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4. BULGULAR VE TARTIŞMA

5.2 Kentsel Tasarım ve Kalıcı Konutlaşma Analizi Değerlendirmesi

Considerando que justamente é nas ações que seguem procedimento especial, quer no âmbito do Código de Processo Civil, quer fora dele, que se reconhece o caráter dúplice, julgamos apropriado, ainda que brevemente, examinar as eventuais justificativas teóricas para a adoção de rito especial em relação a determinadas demandas.

Se de um lado é possível reconhecer que a existência de procedimentos especiais teria por fulcro a tutela adequada de determinados direitos materiais (sem que isso

implique em qualquer subordinação do direito processual civil a eles), é forçoso reconhecer que inexistiria diretriz única nesse sentido.

Sobre o tema, vale mencionar o entendimento de Adroaldo Fabrício:

“O peso da tradição histórica, com as complicações e incongruências decorrentes das múltiplas fontes de influência, nem sempre coesas e entre si coerentes; a eventual interpenetração, em um mesmo processo, de elementos de diversas modalidades de tutela jurisdicional (de cognição, de execução e de cautela); razões de conveniência momentânea e local, com caráter meramente emergencial; até mesmo a simples impaciência do legislador frente à morosidade do aparelhamento judiciário em contratante com a pressão da demanda social − tudo influi no sentido de retirar da vala comum do rito ordinário um número crescente de ‘ações’, em antagonismo com a recomendação da doutrina, esta cada vez mais inclinada à redução numérica dos tipos procedimentais como imperativo da simplificação e da racionalização. Não há negar, por certo, a possibilidade de uma correta sistematização, seja a partir da intrínseca irredutibilidade de certos procedimentos ao ordinário, seja com base na idéia de ‘exceções reservadas’, embora esta acabe por conduzir à suposta sumariedade de todo procedimento especial. O que não se pode aceitar é a proliferação caótica e indiscriminada, submissa a razões sem qualquer compromisso científico.”229

Conforme aponta Antonio Carlos Marcato230, a pretensa celeridade aplicável aos procedimentos especiais nem sempre prepondera, já que em havendo contestação, alguns deles passam a adotar o rito ordinário.

Convém relembrar que se há prazos de resposta inferior ao previsto para o procedimento ordinário (arts. 902, inc. II – ações de depósito, e 915 − prestação de contas), existem outros que lhe são superiores, como é o caso das ações de divisão e demarcação de terras (arts. 954 e 968 – vinte dias).

Nesse sentido, o referido autor ainda pondera que o legislador, em relação aos procedimentos especiais, aludiu apenas à contestação, deixando portanto de considerar as outras formas de resposta do réu.

229 Adroaldo Furtado Fabrício, Justificação teórica dos procedimentos especiais, Conferência proferida no

Congresso Nacional de Processo Civil – 20 anos de vigência do CPC, Rio de Janeiro, dezembro de 1994,

Revista Forense, Rio de Janeiro, v. 91, n. 330, p. 6, abr./jun. 1995.

Deve-se porém interpretar a palavra “contestar” no sentido de “resposta”, observando-se para tanto o prazo fixado para a contestação nos artigos 188 e 191 do Código de Processo Civil.

Assinala que se a celeridade fosse o escopo precípuo dos procedimentos especiais, não obstaria que, ao invés deles, se adotasse o rito sumário.

Conclui que a especialidade resultaria das próprias características do litígio submetido à apreciação judicial e das exigências das pretensões que neles se contêm, o que tornaria mais aparente a relação entre direito e processo.

Além de tal aspecto, explicaria a adoção dos procedimentos especiais a situação peculiar da relação material objeto de litígio no processo, mencionando entendimento de Alberto dos Reis231, no sentido de que a “fisionomia especial do direito” impõe forma

especial de procedimento.

Resta, destarte, evidenciado que múltiplas são as razões para justificar a adoção dos procedimentos especiais, inexistindo, consoante nota Pontes de Miranda232, uma razão

unitária para fundamentar tal opção do legislador.

Vicente Greco Filho igualmente correlaciona a adoção do procedimento especial à correção de possível lesão específica de direito material, o que levaria o legislador a por vezes dar força à posição processual do autor, ora à do réu, ou, ainda, mais poderes ao juiz, podendo também enriquecer o processo em atos e termos especiais.

Não obstante seja difícil indicar todas as peculiaridades dos procedimentos especiais, o citado autor enumera algumas das medidas adotadas pelo legislador em relação a eles, tomando como paradigma o procedimento ordinário que, segundo ele, são técnicas ou métodos de adequação da tutela jurisdicional à correção da pretensa lesão de direito, a saber:

“1) altera prazos e seqüência de atos e suprime atos ou termos (v. arts. 938 e 939);

231 Alberto dos Reis, Processos especiais, Coimbra: Coimbra Editora, 1955, v. 1, p. 1-2, n. 1.

232 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, Comentários ao Código de Processo Civil, Rio de Janeiro:

2) insere providências cautelares ou executivas (v. possessórias ou ação de busca e apreensão decorrente de alienação fiduciária);

3) altera a força e efeitos das sentenças (v. despejo, possessórias);

4) funde conhecimento e execução (própria e imprópria), podendo colocar o primeiro como eventual (v. ação de prestação de contas, ação de consignação em pagamento);

5) estabelece regras recursais próprias (v. despejo por falta de pagamento e Lei n. 6.830/80);

6) atribui à ação a natureza de dúplice ou excepciona o princípio da iniciativa de parte (v. possessórias, inventário, prestação de contas); 7) altera a regra geral sobre legitimação ativa ou passiva e intervenção de terceiros (v. casos de substituição processual, citação de ‘terceiros interessados’);

8) antecipa a ocorrência do interesse processual para o momento da ameaça de lesão (v. nunciação de obra nova);

9) condiciona o exercício do direito de ação a pré-requisitos especiais, processuais e extraprocessuais (v. notificação prévia, justificação prévia); 10) atribui ao juiz poderes para atuar, independentemente de outra ação, diretamente no plano do direito material, eliminando ações futuras (v. a instituição de servidão pelo juiz da divisória);

11) excepciona o princípio da atuação por legalidade estrita e autoriza o julgamento por eqüidade;

12) estabelece regras especiais de competência.”233

Ressalte-se que a cognição no plano vertical, nas ações que seguem o procedimento especial, é plena.

Além disso, o Código de Processo Civil estabelece no artigo 272, parágrafo único, a aplicação subsidiária das disposições gerais do procedimento ordinário quando houver omissão no que se refere ao procedimento especial.

Adroaldo Fabrício 234 sustenta que, em regra, deverá haver aplicação do procedimento ordinário, admitindo contudo que para situações excepcionais, possa incidir o procedimento sumário.

Dentre as medidas supra relacionadas, iremos nos concentrar no enfoque do caráter dúplice de algumas ações que seguem o procedimento especial.

Acreditamos que para melhor examiná-las e distingui-las, é fundamental não olvidar o quanto antes mencionado.

233 Vicente Greco Filho, Direito processual civil brasileiro: processo de execução a procedimentos especiais,

16. ed., São Paulo: Saraiva, 2003, v. 3, p. 203-204.

Em que pese, como já frisado, ser impossível estabelecer uma razão exclusiva para a sua adoção, a relação de direito material posta em juízo constitui fator primordial, que serviria não só para justificar tal opção, mas para realçar o caráter dúplice da ação.

Passaremos, primeiramente, a uma breve retrospectiva histórica das ações dúplices, para, em seguida, abordar as de procedimento especial previstas no Código de Processo Civil e na legislação extravagante, que ostentariam ou não tal qualidade.