2.ARAP EDEBİYATINDA ŞİİR
3. ZEMAHŞERİ DİVANI
3.3. Kaside Bütünlüğü
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Instituto comum às obras de Amauri Mascaro Nascimento e Homero Batista Mateus da Silva, pois os dois autores tratam desse instituto como uma técnica de preservação do emprego.
A esse respeito, a redação da própria lei:
“Art. 139 - Poderão ser concedidas férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos ou setores da empresa.
§ 1º - As férias poderão ser gozadas em 2 (dois) períodos anuais desde que nenhum deles seja inferior a 10 (dez) dias corridos.
§ 2º - Para os fins previstos neste artigo, o empregador comunicará ao órgão local do Ministério do Trabalho, com a antecedência mínima de 15 (quinze) dias, as datas de início e fim das férias, precisando quais os estabelecimentos ou setores abrangidos pela medida.
§ 3º - Em igual prazo, o empregador enviará cópia da aludida comunicação aos sindicatos representativos da respectiva categoria profissional, e providenciará a afixação de aviso nos locais de trabalho.
Art. 140 - Os empregados contratados há menos de 12 (doze) meses gozarão, na oportunidade, férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo.
Art. 141 - Quando o número de empregados contemplados com as férias coletivas for superior a 300 (trezentos), a empresa poderá promover, mediante carimbo, anotações de que trata o art. 135, § 1º.
§ 1º - O carimbo, cujo modelo será aprovado pelo Ministério do Trabalho, dispensará a referência ao período aquisitivo a que correspondem, para cada empregado, as férias concedidas.
§ 2º - Adotado o procedimento indicado neste artigo, caberá à empresa fornecer ao empregado cópia visada do recibo correspondente à quitação mencionada no parágrafo único do art. 145.
§ 3º - Quando da cessação do contrato de trabalho, o empregador anotará na Carteira de Trabalho e Previdência Social as datas dos períodos aquisitivos correspondentes às férias coletivas gozadas pelo empregado.”
A análise deve começar com uma ressalva importante: o estudo não é sobre férias, mas sobre técnica de preservação de emprego. Qual a razão para o legislador implementar o instituto das férias coletivas? A resposta mais razoável é: possibilitar uma alternativa à dispensa. O empregador poderá se valer do instituto como meio de evitar o rompimento contratual.
O “caput” do artigo inaugural da seção é claro ao possibilitar férias coletivas da empresa, de algum estabelecimento desta, ou mesmo, um setor específico. A razão das férias coletivas não se comunica em nada com a razão das férias individuais. Esta última preocupa-se com o organismo de cada trabalhador, possibilitar a liberação de toxinas acumuladas dentro de um período de tempo, a socialização do trabalhador, o gozo do direito ao lazer, de forma mais completa, e sua reestruturação orgânica para a continuidade do trabalho no retorno das férias.
Enquanto isso, as férias coletivas estão preocupadas com a sobrevivência do empreendimento e a manutenção dos contratos de trabalho. A questão está ligada a essa preservação, tanto que, até mesmo, o empregado que sequer adquiriu o período mínimo para gozo de férias, chamado período aquisitivo, poderá entrar em gozo de férias coletivas, desde que sua empresa, seu estabelecimento ou seu setor sejam objeto de preocupação pelo empregador.
A questão está tão evidente que, o empregado novato, entendido como aquele que tem menos de doze meses de trabalho, retornará das férias coletivas e começará a contar um novo período aquisitivo. As férias coletivas têm o condão de deslocar o prazo de contagem dos períodos aquisitivos e concessivos de férias individuais, pois concedida férias coletivas, antes mesmo de haver desgaste suficiente que a justifique, passa-se a esperar uma nova acumulação de toxinas, para daí sim pensar em férias individuais. Nas férias coletivas estão envolvidas o escoamento da produção, o desovar dos estoques acumulados e a sazonalidade de certos produtos.
Administram-se esses elementos com o afastamento temporário dos empregados e a desoneração parcial da produção, pois as máquinas não serão ligadas, não haverá pagamento de vale transporte, a alimentação eventualmente fornecida será suspensa e o empregador poderá vender seus produtos e realinhar sua produção.
No mesmo sentido da natureza de preservação de contrato de trabalho discorre Amauri Mascaro Nascimento:
“Quando a empresa não consegue dar escoamento à sua produção, o primeiro recurso que se utiliza, como tem ocorrido no setor das montadoras de automóveis, é a concessão de férias coletivas aos empregados...
A vantagem das férias coletivas está em ser uma solução menos traumática que
preserva os empregos desde que a empresa volte à normalidade após o transcurso
de sua duração.”74 (grifos acrescidos)
Importante observar como na obra de Amauri Mascaro Nascimento já se utilizava da hermenêutica com um sentido de preservação de empregos. Essa questão evidencia a distinção absoluta entre férias individuais e coletivas.
Ao contrário, no entanto, do que preconiza o autor acima citado, na mesma obra, na mesma página, mas no item da conclusão, quanto a uma ausência de mecanismos para utilização da proteção contra dispensas. Temos os princípios, a teoria dos direitos fundamentais e a hermenêutica a nosso favor.
Basta observar a teleologia da norma, quanto à natureza das férias coletivas, como meio de manutenção de empregos e não de mera gestão do empreendimento. Com isso, fica clara a interpretação no sentido mais benéfico ao trabalhador.
Aliás, nesse mesmo sentido, podemos nos utilizar novamente da ideia proposta pelo princípio protetor, quanto ao choque de interpretações, em que devemos eleger aquela que mais beneficia a classe trabalhadora. Na mesma linha, o princípio da continuidade da relação de emprego.
Elementos não faltam; basta que a doutrina (podendo essa em primeiro lugar, pois dos bancos das academias é que fervilham as primeiras ideias) e, em seguida, a jurisprudência evoluírem em direção a esse resultado.
Ao perceber uma cultura, nesse sentido, passando pela doutrina e pela jurisprudência, na vertente filosófica do realismo jurídico, consubstancial ao direito positivo, preservando a dignidade humana (preservar o emprego é a um só tempo um direito ao trabalho e um direito fundamental da humanidade), nas ideias já propagadas por Goffredo Telles Junior, teremos, certamente, uma lógica pragmática mais responsável. Nessa perspectiva, podemos citar a obra de Homero Batista Mateus da Silva, ao tratar do assunto de forma incontestável:
74
“Ao encerramento do estudo sobre concessão de férias, propomos alguns comentários sobre uma figura parecida mas não idêntica, chamada férias
coletivas.”75
Relevante salientar que no início do estudo do instituto, o autor faz questão de distingui-lo de seu vizinho mais próximo, as férias individuais. Nessa direção, não resta dúvida de que se trata de instituto com natureza jurídica própria, diferente das férias individuais. A citação abaixo esclarece essa distinção:
“No entanto, as férias coletivas destoam um pouco das férias individuais no tocante à
finalidade principal da norma. Aqui, não é o organismo do trabalhador que se
destaca nem os princípios da segurança e medicina do trabalho – antes, é a realidade da empresa que dita essa necessidade.” (grifos acrescidos)76
Somente as expressões “destoam” e “finalidade” seriam suficientes para sustentarem a conclusão teleológica proposta acima, quanto a intenção de preservar os contratos.
Contudo, a obra do citado autor é ainda mais direta e específica nesse sentido:
“As férias coletivas, assim sendo, podem ser encaixadas na lista de técnicas de
preservação do contrato de trabalho, assunto importantíssimo para o Direito do
Trabalho, que vem sendo, nada obstante, negligenciado.”77(grifos acrescidos)
É como se uma pá de cal fosse posta no assunto: natureza jurídica de técnica de preservação de emprego. Estaremos, novamente, diante de uma atitude de abuso de direito, se o empregador se utilizar do instituto com finalidade diversa da estabelecida, gerando direito a indenização aos trabalhadores submetidos a férias coletivas, sem que isso tenha sido utilizado como uma técnica de preservação de seu emprego.
A outra lógica que se mostra um pouco distante de nossa realidade, pelo menos pelos tempos atuais, seria a ótica de impor ao empregador o uso das 75 Idem 68, página 299. 76 Ibidem 68 página 300. 77 Ibidem 68 página 301.
férias coletivas ao invés de dispensar diretamente. Não há conflito, nem contradição com o raciocínio estabelecido no item da jornada em tempo parcial, pois, aqui, o empregador não tomou uma atitude prévia de negociar coletivamente as tais férias coletivas, gerando uma expectativa de utilização do instituto.
Podemos até chegar ao raciocínio inverso. Mas como tudo que é novo, ou que ainda está em desenvolvimento, exige certa cautela; o melhor seria dar um passo de cada vez. Nessa linha, teríamos a aplicação horizontal do empregador de forma direta e imediata, positiva, implementando direta e prontamente um direito fundamental. Melhor que fosse assim. Como sugere Robert Alexy, a teoria das teorias precisa de crédito, e, para tanto, precisa ser gradativa.
A comunidade jurídica precisa digerir e amadurecer a ideia, para depois evoluir na sua intensidade. Temos normas; assim, cabe ao empregador se utilizar dessa técnica como demonstração de boa-fé e demais direitos anexos aos contratos. A par disso, a presença sindical mais uma vez se mostra relevante diante da previsão expressa, quanto a necessidade de aviso ao sindicato como forma de acompanhamento de referido instituto. Nesse sentido, a dicção do § 3º do artigo 139 da Consolidação das Leis do Trabalho.