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BÖLÜM 2: KAMU YÖNETİMİ KÜLTÜRÜ

2.1. Yönetim Kültürüne İlişkin Kavramsal Çerçeve

2.1.1. Genel Olarak Kültür (Toplumsal Kültür)

De acordo com BELL & LILYESTROM (1997), a primeira importante alteração no marco regulatório do setor elétrico americano, caracterizando o início da reforma do setor, foi o chamado Public Utilities Regulatory Policy Act (PURPA), implantado em 1978. Essencialmente, essa política setorial governamental estabelecia que as concessionárias de energia comprassem energia elétrica de produtores independentes de energia, desde que produzissem por meio de fontes renováveis (hidroeletricidade, geotermia, solar, eólica e biomassa) nas chamadas Independent Power Plant (IPP). As concessionárias também deveriam adquirir energia de geradores que utilizassem combustíveis derivados de processo industrial e de co-geradores habilitados.

O preço de aquisição seria determinado pela agência de regulação estadual. Todavia, o preço de aquisição não poderia ser inferior ao “custo evitado” (avoided cost), ou seja, o custo que a concessionária teria para construir e gerar ela própria a energia requerida (caracterizando seu custo de oportunidade). Os contratos compulsórios de aquisição seriam de longo prazo, para facilitar o financiamento das novas IPPs. Não obstante, segundo POKALSKY & ROBINSON (1997), ocorreram conflitos e problemas na estimação do valor do “custo evitado”. Quando o PURPA foi concebido, os agentes acreditavam que a próxima unidade de geração a ser construída deveria ser as tradicionais termelétricas que utilizavam o combustível fóssil. Todavia, o avanço tecnológico observado nas unidades termelétricas a gás natural promoveu uma redução sensível no seu custo de implantação e produção. Esse fato, aliado à queda no preço internacional do combustível fóssil, comprometeu o valor do “custo evitado” e a entrada de novas IPPs por meio do PURPA.

Mesmo assim, o PURPA contribuiu para o avanço na promoção das fontes alternativas, sobretudo na década de 80. De acordo com COELHO, PALETTA & VASCONCELOS (2000), enquanto em 1980 havia 13 GW de capacidade instalada em sistemas de co-geração, após oito anos, havia 51 GW instalados no total. A Tabela 5.2 apresenta a evolução da produção independente de energia no setor elétrico americano,

mostrando o avanço da co-geração e do uso de resíduos, principalmente a partir de meados da década de 80.

Tabela 5.2 – Capacidade instalada de Produtores Independentes de Energia Elétrica, EUA, 1980 a 1993 (em GW).

Ano Co-

geração

Resíduos Geotérmica Pequena

hidrelétrica

Solar Eólica Total

1980 227 14 0 0 0 173 414 1981 261 14 0 0 0 176 451 1982 412 32 0 48 1 176 669 1983 658 46 9 59 8 227 1.007 1984 893 79 96 67 27 496 1.658 1985 1.444 140 178 107 57 1.015 2.941 1986 1.788 275 188 144 122 1.235 3.752 1987 3.063 396 319 176 155 1.366 5.475 1988 3.662 513 587 229 221 1.378 6.590 1989 4.942 783 806 298 301 1.382 8.512 1990 5.315 878 870 321 381 1.647 9.412 1991 5.838 883 813 330 374 1.698 9.936 1992 5.991 951 845 341 374 1.745 10.247 1993 5.947 1.180 836 253 374 1.756 10.346 Fonte: JANNUZZI (2000).

Todavia, a partir da década de 90, conforme os contratos antigos venciam, esses mesmos produtores enfrentavam dificuldades na garantia de comercialização de energia e de obtenção de um preço considerado atraente pelos agentes de produção, pois o governo revogou a obrigatoriedade de aquisição por parte das concessionárias e estabeleceu um custo marginal apenas para referência nas negociações com as concessionárias.

Apesar de sua importância para promover as fontes alternativas, para CHUMB (1998), citado por COELHO, PALETTA & VASCONCELOS (2000), as

principais críticas quanto ao PURPA, em específico ao implemento do uso da biomassa, são:

1. Nos incentivos à introdução da geração de energia a partir de biomassa, não foram exigidos níveis mínimos de eficiência, permitindo-se a instalação de vários projetos com tecnologias menos eficientes;

2. No planejamento anterior à instalação da política setorial, não houve uma preocupação na garantia da oferta de biomassa e, à medida que novos projetos foram instalados, ocorreu uma demanda por biomassa maior que sua oferta, elevando consideravelmente o preço do insumo energético; e

3. Após a introdução do PURPA, os preços da eletricidade apresentaram um declínio acentuado, fazendo com que muitas IPPs não fossem competitivas.

Segundo JANNUZZI (2000), o PURPA apresentou um sucesso relativo maior nos Estados de Maine e da Califórnia. Nesse último, foram implementadas políticas setoriais governamentais e privadas próprias para o estímulo ao uso de fontes renováveis alternativas. Os três mecanismos principais foram:

1. Compras voluntárias de energia renovável por meio de green marketing. Green marketing é um mecanismo de mercado que possibilita aos produtores e distribuidores de eletricidade cobrar um adicional sobre o preço do MWh devido à diferenciação de seu produto. Baseando-se em resultados de pesquisas de opinião que demonstraram que os consumidores americanos estariam dispostos em pagar mais por energia renovável, em 1994 a California Public Utility Commission (CPUC) adotou o green marketing como sendo o principal meio de suporte às fontes renováveis. De acordo com JANNUZZI (2000), houve, no entanto, uma forte reação das entidades ambientalistas e organizações ligadas a tecnologias renováveis que argumentavam que apenas essa política não seria capaz de corrigir as imperfeições de mercado. Os críticos afirmavam que esse mercado evoluiria lentamente e que, para os consumidores livres, até 2003, entre 4% e 10%, no máximo, optariam por energia renovável mais onerosa em relação às convencionais;

2. Resoluções mandatórias para compra de energia renovável (Mandate Renewables Purchase Requirements - MRPR). Considerando os cenários pessimistas para o green marketing, em 1995 a CPUC decidiu colocar em pauta o mecanismo Mandate Renewables Purchase Requirements como forma de apoiar a expansão da energia renovável. A agência reguladora determinaria que uma certa porcentagem do consumo de eletricidade ou da capacidade instalada do Estado seria devida a fontes renováveis. Os produtores e vendedores de eletricidade poderiam se adaptar às exigências regulatórias por meio de aquisição de três estratégias que seriam adotadas de forma combinada: (i) sendo proprietário de uma instalação e produzir a quantidade determinada pelo MRPR de energia renovável; (ii) adquirir no mercado a cota determinada pelo MRPR; e (iii) adquirir certificados transacionáveis no mercado denominados de Renewable Energy Credits (REC) de outros produtores/vendedores que

apresentem excedentes à cota determinada pelo MRPR.53

O Estado seria responsável pela estipulação da porcentagem de produção (ou capacidade) advinda de fontes renováveis; pela certificação dos RECs; e pelo monitoramento e fiscalização dos requisitos do MRPR para validação dos RECs. Segundo JANNUZZI (2000), a adoção do MRPR sofreu críticas com referência à burocracia envolvida e quanto aos resultados do programa; e

3. Programas financiados por meio de fundos públicos coletados de consumidores de energia. Diante das críticas e dúvidas quanto à eficiência do MRPR, o Legislativo da Califórnia resolveu adotar a criação de um fundo setorial para apoio às fontes renováveis: o surcharge-funded production credit. Os recursos seriam obtidos dos consumidores e distribuídos por meio de concorrência entre projetos para o desenvolvimento de novos projetos com fontes renováveis. Os recursos seriam arrendados pelas distribuidoras privadas e, de acordo com JANNUZZI (2000), até 2002, esse fundo deveria arrecadar o equivalente a US$ 540 milhões, obtidos pelas três maiores distribuidoras privadas do Estado. As companhias que operam no Estado, de propriedade pública, poderiam optar para alocar os recursos, além de fontes renováveis, entre programas de eficiência energética, P&D e programas para consumidores de baixa renda. O fundo seria administrado pela California Energy Comission (CEC) e obteve

53 Note que esse mecanismo guarda forte semelhança com os Certificados de Redução de Emissões

apoio da maioria das entidades ambientalistas, agentes comercializadores (power marketers), consumidores industriais e algumas companhias de eletricidade.

Dessas três propostas de políticas setoriais para incentivo às fontes renováveis, apenas o fundo setorial e o green marketing permaneceram. Segundo JANNUZZI (2000), o MRPR era apoiado pelos produtores de energia renovável, por algumas entidades ambientalistas e companhias de eletricidade e pelas associações de fabricantes de equipamentos para energia renovável. “O MRPR foi efetivamente abandonado, não só pela sua pouca praticidade segundo os produtores/vendedores privados, mas também, e talvez principalmente, por ele conferir uma vantagem adicional para aquelas companhias que possuem uma porcentagem maior de produção a partir de fontes renováveis” (JANNUZZI, 2000, p. 49).

Assim, de acordo com COELHO (1999) e SOUZA (2002), políticas de incentivo para fontes renováveis alternativas nos EUA, e de forma extensiva para a Europa, geralmente podem ser resumidas em legislações que prevêem:

i. A compra dos excedentes de energia elétrica produzida por autoprodutores;

ii. A obrigatoriedade de compra de energia gerada por fontes renováveis, atingindo determinada fração no portfolio de compra das distribuidoras de energia;

iii. Mecanismos fiscais de compensação que viabilizem um preço de compra superior para as energias renováveis, taxando as fontes fósseis em benefício das renováveis (o inverso ao ocorrido no setor elétrico brasileiro, em meados da década de 90, que incentivou o desenvolvimento do gás natural para geração de energia elétrica);

iv. Incentivos fiscais na aquisição de equipamentos que objetivam a eficiência energética na geração de energia por fontes renováveis; e

v. Linhas de financiamento menos onerosas comparativamente às existentes no mercado financeiro.

A seguir, depois desse delineamento das principais políticas industriais aplicadas ao desenvolvimento de fontes renováveis alternativas, serão verificadas propostas de política governamental existentes para expansão da energia gerada pelo setor sucroalcooleiro na matriz energética brasileira.

5.3. Propostas brasileiras para o desenvolvimento da comercialização de