2. ESKĠġEHĠR HALKEVĠ‟NĠN FALĠYET ALANLARI
2.8. Güzel Sanatlar (Ar) Kolu
(...) é um homem falando que encontramos no mundo, um homem falando com outro homem, e a linguagem ensina a própria definição do homem.
BENVENISTE, 1991,p.93.
Nesta seção, busca-se,àpo à eioàdaàa liseàdosàite sàIàeàIIàdosàPPPsà áàlí gua à eà p i ípiosà etodol gi os ,àes oçar o perfil do enunciador de cada um dos discursos que tratam do ensino de cada uma das línguas. Primeiro, analisa-se o PPP de espanhol, logo o de francês e o de inglês e, ao final do subitem, trata-se das semelhanças ou dissemelhanças existentes na configuração desses enunciadores.
É possível observar a incidência da marca de pessoa nos três documentos, entretanto a manutenção ou a pouca incidência dela dá indícios de que aspectos interessa
aoàe u iado à olo a àe à ele o.à“egu doàBe e isteà ,àoà s ,àdife e te e teàdoà
eu ,à à u aà pessoaà difusaà oà dis u so,à j à ueà oà seà o stituià se p eà dosà es osà referentes, assim, torna-se ambígua e, por isso, importa descobrir ou desvendar esses referentes e, nesse processo, compreender os efeitos de sentido na produção dos textos dos PPPs.
PPP-Espanhol: Princípios metodológicos
Coadunados a pesquisas realizadas recentemente, consideramos que o ensino-aprendizagem das línguas estrangeiras deve estabelecer-se sempre baseado numa relação com o contexto social, político, econômico e cultural.
...observamos certas repercussões de ordem teórica e prática no modo de abordar o ensino de línguas que delineiam um norte orientado à dimensão (pluri) intercultural, conforme determinam as Orientações Curriculares Nacionais.
Compreendemos que, ao abrir espaço para o estudo da variação linguística nas aulas de língua espanhola, lançamos um novo olhar sobre as diferentes maneiras de produzir sentidos. (p.242,243 anexo)
Na análise do texto de espanhol, a observação da frequência das marcas de 1ª pessoaà oleti a ,ài lude teàeàai daà o se sual,àpe itiuà e ifi a à ue,àe à iasàpa tesàdoà texto, o enunciador recorre ao uso dessa marca de pessoa. A referência desse sujeito discursivo na enunciação se dá por meio de uma pessoa ampliada, no dizer de Benveniste ,àe à ueàoà eu àseàag egaàaàu à oàeu ,àfo a do,àassi ,àu àg upoàdeàpessoasà oà identificado antecipadamente. Essa marca aparece associada a uma determinada imagem que o enunciador se autodelega, em busca de legitimação ante o seu interlocutor. Foi possível mapear essa presença com alto índice de incidência (22 frases com marca de pessoa
N s à osàt e hosàa alisadosà ap ese taç oàdoàEspa hol eà p i ípiosà etodol gi os . Naà uaseàtotalidadeàdosà asos,àoà N s à à i lusi oàpo ueàoàsujeitoà eu àseà assimila ao interlocutor para se referir no discurso, pois ambos compartilham de uma es aàsituaç oàe u iati a,àassi àoà N s àseà efe eàaàu à euà+àp ofesso esàdeàespa hol ,à apontando para uma constante subjetivação do discurso. Um enunciador institucional se configura para dar visibilidade à proposta do grupo.
PPP ESPANHOL
Dentre os vários motivos que sustentam a importância do ensino de espanhol no Brasil, um deles é o senso de latinidade. Compartilhamos com nossos vizinhos valores, comportamentos, costumes, isto é, possuímos um histórico sociocultural e político bastante similar. Pôr em destaque a articulação destes elementos em nossas aulas de espanhol é de suma relevância. (Grifo nosso, p. 243)
O único caso dentre os escolhidos para exemplificar essa presença de pessoa que não seài t oduzà o oàu à N s ài lusi o,à efe i do-se aos professores, é o do Nós (inclusivo= eu +à asilei os ,à e à ueà oà N s à seà efe eà aà u aà totalidadeà todosà s ,à deà talà odo,à oà movimento que o enunciador propõe causa um efeito de sentido bem específico: resgatar o
pré-construído62, trazendo à memória do coenunciador a questão do ensino do espanhol num continente de fala eminentemente hispânica63. Ao propor ao co-enunciador a identificação com essaà izi ha ça ,à fazà essalta à aà filiaç oà ueà ha itaà aà egi oà doà interdiscurso, que admite a expansão do espanhol como importante pela sua proximidade o àessesàpaíses;à esgatadaà oàte toàpelaàpala aà lati idade ,à e io adaàe àte osàdeà uma inscrição histórica, sociocultural e política.
Não há dúvida de que o cenário que se conforma na União Europeia, nos Tratados do Mercosul e em outros agrupamentos internacionais, conduz à mais ampla globalização dos intercâmbios econômicos mundiais. Concomitantemente, observamos certas repercussões de ordem teórica e prática...(p.242, grifo nosso)
Tal sentido, que habita no interdiscurso e é inteiramente resgatado, atribui auto idade à à e pa s oà doà e si oà doà espa holà po à eioà deà u à p -construído que é retomado e valorizado pelo acontecimento do MERCOSUL, anteriormente citado no texto, fazendo acionar no co-enunciador relações de causalidade entre um elemento e outro. A base desse discurso vai sendo instaurada pelo contexto da globalização e pela criação do Mercosul como evento instituído social e historicamente, que favorece a produção da defesa do ensino da língua espanhola e sua manutenção na grade curricular do Ensino M dio,à esgata do,àdessaàfo a,à este e tipos relacionados ao estudo dessa língua.
A imagem recuperada no PPP, em que há uma enorme preponderância da marca N s ,ài di aàaà ele iaà o fe idaàaàu àsujeito coletivo, que surge no interior do texto para constituí-lo dessa pluralidade. Tal operação inscreve o enunciador, apresentando-se a partir das seguintes qualificações: atualizado, observador do contexto atual, sociointeracionista, i o ado ,àa o adoàhist i aàeàgeog afi a e teà at i ui doàu à e toà se soàdeàlati idade ,à interculturalista, reflexivo. Tais designações dialogam com os aspectos mencionados, por exemplo, nas Orientações Curriculares de Ensino Médio64, ou seja, estão de acordo com um
62
Para Maingueneau (1997, p. 114), o pré-construído é compreendido como um traço do interdiscurso no i t adis u so,àasso ia doà e taà dissi ulaç o àdoài te dis u soàpeloàdis u so.àDize doàdeàout oà odo,às àest oà disponíveis, para cada FD, os pré-construídos cujo sentido é evidente para essa FD, a exemplo da questão do Me osulàe à ueàseài se eà o oàu à j àdito ààaà e essidade àdoàestudoàdoàespa hol.
63 Conforme aponta Celada (2002, p.53) em seu texto, estabelecendo uma paráfrase de Mário de Andrade, que, e à ,à afi a aà ueà oà i oà deà “ula i aà oà B asilà à u à est a gei oà e o e à pa aà justifi a à aà aprendizagem do espanhol, imprimindo um sentido proposto por meio de um préconstruído.
64 No documento, desde as páginas 146 até a 149 das OCs (2006), estão dispostos vários dos conceitos explorados no texto do PPP de espanhol.
modelo que se enquadra numa expectativa social oportuna tanto ao contexto dos profissionais da Educação como à sociedade (escolar ou não) em geral.
PPP Inglês
Segundo essa visão, em um primeiro momento, a aprendizagem é um processo interpessoal, para depois tornar-se intrapessoal, ou seja, primeiro aprendemos com o outro e depois internalizamos aquilo que
aprendemos, para por fim, nos tornarmos capazes de empregar esse conhecimento sem a ajuda de alguém.
Ela nos permite (a interdisciplinaridade) compreender e fazer compreender que o conhecimento é o resultado de uma multiplicidade de fatores que não se excluem mutuamente, mas explicam-se uns aos outros. De acordo com a concepção de linguagem com que trabalhamos, o sentido não é inerente à palavra mas construído pelos participantes através da interação entre eles.(Anexo-p.251)
No PPP de inglês, foram destacadas, nos fragmentos, todas as marcas de 1ª pessoa a pliadaà ue,à assi à o oà oà PPPà deà Espa hol,à us a à u à s à i lusi oà ueà confere efeitos de aproximação, em que o sujeito enunciador convida os interlocutores a compartilhar das suas opiniões. Entretanto, ainda que o uso dessa marca de pessoa possa ser observado, foi possível mapear essa presença com baixíssimo índice de incidência no documento.
São sete ocorrências da marca de primeira pessoa ampliada que se elaboram em torno da explicação dos conceitos considerados importantes em relação à concepção de língua e retomam o já dito com outras palavras, explorando-o ou aprofundando-o, o que, por fim, apresenta como resultado um efeito explicativo. Isso aponta para a forma como o e u iado ,à ueà seà ualifi aà i pli ita e teà o oà o he edo interpreta o tema ou os aspectos teóricos para o coenunciador, pressupondo este inábil para compreender o seu dizer, carecendo, nesse caso, de constante explicação. Èàaàfo aàdeà esgata àu à aàge te à que tem seu caráter genérico, referindo-se a aprendizagem de todos.
Assim o oà oàPPPàdeàespa hol,à aàtotalidadeàdosà asos,àoà N s à ài lusi oàpo ueà oàsujeitoà eu àseàassi ilaàaoài te lo uto ,àpoisà o side aà ueàa osà o pa tilha àdeàu aà es aà situaç oà e u iati a,à assi à oà N s à seà efe eà aà u à euà +à p ofesso esà deà i gl s+ alunos , como um só conjunto, buscando um efeito de sentido que revele apropriada coesão disciplinar. Os fragmentos podem ser compreendidos como exemplificadores da teoria e, tomando a palavra para explicá-la, o enunciador reelabora o conceito.
Segundo essa visão, em um primeiro momento, a aprendizagem é um processo interpessoal, para depois tornar-se intrapessoal, ou seja, primeiro aprendemos com o outro e depois internalizamos aquilo que
aprendemos, para por fim, nos tornarmos capazes de empregar esse conhecimento sem a ajuda de alguém. (p.02)
No mundo atual, com a quantidade de informações que o educando recebe através dos diversos meios de comunicação, entendemos que o processo ensino-aprendizagem deve ser trabalhado em associação com a realidade e inserido em um contexto. PPP Inglês- (Anexo. p.251)
ássi ,à po à e e plo,à e à p i ei oà ap e de osà o à oà outro e depois i te aliza os...à osàto a osà apazes àeà Elaà osàpe ite... ,àesseà s àseà ela io aàaàu à eu +à todos,à ouà ual ue à pessoa ,à istoà ueà aà e plicação serve para aproximar a teoria explicada a qualquer interlocutor envolvido num processo de aprendizagem.
Dessa perspectiva, a aprendizagem não se resume a uma mera transmissão de conhecimento, e na avaliação, não seài te essaàape asàpelaà espostaà e ta ,à alo iza do,àassi ,àoàp odutoàdaàap e dizage .
Contextualizar, então, significa, não só relacionar as disciplinas escolares com o cotidiano, como
também relacioná-las com a realidade.
Interdisciplinaridade é entendida, então, como uma articulação de conhecimentos de modo que venham a ser compreendidos como um todo organizado e não como um quebra-cabeça cujas peças não se consegue encaixar e cujo desenho final não se consegue reconhecer. ( PPP Inglês, p. 251)
No PPP de inglês, constata-se que o enunciador constrói um modelo de coenunciador com uma visão objetiva dos conceitos e teorias que se elaboram para dar sentido ao ensino de língua. A impessoalidade que retoma conceitos e recupera pressupostos teóricos não indica a fonte de onde são retomados e retextualizados, portanto fazem parte dos pressupostos, ou seja, daquilo que se admite como conjecturas expostas.
No primeiro e no segundo exemplo acima, a fonte teórica que dá base à questão da aprendizagem e da contextualização é Vigotsky, que professa o ensino-aprendizagem como processo social65. No terceiro exemplo, a base é o texto dos PCNs, que desenvolve amplamente a questão. De forma geral, inspirando-se nos PCNs, o enunciador adere a esse texto, inclusive na sua forma de escrita, já que também no documento se exploram conceitos de diversos autores que dialogam com o ensino de LE e é evidente a existência de intertextualidades não referidas teoricamente no corpo do documento. Essa retórica se destina a criar um consenso em relação aos saberes sobre ensino-aprendizagem de LE referendado, em que ocorre um distanciamento na busca de um texto objetivo, neutro e imparcial, porém, como se sabe, é um efeito de sentido que conduz à obviedade do ensino de inglês e de sua indiscutível hegemonia.
65
VYGOTSKY, L. S. 1984. A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes, 132 p. __________ 1987. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 157 p.
A aprendizagem de uma LE é um direito de todo cidadão e, de acordo com a LDB e os PCNs, é parte integrante da formação dos alunos.
Existem inúmeras razões para a obrigatoriedade da LE no currículo da ED. Básica. (Anexo, p.241) Considere-se que, na LDB, na seção referente ao Ensino Médio, art. 36, III, relata-se: se á i luída u a lí gua est a gei a ode a, o o dis ipli a o igató ia, es olhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da i stituição . O texto da lei refere-se a uma língua estrangeira, fazendo alusão às diversas possibilidades existentes, e agrega a possibilidade de estudo de mais um idioma em tese, dentro das possibilidades de cada instituição de ensino. Entretanto, esse tema não é abordado no PPP, pois sequer se chama a um diálogo com as demais línguas estrangeiras, istoà ueàoài gl sà àdadoàpeloàe u iado à o oà a àlí guaàest a gei aàouà u a àLEàp opostaà como necessária e obrigatória na Educação Básica, corroborando um efeito de sentido naturalizado no contexto escolar.
Com relação ao PPP de francês, destacamos os seguintes fragmentos relacionados à marca de pessoa como exemplos (há outros):