1.3. Marka Değerlemesine Yönelik Yaklaşımlar
1.3.3. Karma Marka Değeri Yaklaşımı
O processo de reconhecimento dos direitos humanos é explicado pela doutrina, com fundamento nas lições de Karel Vasak,36 a partir da concepção sobre as gerações ou dimensões de direitos.37 A primeira geração corresponde aos direitos civis e políticos; a segunda, aos direitos econômicos, sociais e culturais; e a terceira, aos direitos de solidariedade e fraternidade, como os direitos à autodeterminação dos povos, ao desenvolvimento e ao meio ambiente.
Os direitos fundamentais surgiram como forma de impor limites ao poder do Estado, que teria o papel de garantir os direitos civis e políticos. Nessa primeira fase do reconhecimento de direitos, que coincide com o paradigma Liberal, o Estado tinha o dever de não interferir na esfera de liberdade de atuação dos indivíduos, o que configurava as liberdades públicas negativas ou direitos negativos. Esse período é reconhecido pela doutrina como sendo a primeira geração de direitos fundamentais. Foram importantes as ideias provenientes do contratualismo, do individualismo e do iluminismo. A lei restringia a atuação estatal, preservando o valor liberdade. Prevalecia a doutrina jusnaturalista, segundo a qual os direitos fundamentais eram prévios ao próprio Estado.
Tiveram destaque, nesse período, documentos que reconheceram os direitos humanos, como a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, de 4 de julho de 1776, que afirmou que os homens possuem direitos naturais inalienáveis, dentre eles a vida, a liberdade e a busca da felicidade, e a Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão, de 26 de agosto de 1789, texto fundamental da Revolução Francesa, que enunciou um conjunto de direitos naturais inalienáveis e sagrados do homem.
36 Karel Vasak foi diretor do Departamento Jurídico da Unesco e pronunciou, em 1979, a aula inaugural da
Décima Seção do Instituto Internacional de Direitos Humanos de Estrasburgo, que tinha como título “Pour les
droits de l’homme de la troisième génération.” (PEREZ LUÑO, Antonio Enrique. Los derechos humanos en
la sociedad tecnológica. Madrid: Universitas, 2012. p. 17). Cf. também BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 563 et seq.
37 Optou-se, neste trabalho, pela utilização da expressão gerações de direitos, sobre a qual Paulo Bonavides, que
também a utiliza, explica que “[...] o vocábulo ‘dimensão’ substitui, com vantagem lógica e qualitativa, o termo ‘geração’, caso este último venha a induzir apenas sucessão cronológica e, portanto, suposta caducidade dos direitos das gerações antecedentes, o que não é verdade.” (Ibid., p. 571-572). Para o mencionado constitucionalista, as gerações “[...] permanecem eficazes, são infra-estruturais, formam a pirâmide cujo ápice é o direito à democracia.” (Ibid., p. 563 et. seq.). Ingo Wolfgang Sarlet prefere utilizar o termo dimensões de direitos, ressaltando, entretanto, que a distinção é meramente terminológica, já que ambas se referem ao mesmo conteúdo (SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. p. 45).
O reconhecimento formal dos direitos humanos e a utilização de máquinas a partir da Revolução Industrial, entretanto, não contribuíram para aumentar a liberdade e a qualidade de vida dos cidadãos. As condições duras e desumanas de trabalho passaram a despertar a necessidade de medidas de proteção aos trabalhadores. Na França, os conseils de prud’hommes surgiram como instituições com jurisdição par solucionar conflitos originados entre trabalhadores e empregadores.
Marx e Engels, em 1848, publicaram o Manifesto Comunista, em que, partindo de uma análise histórica, distinguiram variadas formas de opressão social no decorrer dos séculos e apontaram a burguesia como classe opressora na época. Por meio de severa critica ao modo de produção capitalista, o manifesto incentivou a organização do proletariado para reverter sua situação de precariedade e opressão.
A doutrina social da Igreja, constante de diversas encíclicas, como a Rerum Novarum, publicada em 1891, por Leão XIII, a Quadragesimo anno, de Pio XI, divulgada em 1931 e a Mater et magistra, do papa João XXIII, editada em 1961, também demonstrou grande preocupação com a dignidade humana dos trabalhadores, a solidariedade e a necessidade de justiça social.
No Estado Liberal ocorreram transformações importantes na sociedade, sobretudo a afirmação do indivíduo como sujeito de direitos e o reconhecimento dos direitos individuais. Contudo, foi no Estado Social (Welfare State, Estado do Bem-Estar Social ou Estado Providência) que os direitos sociais se originaram e desenvolveram. Esse novo paradigma veio com a promessa de garantir aos indivíduos a igualdade material que não fora alcançada até então. Nessa etapa, a chamada segunda geração de direitos fundamentais, passou-se a exigir do Estado a realização de prestações positivas e não apenas um comportamento abstencionista. O ente público tornou-se ser responsável pela concessão de condições mínimas para uma vida com dignidade, garantindo a todos os indivíduos direitos à saúde, ao trabalho, à previdência social e vários outros que compõem o rol dos também chamados direitos sociais, até hoje ainda não oferecidos aos cidadãos da maneira como deveriam. Esse período foi marcado pelo aumento expressivo das funções do Estado, o Welfare State ou Estado Social, que tinha o papel fundamental de promover a economia e bem-estar social dos cidadãos. A expansão estatal trouxe a necessidade de ampliar-se o arcabouço normativo em que se apoiava a atuação dos agentes públicos, tanto por meio de novas leis, cada vez mais genéricas e abstratas, quanto pela existência uma quantidade exorbitante de atos normativos infralegais muitas vezes em conflito com a Constituição.
A noção clássica de direito, que de certa forma se identifica com a de direito subjetivo, possui fundamento na tradição jusnaturalista que reconhece direitos anteriores ao próprio Estado. Essa concepção contribuiu para a dificuldade de recepção dos direitos econômicos, sociais e culturais como direitos autênticos, cuja maioria exige o cumprimento por meio de prestações positivas do Estado.38 Tais direitos foram, dessa forma, relegados à condição de disposições programáticas ou políticas públicas. Daí a importância de se afirmarem os direitos sociais como direitos fundamentais.
Posteriormente, foram reconhecidos novos direitos, os de terceira geração, com enfoque na interação do ser humano com seus semelhantes (solidariedade), o que deu origem aos direitos cuja titularidade não pode ser identificada (direitos difusos) como o direito ao meio ambiente equilibrado, ao desenvolvimento, à paz, ao patrimônio comum da humanidade etc.
A quarta geração de direitos, para Gustavo Zagrebelsky, diz respeito à sobrevivência do homem e à conservação do meio ambiente.39 Paulo Bonavides entende que os direitos fundamentais de quarta geração são decorrentes da “[...] globalização política na esfera da normatividade jurídica [...]”, que para ele compreendem o compreendem o futuro da cidadania e da liberdade de todos os povos: direito à democracia, direito à informação e direito ao pluralismo.40 Além disso, o mencionado autor defende a migração do direito à paz da terceira para uma quinta geração ou dimensão.41
Os direitos humanos são um produto histórico e cultural, porquanto reconhecidos a partir das relações em sociedade e das manifestações de luta por emancipação. Exigem uma constante atualização e ampliação à medida que a sociedade evolui.42
A ideia de geração de direitos não significa a substituição de um catálogo de direitos por outro. Às vezes, novos direitos podem surgir em razão de necessidades históricas e outras surgem da redefinição de direitos anteriores a novos contextos.43 Por esse motivo,
38 ROCHA, Daniel Machado da. O direito fundamental à previdência social na perspectiva dos princípios constitucionais diretivos do sistema constitucional brasileiro. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004. p. 39. 39 ZAGREBELSKY, Gustavo. El derecho dúctil: ley, derechos, justicia. 9. ed. Madrid: Trotta, 2009. p. 92. nota 39. 40 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 571-572. 41 Ibid., p. 579, 583. Assim firma Paulo Bonavides: “A dignidade jurídica da paz deriva do reconhecimento
universal que se lhe deve enquanto pressuposto qualitativo da conivência humana, elemento de conservação da espécie, reino de segurança dos direitos.”
42 ROCHA, D. M., op. cit., p. 17.
43 PEREZ LUÑO, Antonio Enrique. Los derechos humanos en la sociedad tecnológica. Madrid: Universitas,
surgiram críticas em relação ao termo gerações, que dá a ideia de sobreposição de uma sobre a outra.44
Os direitos de primeira geração ou dimensão não foram suprimidos com o reconhecimento dos de segunda e terceira. Ademais, a sequência em que se deu o seu reconhecimento não obedece a uma ordem cronológica absoluta. Enquanto grande parte dos direitos sociais já estava enunciada nas constituições sociais, como a de Weimar e as que lhe seguiram, há direitos de liberdade que ainda hoje estão conquistando o reconhecimento. Falar em gerações de direitos não quer dizer que eles sucedem uns aos outros, pois na verdade se somam e se complementam, constituindo um sistema de direitos que forma o sustentáculo para o Estado Democrático de Direito.45
A construção de um catálogo de direitos humanos nunca será uma tarefa acabada.46 Em uma sociedade democrática, O próprio reconhecimento de direitos pressupõe a consciência de que se trata de ato que não pode esgotar-se jamais, pois sempre haverá novas necessidades que surgem a partir do próprio exercício dos direitos que se reconhecem.
Essa exposição das etapas de reconhecimento dos direitos fundamentais permite situar o âmbito de atuação da Administração Pública para a efetivação dos direitos, principalmente os direitos sociais e, especificamente, o direito do trabalhador rural idoso à aposentadoria, cuja afirmação não pode ser meramente formal na Constituição. Possibilita, igualmente, identificar o papel do Poder Judiciário no controle dos atos de concessão de aposentadoria dos trabalhadores rurais, no intuito de se obter a máxima concretização desse direito.