• Sonuç bulunamadı

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19 Kırmahalle Cami EsatpaĢa Mah.

Como ponto de partida, destacamos a primeira semelhança entre os consórcios selecionados para análise, e que foi inclusive um dos critérios de seleção dessas experiências. As três experiências, ainda que seja necessário ponderar algumas questões, passam ao largo da generalização de que os consórcios não constituídos nos moldes da nova lei têm seu desempenho muito atrelado a uma liderança envolvida em suas atividades e que, assumindo o

papel de empreendedor, elevaria o grau de atuação do consórcio para a conquista dos objetivos definidos em sua constituição.

Conforme o parágrafo anterior, ainda que seja pertinente reconhecer que de fato o nível de atuação do consórcio pode ser influenciado pelo grau de envolvimento de seus principais líderes, dependendo do modo como se estabelece o funcionamento do consórcio, ele pode tornar-se uma instituição constitutiva da vida social e política da comunidade regional da qual faz parte.

Isso fica demonstrado nos casos escolhidos. Constituídos há mais de 20 anos, apesar de apresentarem oscilações de atuação em relação às suas atividades devido a alterações no cenário político municipal e até mesmo estadual ou federal, tais consórcios institucionalizaram-se tanto pela longevidade de funcionamento quanto pelo que representam politicamente para esses espaços.

Cada um dos consórcios constituiu-se em momentos políticos distintos, o que marcou sua forma de atuação até hoje em suas localidades.

Constituído em 1985 na esteira da descentralização do governo Montoro, o Conderg teve sua participação ligada ao desenvolvimento da saúde na região, assumindo um hospital de grande porte que, além de se constituir como uma estrutura histórica de saúde para o estado, no decorrer dos anos representou a evolução no tratamento de saúde aos munícipes da região de governo de São João da Boa Vista em algumas especialidades. Dessa maneira, o impacto político dos governantes perdeu-se diante do volume de ações desenvolvidas pelo Conderg por meio do SUS.

Ou seja, o funcionamento do hospital e a manutenção das atividades de assistência à saúde consolidaram-se como uma estrutura pública de atendimento de grande importância para os munícipes da região. Qualquer decisão a ser tomada pelo Conselho de Prefeitos necessariamente precisa colocar em primeiro plano as consequências para a administração do hospital, na medida em que qualquer abalo na política de assistência à saúde da região reflete diretamente no funcionamento da rede de atendimento de seus municípios.

Já o Codivap, constituído em período de forte centralização em uma região economicamente pujante, marcou politicamente o Vale do Paraíba com a constituição de uma comunidade política que trataria do desenvolvimento da região de modo coordenado, por meio do diálogo de seus integrantes. Mesmo com períodos de baixa participação dos prefeitos integrantes nas reuniões, o Codivap atualmente preserva as mesmas características, ainda que seus objetivos estejam ligados exclusivamente ao diálogo entre os prefeitos e os deputados ligados à região, gestores do estado, do governo federal na busca por investimentos e atenção

política aos seus municípios. Excepcionalmente, nos últimos dois anos ganhou destaque a reivindicação de seus integrantes, junto aos deputados estaduais ligados à região, pelo reconhecimento da Região do Vale do Paraíba como Região Metropolitana do estado de São Paulo.

Ainda que muitos integrantes do Codivap não façam parte dos municípios que em tese integrariam essa nova RM, as reuniões constantes a respeito do tema, além de envolverem municípios de outras regiões, possibilitaram ilustrar a essência das atividades de pressão política do Codivap junto aos órgãos de governo do estado – a raiz de seu funcionamento.

Enquanto os dois primeiros consórcios constituem-se em um período de desenvolvimento das experiências de consórcios no país, o CGABC, constituído no início da década de 1990, teve seu ineditismo ligado ao modo como constituiu suas ações e ao momento em que o país enfrentava na época, procurando abranger outros espaços de participação, como os setores econômicos e a sociedade civil, nas discussões que envolveram, sobretudo, alternativas de desenvolvimento regional de modo ampliado, tratando das mais diversas questões. Essa nova modalidade de consórcio, entre outros aspectos de igual importância, garantiu ao CGABC a prerrogativa de referência nacional para os especialistas e críticos do assunto quando se tratava de arranjo cooperativo. Isso colocou o ABC também em uma condição de institucionalidade, de modo que, mesmo com a retração de suas atividades e discussões, seu funcionamento nunca foi colocado em xeque por esse baixo nível de operacionalização (REIS, 2008).

Apesar de constituídos em períodos diferentes e com perfis de atuação distintos, os três consórcios adotaram como finalidade comum a atuação voltada para o desenvolvimento socioeconômico de suas respectivas regiões. No entanto, cada consórcio analisado procurou encontrar um modo particular de atuar conjuntamente, identificando um problema setorial comum aos municípios participantes do consórcio, que teria impacto no desenvolvimento socioeconômico de suas regiões.

Esta observação coincide com a análise de Caldas (2007), quando analisa as regras que formatam os consórcios intermunicipais por ele investigados. O autor, ao apontar particularidades no processo de formação dos consórcios, verificou que, além de mecanismos institucionais nacionais e de seus incentivos, os consórcios constituem-se a partir de dinâmicas locais, que se diferenciam de lugar para lugar.