10. KATILMA ALACAĞININ ÖDENMESİ VE ZAMANAŞIMI
10.2. Katılma Alacağında Zamanaşımı
Conforme apontado, a participação dos gastos de FABES manteve-se praticamente constante no total das despesas do município no período analisado. Exceção a esta regra foi o período do governo Covas, no qual esta participação elevou- se de forma um pouco mais significativa (ver tabela 5). De qualquer maneira, é importante frisar que o início dos anos 80 representou um forte aumento da participação dos gastos do órgão no total das despesas da prefeitura. Se de 1956, ainda dez anos antes de adquirir status de Secretaria, até 1971, esta participação sequer atingiu 0,5% das despesas municipais, oscilando na década de 70 entre 1,1% e 1,6% 33,
não é pouco importante que a partir dos anos 80 esta participação nunca tenha ficado situada abaixo dos 3,1%, chegando a atingir, em média, 4,5% nos três anos do governo Covas.
Tabela 6 - Execução orçamentária de FABES por tipos de despesas realizadas: 1980-1995 (valores em mil reais aos preços de 1995) 1
ano ou despesas correntes despesas
período total custeio transfe- de
pessoal material de consumo serviços de terceiros (2) diversas (3) rências correntes (4) capital (5) 1980 57.287,0 12.054,2 2.289,1 17.673,0 0,0 10.483,6 14.787,0 1981 73.141,7 16.802,5 2.152,2 22.648,1 2,0 9.781,9 21.753,1 1982 92.859,0 32.990,6 2.749,5 26.099,4 67,2 4.473,0 26.480,3 1983 80.161,5 43.861,3 2.057,6 26.183,9 19,4 5.691,3 2.348,0 1984 112.924,6 48.796,2 2.616,8 43.155,8 2,8 7.575,4 10.777,7 1985 130.469,0 59.499,5 2.389,2 51.888,6 9,5 5.802,9 10.879,3 1986 (6) 152.047,6 81.092,0 10.793,5 52.559,7 93,9 0,0 7.508,5 1987 (6) 115.233,4 55.226,0 2.570,9 46.612,4 0,0 961,1 9.851,1 1988 129.145,0 46.534,4 2.994,7 64.744,7 5,8 302,6 14.562,7 1989 140.313,0 73.673,8 3.079,9 57.058,6 0,2 0,0 6.500,5 1990 168.584,2 86.463,9 3.249,1 63.548,8 24,7 1.526,5 13.773,0 1991 209.954,3 100.211,5 2.460,3 80.867,5 223,1 2.598,7 23.592,7 1992 195.998,6 75.282,1 2.227,7 96.302,4 246,6 3.904,9 18.035,0 1993 161.647,2 56.083,5 2.664,9 89.791,9 237,8 4.679,4 8.189,7 1994 167.117,1 62.217,7 2.309,0 96.818,7 106,0 4.958,2 707,5 1995 166.783,6 65.634,1 1.673,3 87.353,2 360,5 4.416,6 7.345,8 média 80-95 (6) 134.741,9 55.721,8 2.493,8 58.866,8 93,3 4.728,2 12.838,0 distribuição (%) 1980-1995 100,0 41,4 1,9 43,7 0,1 3,5 9,5 1980-82 100,0 27,7 3,2 29,7 0,0 11,1 28,2 1983-85 100,0 47,0 2,2 37,5 0,0 5,9 7,4 1988 (6) 100,0 36,0 2,3 50,1 0,0 0,2 11,3 1989-92 100,0 47,0 1,5 41,7 0,1 1,1 8,7 1993-95 100,0 37,1 1,3 55,3 0,1 2,8 3,3 valor índice (7) 1981-82 55,2 37,0 96,1 37,6 24,7 174,4 163,6 1983-85 80,0 91,0 94,4 68,6 11,3 134,4 62,3 1988 (6) 95,8 83,5 120,1 110,0 6,2 6,4 113,4 1989-92 132,6 150,6 110,4 126,5 132,6 42,5 120,5 1993-95 122,6 110,0 88,9 155,1 251,7 99,1 42,2
Fontes: Banco Central do Brasil, dez.1996; Fundação IBGE, 1994; São Paulo (cidade), Secretaria de Finanças, 1980 a 1995. Notas: (1) - Para a conversão aos preços de 1995 foi utilizado como base o deflator do PIB.
(2) - “Serviços e encargos” + “remuneração de serviços pessoais”. (3) - “Despesas de Exercícios Anteriores”.
(4) - “Subvenções sociais” + “transferências a pessoas” + “contribuições a fundos” (até 1985). Em relação aos valores totais expressos nesta coluna, as chamadas “subvenções sociais” representaram 11,9% em 1980, 8,0% em 1981, 37,8% em 1983, 25% em 1987, e 29,8% em 1988. Nos anos de 1982, 1984, 1985 e 1993 representaram menos de 1%, e nos demais anos não ocorreram gastos nesta rubrica.
(5) - “Investimentos” (“obras e instalações” + “equipamentos e material permanente” + “despesas de exercícios anteriores”) + “inversões financeiras” (“aquisição de imóveis”), apenas em 1995.
(6) - Como nos anos de 1986 e 1987 a FABES ficou subordinada, como superintendência, à Secretaria Municipal de Educação, as despesas constantes nos balanços orçamentários segundo a tipologia apresentada nesta tabela não aparecem desagregadas. Desta forma, os valores apresentados para estes anos foram estimados com base nos períodos em que o órgão permaneceu autônomo, ampliando-se proporcionalmente cada valor parcial de acordo com o total de despesas realizadas enquanto superintendência. As despesas enquanto o órgão teve a denominação de Secretaria Municipal de Defesa Social (1986), foram consideradas normalmente. Como os valores para estes anos foram estimativos, os mesmos não foram considerados nos cálculos relativos à média, distribuição percentual e valor índice. (7) - Média 1980-1995 = 100.
Para uma primeira análise dos gastos efetuados no âmbito do órgão, a tabela 6 apresenta a evolução das despesas correntes e de capital, segundo o tipo de despesas realizadas.
Considerando os gastos efetuados pelo órgão no período aqui analisado, nota-se que ocorreu um significativo aumento das despesas já nos primeiros anos da década passada. É importante salientar que este crescimento antecipou-se àquele verificado para o conjunto das despesas municipais, que sofreram incremento significativo apenas a partir de 1985. Note-se que entre 1980 e 1986 as despesas do órgão cresceram continuamente, saltando, em termos reais, de aproximadamente R$57,3 milhões para pouco mais de R$152 milhões aos preços de 1995, ou seja, aumentaram 165,4%. A partir de então estas despesas diminuíram, voltando a atingir um nível superior aos gastos observados em 1986 apenas quatro anos depois, em 1990. Em 1991, os gastos do órgão atingiram o valor anual máximo em todo o período aqui analisado, a partir de quando voltaram a sofrer queda, consideravelmente acentuada no período dos três primeiros anos do governo Paulo Maluf.
Uma breve comparação entre os cinco períodos de governo é ilustrativa de como foram despendidos os recursos do órgão neste período. A gestão Reynaldo de Barros certamente foi a que mais investiu nas despesas de capital, tanto em termos relativos como em valores reais. Apenas nos três últimos anos de seu governo apresentados na tabela (1980-82) foi gasto o montante de R$63 milhões nestas despesas. Este valor não foi igualado nem mesmo no total dos quatro anos do período Erundina, o segundo maior neste tipo de despesa, quando o nível dos gastos municipais era significativamente superior. Naquele primeiro período estes dispêndios foram superiores até mesmo aos gastos com
pessoal, que também começaram a elevar-se já em 1981. Conforme indicado em alguns autores (Gohn, 1985, 151; Haddad e Oliveira, 1988; Sposati, 1988), as verbas para a ampliação maciça da rede de creches foram obtidas através
da obtenção de financiamento junto a organismos
internacionais como o Banco Mundial e o BID, ou principalmente junto ao governo federal, como testemunhou o então secretário do órgão, Wilson Quintella:
“(...) O orçamento da COBES, antes da gestão do Reynaldo era (...) o 12º. Então, nós começamos a procurar alternativas de recursos para viabilizar isso... descobrimos que tinha aquele dinheiro da Caixa... da Loteria Esportiva, que é o FAS - Fundo de Assistência Social. E naquela época nós conseguimos uma prioridade para São Paulo dos recursos do FAS. E essa foi uma prioridade (...) inclusive dada pelo Secretário do Planejamento, [que] naquela época era o Delfim Neto. São coisas que ninguém sabe... foram coisas de relacionamento pessoal, era marcar hora e falar. [Falei com ele e], no dia seguinte, ele ligou, ele autorizou o FAS da Caixa Econômica (...), deu prioridade total para a Caixa Econômica” (citado em Haddad & Oliveira, 1988, 320-1).
Ainda no período 1980-82 as despesas com serviços de terceiros foram as que consumiram a maior fatia dos gastos do órgão. Lembre-se que neste período o atendimento era
ainda predominantemente prestado pelas entidades
conveniadas.
O governo seguinte é marcado por uma acentuada inflexão dos dispêndios em favor dos gastos com pessoal, que passam a compor então o principal item das despesas do órgão. Como já apontado é neste governo que grande parte das creches construídas entram em efetivo funcionamento. Isto impôs a necessidade de ampliação dos quadros do
órgão34. Também na gestão Mario Covas, os serviços de
34 Sobre a evolução dos quadros de pessoal do órgão foi
possível reunir as seguintes informações: ele totalizava 9.702 servidores em 1983, 11.020 em 1984 e 13.222 em 1985, dos quais 16,2% de nível técnico, 25,2% de nível médio, e
terceiros sofrem incremento significativo, quase dobrando entre 1982 e 1985 em termos reais. Em contrapartida, houve forte contenção nas despesas de capital, uma vez que neste período a construção de novos equipamentos da rede direta foi quase paralisada, estimulando-se de maneira mais clara o crescimento da rede conveniada de equipamentos.
Ainda que a capacidade de atendimento da rede direta
tenha crescido mais significativamente que a rede
conveniada na gestão Jânio Quadros, as despesas de pessoal não refletiram este movimento. No último ano desta gestão,
os dispêndios com pessoal representavam “apenas” 36,0% das
despesas do órgão, percentual bastante inferior à média anual verificada no governo anterior. Em 1988, a folha de pagamentos do órgão foi, em termos reais, 21,8% menor que a de 1985. Naquele ano, os gastos com pessoal só não foram menores que o ocorrido nos quatro primeiros anos de toda a série aqui analisada, quando o número de servidores era bastante inferior, pois a instalação da rede direta de creches estava apenas se iniciando. Por outro lado, neste mesmo último ano do período Jânio Quadros, as despesas com serviços de terceiros atingiram o montante mais elevado até então, e que só seria superado três anos depois, já na segunda metade da gestão seguinte.
Nos três primeiros anos da gestão Erundina as despesas com pessoal voltaram a elevar-se continuamente e de forma 58,6% de nível operacional (São Paulo, cidade, 1985a). Para o período Jânio Quadros não foram encontradas informações, mas segundo documento de abril de 1992, eles totalizavam em dezembro de 1988 apenas 11.624 servidores. Em 1989 este total caiu ainda mais, para 10.252, mas a partir da realização de concursos para vários cargos na rede de creches, elevou-se para 11.935 em 1990, 12.957 em 1991, e chegou a 13.358 em março de 1992 (São Paulo, cidade, 1992a, 14). Já no governo Maluf, em 1994, o número de funcionários do órgão era 13.867, dos quais 83% nas creches e
aproximadamente 17% nas unidades administrativas da
bastante acentuada, declinando apenas em 1992. Assim, tornaram-se novamente o principal item nas despesas do órgão. Mas as despesas com serviços de terceiros, que refletem basicamente os dispêndios com os convênios, também se elevaram de forma contínua até o último ano deste governo, após sofrerem queda apenas no primeiro ano (1989), da ordem de 11,9%. De qualquer forma, em 1992 estas despesas foram 48,7% maiores que aquelas verificadas quatro anos antes, no fim da gestão Jânio Quadros. Em média, as despesas de capital representaram neste governo 8,7% do total dos gastos do órgão.
No período do governo Paulo Maluf aqui analisado as despesas do órgão sofreram retração. Em termos anuais médios, as despesas totais do órgão declinaram 7,6% em relação ao governo anterior (ver tabela 5), e as realizadas com pessoal foram 26,9% menores no período 1993-95 comparativamente a 1989-92. Por sua vez, as despesas com serviços de terceiros mantiveram-se mais estabilizadas em termos reais, passando então a representar mais da metade (55,3%) das despesas do órgão na média anual dos gastos ocorrida neste período. Chama atenção também o fato que a participação das despesas de capital foi, neste governo, a menor verificada em todo o período analisado, tanto em termos relativos quanto em valores absolutos.
De certa forma, os dados aqui apresentados parecem refletir aproximativamente como cada governo atuou não apenas no órgão, mas na gestão do município como um todo. Note-se que nos dois períodos em que a cidade foi governada por administrações de perfil mais progressista (Mario Covas e Luiza Erundina), as despesas com pessoal assumiram maior relevância. Já nos períodos de Jânio Quadros e Paulo Maluf a queda da participação das despesas do órgão no conjunto
das despesas municipais foi possível sobretudo às políticas de compressão salarial então levadas a efeito.
É verdade que com relação ao período Jânio Quadros os dados apresentados na tabela 6 para os anos de 1986 e 1987 são estimativos, mas de qualquer forma as despesas com pessoal realizadas em 1988 mostram uma clara tendência de queda neste item das despesas do órgão ao longo desta mesma
gestão. Em contrapartida as despesas com serviços
terceirizados assumiram maior relevância nestes períodos. Estas tendências na alocação de recursos financeiros do órgão podem ser indicativas de quais atores adquiriram maior peso político em cada gestão. Mesmo no caso da gestão
Reynaldo de Barros, na qual a comparação “despesas com
pessoal” versus “despesas com terceiros” fica inviabilizada pelo então ainda pequeno número de servidores, o grande volume de despesas de capital é ilustrativo de sua imagem
associada a de “realizador de obras”. Não é demais lembrar
que este ex-prefeito veio ocupar, na gestão de Paulo Maluf, os cargos de Secretário de Serviços e Obras e de Vias Públicas.
As tabelas 7A e 7B apresentam, respectivamente, em valores reais, e em termos percentuais, como foram distribuídas as despesas do órgão pelos diversos programas desenvolvidos no seu âmbito nos cinco períodos de governo aqui discutidos. A análise destes dados permite entendermos melhor como foi se configurando a evolução da atuação municipal na área da assistência social.
Em todo o período aqui analisado os gastos diretos com o atendimento à infância de 0 a 6 anos foram, seguramente, os que representaram a maior parte das despesas realizadas pelo órgão. Mas nem sempre foi assim.
Tabela 7A - Despesas anuais médias realizadas por FABES segundo o período de governo - Município de São Paulo: 1980-1995 (valores em mil reais aos preços de 1995) (1)
programas desenvolvidos período de governo
1980-82 1983-85 1986-88 1989-92 1993-95 1980-95
total das despesas de FABES 74.429,2 107.851,6 132.142,0 178.712,5 165.182,7 134.604,2
(% sobre o total da Prefeitura) (3,1) (4,4) (4,1) (4,0) (3,4) (3,8)
atendimento à infância (0 a 6 anos) 34.662,4 60.494,8 81.872,8 115.999,7 105.310,5 81.938,8
construção de creches 19.470,4 5.545,3 9.497,7 10.607,7 4.685,2 10.001,7
reforma e ampliação de creches 158,6 774,8 3.295,7 7.684,7 3.446,6 3.360,4
oper. e manut. da rede direta de creches (2) -- 26.404,4 37.468,0 57.982,0 42.855,1 34.506,9
manut. de crianças em creches conveniadas 14.939,5 27.004,0 28.745,7 34.685,2 45.788,0 30.510,8
outras iniciativas no atendim. à infância (3) -- 478,1 2.108,5 470,8 410,4 679,7
manutenção das unidades (4) 94,0 288,2 757,1 2.959,5 3.111,4 1.536,9
água, energia elétrica, gás encanado,
telefone e telex -- -- -- 1.609,8 5.013,8 1.342,5
crianças e adolescentes (7 a 14 anos) -- 5.446,7 16.525,4 18.678,0 23.846,2 13.260,4
construção, reforma e ampliação de
equipamentos sociais -- -- -- 866,7 522,7 314,7
operação e manutenção da rede direta de
centros de convivência -- -- -- 534,9 1.652,4 443,5
manutenção de menores em centros de
juventude conveniados -- 5.446,7 16.525,4 17.276,4 20.173,1 12.221,3
apoio social ao adolescente -- -- -- -- 1.498,1 280,9
outros programas 16.371,6 14.696,8 9.245,9 4.223,4 5.283,2 9.605,4
Educação de Adultos (5) 3.102,4 3.715,1 4.970,6 301,6 -- 2.285,7
Urbanização de Favelas - Pró-Favela 364,1 1.649,1 -- -- -- 377,5
atendimento de emergência 1.721,7 1.689,5 31,0 445,3 366,8 825,5
contribuição ao FUNAPS (6) 4.873,5 2.957,4 -- -- -- 1.468,3
A.P.P.S. (7) 3.037,5 2.180,3 2.557,0 1.516,7 824,5 1.991,5
demais programas (8) 3.272,5 2.505,3 1.687,3 1.959,8 4.091,9 2.656,9
despesas de suporte administrativo 23.392,4 27.213,4 24.499,6 39.810,6 30.742,8 29.799,2
auxílio-refeição p/ servidores -- -- -- 886,6 1.451,8 493,9
vale-transporte -- -- -- 2.075,7 4.678,1 1.396,1
administração do Gabinete da Secretaria 20.757,1 24.069,5 21.954,8 23.573,8 14.375,2 21.110,3
administração das supervisões regionais (9) -- -- -- 6.024,1 5.442,6 2.526,5
aquisição e locação de veículos para a frota 2.100,3 2.831,3 2.359,4 5.588,5 3.959,1 3.506,5
demais despesas de suporte (10) 535,0 312,5 185,3 1.661,9 836,0 765,8
Fontes: Banco Central do Brasil, dez.1996; Fundação IBGE, 1994; São Paulo (cidade), Secretaria de Finanças, 1980 a 1995. Notas:
(1) - Valores em mil reais aos preços de 1995. Para a conversão dos valores foi utilizado como base o deflator do PIB. (2) - Até 1982 não existia esta rubrica, pois não eram separados os gastos das redes direta e conveniada.
(3) - “Apoio às iniciativas da comunidade no atendimento à criança” + “atendimento domiciliar à criança” + “Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - FUMCAD”.
(4) - “Conservação das unidades da Coordenadoria do Bem-Estar Social” (1981-1985), “manutenção de bens móveis, conservação e adaptação de bens imóveis de FABES (1986-1995)”.
(5) - Até 1989, quando foi transferido para a Secretaria Municipal de Educação. (6) - Fundo de Atendimento à População Moradora em Habitação Subnormal. (7) - Assistência à População com Problemas de Subsistência.
(8) - “Programa de Ação Conjunta PMSP-SABESP - Pró-Água” + “Programa de Ação Conjunta PMSP-ELETROPAULO - Pró-Luz” + “Subvenção ao Corpo Municipal de Voluntários” + “subvenção a diversas entidades sociais” + “Remoção Habitacional (1980)” + “Provisão de Documentos” + “Formação Rápida de Mão-de-Obra (1980)”, “Núcleo de Formação e Organização para o Trabalho (1981-90)”, “Produção Associada de Bens e Serviços (1991-95)” + “Remoção de Favelas” + “Promoção e Dinamização de Atividades Comunitárias (até 1990)”, “Serviços Comunitários (1991-95)” + “Atendimento à População de Rua” + “Reforma e Ampliação de Núcleos Comunitários” + “Construção de Núcleos Comunitários”.
(9) - Transformadas em unidades orçamentárias em 1990.
(10) - “Ampliação e reforma de próprios municipais” + “Programação e Informações Técnicas” + “operação e manutenção da frota” + “Serviço de Análise e Processamento de Dados” + “aluguéis de imóveis, indenizações e seguros” + “despesas de exercícios anteriores - pessoal FABES” + “despesas de exercícios anteriores” + “despesas de exercícios anteriores (lei 10.063 de 12.85)”.
Tabela 7B - Distribuição percentual (1) das despesas anuais médias realizadas por FABES segundo o período de governo - Município de São Paulo: 1980-1995
programas desenvolvidos período de governo
1980-82 1983-85 1986-88 1989-92 1993-95 1980-95
total das despesas de FABES 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
atendimento à infância (0 a 6 anos) 46,6 56,1 62,0 64,9 63,8 60,9
construção de creches 26,2 5,1 7,2 5,9 2,8 7,4
reforma e ampliação de creches 0,2 0,7 2,5 4,3 2,1 2,5
oper. e manut. da rede direta de creches (2) -- 24,5 28,4 32,4 25,9 25,6
manut. de crianças em creches conveniadas 20,1 25,0 21,8 19,4 27,7 22,7
outras iniciativas no atendim. à infância (3) -- 0,4 1,6 0,3 0,2 0,5
manutenção das unidades (4) 0,1 0,3 0,6 1,7 1,9 1,1
água, energia elétrica, gás encanado,
telefone e telex -- -- -- 0,9 3,0 1,0
crianças e adolescentes (7 a 14 anos) -- 5,1 12,5 10,5 14,4 9,9
construção, reforma e ampliação de
equipamentos sociais -- -- -- 0,5 0,3 0,2
operação e manutenção da rede direta de
centros de convivência -- -- -- 0,3 1,0 0,3
manutenção de menores em centros de
juventude conveniados -- 5,1 12,5 9,7 12,2 9,1
apoio social ao adolescente -- -- -- -- 0,9 0,2
outros programas 22,0 13,6 7,0 2,4 3,2 7,1
Educação de Adultos (5) 4,2 3,4 3,8 0,2 -- 1,7
Urbanização de Favelas - Pró-Favela 0,5 1,5 -- -- -- 0,3
atendimento de emergência 2,3 1,6 0,0 0,2 0,2 0,6
contribuição ao FUNAPS (6) 6,5 2,7 -- -- -- 1,1
A.P.P.S. (7) 4,1 2,0 1,9 0,8 0,5 1,5
demais programas (8) 4,4 2,3 1,3 1,1 2,5 2,0
despesas de suporte administrativo 31,4 25,2 18,5 22,3 18,6 22,1
auxílio-refeição p/ servidores -- -- -- 0,5 0,9 0,4
vale-transporte -- -- -- 1,2 2,8 1,0
administração do Gabinete da Secretaria 27,9 22,3 16,6 13,2 8,7 15,7
administração das supervisões regionais (9) -- -- -- 3,4 3,3 1,9
aquisição e locação de veículos para a frota 2,8 2,6 1,8 3,1 2,4 2,6
demais despesas de suporte (10) 0,7 0,3 0,1 0,9 0,5 0,6
Fontes: Banco Central do Brasil, dez.1996; Fundação IBGE, 1994; São Paulo (cidade), Secretaria de Finanças, 1980 a 1995. Notas:
(1) - Porcentagens calculadas sobre as despesas médias anuais realizadas em cada período, com base na atualização dos valores aos preços de 1995 pelo deflator do PIB.
(2) - Até 1982 os gastos de “operação e manutenção da rede direta de creches” apareciam sob a rubrica comum “assistência à infância e à adolescência”, comum às redes direta e conveniada de creches, não sendo possível diferenciá-los.
(3) - “Apoio às iniciativas da comunidade no atendimento à criança” + “atendimento domiciliar à criança” + “Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - FUMCAD”.
(4) - “Conservação das unidades da Coordenadoria do Bem-Estar Social” (1981-1985), “manutenção de bens móveis, conservação e adaptação de bens imóveis de FABES (1986-1995)”.
(5) - Até 1989, quando foi transferido para a Secretaria Municipal de Educação. (6) - Fundo de Atendimento à População Moradora em Habitação Subnormal. (7) - Assistência à População com Problemas de Subsistência.
(8) - “Programa de Ação Conjunta PMSP-SABESP - Pró-Água” + “Programa de Ação Conjunta PMSP-ELETROPAULO - Pró- Luz” + “Subvenção ao Corpo Municipal de Voluntários” + “subvenção a diversas entidades sociais” + “Remoção Habitacional (1980)” + “Provisão de Documentos” + “Formação Rápida de Mão-de-Obra (1980)”, “Núcleo de Formação e Organização para o Trabalho (1981-90)”, “Produção Associada de Bens e Serviços (1991-95)” + “Remoção de Favelas” + “Promoção e Dinamização de Atividades Comunitárias (até 1990)”, “Serviços Comunitários (1991-95)” + “Atendimento à População de Rua” + “Reforma e Ampliação de Núcleos Comunitários” + “Construção de Núcleos Comunitários”. (9) - Transformadas em unidades orçamentárias em 1990.
(10) - “Ampliação e reforma de próprios municipais” + “Programação e Informações Técnicas” + “operação e manutenção da frota” + “Serviço de Análise e Processamento de Dados” + “aluguéis de imóveis, indenizações e seguros” + “despesas de exercícios anteriores - pessoal FABES” + “despesas de exercícios anteriores” + “despesas de exercícios anteriores (lei 10.063 de 12.85)”.
Segundo os dados organizados por Sposati (1988), a área de “assistência ao menor” surge nos orçamentos do órgão em 1963. Até o final dos anos 60 esta participação oscila entre 11,1% e 21,5%. Na primeira metade dos anos 70 esta participação é ainda menor, variando entre o mínimo de 2,8%, em 1971, e o máximo de 17,4%, em 1976.
Estas cifras dizem respeito, porém, às despesas orçadas, não às executadas. Neste mesmo ano de 1976 os gastos efetivos nesta área atingiram apenas 10,7% das despesas do órgão. A partir de então esta área de ação começa realmente a ganhar relevância comparativamente às demais. Nos anos seguintes, sua participação nas despesas do órgão vai crescendo rapidamente: 21,0% em 1977, 27,7% em 1978 e 25,6% em 1979 (Sposati, 1988, 278-9, dados extraídos das tabelas 21 e 22).
Observe-se que em termos médios, no período
compreendido entre 1980, e 1995, o atendimento à infância consumiu quase R$82 milhões anualmente, representando 60,9% das despesas do órgão. Se dividirmos proporcionalmente entre os diversos programas do órgão, de acordo com as verbas diretamente utilizadas em cada um deles, as despesas de suporte administrativo (administração do Gabinete e das supervisões regionais, aquisição e locação de veículos, vale-transporte e auxílio-refeição para servidores, além de outras), é possível estimar que em realidade esta participação do programa pode ter representado 78,1% dos recursos despendidos pelo órgão, conforme apresentado na tabela 8.
Embora estimativos, estes dados permitem perceber que, à exceção do período de governo de Paulo Maluf, em todos os demais houve evidente crescimento relativamente maior das despesas com atendimento à infância de 0 a 6 anos,
municipal de assistência social nesta área das políticas sociais.
Tabela 8 - Estimativa das despesas anuais médias realizadas por FABES com os programas de atendimento à infância e demais programas por incidência dos gastos segundo o período de governo - 1980-1995 (1)
programas desenvolvidos e período de governo
incidência dos gastos (2) 1980-82 1983-85 1986-88 1989-92 1993-95 1980-95
total das despesas de FABES 74.429,2 107.851,6 132.142,0 178.712,5 165.182,7 134.604,2
atendimento à infância (0 a 6 anos) 50.919,6 80.923,2 100.482,6 149.325,4 129.400,4 105.154,9
rede de creches diretas 29.087,9 44.147,7 62.834,2 104.108,4 72.634,6 65.159,2
gastos diretos 19.723,0 33.012,7 51.018,6 80.843,7 59.112,0 50.748,3
constr., reforma e ampliação de creches 19.629,0 6.320,1 12.793,4 18.292,4 8.131,8 13.362,0
oper. e manut. da rede direta (3) (4) 94,0 26.692,6 38.225,1 62.551,3 50.980,3 37.386,3
gastos indiretos (estimativa) (5) 9.364,9 11.135,0 11.815,7 23.264,7 13.522,5 14.410,8
rede de creches conveniada 21.831,7 36.775,5 37.648,4 45.217,0 56.765,8 39.995,8
gastos diretos 14.939,5 27.482,1 30.854,2 35.156,0 46.198,4 31.190,4
manut. de cças em creches conven. (4)(6) 14.939,5 27.482,1 30.854,2 35.156,0 46.198,4 31.190,4
gastos indiretos (estimativa) (5) 6.892,2 9.293,3 6.794,2 10.061,0 10.567,4 8.805,3
demais programas 23.506,8 26.928,5 31.661,1 29.386,3 35.782,4 29.448,8
gastos diretos 16.371,6 20.143,5 25.771,4 22.901,4 29.129,5 22.865,8
gastos indiretos (estimativa) (5) 7.135,2 6.785,0 5.889,7 6.484,9 6.652,9 6.583,0
distribuição percentual 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
atendimento à infância (0 a 6 anos) 68,4 75,0 76,0 83,6 78,3 78,1
rede de creches diretas 39,1 40,9 47,6 58,3 44,0 48,4
gastos diretos 26,5 30,6 38,6 45,2 35,8 37,7
constr., reforma e ampliação de creches 26,4 5,9 9,7 10,2 4,9 9,9
oper. e manut. da rede direta (3) (4) 0,1 24,7 28,9 35,0 30,9 27,8
gastos indiretos (estimativa) (5) 12,6 10,3 8,9 13,0 8,2 10,7
rede de creches conveniada 29,3 34,1 28,5 25,3 34,4 29,7
gastos diretos 20,1 25,5 23,3 19,7 28,0 23,2
manut. de cças em creches conven. (4)(6) 20,1 25,5 23,3 19,7 28,0 23,2
gastos indiretos (estimativa) (5) 9,3 8,6 5,1 5,6 6,4 6,5
demais programas 31,6 25,0 24,0 16,4 21,7 21,9
gastos diretos 22,0 18,7 19,5 12,8 17,6 17,0
gastos indiretos (estimativa) (5) 9,6 6,3 4,5 3,6 4,0 4,9
Fontes: Banco Central do Brasil, dez.1996; Fundação IBGE, 1994; São Paulo (cidade), Secretaria de Finanças, 1980 a 1995. Notas: (1) - Valores em mil reais aos preços de 1995. Para a conversão dos valores foi utilizado como base o deflator do PIB.
(2) - Para referências mais detalhadas aos programas, ver notas das tabelas 7A e 7B.
(3) - “Consumo de água, energia elétrica, gás encanado, telefone e telex” + “manutenção das unidades”.
(4) - Até 1982 não existia a rubrica “Operação e manutenção da rede direta de creches”, estando as despesas agregadas à da rede conveniada sob a rubrica comum “assistência à infância e à adolescência”.
(5) - Para estimativa dos gastos indiretos as despesas de suporte administrativo (ver tabelas 7A e 7B) foram proporcionalmente distribuídas pelos conjuntos de programas de acordo com o peso das despesas diretas no total dos gastos.
Em outras palavras, FABES veio se tornando quase que exclusivamente um órgão de gestão da política municipal de creches. Veja-se que em termos anuais médios, as despesas com atendimento à infância cresceram, em relação aos governos anteriores, 58,9% na gestão Mario Covas, 24,2% com Jânio Quadros, 48,6% com Luiza Erundina, e diminuíram 13,3% com Paulo Maluf.
Já as despesas com o conjunto dos demais programas evoluíram de forma bem mais acanhada. Este crescimento, ainda em comparação com os governos anteriores, foi de 14,6% com Covas e 17,6% com Jânio Quadros, tendo então diminuído 7,2% no período Erundina. Apenas na gestão Paulo Maluf foram privilegiados na comparação com o atendimento à infância, crescendo 21,8% graças ao incremento dos gastos com programas voltados à faixa etária de 7 a 14 anos.
Voltando aos dados apresentados nas tabelas 7A e 7B, pode-se perceber que os programas de educação de adultos e de formação de mão-de-obra, que tinham destaque até o final dos anos 70 entre as áreas de ação do órgão, vão tendo sua