2. YURT VE KÜLTÜR DERGĠSĠ‟NĠN FAALĠYETLERĠ
2.2. Kültürel Faaliyetler
A análise dos PPPs leva a observar que os enunciadores das três línguas recuperam prescrições, porém o fazem de forma diferenciada. Enquanto o enunciador do texto de espanhol procura costurar um texto argumentativo no sentido de justificar a adoção por determinados enfoques, de forma a ir acrescentando partes de textos das OCEM e dos PCNs, o enunciador do texto de inglês faz uma única menção explícita ao texto prescritivo (LDB, PCN). Por outro lado, o enunciador de francês se posiciona entre os documentos normativos nacionais e o documento prescritivo europeu.
Vale, assim, lembrar o que Maingueneau (1997) afirma acerca do discurso relatado direto: é um discurso de "autoridade", visto que o enunciador (no caso aqui o enunciador do texto prescritivo) é uma autoridade invocada pelo locutor, não estando presente, pois, se participasse da discussão abordada, anularia sua autoridade: "O valor de autoridade ligado a toda enunciação ("é verdade, porque eu o digo") é geralmente insuficiente e cada formação discursiva deve apelar à autoridade pertinente, considerando sua posição" (MAINGUENEAU, 1997, p. 86).
No texto de apresentação de espanhol e francês (Neolatinas), que se constitui de um texto único, atribui-se autoridade ao texto orientador que o enunciador elegeu para melhor representar suas crenças e valores, além de fazer citações de autoridade que conferem legitimidade ao texto. Aponta para o coenunciador o caminho para que se possam compreender as escolhas do grupo e de diversas formas realizar um discurso em defesa do ensino de línguas ou da importância de o educando aprender mais de uma língua estrangeira no contexto atual.
PPP Neolatinas
No contexto educacional público do Brasil, o Colégio Pedro II destaca-se, entre outros motivos, por ser uma instituição que dá valor à educação plurilíngue de seus alunos. ( grifo nosso) 71
71
A primeira frase do texto é essa, em que a assertividade vem corroborar o sentido proposto: o da necessidade do estudo de LÍNGUAS.
É fato inegável, na sociedade atual, a necessidade da aprendizagem e domínio de mais de uma
língua estrangeira. F ag e toàdoàite à I po t iaàdoàestudoàdeàlí guasàest a gei as .à Anexo p.237). Resgatam-se as questões teóricas e prescritivas dos textos e indicam-se as fontes às quais se refere.
PPP Neolatinas
Essa oferta está, aliás, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9394/96 em seu artigo 26, onde se preconiza o "ensino de pelo menos uma língua estrangeira".( Anexo,p. 237)
O texto-base para a justificativa do ensino de outras línguas estrangeiras são os PCNs, que são retomados duas vezes e citados textualmente por meio do discurso direto de maneira a marcar o enunciado do outro fazendo parte do seu próprio, como citação de autoridade (assim como nos fragmentos anteriores).
Essaà defesa àseàjustifica como já foi abordado anteriormente, na contextualização da pesquisa, pelo fato de, durante muito tempo, o ensino de inglês ter sido (e ainda ser) hegemônico no contexto de ensino-aprendizagem de línguas. Ainda que no Colégio Pedro II haja uma tradição72 em ofertar mais de uma língua no Ensino Básico, há uma memória discursiva que conduz os discursos a essa argumentação, que se reitera nos textos de espanhol e de francês.
Opostamente a essa reflexão, a equipe de inglês, ainda que retome aspectos do te toà legalà o oà se doà suaà aseà eà lei ,à oà dis uteà oà i te io à doà te toà aà uest o,à silenciando ou apagando essa discussão. Pode-se exemplificar como o texto dos PCNs de alguma forma explora o assunto da diversidade das línguas, aspecto a que o texto do PPP de inglês, em sua apresentação, não adere no interdiscurso: Esse interesse cada vez maior pela aprendizagem do espanhol pode contribuir na relativização do inglês como língua estrangeira hegemônica no Brasil, como, aliás, igualmente nesse sentido, seria essencial a inserção de outras línguas estrangeiras (francês, italiano, alemão etc.) no currículo .73 (PCN, 1998, p.50.)
Partindo da noção de interdiscurso74, o discurso do enunciador dos textos de francês e espanhol se constrói sobre os discursos (ditos e interditos) de inglês,
72 Tradição aqui se reporta não somente ao fato de se ofertar mais de uma língua estrangeira na história do ensino no Colégio, que conta com 175 anos de existência, mas também à tradição que se relaciona com a referencialidade de seus currículos na história da educação do Brasil, principalmente no século XIX.
73
(PCN, 1998, p.50. portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pcn_estrangeira.pdf) 74 Explicitada no capítulo teórico.
estabelecendo com eles uma oposição nesse universo discursivo determinado: o ensino de línguas estrangeiras no Colégio Pedro II.
Para evidenciar tal proposição, retoma-se o título da apresentação de língua inglesa, que estabelece uma relação de determinismo entre o ensino de idioma e o ensino de inglês, quandoàseà efe eàaà importância do estudo de uma LE àe,à aàf aseài t odut iaàdoà te to:à áàap e dizage àdeàuma LEà àdi eitoàdeàtodoà idad o .àCo fo eàj àt atadoà oàite à anterior, isso assinala o pressuposto do ensino de uma língua, o inglês. O texto de apresentação de francês e de espanhol recupera esse dizer na exposição e no diálogo entre as línguas, de forma a contra-argumentar esse discurso tão fortemente arraigado no contexto de ensino de LE.
PPP Neolatinas ( texto único para espanhol e francês)
É fato inegável, na sociedade atual, a necessidade da aprendizagem e domínio de mais de uma língua estrangeira.
É impossível negar, no atual momento histórico, a importância do inglês, como língua franca, nas trocas internacionais e na difusão do conhecimento e no acesso a ele. No entanto, é imprescindível que os alunos tenham uma visão abrangente das formas de pensar e conceber o mundo de outros povos, diferentes daquelas dos falantes da língua inglesa.
Há, pois, uma demanda, tanto no aspecto cultural quanto profissional, para que a escola ofereça o ensino de línguas estrangeiras e prepare seus alunos para os desafios do futuro de um mundo multicultural e plurilíngüe. Essa oferta está, aliás, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9394/96 em seu artigo 26, onde se preconiza o "ensino de pelo menos uma língua estrangeira". (Anexo p. 237)
Nesse sentido, o fato de adotar-se a noção de interdiscurso implica compreender que um discurso se constrói sobre outrosà dis u sosà eà ueà todaà u idadeà deà se tido, qualquer que seja o seu tipo, pode estar inscrita em uma relação essencial com uma outra, aquela do ou dos discursos em relação aos quais o discurso de que ela deriva define sua ide tidade à MáINGUENEáU,à ,àp.à .àássi ,àaàdis u si idadeàdosàPPPsà de cada uma das línguas se constitui num processo fundamentado na relação entre discursos diversos e intrínsecos à própria noção de discurso admitida nesta pesquisa.
Dessa forma, o texto de Neolatinas não busca denegar a importância do inglês, que se constitui num pressuposto ao contexto do ensino de LE; em sentido inverso e diverso, propõe o diálogo, mais que necessário, sugerido e prescrito pelos documentos nacionais, para trazer sentido e importância ao ensino de outras línguas.
Cada um dos PPPs estabelece uma relação interdiscursiva com os demais e com os discursos circulantes nesse universo discursivo, apresentando, assim, elementos comuns e distintivos quando comparados uns aos outros, e constituindo-se, por fim, numa identidade singular. Dentre os traços comuns entre eles, estão a importância dada aos PCNs e a preocupação em citá-los como referencia principal para a condução da prescrição aos professores (do grupo disciplinar). Como traços distintivos estão as vozes resgatadas em espanhol e francês que se aproximam a um discurso e práticas identitárias que o moldem e confiram valor acadêmico conforme se observará nas análises que seguem.
Importa ressaltar como o enunciador no PPP de espanhol delineia um raciocínio lógico e sequencial para fazer as referências que endossam o seu dizer. No segundo parágrafo do texto, em que se faz alusão às pesquisas recentes, o enunciador invoca o coenunciador a estabelecer relações com o contexto globalizante em que se vive hoje: o cenário que se conforma na União Europeia, no MERCOSUL, agrupamentos internacionais que conduzem à globalização; fatos que levam a um ensino orientado à dimensão (pluri) intercultural conforme determinam as Orientações Curriculares (2006).
Observamos certas repercussões de ordem teórica e prática no modo de abordar o ensino de línguas que delineiam um norte orientado à dimensão (pluri) intercultural, conforme determinam as Orientações Curriculares Nacionais. (Anexo p.241 e 242)
Da mesma forma, o texto, em estilo de discurso acadêmico, retoma as OCEM para mostrar que sua forma de designar o ensino de línguas está assemelhada ao que se propõe nesse documento.
PPP Espanhol
Cientes das necessidades atuais do ensino de espanhol como língua estrangeira, Fernández & González (OCEM 2006:134) dispensam especial atenção a dois conceitos que, de um modo geral, possuem espaço restrito nas salas de aula: heterogeneidade linguística e interculturalismo.(Anexo, p243)
Considerando uma perspectiva contemporânea internacional, a publicação do Marco de referência
europeu para a aprendizagem, o ensino e a avaliação das línguas (Conselho da Europa, 2001) demarca um
i po ta teàa a çoà àpla ifi aç oàdoàe si oàdasàlí guasà aàEu opa...àPoisà o oàage teàso ial,à adaài di íduoà estabelece relações com um amplo conjunto deàg uposàso iaisàsupe postos,à ueàu idosàdefi e àaàide tidade. à (Marco de Referencia Europeu, 2001.).
Entretanto, com vistas a abarcar a especificidade brasileira, priorizamos os Parâmetros Curriculares
Nacionais (1998) e as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (2006). (Anexo, p.243,244)
Outro documento mencionado é o Marco de Referência para as Línguas , que se o stitui,àsegu doàoàe u iado ,à o oà u ài po ta teàa a çoà àpla ifi aç oàdoàe si oàdasà
lí guasà aà Eu opa .à Oà fatoà deà e io ar textualmente a importância do documento no ensino de línguas na Europa indica que o enunciador, ainda que o cite, mantém um distanciamento ante suas proposições. Tal hipótese se confirma no parágrafo seguinte, em que textualmente o enunciador demarca uma ancoragem e se filia a uma postura disciplinar o à istasà aà a a a à aà espe ifi idadeà asilei a à e,à usa doà aà a aà deà pessoaà a pliadaà p io iza os à eu+à p ofesso esà deà espa hol ,à fi a-se nas prescrições, proposições e determinações dos documentos nacionais (PCNs e OCEM).75
Os PCN (2006) vislumbram o trabalho com as quatro habilidades linguísticas: a compreensão oral, a compreensão leitora, a produção oral e a produção escrita, desde que haja condições para tal (p. 07).
Ressaltam ainda que a compreensão do texto escrito é essencial... Há que se considerar a possibilidade de
partir da compreensão de um texto para as diversas leituras que ela permite. As OCEM, por sua vez, avançam nesse sentido, propondo o desenvolvimento de tais habilidades de forma integrada, visando à formação de um sujeito que reflete sobre a sua realidade e interage com o outro, na construção do conhecimento. Poderíamos acrescentar a importância do desenvolvimento do aprendiz como indivíduo e membro de um mundo multicultural e multifacetado (Anexo,p.245)
Por fim, ao retomar, ao final das referências, os textos prescritivos, demarcando a importância de se adequar o ensino tomando como base a orientação das OCEM no que diz respeito às habilidades a serem desenvolvidas, o enunciador discute a importância da leitura e propõe, segundo indicado no documento orientador, desenvolver as quatro habilidades, dando ênfase ao ensino da leitura, além de considerar o saber cultural em LE como um componente indispensável ao ensino de espanhol.
No PPP de inglês, a introdução do texto remete a uma referência do texto literal dos PCNs que não está citado diretamente, resgatando a questão da legitimidade do ensino de uma LE. Tal legalidade é enfatizada pelo enunciador, que confere um lugar à escola, o de garantir uma Educação para a cidadania, que, em outras palavras, refere-se ao ensino da LE, no contexto específico da prescrição. A premissa de que parte o enunciador é a de que a argumentação em nome da lei, com seu discurso fundador e organizador, será a base do texto; dessa forma, o direito do cidadão e a missão da escola se fundem para dar sentido ao ensino de LE. No recorte, vislumbra-se uma das possibilidades de como é redefinido o ensino no texto de inglês para garantir determinado sentido legal desse ensino frente ao ensino de outras línguas:
75 As OCEM, editadas em 2006, trazem um documento orientador especificamente para a equipe de espanhol, redigido por especialistas do mundo acadêmico com alto grau de respeitabilidade na comunidade disciplinar. Isso também responde pela grande deferência e aceitação do documento entre os professores de espanhol.
PPP Inglês
Existem inúmeras razões para a obrigatoriedade da LE no currículo da ED. Básica. Explicitamos a seguir as mais importantes no que concerne a seu aspecto pragmático ou
utilitário:
-possibilita maior acesso à informação;
-instrumentaliza o aluno em seus estudos superiores, facilitando, por exemplo, a leitura de textos acadêmicos, uma vez que a maior parte deles está escrito em uma língua estrangeira, notadamente inglês;
-permite maior atuação no mercado de trabalho e tecnologia. (Anexo, p.240)
É possível observar, ainda, que os três motivos pelos quais se justifica o ensino de LE (inglês), apresentados em tópicos, retomam os pretextos mencionados nos PCNs. E t eta to,à oà te toà dosà PCNs,à oà e te di e toà deà p ag ti o à est à at eladoà aà outros aspe tosà ueà oàso e teàaoàse tidoà utilit io àdoàe si oàde língua, aliás, nos PCNs está la oà ueà Noà ueàseà efe eàaoàe si oàdeàlí guas,àaà uest oàto a-se da maior relevância. Para ser um participante atuante é preciso ser capaz de se comunicar. E ser capaz de se comunicar não apenas na língua materna, mas também em uma ou mais línguas estrangeiras. à g ifoà osso76Assim, pode-se concluir que esse texto resgata, em parte, o discurso legal, mas retextualiza e dá um enfoque local ao texto, qual seja, o de defender a língua inglesa nos moldes da lí guaà aà se à e si ada ,à oà eto a do,à po ta to,à oà te toà orientador em sua totalidade, que enfoca a questão da pluralidade das línguas e sua importância, por designar o lugar desse idioma no contexto escolar.
Diferentemente do texto de apresentação de Neolatinas, que explora a questão do ensino de línguas sob os mais variados aspectos (o ensino de idiomas e sua importância, a questão cultural, a inclusão do aluno em contextos diferenciados de ensino), o texto de inglês tem como ponto principal as razões que levam à obrigatoriedade do ensino de LE. Reveste-se de argumentação acerca de sua importância e da imperativa legalidade para enumerar razões para o ensino-aprendizagem. Torna explícita a circulação de discursos que
76 E o aà p edo i eà aà so iedadeà i dust ial,à adaà ezà aisà seà a editaà e à u aà e o o iaà aseadaà aà iaç oà eà aà
distribuição da informação: uma sociedade mais informatizada. Não é mais possível, no final do milênio, operar em um sistema econômico nacional isolado e supostamente autossuficiente. É preciso reconhecer cada sociedade como parte de uma economia global, em que a informação pode ser partilhada instantaneamente, mas que exige uma rápida reestruturação da organização social para que se possa ter acesso a essa informação.
Essas características do mundo moderno têm, por certo, implicações importantes para o processo educacional como um todo, e, particularmente, para o ensino de línguas na escola. Se essas megatendências forem descrições exatas do panorama futuro, é importante que se considere como preparar os jovens para responderem às exigências do novo mundo. No que se refere ao ensino de línguas, a questão torna-seà daà aio à ele ia. PCN,à p. ,
não querem se dissipar, a vontade de cristalização de uma verdade que se faz enunciar continuamente. Assim, a disputa pela hegemonia na circulação desses discursos é
auto izada àpo à eioàdeàu àdo u e toàp es iti oàe orientador.
PPP Francês
No momento atual, a equipe de professores de francês de nosso Colégio busca orientar seu trabalho e metodologia tomando por base os princípios do Quadro comum europeu de referência para as línguas: aprendizagem,
ensino e avaliação, documento de referência para o ensino de línguas editado pelo Conselho da Europa.(Anexo,p.249)
O PPP de francês, diferentemente dos demais, ainda que apresente comentários sobre a importância dos documentos nacionais e atribua a eles parte de suas referências como citação de autoridade, fixa e ancora a aprendizagem de francês no documento europeu, CADRE (sigla em francês)77. Para fazer alusão ao objetivo do ensino de francês por i te dioàdeàu aàa o dage à o u i ati aàdi i a àeàdaài se ç oàdosàalu osà o mundo plurilíngue globalizado, bem como na vida profissional, o enunciador refere-se ao texto dos PCNs,à ueàp e àaàfo aç oàpa aàoà e e í ioàdaà idada ia .à
PPP Francês
O ensino da língua francesa no Colégio Pedro II, nos quatro anos do segundo segmento do Ensino Fundamental e nos três anos do Ensino Médio, visa, assim, desenvolver nos alunos uma competência comunicativa dinâmica, tornando-os atores de sua aprendizagem. Isso certamente lhes permite uma inserção no mundo plurilíngüe globalizado e na vida p ofissio al,à assegu a do-lhesàaàfo aç oài dispe s elàpa aàoàe e í ioàdaà idada ia .à f.àPCN). (Anexo,p.249)
O fato de o enunciador iniciar o texto fazendo menção ao texto orientador não implica sua adesão ao documento, já que, no segundo parágrafo do texto, explicita a preferência pelos princípios do Quadro Comum de Referência para as Línguas. Essa escolha vem corroborar a hipótese que se analisou no primeiro item, qual seja a de que o e u iado à us aà ausa àu àefeitoàide tit ioà o àoà eu opeu ,àap oximando-se, ainda, do modelo desse ensino. Para os demais grupos disciplinares, a orientação principal na construção de seu ethos está prescrita em documentos nacionais, de forma a aproximar-se a uma identidade de professor brasileiro ensinando LE. No caso de francês, fixar as diretrizes num documento europeu designa o lugar de enunciação, fazendo emergir o desejo por uma identificação est a gei a .
Conforme se sabe, o Quadro Comum (citado como CADRE no PPP) é um documento orientador para o ensino de línguas na Europa, assim, cabe um questionamento
77 Cadre européen commun de référence pour les langues (Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas).
sobre sua validade no contexto da escola pública brasileira: aulas de 50 minutos (no CPII são oferecidos três tempos semanais), turmas de, pelo menos, trinta alunos, um contexto de ensino-aprendizagem que sempre privilegia as disciplinas tradicionais (português, história, matemática, etc.). Cabe ainda discutir o descompasso entre o proposto no documento europeu e as necessidades da escola brasileira e, mesmo, sua relação com os documentos orientadores no Brasil, quais sejam, os PCNs e as OCNs produzidos pelo governo (MEC) em parceria com profissionais formados, em sua maioria, nas universidades brasileiras, professores e pesquisadores, portadores de uma palavra afiançada no meio acadêmico/científico e nas comunidades disciplinares.
Entretanto, em se considerando a preferência dos profissionais de língua francesa, pode-se conjecturar que a escolha aponte para uma questão que se relacione com a formação dos professores de francês e seu ethos, pelaà suaà elaç oà o à aà t adiç o à ueà perpassa os discursos, uma percepção do estrangeiro e o desejo de sua absorção, tomando o estrangeiro como se fosse próprio.
Para melhor compreender como isso se dá, pode-se retomar o estudo de Serrani- Infante (1998) que destaca o fato de não somente fatores cognitivos estabelecerem relação com as questões identitárias, mas aspectos irrefletidos na elaboração das identidades envolvidas nessa relação entre línguas. Segundo Serrani-I fa te,à aàide tifi aç oà à o diç oà instauradora, a um só tempo, de um elo social e de um elo com o objeto de desejo do sujeito à p. .àássi ,àpode-se dizer que esse processo de identificação é contraditório, por vezes, confuso, mas marcado pelo desejo, porque envolve saber e poder. Nesse caso, o conhecer e o usar uma língua, mais que isso, identificar-se como usuário/sujeito passa a prefigurar como um jogo que o aproxima e o afasta de uma identidade principal (ser brasileiro).
Na análise até aqui empreendida, é possível afirmar que os PPPs de inglês e de espanhol se alinham com as orientações e as prescrições estabelecidas nos PCNs e nas OCEM, por retirar destes sua base de sustentação teórica, bem como fazer referência a teóricos neles expostos, aproveitando-se do documento como um pressuposto para sua elaboração. Por outro lado, o PPP de francês elege o Marco de Referências para as Línguas, documento orientador para o ensino de línguas na Europa, mantendo uma dubiedade ao
relacionar entre os autores aqueles que prefiguram nos PCNs e o princípio prescritivo,