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Katılımcılar

Belgede Onur ERGÜNAY Eskişehir 2018 (sayfa 56-62)

3. YÖNTEM

3.2. Katılımcılar

Dentre as oscilações do funcionamento do grupo de autoestima, muitas mulheres passaram por este espaço, algumas vinham uma vez, curiosas; outras se mudaram da comunidade; outras desistiram; outras tiveram que voltar a trabalhar; algumas simplesmente não se interessaram mais em estar ali. Muitos moradores e moradoras

foram convidados a participar, mas somente seis permanecerão persistentemente. Considerei estas seis mulheres, que afirmaram uma matriz grupal, as elegidas como participantes da pesquisa. Estas vieram ao longo do trabalho mostrando compromisso e envolvimento tanto com o grupo, através de sua participação assídua, como com as inúmeras ações comunitárias que a partir desde se desdobraram, sendo estes critérios para essa escolha.

O nome de cada uma delas soa em mim com força, garra e admiração, afirmando a identidade e a lembrança afetuosa dos rostos em minha memória e em meu coração. Entretanto, seus nomes serão aqui fictícios, sendo este um modo de resguardar e cuidar da intimidade da vida dessas pessoas, mas sobre tudo, podendo ser a possibilidade de ressaltar o respeito e a admiração que desenvolvi por elas, por suas histórias de vida, por seus processos de superação e por suas lutas para conquistar a felicidade. A eleição dos nomes fictícios foi feita a partir da vinculação que cada nome em mim suscitou, aparentemente de forma aleatória, mas guardando uma relação subjetiva e intuitiva com a personalidade de cada uma. Outras moradoras da comunidade também serão citadas, e farão parte dessa trajetória de inserção comunitária, sem, entretanto, terem uma nomeação específica.

Gardênia

Era a mais alta do grupo, tinha um cabelo longo e loiro, olhos verdes e pele clara, tinha vinte e poucos anos de idade. Era bonita e cheia de garra, naturalmente alegre, afetiva e vivaz. Costurava tapetes coloridos com pedaços de retalhos para vender na feira, daí tirava seu sustento. Essa atividade era realizada por suas outras duas irmãs, pois elas haviam aprendido esse ofício com a mãe. Tinha dois filhos, um menino de dez anos e uma menina de treze. Estes em muitos momentos participaram das sessões. Fez parte do grupo desde o início, tendo sido uma das mais assíduas, além de se disponibilizar para mobilizar e articular a comunidade: foi uma das participantes que divulgou e convidou muitas pessoas para o grupo de autoestima, realizou as inscrições e organizou em conjunto conosco o mutirão da saúde, dentre outras ações comunitárias. Sua casa estava sempre aberta, lugar onde na maioria das ocasiões preparávamos o lanche, um cafezinho, nos encontrávamos antes das sessões. Em várias ocasiões, o grupo foi realizado em sua casa. Sua dificuldade maior era a relação conflituosa com o marido, que era usuário de drogas, passando por diversos momentos nos quais tentou se separar.

Maria

Era uma senhora de meia-idade. Tinha três filhos, dois ainda crianças e um deles tinha uma deficiência contraída no parto, talvez uma paralisia cerebral leve, o que o impedia de andar. Maria era uma mulher sofrida que constantemente expressava sua experiência de sofrimento nas sessões. Suas queixas se relacionavam principalmente com o conflito que tinha com o marido, com sua dependência da bebida alcoólica e com a condição de deficiência do seu filho mais novo. A dependência do álcool vivida por ela e por seu marido gerava uma série de situações de violência e agressões, que permeava sua vida e seus relacionamentos. Ao mesmo tempo, mostrava-se uma mulher de fibra, pois vivia nessa situação há muitos anos, buscando manter sua estrutura familiar. Vivia em uma casa feita de tábuas de madeira, bastante precária, que havia sido construída pelo marido com material que ele juntava como catador. Entretanto, o terreno que morava era grande e bastante arborizado, lembrava a estrutura de um sítio da zona rural. Maria também participou do grupo de forma assídua, embora tenha faltado algumas sessões.

Fátima

Era uma mulher forte, de estrutura física encorpada, muito afetiva, alegre e decidida. Morava na esquina da rua principal, onde funcionava um pequeno bar/mercearia no qual ela e o marido vendiam bombos e bebidas, além de fazerem um churrasquinho de espeto no final da tarde. Esta moradora se destacou como uma liderança informal. Na verdade, ela já tinha um histórico de realização de trabalhos comunitários naquela localidade, tendo participado de várias mobilizações de uma antiga associação comunitária, da organização do grupo de oração e mesmo da organização e mobilização do grupo de autoestima. Atualmente seu marido realiza um grupo de futebol com as crianças. Este casal foi um dos pioneiros da ocupação daquele território. Foi no quintal da sua casa que iniciamos as sessões do grupo, espaço onde também eram concentradas muitas atividades da igreja e com as crianças. Ela era o pilar da sua família, pois sustentava financeiramente e emocionalmente a todos: uma das filhas e sua neta; a mãe com cegueira já avançada e uma irmã acamada que havia sofrido de um derrame cerebral. Cuidava ainda dos dois filhos gêmeos dessa irmã, que

tinham apenas um ano de idade. Estes familiares não moravam em sua casa, mas em casas que compartilhavam o quintal com o seu. No grupo, Fátima era bastante participativa, sempre se colocando com sinceridade, trazendo reflexões importantes sobre a vida e as pessoas, buscando aprofundar e compreender a realidade. Era muito cuidadosa conosco e com as demais participantes.

Lúcia

Era uma baiana jovem, que havia chegado ao Marrocos por haver casado com um cearense. Não trabalhava fora, dedicando-se ao cuidado da casa e do filho de dois anos. Sempre trazia o filho para as sessões, pois não tinha com quem deixá-lo. Era muito cuidadosa com este, preocupada com sua aparência, com sua higiene, atenta para que ele não se machucasse nem se sujasse. Esta preocupação constante lhe dificultava concentrar-se nas atividades do grupo. Era doce e carinhosa, afetiva com as outras mulheres. Às vezes ficava mais calada e observando, outras, conseguia interagir e se expressar mais fluentemente. Lúcia tinha hábitos diferentes daquela comunidade e constantemente relatava sentir saudade da sua terra natal e da sua família, tinha vontade de voltar. Também participou assiduamente do grupo e de outras atividades realizadas.

Milagro

Era a mais jovem do grupo, não tendo ainda completado dezoito anos. Ela ainda estudava e trabalhava cuidando de crianças da comunidade. Participava também de atividades da igreja. No início, era muito calada, quase não se expressava, tinha um “ar de mistério”, pois nós pouco sabíamos o que se passava com ela ou sobre sua vida. Interagia pouco, tinha um aspecto triste e fechado, embora sua participação nas sessões fosse bastante assídua. Posteriormente, começou a participar e a falar mais, interagindo e criando vínculos com as outras mulheres do grupo, realizando produções artísticas muito criativas. Num determinado momento, passou a cuidar da casa da Gardênia, pois precisava trabalhar para ganhar algum dinheiro, já que dividia as despesas da casa com a mãe, com quem morava.

Francisca

Era uma mulher forte e séria, aparentava um semblante de calma, mas ao mesmo tempo, de tristeza. Ela havia projetado e construído sua própria casa, que era conhecida como a “mansão” do Marrocos, devido as suas proporções (bem ampla e arejada, maior que as demais) e por seu estilo arquitetônico (tinha sala de visita, de jantar, três quartos, varanda e até cozinha americana). Cuidava de um neto de três anos e vivia com uma filha adolescente e o marido. Trabalhava como faxineira diarista, mas atualmente estava com pouco serviço. Nas horas vagas, dedicava-se a fazer redes, de uma forma bastante original e criativa. Ela havia desenvolvido uma técnica de fazer os fios da rede com pedaços de sacos plásticos: muito criativa. Trazia também muitas reflexões importantes para o grupo, demonstrando muita maturidade e sensatez. Não tinha um bom relacionamento com o marido, pois este bebia muito. Havia feito algumas capacitações em costura e artesanato pelo SEBRAE. Na construção da “telhosa” trabalhou como “pedreiro” e “servente”. Seu sonho era criar uma cooperativa de mulheres no Marrocos para fabricar as redes de plástico.

Belgede Onur ERGÜNAY Eskişehir 2018 (sayfa 56-62)