Com os dados obtidos, através da coleta, serão categorizados os profissionais que fizeram parte da amostra e que avaliaram a assistência prestada ao portador de hanseníase e os treinamentos de clínica em hanseníase oferecidos pelo PCH-RN. Foram realizadas 98 entrevistas, sendo 27 médicos e 71 enfermeiros, em que o critério de inclusão foi ter recebido o treinamento de clínica em hanseníase, ministrado pelo PCH-RN.
Atualmente o Estado se divide em URSAPs, que são as Unidades Regionais de Saúde Pública. Mas, anteriormente, ocorreu o processo de regionalização do Estado do Rio Grande do Norte, que se deu na década de 1980, ficando distribuído em regionais de saúde. A primeira regional é composta por 27 municípios, com sede localizada em São José do Mipibu. A segunda, tem 24 municípios e é sediada em Mossoró; a terceira, possui 26 municípios, sua sede está implantada em João Câmara; a quarta, fica localizada em Caicó, contemplando um total de 25 municípios; a quinta regional fica no município de Santa Cruz, perfazendo um total de 20 e, finalmente, a sexta, é sediada no município de Pau dos Ferros, tendo um total de 37 municípios. Vale ressaltar que ainda faz parte dessa regionalização a capital do Estado, juntamente com cinco municípios que pertencem à região metropolitana e mais dois municípios que foram criados recentemente, perfazendo um total de 167 municípios que compõem o Estado (NOBRE, 2004).
Portanto, atualmente, para efeito de saúde, o Estado se divide em 7 regionais. As regionais de saúde são denominadas de Unidades Regionais de Saúde Pública
(URSAPs). A URSAP I se localiza no município de São José de Mipibu, a URSAP II fica em Mossoró, a URSAP III, em João Câmara, a URSAP IV, em Caicó, a URSAP V, em Santa Cruz , VI, em Pau dos Ferros, e a Regional Metropolitana, em Natal.
De acordo com o instrumento utilizado, apresenta-se a seguir o gráfico que representa a distribuição do número de profissionais que receberam treinamento de clínica em hanseníase por URSAP. (Gráfico 2).
GRÁFICO 2 - DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE PROFISSIONAIS DA AMOSTRA, TREINADOS EM CLÍNICA DE HANSENÍASE POR URSAP. RIO GRANDE DO NORTE, 2008.
FONTE: DADOS DA PESQUISA
No gráfico 2, observa-se que o número de profissionais treinados nos municípios de Caicó – URSAP IV ņ, Pau dos Ferros – URSAP VI ņ, Santa Cruz – URSAP V ņ, São José de Mipibu – URSAP I – e João Câmara – URSAP III, não foi o esperado, pois, de acordo com os dados da Secretaria Estadual de Saúde, 100% dos profissionais desses municípios já tinham recebido treinamento para hanseníase. O fato de não encontrar todos os profissionais treinados nos municípios da amostra pode estar relacionado, sobretudo, à grande rotatividade dos profissionais do PSF. Muitas vezes esses profissionais dependem da vontade política dos gestores, que costumam usar todos os cargos das prefeituras como
troca de favores, ou, até mesmo, pela vontade dos profissionais que procuram locais que ofereçam melhores salários.
Essa rotatividade pode estar ligada, então, a uma insatisfação com as condições de trabalho, deficiências no processo de capacitação e infra-estrutura, onde a educação continuada não funciona (TRAD, 2003, apud NÓBREGA, 2004). Já em Mossoró – URSAP II ņ e Natal – Metropolitana ņ, locais onde se observa um maior número de profissionais com vínculo empregatício efetivo, fator que contribui para a permanência desses nos municípios por mais tempo, foi encontrado um número de treinados bastante significativo.
Quando questionados sobre se atuavam nas ações de controle da hanseníase, 90,8% dos entrevistados responderam que sim, mas 9,2% responderam que não, o que causou surpresa, pois é preconizada pelo Ministério da Saúde a inclusão do PCH entre os Programas prioritários. ņ
A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, em que as equipes multiprofissionais atendem em unidades básicas de saúde. Essas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias. As equipes devem atuar diretamente em ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde da comunidade a qual assiste (BRASIL, 2007).
Verificou-se que, mesmo sendo preconizada a atuação dos profissionais do PSF nas ações de controle da hanseníase, por ser uma doença prioritária no país ņ que é o segundo do mundo em número de casos ņ, ainda são encontrados esses 9,2% que responderam que não atuam. Este fato contribui para a demora no diagnóstico e a disseminação da doença, além de elevar o número de incapacidades físicas que podem ser irreversíveis no diagnóstico tardio (BRASIL, 2007).
Quando questionados sobre carga horária dos cursos de clínica em hanseníase, realizados pelo PCH-RN, observa-se uma média de 27,6 horas, Desvio Padrão (DP) 13,0, com um mínimo de 8 horas e um máximo de 80. Dessa forma, pode-se observar que houve uma variação de 72 horas na duração dos cursos, indicando uma falta de padronização. (Gráfico 3).
GRÁFICO 3 - NÚMERO DE PROFISSIONAIS MÉDICOS E ENFERMEIROS DO PSF-RN, SEGUNDO A CARGA HORÁRIA CURSADA NOS TREINAMENTOS DE CLÍNICA EM HANSENÍASE. RIO GRANDE DO NORTE 2008.
FONTE: DADOS DA PESQUISA
O Gráfico 3 demonstra a distribuição da carga horária dos treinamentos. Verifica-se nos documentos do PCH-RN uma maior freqüência de 16 horas/aula (APÊDICE C), mas, quando comparada com as informações obtidas nas entrevistas, há uma predominância de 40 horas/aula, seguida de 16 horas. Deve-se registrar que, segundo informações colhidas na Secretaria Estadual de Saúde, houve uma grande perda de documentos de registros de treinamentos do PCH-RN, em razão de má conservação. Também não existe um banco de dados instalado no PCH-RN, que contenha informações sobre esses treinamentos.
Buscando caracterizar a carga horária e o tempo dos treinamentos em clínica de hanseníase, questionou-se sobre o tempo de realização do treinamento (Tabela 1).
TEMPO DE TREINAMENTO EM CLÍNICA FR % 1 ano 1 2,4 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 10 anos 15 anos 20 anos Total 9 5 5 5 4 2 3 3 2 2 41 22,0 12,2 12,2 12,2 9,8 4,9 7,3 7,3 4,9 4,9 100,0
TABELA 1 - DISTRIBUIÇÃO DOS 41 ENTREVISTADOS CAPACITADOS EM CLÍNICA DE HANSENÍASE COM CARGA HORÁRIA DE 40 HORAS/AULA, SEGUNDO O TEMPO EM QUE FOI REALIZADO O TREINAMENTO. RIO GRANDE DO NORTE, 2008.
FONTE: DADOS DA PESQUISA
Verifica-se na Tabela 1, que 41 entrevistados realizaram o treinamento com uma carga horária de 40 horas. Observa-se que esses treinamentos foram cursados há 20 até dois anos atrás, considerando que o último treinamento de 40 horas registrado foi em 2006. Acredita-se que os profissionais que responderam ter realizado cursos há mais de 10 anos, vivenciaram cursos relacionados à hanseníase, mas não especificamente o curso de clínica em hanseníase do PCH- RN. Atualmente o treinamento de clínica em hanseníase, oferecido pelo PCH-RN, possui uma carga horária de 16 horas, distribuídas em quatro turnos, sendo 4 horas dedicadas à prática com pacientes. É ministrado por um médico e uma enfermeira, devidamente capacitados e as turmas são formadas com um limite de 20 participantes (PCH-RN, 2007).
O investimento em educação continuada vem sendo feito, pelo PCH-RN, desde 1997, quando iniciou o processo de descentralização do Programa de Hanseníase para o nível municipal (NOBRE, 2004). Educação continuada engloba as atividades de ensino após o curso de graduação e tem como finalidade a atualização, alem de aquisição de novas informações com atividades de duração definida, utilizando metodologias tradicionais de ensino (RICAS 1994 apud RIBEIRO; MOTA, 1995).
Tentando ainda obter informações sobre a rotatividade desses profissionais, questionou-se sobre o local de trabalho do primeiro treinamento de hanseníase.
Observou-se que 15,3% realizaram o treinamento em outros municípios e 84,7% foram treinados no próprio município de trabalho.
5.3 A AVALIAÇÃO
O estudo se baseou na necessidade de avaliar o PCH-RN, que nunca foi avaliado desde a sua implantação. De acordo com Silva e Formigli (1994), os principais atributos para a avaliação em saúde são: efetividade, impacto, eficácia, qualidade, eficiência, acessibilidade, equidade, cobertura e satisfação do usuário (SILVA & FORMIGLI, 1994). O Ministério da Saúde cita ainda, em seu manual sobre avaliação, o conceito de Contandriopoulos sobre o assunto, que diz:
Avaliação é o julgamento que se faz sobre uma intervenção ou sobre qualquer dos seus componentes com o objetivo de auxiliar na tomada de decisões. Este julgamento pode ser resultado da aplicação de critérios e de normas (avaliação normativa) ou se elaborar a partir de um procedimento científico (pesquisa avaliativa) (CONTANDRIOPOULOS, 1997 apud BRASIL, 2005)
Nesse sentido, o MS alinha-se, no plano internacional, ao movimento pela institucionalização da avaliação que vem sendo implementado em diversos países, tais como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e França. (BRASIL, 2005). Escolheu- se, portanto, a análise da intervenção para esta pesquisa, que é definida por Hartz da seguinte maneira: A análise da intervenção consiste em estudar a relação que existe entre os objetivos da intervenção e os meios empregados. Trata-se de interrogar sobre a capacidade de recursos que foram mobilizados e dos serviços que foram produzidos para atingir os objetivos definidos.
A autora coloca ainda que para analisar esta relação pode-se perguntar, por um lado, se a teoria na qual a intervenção foi construída é adequada e, por outro, se os recursos e as atividades são suficientes em qualidade e na maneira como estão organizadas.
Com os dados obtidos através da coleta categorizou-se os profissionais que fizeram parte da amostra. Foram realizadas 98 entrevistas, sendo 27 médicos e 71