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Kahramanı İyileştirme

5. Hayvanlardan Yararlanmada Kurt

5.2. Kahramanı İyileştirme

Os conflitos são importantes para a democracia, o que é reconhecido por vários autores, dentre os quais citamos Tocqueville, que defendeu a ideia de que a democracia envolve um equilíbrio entre as forças de conflito e consenso.

A seguir, citamos exemplos de outros autores que valorizam o papel do conflito para a consolidação da democracia e do desenvolvimento de uma localidade:

a) Dahl (2001, p. 167) chamou a atenção para o fato de que, em num processo democrático pacífico, “a solução de conflitos políticos, em geral, requer negociação, soluções conciliatórias”. Conflito e consenso são, desta forma, aspectos importantes e complementares dos sistemas políticos: “as pessoas que vivem em comunidade nunca estão de acordo sobre tudo; contudo, se continuam a viver em comum, não podem ter objetivos inteiramente discordantes” (Dahl, 1988, p. 61).

As pessoas têm uma crença sobre as perspectivas de cooperação e conflitos entre atores relevantes da vida política (sejam eles indivíduos, organizações ou outros), sendo possível distinguir três maneiras diferentes de se observar a cooperação e o conflito entre atores políticos, segundo Dahl (2005, p. 149-151):

a.1) jogo de soma zero, no qual a relação entre atores é vista como um jogo estritamente competitivo: o que você ganha, eu perco, e o que eu perco, você ganha. Como temos tudo a perder e nada a ganhar na cooperação, acreditamos que a melhor estratégia para um ator é a competição estrita, ou seja, nunca cooperar ou fazer acordos, mas tentar ganhar completamente, sempre;

a.2) cooperação total, cujas relações entre os atores podem ser vistas como estritamente cooperativas, cuja regra central é: não só não há qualquer conflito entre nós, mas também

nossos interesses são idênticos e tão entrelaçados que nos propomos a ganhar ou a perder juntos. Daí que a melhor estratégia é cooperar totalmente e evitar qualquer conflito;

a.3) um terceiro ponto de vista considera as relações como cooperativo-competitivas. Conflito, competição e cooperação são considerados aspectos normais das relações sociais que contribuem para uma sociedade vigorosa e saudável. Desse ponto de vista, grandes benefícios podem ser auferidos mediante cooperação, mas como ninguém pode concordar sempre com todos ou com todas as coisas, alguns conflitos são inevitáveis. O conflito não é necessariamente ruim; ele faz parte de um processo maior em que os atores em conflito acabam todos melhor do que estavam. A estratégia importante num conflito97 é buscar soluções mutuamente benéficas98.

Em síntese, a contestação pública, ao lado do direito de participação, configura-se como dimensão imprescindível à democracia, na obra de Dahl.

b) Sen (2000) defende a participação e a dissensão política “como partes constitutivas do próprio desenvolvimento”.

c) Pye (1967, p. 23) ressalta a importância dos conflitos e tensões para um sistema, alegando que o estado de saúde ótimo de um sistema não é a ausência total de tensão, mas, antes, uma tensão ‘suficiente’: “como uma ausência de tensão provavelmente resultaria na estagnação, falta de alerta e falta de transformação adaptativa, certo volume de tensão continuada provavelmente é necessário para a sobrevivência na sociedade”.

3.1.3.1 Síntese desta seção: poder como transformação

Em resumo, podemos entender o poder como capacidade de realização, de transformação de metas e objetivos em realidade, como a capacidade humana de transformar a realidade, passando de uma dada situação, que requer melhorias e transformações, para uma realidade construída a partir da materialização do querer coletivo de um grupo de pessoas.

Em outras palavras, “[...] o poder político ou social deve ser definido como a capacidades para agir dos agentes sociais” (Ruttan, 1989, p. 22), a capacidade de alterar a probabilidade dos resultados a obter, ou como a participação nas decisões acerca de sanções

97 Kant (apud Bobbio, 2000) afirma que os conflitos sociais são a grande energia criadora que impulsiona a

mudança e a evolução das sociedades humanas: o homem é um ser “socialmente insociável” e o meio empregado pela natureza para promover o desenvolvimento das disposições humanas é o seu antagonismo em sociedade.

98 Longe de ser uma traição ao princípio, o acordo que visa soluções mutuamente benéficas aos atores

envolvidos no processo é uma coisa essencialmente boa: “a crença nas virtudes e nas possibilidades de relações cooperativo-competitivas é fundamental para o pensamento liberal inglês. Ela estava no cerne tanto da noção

graves, ou seja, das principais recompensas ou privações. Em qualquer dos casos, poder

é a capacidade de fazer que aconteçam coisas que de outro modo não aconteceriam. Neste sentido, é parecido com causalidade, isto é, com a produção de uma mudança na distribuição das probabilidades dos acontecimentos, no mundo. E já que o mundo está em mudança, o poder lida com a alteração dela – ou mudança de segunda ordem. Assim, o poder envolve a nossa capacidade para alterar as mudanças que já estão em marcha e que assim prosseguiriam sem a nossa intervenção. (Deutsch, 1983, p. 45) Estando o poder vinculado à questão da transformação, da mudança, a política pode ser compreendida a partir de sua vinculação à questão da transformação:

a política pode modificar as coisas. Determina grande parte da alocação de recursos e de oportunidades, mais de um terço, ou o equivalente à metade da riqueza de muitas nações, e a participação correspondente em outros valores. Cada valor importante pode ser posto em causa pela política: poder, respeito, retidão, riqueza, saúde, educação, capacidade e afeição. E a política pode ter uma grande influência sobre o modo como gozamos de nossos valores – se em segurança, liberdade, ou não. (Deutsch, 1983, p. 60)

Na seção seguinte analisaremos a conversão entre capital social, político e econômico, e como isso contribui para os processos de transformação e mudança no cenário político.

revolucionária dos resultados benéficos da competição, de Adam Smith, como na clássica defesa dos benefícios advindos da liberdade de expressar opiniões conflitantes, de J. S. Mill” (Dahl, 2005, p. 149-151).