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5. PERFORMANS BİLGİLERİ

5.1. PLANLAMA, PROJE VE FAALİYET BİLGİLERİ

5.1.5. Yatırım Destek Ofisleri

5.1.5.3. Kilis Yatırım Destek Ofisi

Preliminarmente é importante salientar que a Constituição não fez vedações legais e sequer impôs limites às negociações coletivas, conforme podemos observar pelo disposto no seu artigo 7° in verbis:

“Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;

XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;”

Aliás, a bem lançada definição de “negociação coletiva” por Paulo Sergio João221, a qual, segundo ele, “deve ser entendida como uma

forma de adequação de interesses entre as partes, cujo objetivo é o alcance de uma solução capaz de satisfazer, no plano imediato, as divergências emergentes e, no plano mediato, ser uma oportunidade de aprendizado na busca de melhores condições sociais e de trabalho”.

Também nesse mesmo sentido Suely Ester Gitelman222, que

entende que “no Direito do Trabalho vigente não se busca mais somente a

proteção do contrato individual de trabalho e sim, a oferta de emprego para toda a coletividade, razão pela qual, em decorrência da flexibilização das normas trabalhistas, os direitos individuais de trabalho podem ser objeto de transação, uma vez que em decorrência da concessão desses direitos advirão vantagens mais favoráveis ou benéficas para todos os trabalhadores”.

E conclui:

“A flexibilização laboral surgida da crise econômica que assola o país, é um mecanismo de ajuste da empresa face à instabilidade econômica, com o intuito de garantir postos de emprego, e deve ser recebida não com surpresa e indignação, mas como forma de sindicatos que atuam na mesma posição celebrarem acordo afastando definitivamente o paternalismo estatal das relações de trabalho”.223

221 JOÃO, Paulo Sergio. Estrutura sindical no Brasil e negociações coletivas – efeito das cláusulas em negociações coletivas sobre o direito material. In Direito, gestão e prática:

direito empresarial do trabalho. Coord. Denise Poiani Delboni e Paulo Sergio João. São Paulo: Editora Saraiva, 2012, série GVlaw, pág.31.

222 GITELMAN, Suely Ester. A convenção coletiva de trabalho no direito brasileiro. São Paulo: s.n., 2001, Dissertação de Mestrado, Programa: Direito, Orientador: MANUS, Pedro Paulo Teixeira, pág. 119.

223 GITELMAN, Suely Ester. A convenção coletiva de trabalho no direito brasileiro, cit., p. 123.

Porém, este não é o entendimento predominante na doutrina. Em sentido oposto ao entendimento de que as convenções ou acordos são objeto de livre negociação e estipulação, o Jurista Maurício Godinho Delgado224 salienta que todos aqueles preceitos constitucionais

anteriormente citados “colocam como valor intransponível o constante

aperfeiçoamento das condições de saúde e segurança laborais, assegurando até mesmo um direito subjetivo à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Por essa razão, preceitos jurídicos que, ao invés de reduzirem esse risco, o alargam ou aprofundam, mostram-se francamente inválidos, ainda que subscritos pela vontade coletiva dos agentes econômicos envolventes à relação de emprego”.

Ainda: “as normas jurídicas estatais que regem a estrutura e

dinâmica dos intervalos trabalhistas também são, de maneira geral, no Direito Brasileiro, normas imperativas. O caráter de cogência próprio às regras do Direito do Trabalho também deve ser enfatizado”.225

Nesse diapasão, entende-se que a renúncia, pelo trabalhador, no âmbito da relação de emprego, a alguma vantagem ou situação resultante de normas respeitantes a intervalos poderia ser prejudicial e, por conseguinte, ser declarada inválida.

Paulo Sergio João 226 assevera que: “quanto às partes, a

liberdade de negociação livre de trabalhadores relativamente aos empregadores sobre as condições de trabalho está diretamente vinculada ao

224 DELGADO, Maurício Godinho. Jornada de trabalho e descansos trabalhistas. 3ª edição. São Paulo: Editora LTr, 2003, pág. 120.

225 DELGADO, Maurício Godinho. Jornada de trabalho e descansos trabalhistas, cit., p. 120. 226 JOÃO, Paulo Sergio. Estrutura sindical no Brasil e negociações coletivas – efeito das cláusulas em negociações coletivas sobre o direito material. In Direito, gestão e prática:

direito empresarial do trabalho. Coord. Denise Poiani Delboni e Paulo Sergio João. São Paulo: Editora Saraiva, 2012, série GVlaw, pág.32.

exercício da liberdade sindical, direito este de natureza individual, mas exercido coletivamente por meio de agrupamento em torno do sindicato, entidade chamada para capacitar e legitimar a manifestação da autonomia privada de modo coletivo”.

E conclui de forma muito pertinente227: “qualquer restrição

imposta pelo Estado no exercício desta liberdade implica violação direta do exercício da liberdade sindical”.

Agora, se por meio dos instrumentos coletivos autônomos não se reconhece validade a acordos, quanto mais por meio das relações bilaterais, ou seja, aquelas feitas diretamente entre empregado e empregador.

De forma taxativa a doutrina entende que a transação meramente bilateral, sem o apoio e amparo de negociação coletiva, também se submete ao mesmo conjunto indissolúvel de princípios e regras.

Deste modo, como critério geral, será inválida a transação bilateral que provoque prejuízo do trabalhador (artigo 468, CLT228), como por

exemplo, a redução de intervalo por aquém do mínimo fixado na legislação (como o intervalo para refeição e descanso de, pelo menos, 1 hora – artigo

227 JOÃO, Paulo Sergio. Estrutura sindical no Brasil e negociações coletivas – efeito das cláusulas em negociações coletivas sobre o direito material. In Direito, gestão e prática:

direito empresarial do trabalho, cit., p. 32.

228 Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.

71 229 , caput, CLT); ou eliminação de intervalo remunerado habitual

espontaneamente concedido pelo empregador (Súmula n.º 118 do TST230).

Portanto, como defende o Professor Maurício Godinho Delgado231: “o espaço para a renúncia é praticamente nenhum, assim como é

extremamente reduzido o espaço para a própria transação bilateral (preservando-se válida apenas quando não for lesiva)”.

Mais uma vez nosso entendimento, data venia, inclina-se na contramão do reconhecimento absoluto da rigidez destas transações, inclusive, também, quanto às alterações bilaterais, ou seja, é possível sim uma flexibilização neste ponto, desde que avaliadas pontualmente garantias e direitos constitucionais.

Primeiro porque o próprio legislador já previu no ordenamento algumas hipóteses de produção de atos unilaterais pelo empregador em busca de reduzir um dos intervalos legais (redução sem real prejuízo).

É o que podemos notar, por exemplo, no disposto no artigo 71, § 3º da CLT232, que permite que se diminua o lapso temporal mínimo de 1

hora para refeição e descanso caso o estabelecimento atenda integralmente

229 Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas.

230Súmula nº 118. JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS. Os intervalos concedidos pelo empregador na jornada de trabalho, não previstos em lei, representam tempo à disposição da empresa, remunerados como serviço extraordinário, se acrescidos ao final da jornada.

231 DELGADO, Maurício Godinho. Jornada de trabalho e descansos trabalhistas. 3ª edição. São Paulo: Editora LTr, 2003, pág. 120.

232 CLT, art. 71. § 3º O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares.

às exigências concernentes à organização dos refeitórios e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares.

Ainda que tal possibilidade de redução dependa de ato do Ministério do Trabalho e Emprego, depois de ouvido o órgão responsável pela área de segurança e medicina do trabalho do respectivo ministério (artigo 71, § 3º), tal hipótese já contempla a quebra do caráter absoluto da impossibilidade de alteração.

Fora isso, e, ainda no campo da alteração bilateral, houve manifestação de Leonel Maschietto sobre a matéria233, donde defendeu a

autonomia privada da vontade de certos grupos de empregados, podendo destacar dentre eles os altos empregados, os advogados de notável saber jurídico e outros empregados, excluídos do grupo de hipossuficientes e inseridos de forma indiscutível no grupo dos que gozam de plena autonomia jurídica para dispor diretamente de seus direitos (leia-se aqui: assuntos de seu interesse).

Isso tudo no escopo infraconstitucional, pois a avaliação no circuito constitucional deve tratar caso a caso.

Roberto Barreto Prado234, por seu turno, defende que “a

prerrogativa pertence ao sindicato e não aos empregados individualmente considerados. ‘Êstes’ são abrangidos pelas normas do ‘acôrdo’ coletivo, ainda que contra sua expressa e manifesta vontade”.

233 MASCHIETTO, Leonel. A Liberdade Contratual no Direito Individual do Trabalho Contemporâneo. Anais do 49º Congresso Brasileiro de Direito do Trabalho. Coordenação Amauri Mascaro Nascimento. São Paulo: Editora LTr, junho/2009, págs. 91-93.

234 PRADO, Roberto Barreto. Tratado de Direito do Trabalho. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1967, vol. II, pág. 723.

Os “hipossuficientes” ou os empregados com “debilidade

econômica absoluta”, descritos por Cesarino Junior235 num outro momento

cultural e econômico, estão, em relação aos autossuficientes (empregadores), “numa situação de hipossuficiência absoluta, pois

dependem, para viver e fazer viver sua família, do produto de seu trabalho”.

Um outro grupo surge com certa autonomia privada da vontade, afastando sensivelmente a necessidade de interferência e proteção estatal e se manifestando isoladamente e com independência jurídica, podendo livremente manifestar sua vontade a anuir àquilo que bem quiser dispor, excetuados, por óbvio, as situações de fraudes e outros vícios de vontade.

Mas ainda o próprio Professor Maurício Godinho Delgado236 traz

duas situações em que a doutrina e jurisprudência têm aceitado o que, diríamos, é do campo da flexibilização, ou seja, reconhecem que há espaço aberto à negociação coletiva no tocante à flexibilização das normas relativas a intervalos intrajornadas.

A lacuna da lei quanto aos expressos limites da negociação impõe a busca das respostas no conjunto das regras e princípios do Direito do Trabalho, bem como na leitura prática que a jurisprudência tem produzido a esse respeito.

Ainda lecionando, sobre esta questão Maurício Godinho Delgado237 defende que sempre que se falar em flexibilização, transação e

235 CESARINO JUNIOR, A.F. Direito Social Brasileiro. 6ª edição. São Paulo: Saraiva, 1970, 1º vol., pág. 25.

236 DELGADO, Maurício Godinho. Jornada de trabalho e descansos trabalhistas. 3ª edição. São Paulo: Editora LTr, 2003, pág. 121.

237 Para Maurício Godinho Delgado, sempre que se falar em flexibilização, transação e negociação coletiva, devemos refletir em torno dos princípios do direito do trabalho, ressaltando o princípio da adequação setorial negociada, sendo que à luz de tal princípio as normas autônomas coletivas negociadas somente podem prevalecer sobre o padrão geral heterônomo justrabalhista quando observarem dois critérios autorizativos essenciais: a) quando as normas coletivas implementarem padrão setorial de direitos superior ao padrão

negociação coletiva, devemos refletir em torno dos princípios do Direito do Trabalho e em dois critérios essenciais.

O primeiro critério, o da norma mais favorável, é marcadamente simples, já que se trata de alteração mais vantajosa ao empregado. Logo, difícil concluir pela ilegalidade, já que a norma coletiva não chega sequer a afrontar, portanto, o princípio da indisponibilidade de direitos obreiros ou o das garantias mínimas.

A análise do segundo critério, o das normas autônomas transacionando parcelas trabalhistas de indisponibilidade apenas relativa e não de indisponibilidade absoluta, parece merecer maiores comentários.

É possível vislumbrar-se norma coletiva negociada que afronte apenas parcelas trabalhistas de indisponibilidade relativa (embora rara a hipótese, já que as normas concernentes a intervalo são, essencialmente, de saúde do trabalhador).

Isso ocorreria, por exemplo, com uma norma que ampliasse o intervalo não remunerado entre dois interregnos de trabalho (alargando, pois, o intervalo máximo de 2 horas de que fala o artigo 71, caput da CLT – dispositivo que tem sido comum nas negociações coletivas da área de transporte urbano). A indisponibilidade aqui seria relativa, porque o alargamento do intervalo não afetaria, em princípio, diretamente a tutela da saúde do trabalhador.

Contudo, imperativo reconhecermos que grande parte das normas relativas a intervalo são normas de saúde e segurança laborais, e, por conseguinte, normas de saúde pública. Como tem predominado na geral oriundo da legislação heterônoma aplicável (o clássico princípio da norma mais favorável, portanto); b) quando as normas autônomas transacionarem parcelas trabalhistas de indisponibilidade apenas relativa (e não de indisponibilidade absoluta). DELGADO, Mauricio Godinho. Princípios do direito do trabalho. Jornal Trabalhista. Brasília: CTA, ano XI, n.º 535, 12.12.94.

doutrina e jurisprudência, tais, asseguram às parcelas trabalhistas a qualidade de indisponibilidade absoluta (entendimento que não comungamos, como já explanado).

Sendo direitos revestidos (ou reconhecido por alguns) como de indisponibilidade absoluta, os mesmos não poderiam ser transacionados nem mesmo por negociação coletiva.

Observe-se que referida discussão como posta, é realizada apenas no aspecto infraconstitucional, e não no escopo do conflito de direitos resguardados e garantidos constitucionalmente.

A justificativa, segundo a doutrina, tentando avançar para o campo constitucional, é que tais parcelas são aquelas caracterizadas na essência por uma tutela de interesse público, por se constituírem em uma base mínima aceitável de direitos238 que a sociedade democrática não

concebe ver reduzido em qualquer seguimento econômico-profissional, sob pena de se afrontar a própria dignidade da pessoa humana e a valorização mínima deferível ao trabalho (artigos 1.º, III e 170, caput, CF/88).

Isso significa, por exemplo, poder ser reconhecido como inválido o dispositivo de convenção ou acordo coletivo que dispense o intervalo intrajornada em lapsos temporais de trabalho superiores a 4 horas contínuas (ou superiores a 6 horas), afrontando, a princípio, os respectivos intervalos mínimos específicos pelo artigo 71 da CLT239.

238 Instituto esse conceituado por Maurício Godinho Delgado como “patamar mínimo civilizatório”. Introdução ao direito do trabalho. São Paulo: Editora LTr, 1995, págs. 166- 167).

239 Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas.

Outrossim, como sabemos, o intervalo de 1 hora em jornadas superiores a 6 horas (caput do artigo 71 da CLT) pode sim ser reduzido caso o estabelecimento tenha refeitório próprio (e não haja a prática de horas suplementares), pois como já salientamos, esta redução é expressamente autorizada pela lei (§ 3º do artigo 71 da CLT).

Mas, temos que admitir, será inválida (se avaliada infraconstitucionalmente) a supressão do referido intervalo ou sua redução a níveis temporais incompatíveis ao cumprimento de seus objetivos centrais (saúde, higiene e segurança laborais), como por exemplo, a fixação de intervalo para almoço de 10 (dez) e 15 (quinze) minutos.

Noutro aspecto, poderá ser reconhecida em casos concretos se avaliada na esteira do princípio da proporcionalidade, em que a colisão de direitos fundamentais se apresentarem em discussão.

Bem, como de maneira geral todos os intervalos intrajornadas são bem curtos (excetuado o previsto no caput do artigo 71 da CLT), mesmo uma simples redução pode ser tida como afronta à tutela das normas imperativas de saúde, medicina e segurança do trabalho, podendo vir a ser reconhecida como inválida, ressalte-se, na questão avaliada infraconstitucionalmente .

Permitindo a Constituição a efetiva diminuição do salário240 por

negociação coletiva nos termos do artigo 7º, VI241, aparentemente podemos

240 Cesarino Junior, leciona que “é princípio ensinado pelos tratadistas do salário que este deve obedecer à três critérios no seu cálculo: as necessidades do trabalhador, as possibilidades da empresa e a produtividade do trabalho. (...) ‘Êste princípio foi até certo

ponto consubstanciado no art. 137, letra c, da Constituição de 1937, que inscreveu: ‘a modalidade do salário será a mais apropriada às exigências do operário e da emprêsa”.(in, CESARINO JUNIOR, A.F. Consolidação das Leis do Trabalho. 4ª edição. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1956, vol. I, pág. 433.)

241 Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;

supor que a mesma confere plena validade à norma coletiva negociada que suprimisse até mesmo os intervalos intrajornadas remunerados (quem sabe, também aquele descrito no artigo 72 da CLT242, por exemplo), dependendo

caso a caso referida avaliação.

Mas é importante salientar que estas reduções devem vir acompanhadas de meios calibradores, a fim de se evitar o embate direto com o disposto no artigo 7.º, XXII243, CF, que trata da redução dos riscos

inerentes ao trabalho.

E mais: segundo nos informa Otavio Pinto e Silva244 “toda

negociação deve partir de um pressuposto básico: o de que as partes se comprometem a negociar de boa-fé e a proceder com lealdade em todos os seus entendimentos, assim como na execução do que vier a ser acordado”.

Isso poderá trazer maior legitimidade a negociação coletiva redutora dos intervalos e outras questões.

Em resumo, a avaliação na esfera infraconstitucional muita se separa da avaliação na esfera constitucional, e havendo colisão de direitos constitucionais, apenas caso a caso, sem esvaziamento completo de um em face do outro, podemos encontrar a solução adequada.

242 Art. 72 - Nos serviços permanentes de mecanografia (datilografia, escrituração ou cálculo), a cada período de 90 (noventa) minutos de trabalho consecutivo corresponderá um repouso de 10 (dez) minutos não deduzidos da duração normal de trabalho.

243 XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;

244 SILVA, Otavio Pinto e. A contratação coletiva como fonte do direito do trabalho. São Paulo: Editora LTr, 1998, pág. 105.