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3. KENT MOBİLYASI–MEKAN

3.1. Mekan Kavramı

3.1.2. Kentsel mekan

Com o objetivo de interligar universidades e centros de pesquisas brasileiros à rede internacional, a estrutura para a Internet começou a ser implantada no Brasil entre 1991 e 1993, em razão da fase um do projeto da Rede Nacional de Pesquisa (RNP) em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC). No entanto, o uso comercial em território brasileiro só ocorreu em 1995.

Embora o comércio da Internet tenha sido liberado, a disseminação da rede só ocorreu após o advento da WWW. Daí por diante, a Internet passou por diferentes etapas de desenvolvimento até que chegasse ao momento atual. Num primeiro instante, os sites

Aumento da Funcionalidade Tempo Presença Integração Colaboração Compartilhamento Cocriação Interação

eram construídos de maneira estática, sem grandes recursos audiovisuais. Os conteúdos das páginas eletrônicas eram, por vezes, simples cópias de originais veiculados nas mídias tradicionais; a transposição do impresso para o digital era feita com base na cópia integral do documento para a Internet.

Como o conhecimento acerca do novo meio ainda era incipiente, o uso que se fez da Internet no País baseou-se no conhecimento das mídias anteriores. Nunca havia existido antes um meio que pudesse agregar jornal, televisão, rádio etc. É claro que as limitações iniciais não foram impostas somente pelos modelos de comunicação tradicionais. As limitações de velocidade na década de 1990 também precisam ser consideradas, pois as mesmas restringiam a transmissão de imagem e som em tempo real (entenda-se tempo real como resposta imediata ao indivíduo). Some-se a isto a ausência de profissionais habilitados para trabalhar as então (restritas) possibilidades interativas do novo meio, sendo este um aspecto merecedor de especial atenção.

Passada esta primeira etapa, ao longo de 1996 foi possível perceber um salto qualitativo de forma geral, não só no quesito tecnologia disponível, nos recursos humanos aptos para seu uso, mas, principalmente, pelo crescimento natural do mercado. A Internet brasileira crescia a passos largos tanto em número de usuários quanto de provedores e de prestadores de serviços através da rede. As páginas eletrônicas já apresentavam recursos dinâmicos; as pessoas já começavam a apresentar novos hábitos como uso intensivo de e-mails (correios eletrônicos) e surgiram mais intensamente as listas de discussão.

Uma das provas de que a Internet havia decolado no Brasil veio no dia 14 de dezembro de 1996, quando o cantor e compositor Gilberto Gil fez o lançamento de sua música “Pela Internet” através da própria rede, cantando uma versão acústica (da música) ao vivo e conversando com os usuários sobre sua relação com a Internet.

Ainda em 1996, a então empresa Andersen Consulting divulgou uma pesquisa realizada com um grupo selecionado de grandes empresas privadas e estatais do País. A pesquisa revelou que 80% dessas empresas haviam colocado informações e serviços na Internet. A pesquisa dizia, ainda, que mais da metade dessas organizações considerava “a tecnologia da informação um instrumento essencial para a tomada de decisões”.

A partir do ano de 1997 a Internet brasileira passou a se consolidar. Os usuários se avolumavam a passos largos. Novas revistas sobre o assunto foram lançadas. Os provedores do serviço chegaram a algumas centenas e logo depois a milhares. O conteúdo em língua portuguesa na rede passou a se tornar cada vez mais significativo.

Empresas, bancos, universidades e governos fizeram questão, de modo crescente, de mercar presença na Internet.

De qualquer maneira, o importante é que, hoje, a Internet continua em profusão. O assunto já faz parte do dia a dia dos brasileiros. Fala-se sobre a Internet na televisão, no rádio, nos jornais, nas agências de publicidade, nas escolas e universidades, nas organizações, nas residências. Muitos dizem que não conseguem viver sem ela. Definitivamente, a Internet tornou-se um meio de informação, comunicação, trabalho e entretenimento para os brasileiros.

De acordo com notícia veiculada no blog “fredpacheco.wordpress.com”, com base na pesquisa “F/Radar”, realizada pelo Instituto Datafolha, em agosto de 2008, a pedido da agência de publicidade F/Nazca, o número de internautas (indivíduos) brasileiros que acessavam a blogosfera passava pouco mais de 50 milhões até aquele mês, “2,5 milhões a mais do que o número registrado no primeiro semestre daquele ano”. Isso significava que 48% de toda a população nacional maior de 16 anos de idade já possuíam acesso à Internet.

Pesquisa realizada pelo Instituto Ibobe/Nielsen em dezembro de 2009 aponta que o Brasil já conta com 67,5 milhões de internautas ativos com mais de 16 anos de idade, dos quais 87% entram na Internet semanalmente. Do total de internautas, 27,5 milhões acessam regularmente a web de suas residências, número que sobre para 36,4 milhões se forem considerados também os acessos provenientes do ambiente de trabalho.

Para se ter uma idéia de crescimento, o número de internautas no Brasil superou os 100% nos últimos cinco anos, como é possível conferir no quadro 1.

Total de usuários de Internet no Brasil

Base:Milhões 2005 2006 2007 2008 2009 Usuários de Internet 32,1 35,3 39,0 53,9 67,5

Quadro 1:Total de usuários de Internet no Brasil

Fonte: Criação pessoal com base em pesquisa disponível em http://www.ibope.com.br

A pesquisa revela, ainda, que, nas áreas urbanas brasileiras, 44% da população, 97% das organizações e 36% dos domicílios estão conectados à rede mundial, contra 27% em 2008. Quanto ao tempo médio de navegação mensal em sites e blogs (sociais e corporativos), o País assume a liderança mundial, com 48 horas e 26 minutos, seguido por Estados Unidos e Reino Unido. Os nove primeiros países em tempo médio de navegação mensal, segundo a pesquisa, estão elencados no quadro 2.

Tempo médio de navegação na Internet

Posição País Tempo/mês

Brasil 48h26m Estados Unidos 42h19m Reino Unido 36h30m França 33h22m Japão 31h55m Espanha 31h45m Alemanha 30h25m Itália 28h15m Austrália 23h45m

Quadro 2: Tempo médio de navegação na Internet por país

Fonte: Criação pessoal com base em pesquisa disponível em http://www.ibope.com.br

O Brasil é o quinto país no mundo em número de usuários, de acordo com estudo desenvolvido, neste mesmo período, pela escola de Negócios da Universidade de Navarra (IESE Business School), da Espanha. Os líderes são China (285 milhões de internautas), Estados Unidos (234,4 milhões), Japão (89 milhões e Índia (86,2 milhões). Somados à Alemanha, o país europeu de maior número de usuários (61,9 milhões), correspondem a quase 833 milhões, mais da metade do total mundial de usuários da Internet no planeta.

Dos 44 países avaliados pelo estudo, nove aumentaram o número de usuários a um ritmo superior a 40% ao ano entre 2000 e 2009. Brasil, Colômbia, Cuba e Paraguai são, nesta ordem, os latinos entre eles. Paquistão e Marrocos apresentaram os crescimentos mais velozes, 57,5% e 56,2% por ano, respectivamente.

Um fator que tem contribuído para esse crescimento é o maior acesso da população aos computadores. Hoje, segundo o Ibope/Nielsen, há cerca de 50 milhões de equipamentos em operação nas residências dos brasileiros, entre desktops (computadores tradicionais, de mesa), notebooks (computadores portáteis) e netbooks (computadores de porte menor). A previsão dos especialistas é que esse número chegue a 100 milhões nos anos de 2011 ou 2012.

Mas, o principal agente que tem motivado não só o avanço do número de internautas como também da venda de computadores foi o surgimento da nova classe

notícia da revista “Época Negócios” (Ano 3, nº 33, Novembro de 2009, p.128), “nos últimos sete anos teve um aumento superior a 40% em sua renda familiar, que hoje vai de R$ 1,1 mil a R$ 4,8 mil”. Um fenômeno social sem precedentes na história do País, segundo os profissionais de institutos de pesquisa. Os indivíduos que compõem essa nova classe social, de acordo com a consultoria Plano CDE, já injetaram na economia mais de R$ 100 bilhões nos diversos segmentos de consumo. Segundo dados da consultoria, entre os lares da nova classe média, além do computador, “um terço já conta com aparelhos de microondas, 27% já ostentam o luxo de ter uma geladeira duplex e 22% exibem um carro na garagem”.

Em um primeiro momento, a grande maioria das estratégias organizacionais lançadas para a nova classe C se resumiu a adaptações daquelas criadas originalmente para os consumidores das classes A e B, que compõem o topo da pirâmide social. Para a sócia-diretora da Troiano Consultoria de Marca, Cecília Russo, isso foi um erro. O que dá certo com consumidores da classe média tradicional e da alta renda não necessariamente é eficaz com outros grupos. Cecília Russo acrescenta:

O principal erro das empresas é achar que a nova classe média é uma versão mais simples das classes A e B. Mas, não é. Os consumidores da classe C têm um jeito próprio de encarar a vida e de consumir. Falar e vender para eles exige conhecimento desse código.