estoques encontrados nos inventários foram agregados em três categorias. A categoria de depósitos e empréstimos concentra depósitos bancários, dinheiro entesourado e empréstimos concedidos sob garantias hipotecárias; a categoria de ações e quotas de empresas reúne títulos de capitais sociais de empresas, bem como seus dividendos; e a terceira categoria, estoques diversos, engloba também os estoques comerciais, industriais e de safras agrícolas. A Tabela 4.9 mostra os percentuais de cada estrato social, em cada período.
Tabela 4.9 – Distribuição dos ativos financeiros e estoques por estratos de inventariados, Campinas, 1870-1940, em % 1870-1890 1895-1915 1920-1940 20% mais ricos 82,9 87,5 90,6 20%-50% mais ricos 11,0 10,4 5,1 50% menos ricos 6,1 2,1 4,3 Totais 100,0 100,0 100,0 5% mais ricos 49,4 60,8 67,9
Fonte: inventários TJSP–Campinas.
A comparação dos percentuais dos estratos de inventariados ao longo dos períodos estudados revela uma concentração crescente desse grupo de bens nas
13 TJC, 3º Ofício, n.7976, 1915; 3º Ofício, n.8165, 1925; 4º Ofício, n.366, 1920. 14 TJC, 4° Ofício, n.2012, 1930.
mãos da elite dos 20% mais ricos, em detrimento dos estratos intermediários e dos 50% menos ricos.
4.3.1. A distribuição na elite
Conforme apresentado na Tabela 4.9, os percentuais de ativos financeiros e estoques registram crescimento substancial entre os mais ricos, partindo de 82,9% em 1870-1890 e alcançando 90,6% nos anos de 1920-1940. Os 5% mais ricos têm um crescimento relativo ainda maior, saindo de 49,4% no início da série e chegando a 67,9% em 1920-1940. A análise das três subdivisões dessa categoria de ativos ao longo do tempo mostra maior interesse dos inventariados por lucros com empréstimos financeiros, seguido por dividendos com ações ou quotas de capital social de empresas e, por último, por estoques diversos (Tabela 4.10).
Tabela 4.10 – Ativos financeiros e estoques entre os 20% mais ricos e os 5% mais ricos, Campinas, 1870-1940, em %
20% mais ricos 1870-1890 1895-1915 1920-1940 Depósitos e empréstimos 70,3 63,6 51,0 Ações ou quotas de empresas 16,4 24,7 34,8 Estoques diversos 13,3 11,7 14,2 Totais 100,0 100,0 100,0 5% mais ricos
Depósitos e empréstimos 74,6 65,0 47,3 Ações ou quotas de empresas 16,4 25,6 40,7 Estoques diversos 9,0 9,3 12,0 Totais 100,0 100,0 67,9
Fonte: inventários TJSP–Campinas.
Apesar de percentuais expressivos, observa-se o declínio do interesse dos inventariados da elite de Campinas por lucros com depósitos bancários e empréstimos financeiros ao longo do período estudado (por exemplo, de 70,3% em 1870-1890 para 51% em 1920-1940, entre os 20% mais ricos). Em contrapartida, nota-se a maior importância dada aos dividendos com ações ou quotas de capital social de empresas no mesmo período, alcançando 34,8% entre os 20% mais ricos e 40,7% no topo dessa elite, em 1920-1940. Os percentuais de estoques diversos oscilam entre 12% a 14% entre os 20% mais ricos e entre 9% e 12% no topo dessa elite.
Assim como ocorreu com o grupo de bens imóveis, o conjunto de ativos financeiros e estoques concentrou-se entre os mais ricos, como era de esperar. Nota-se uma tendência de aproximação entre os percentuais das categorias de
depósitos e empréstimos e de ações ou quotas de capital de empresas. Também se vê a maior importância dos estoques diversos ao longo do tempo.
4.3.2. A distribuição nos estratos intermediário e inferior
Os percentuais gerais dos ativos financeiros e estoques nos estratos intermediários e inferiores são pequenos e com tendência de declínio durante o estudo (ver Tabela 4.9). No caso dos 20% a 50% mais ricos, houve oscilação entre 10% a 11% entre 1870-1890 e 1895-1915, mas há declínio para 5,1% no período final. No estrato dos 50% menos ricos, a pouca importância começa com 6,1% no período inicial e encerra com 4,3% no período 1920-1940. A Tabela 4.11 apresenta os dados das categorias.
Tabela 4.11 – Ativos financeiros e estoques entre os 20%-50% mais ricos e os 50% menos ricos, Campinas, 1870-1940, em %
20%-50% mais ricos 1870-1890 1895-1915 1920-1940 Depósitos e empréstimos 84,1 70,3 74,3 Ações ou quotas de empresas 4,8 25,1 18,5 Estoques diversos 11,1 4,6 7,2 Totais 100,0 100,0 100,0 50% menos ricos
Depósitos e empréstimos 73,2 66,5 77,2 Ações ou quotas de empresas 15,3 23,6 20,6 Estoques diversos 11,5 9,9 2,2 Totais 100,0 100,0 100,0
Fonte: inventários TJSP–Campinas.
A principal forma de riqueza financeira no estrato intermediário foram os depósitos e empréstimos, com 84,1% no período 1870-1890, depois oscilando de 70,3% a 74,3% nos anos 1895-1915 e 1920-1940. As ações ou quotas de capital social de empresas tendem ao aumento percentual: começam com 4,8%, passam para 25,1% no período seguinte e refluem para 18,5% nos anos finais. Como última opção estão os estoques diversos, que iniciam com 11,1% no primeiro período e variam de 4,6% a 7,2% ao longo do estudo.
Entre os 50% menos ricos, os depósitos e empréstimos representam 73,2% da riqueza financeira no período 1870-1890, depois atingem 66,5% nos anos 1895-1915 e fecham com 77,2% no período 1920-1940. Como segunda opção, as ações ou quotas de capital social de empresas iniciam com 15,3% e oscilam entre 23,6% e 20,6% nas últimas décadas deste estudo. Para finalizar, os estoques
diversos variam de 11,5% a 9,9% em 1870-1890 e 1895-1915 e atingem apenas 2,2% no período 1920-1940.
Assim como ocorreu com o grupo de bens imóveis, o conjunto dos ativos financeiros e estoques concentrou-se entre os mais ricos. A preferência por depósitos e empréstimos predominou entre todos os estratos de inventariados, mas apresenta tendência de declínio ao longo do tempo nas elites e no estrato intermediário, ao contrário do estrato inferior onde seus percentuais aumentam. Com algumas oscilações, as categorias de ações ou quotas de capital social de empresas e de estoques diversos apresentam percentuais em alta nas elites e entre os 20% a 50% mais ricos, apontando para a diversidade econômica de Campinas, com o surgimento de oportunidades de investimentos em diferentes empresas do setor urbano. Por sua vez, mesmo no grupo da metade menos rica vê-se indivíduos que adquiriam ações ou cotas de capital de empresas e possuíam estoques diversos.