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4. BULGULAR VE TARTIŞMA

5.1 Geçici Konutlaşma Analizi Değerlendirmesi

Entre os possíveis posicionamentos do réu, admite-se ainda o reconhecimento jurídico do pedido, constante do artigo 269, inciso II do Código de Processo Civil.

Pode ser definido como a adesão por parte do réu ao direito material afirmado pelo autor e de suas respectivas conseqüências jurídicas.

Não se confunde com a confissão. Primeiro, porque apenas o réu pode praticar o ato e incide sobre o próprio direito material alegado pelo autor.

A confissão, como é cediço, pode advir do autor ou do réu e tem como objeto os fatos.

Ponto relevante e ao mesmo tempo divergente sobre o tema em apreço é, se realizado o reconhecimento jurídico do pedido, o juiz estaria vinculado a homologá-lo, prolatando sentença de mérito, ou se o ato não subtrairia do magistrado o poder de julgar, mesmo para desacolher a pretensão do autor.

Sustentam que em função do reconhecimento jurídico do pedido, face ao desaparecimento da lide, deixaria de haver interesse na continuidade do feito, restando ao juiz homologar o ato praticado pelo réu, entre outros: Cândido Dinamarco217, Moacyr Amaral218, Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery219, Moniz de Aragão220, Tornaghi221, Barbosa Moreira222 e Humberto Theodoro.223

Posicionam-se no sentido de que o reconhecimento jurídico do pedido não asseguraria ao autor o direito à obtenção de uma sentença favorável, já que ao reverso se estaria atribuindo ao ato do réu função jurisdicional de fazer atuar a lei no caso concreto, que é prerrogativa do Poder Judiciário, entre outros: Moacyr Lobo da Costa224, Celso Barbi225 e Luiz Eulálio Bueno Vidigal.226

Partidário da última corrente, Marcelo Abelha resume seu entendimento do seguinte modo:

217 Cândido Rangel Dinamarco, Direito processual civil, São Paulo: Bushatsky, 1975, p. 74.

218 Moacyr Amaral Santos, Primeiras linhas de direito processual civil, 15. ed., São Paulo, 1992, v. 2, p. 89. 219 Nelson Nery Junior; Rosa Maria de Andrade Nery, Código de Processo Civil comentado e legislação

extravagante, cit., p. 639.

220 Egas Dirceu Moniz de Aragão, Comentários ao Código de Processo Civil, 8. ed., Rio de Janeiro: Forense,

1995, v. 2, p. 547.

221 Hélio Tornaghi, Comentários ao Código de Processo Civil, cit., v. 2, p. 347.

222 José Carlos Barbosa Moreira, O novo processo civil brasileiro: exposição sistemática do procedimento,

cit., p. 97.

223 Humberto Theodoro Júnior, Curso de direito processual civil: teoria geral do direito processual civil e

processo de conhecimento, cit., v. 1, p. 288-289.

224 Moacyr Lobo da Costa, Confissão e reconhecimento jurídico do pedido, São Paulo: Saraiva, 1983, p. 88. 225 Celso Agrícola Barbi, Comentários ao Código de Processo Civil, 2. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1981, v.

1, p. 212.

226 Luiz Eulálio Bueno Vidigal, Comentários ao Código de Processo Civil, São Paulo: Revista dos Tribunais,

“Destarte, pensamos que a renúncia à pretensão e o reconhecimento jurídico do pedido exigem a extinção do processo com julgamento do mérito, mas não necessariamente ‘chancelando’ o que foi determinado unilateralmente na disposição de direitos pelas partes (incs. II e V do art. 269 do CPC).

Assim, tanto no inc. II quanto no inc. V do artigo 269 temos verdadeiro julgamento de mérito, podendo o magistrado decidir de modo distinto do que disse a renúncia e do reconhecimento jurídico do pedido. O fato de quase sempre seguir-se uma sentença de mérito cujo teor seja o mesmo da disposição de direito feita unilateralmente pela parte não tem por condão modificar a natureza da sentença, ou seja não passa ela a ser homologatória por isso. Vem confirmar o exposto o próprio artigo 584, III do CPC, que apenas elenca em tal dispositivo a sentença homologatória de transação, não fazendo menção às demais hipóteses dos incs. V e II do artigo 269 do CPC. Isso porque, quando formadores de título executivo judicial, já estariam encartados no artigo 584, I do CPC.”227

Cabe ressaltar que o artigo 475-N, inciso III do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei n. 11.232, de 22 de dezembro de 2005, manteve a redação anterior do artigo 584, inciso III, no que tange à referência apenas à sentença homologatória da conciliação ou da transação.

Não obstante o respeito que mereça a corrente que preconiza não ensejar o reconhecimento jurídico do pedido a necessária resolução do mérito em favor do autor, pensamos que a melhor posição é a defendida pelos partidários da tese oposta.

Não se trata de mera inércia do réu. Não se cuida de mera admissão de fatos. Somente se admite o reconhecimento sobre direitos disponíveis, pelo que, estando a matéria dentro da disponibilidade das partes, não seria aceitável, salvo melhor juízo, que o juiz, se sobrepondo à vontade livre e espontânea das partes, viesse a julgar diferentemente do quanto restou da manifestação inequívoca de qualquer delas.

Acreditamos que nem a eventual alegação da busca da verdade real, que seria um dos aspectos da efetividade do processo, seria hábil a justificar o prosseguimento do feito, em função de um ato unilateral, inequívoco de qualquer das partes, limitando-se, destarte, o juiz a examinar os seus aspectos formais e de regularidade.

Como o reconhecimento pode ser parcial ou total, pode-se cogitar de eventual incompatibilidade ou não de sua prática com o oferecimento da reconvenção, o que seria aplicável às ações dúplices e ao pedido contraposto.

Tratando-se especificamente da reconvenção e do reconhecimento jurídico do pedido, vale relembrar a posição externada por Clito Fornaciari, no mesmo sentido da sustentada por Zanzucchi e Chiovenda, com a qual aquiescemos: “Havendo reconhecimento, inexiste contestação. No entanto, afigura-se-nos possível, ainda assim, a reconvenção, em virtude de ser esta autônoma, em relação ao pedido do autor e, por outro lado, esse posicionamento atende o princípio da economia processual.”228

Desde que possa existir uma relação de independência entre o que tenha se sustentado na reconvenção, no pedido formulado na hipótese de ações dúplices ou do pedido contraposto, entendemos ser plenamente possível, em homenagem ao princípio antes referido, e desde que, por óbvio, o reconhecimento seja parcial, que o ataque veiculado pelo réu subsista.