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1. BÖLÜM

1.2. Irak Kürt Bölgesel Yönetimi’nin Oluşum Süreci

1.2.1. Irak ve Kürtler

A psicologia do desenvolvimento humano, através dos estágios da personalidade, revela, por sua vez, o desenvolvimento histórico e os padrões comportamentais da cultura e da sociedade em determinado momento da vida (MOSQUERA, 1987, p. 152).

É fundamental dizer que as teorias contemporâneas que versam sobre uma maior compreensão do processo de vida da pessoa ao longo da vida, compreendem tal trajetória como um resultado de avanços e regressões, ganhos e perdas, complexidades e rupturas. Fica claro que é um modo de confirmar ao ser humano a sua singularidade dentro da cultura e da história. Estudos dessa natureza foram anunciados por Fooken (1985), Olbrich (1985), Taylor e Ford (1981, apud MUNNICHS et al., 1985) que aportam uma visão complexa de maiores possibilidades para a velhice. Certamente existem inúmeras perdas ao longo da vivência de cada pessoa que correspondem a debilidades sociais, físicas e psicológicas, mas há que ser considerado também um manancial de ganhos.

É importante salidentar que existe na atualidade, uma preocupação maior em relação a estudos desta natureza e que as políticas públicas podem e devem ser implementadas a partir de um mosaico de possibilidades assentadas na necessidade de contribuir de maneira positiva para a mudança na percepção do processo de envelhecimento através da agregação de novos hábitos e atitudes.

No atual contexto da educação, é provável que exista uma grande necessidade de ressaltar e reconhecer a maturidade e o envelhecimento não apenas como processos individuais, mas também como parte do um processo vital passível de ser analisado quanto às mudanças e transformações que ocorrem nessa fase, seja no âmbito social, psicológico ou biológico. Neste prisma, as mudanças que acontecem ao longo da vida são seguidas por perdas físicas, cognitivas e sociais e que podem protagonizar novos sentimentos e emoções através dos quais a pessoa lidará mais positivamente nessa fase da vida.

Diante desta perspectiva, existem ganhos emocionais e cognitivos com o processo de envelhecimento. Procurei assim ressaltar nesta Tese que a pessoa é única e,portanto, a sua singularidade e sua história pessoal são particulares e

podem ser analisadas sob uma perspectiva mais humanizada dentro uma esfera ampliada no contexto em que está inserida.

Considerei, neste estudo a singularidade da pessoa que envelhece, em particular a mulher professora, numa época em que os valores efêmeros podem levá-la a uma escravidão estética deturpada.

Segundo Welsch (1993, p. 47),

Quando nós, por outro lado, olhamos a estetização superficial, há múltiplos motivos para crítica. A justificação de ‘princípio’ dos processos de estetização não significa, de modo algum, que todas as formas de estetização seriam aprovadas.

Contudo, na atualidade, existe uma produtividade e um padrão estético veiculado pela mídia e aceito por um significativo numero de mulheres. No entanto, não cabe julgar, mas questionar sobre as reais possibilidades de permanência e negação de perdas graduais e sucessivas que acometem a todo o ser humano em sua trajetória vital. Para Herman (2005, p. 38), é importante que seja compreendido como a justificação estética se articula, porque existe uma inevitável estetização do mundo contemporâneo e tal fato atua na nossa autocompreensão moral. Desse modo, é necessário que haja um esclarecimento sobre o conceito de estética a partir da autora Herman (2005, p. 38):

A estética é, então, interpretada no âmbito de uma crescente “desdiferenciação” (Entdifferenzierung) dos termos – aisthesis e estética – na perspectiva de um novo conceito de razão, que incorpora o sensível. O termo estética deriva do grego aisthesis, aistheton (sensação, sensível) e significa sensação, sensibilidade, percepção pelos sentidos ou conhecimento sensível-sensorial.

Para esta estudiosa atenta à singularidade do humano e pesquisadora atuante no campo das ciências humanas, a referência à estética vincula-se mais a aisthesis do que ao conceito clássico de estética. Dentro do contexto semântico, a palavra estética no discurso contemporâneo volta-se ao sensível e a teoria da arte e se torna objeto de consideração em todas as esferas da vida prática. Para Herman (2005), a presença da estética expressada no cotidiano estaria associada à existência de estilos de vida do cotidiano em que misturam-se de forma plural, aparência, vida e arte, realidade e ficção, realidade e simulação.

EA: Quem não queria estar sempre magra? É quase impossível com o ritmo de vida que a gente leva. E quanto mais velhas ficamos, mais difícil de perder peso. O jeito é aprender a envelhecer, mesmo! Acho que assim a gente se cobraria menos, porque somos nós que nos cobramos toda vez que nos olhamos no espelho.

A imposição do cotidiano pode ser um componente positivo e negativo, dependendo da interpretação de cada pessoa em relação a associação de movimentos próprios e no que diz respeito à estética. Herman assinala que segundo a concepção kantiana1, o estado da mente despertado pelo objeto estético é uma satisfação desinteressada, uma finalidade sem fim, em que nenhum fim extrínseco pode condicioná-lo. Na proposição de falar sobre o estilo de vida e sobre como atuam em seus cenários, as mulheres sujeitos da pesquisa declararam:

ED: Eu até queria me sentir mais magra como a gente vê nos outdoors por aí [...] mas não tenho o corpo de modelo [...] Tenho um corpo que cansa, que precisa de comida para se manter em pé. Eu sei que as vezes por ansiedade acabo comendo muito mais do que deveria. Dá uma sensação de ter passado da conta, mas é o meu corpo e eu quero olhar pra ele de um jeito melhor, sem cobrar. Quero aprender me dar bem melhor comigo mesma.

Herman (2005, p. 39) diz que a experiência estética cria um estado singular,em que algo pode relacionar-se consigo mesmo, produzir um sentido, que quebra a lógica habitual. Assim, a experiência estética produz uma oposição ao mundo cotidiano. Para dar maior consistência ao estudo sobre o processo de envelhecimento, faz-se necessário retomar sempre a discussão sobre a estetização do mundo. Mesmo diante das adversidades sociais ou culturais, as mulheres tencionam assumir um posto dentro do mundo, porém existe um paradoxo que as

1 Para Kant (1996), o homem é a única criatura racional sobre a Terra e que esta disposição natural

só poderá desenvolver-se no homem, não como indivíduo, mas sim como espécie. Considerar o homem como uma criatura dotada da faculdade racional favorece a prática educativa, porque permite a ampliação do uso de suas forças para além do instinto natural.

subtrai das possibilidades dentro de uma realidade que não as convida a participarem como protagonistas da própria estetização e lhe cobra um preço alto, tanto emocionalmente quanto financeiramente.

EB: Claro que a gente gosta de arrumar o cabelo, fazer a unha, mas cadê tempo pra isso? Eu vou atrás, porque senão fico completamente desleixada e me sinto então velha mesmo! Eu preciso lutar contra essa maré que é uma força contra a professora estar bem ou melhor, parecer bem fisicamente porque isso influi sim no nosso trabalho.

Para Herman a estética pode estar associada às particularidades do pensamento racional, o que cria uma espécie de refúgio à pluralidade e ao diferente, influenciando na criação de novos modos de vida e novas orientações para o agir.

Nos discursos das professoras sujeitos de pesquisa desta Tese, foi possível observar a preocupação com a estética de forma pouco associada à necessidade de equilibrar corpo e mente, mas em manter-se saudável no sentido de não ter doenças e não de levar uma vida mais voltada para a estética do ser pessoa e do processo de envelhecimento.