Sugestões oferecidas pelos profissionais entrevistados, as quais apareceram com maior freqüência, acerca dos treinamentos do PCH-RN.
• Aumentar carga horária e freqüência dos treinamentos • Treinar toda a equipe do PSF
• Envolver gestores e outras lideranças • Sensibilizar médicos
• Realizar campanhas educativas
Observa-se como principais sugestões o aumento da carga horária dos treinamentos e da freqüência destes. Com essas sugestões, espera-se contribuir para a melhoria dos treinamentos.
6 CONCLUSÃO
A grande importância da hanseníase para a saúde pública brasileira é incontestável. Os muitos pacientes que permanecem sem diagnóstico comprometem a todos os profissionais de saúde. A figura do enfermeiro na equipe do PSF cada vez mais define o seu papel e, nas ações de hanseníase em particular, oferece uma maior independência na prevenção, promoção e acompanhamento dos pacientes, se essas ações iniciais falharem.
Neste estudo, foi proposto avaliar o impacto dos treinamentos de clínica em hanseníase realizados no Estado do Rio Grande do Norte, para a detecção de casos nos municípios onde ocorreram. Para isso, inicialmente foram descritos os treinamentos realizados no Estado, enquanto intervenção, que têm como objetivo capacitar profissionais desses municípios para a detecção da hanseníase. Em seguida, foram identificados os índices de detecção observados nos municípios participantes dos treinamentos nos anos 1985 a 2006, quanto ao comportamento desses índices em relação aos treinamentos nesse período. Por último, foram identificadas as avaliações que os profissionais, participantes dos treinamentos e que compuseram a amostra deste estudo, fazem acerca do treinamento realizado e de sua capacitação na detecção de hanseníase como resultado do curso.
Com relação aos treinamentos, verificou-se que são realizados pelo PCH-RN, desde 1997, quando iniciou o processo de descentralização do Programa de Hanseníase no Estado do Rio Grande do Norte. Inicialmente possuíam uma carga horária de 40 horas semanais, mas com a implantação do PSF, essa carga horária foi diminuindo, até chegar a 16 horas semanais, como é atualmente.
Observou-se que houve aumento da detecção da hanseníase, principalmente nos anos de 2004 e 2005, período no qual também ocorreu a maioria dos treinamentos nos municípios pesquisados, portanto um dos fatores que confirmam a idéia do impacto dos treinamentos de clínica em hanseníase para o aumento das detecções.
Quanto à avaliação dos profissionais, verificou-se que a maioria avaliou os treinamentos de forma positiva quanto à metodologia e conteúdo, além da capacidade dos instrutores, que teve 99% de aprovação por parte dos entrevistados. Houve ressalvas, com relação à carga horária atual, que é de 16 horas e, dentre as
sugestões, o aumento dessa carga horária foi a que apareceu com maior freqüência. Mas, também, houve sugestões para a sensibilização dos médicos e enfermeiros do PSF sobre hanseníase e a inclusão dos outros profissionais do PSF nesses treinamentos.
De acordo com os resultados deste estudo, observa-se a real necessidade da educação permanente, seja através de dados oficiais da Secretaria de Saúde do Estado, ou das respostas obtidas nas entrevistas, tudo leva a crer que não há um caminho mais seguro a percorrer a não ser o da educação em saúde.
São várias as interferências sofridas ao longo do processo de descentralização da saúde. Cada vez mais as responsabilidades pelas ações de saúde passam para o nível municipal. A capacitação profissional demanda bons treinamentos e a conscientização que se pode alcançar através da educação permanente é inegável. Essa reflexão realizada no próprio serviço estimula muito mais o profissional. Com essa avaliação busca-se entender as satisfações e insatisfações dos profissionais do PSF do Rio Grande do Norte, em relação ao treinamento de clínica em hanseníase oferecido pelo PCH-RN.
Desse modo, muitos problemas são resolvidos através dos treinamentos, principalmente os de maior carga horária, quais sejam: maior capacidade para suspeitar e diagnosticar, orientação para realização de campanhas educativas, estímulo e compromisso profissional, melhor definição de estratégias de ação com a ajuda dos programas ministeriais e, principalmente, sensibilização para o diagnóstico precoce da hanseníase.
Após partir do pressuposto que a doença se encontra oculta na sociedade, foi lançada a idéia de que os treinamentos de clínica em hanseníase contribuiriam para o aumento da detecção da doença. De acordo com os resultados da pesquisa, pode- se comprovar essa teoria e obter informações importantes para contribuir para a melhoria desses treinamentos.
Com base nos dados coletados e na experiência profissional, pode-se avaliar o treinamento em clínica de hanseníase realizado pelo PCH-RN e oferecer algumas sugestões de modificação na estrutura programática do atual treinamento. Sugere- se, portanto, aumentar a carga horária para 24 horas, (sendo 12 horas direcionadas à teoria e 12 horas, à prática), pois, apesar de a maioria ter sugerido 40 horas/aula, deve-se reconhecer que realmente há dificuldade em deslocar as equipes do PSF por muito tempo das suas unidades.
Atualmente uma carga horária mais prolongada, realmente provoca uma grande evasão dos participantes, fato que interfere negativamente nos objetivos principais de aprendizagem. Sugere-se, ainda, a manutenção da metodologia e do conteúdo que tiveram uma avaliação positiva pela maioria dos entrevistados, contanto que atualizados de acordo com as determinações do MS. Incluir mais pacientes nas aulas práticas. Promover discussão de estratégias de ação para campanhas educativas e, sobretudo, estimular a multiplicação de todo o conhecimento obtido para sensibilizar os demais participantes da equipe do PSF. Acredita-se, dessa forma, ter contribuído, cientificamente, não só para o conhecimento da doença, mas principalmente para a capacitação de profissionais, no sentido de realizar cada vez mais o diagnóstico precoce da hanseníase. Espera- se, com o treinamento ideal, beneficiar todas as pessoas que passam anos sem que a sua doença seja descoberta e tratada adequadamente. A hanseníase é uma doença silenciosa, mas de grande potencial incapacitante, pois atinge não só a pele, mas também os nervos periféricos. Quando esses nervos são afetados, se não houver um diagnóstico imediato, as lesões vão evoluir até o ponto de incapacitar para alguns movimentos.
A pesquisa realizada sugere mudanças que possam contribuir positivamente para os treinamentos de clínica em hanseníase do PCH-RN. Mas, sobretudo, deseja-se lançar algumas reflexões para todos os profissionais de saúde. Até que ponto os profissionais de saúde estão capacitados para atender à população que lhes procura? Quais são as situações que os levam a ter compromisso profissional? Quantas pessoas vão precisar passar pelo sofrimento de perder movimentos, desenvolver úlceras, ou passar anos em processo inflamatório severo, devido aos estados reacionais da doença, para que se tome consciência do papel enquanto profissionais de saúde?
São muitas as dúvidas que rodeiam a todos em relação a essa doença tão antiga. Mas, atualmente, há uma certeza, só depende de cada um assumir o compromisso com a prática diária, pois hanseníase tem cura. Com essa percepção e o resultado das avaliações deste trabalho, espera-se ter contribuído para o desenvolvimento das ações de controle da hanseníase.
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APÊNDICE A - Planilha de dados sobre treinamentos de clínica em hanseníase, por município
REGIONAL MUNICÍPIO DATA TIPO DE TREINAMENTO NO HORAS/AULA NODE PARTICIPANTES NO DE MÉDICOS N O DE
ENFERMEIROS METROPOLITANA Natal
I URSAP São José de Mipibú
II URSAP Mossoró
III URSAP João Câmara
IV URSAP Caicó
V URSAP Santa Cruz
APÊNDICE B - Planilha para registro de casos de hanseníase detectados, por município Município/Ano 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Caicó João Câmara Mossoró Natal Pau dos Ferros Santa Cruz São José de Mipibu
APÊNDICE C - Roteiro de entrevista: profissionais de saúde (médicos e enfermeiros)
Dados de Identificação
1- Categoria Profissional: Médico ( ) Enfermeiro ( ) 2- Tempo de Formado (meses/anos):
_____________________________________________
3- Atua no PCH? Sim ( ) Não ( ) Se sim há quanto tempo? (meses/anos) __________
4- Vínculo: Efetivo ( ) Contratado ( ) 5- Tempo de Atuação na Unidade de Saúde (meses/anos):_____________________________
6- Reside no Município de trabalho? Sim ( ) Não ( )
7- Quais os treinamentos que realizou no PCH-RN? e há quanto tempo? Clínica de hanseníase ( ) Tempo ______ PI ( ) Tempo ______ Outros ( ) Quais? ________________________________________ Tempo____________
8- Qual a carga horária?
Clínica de hanseníase: _____________ PI: _____________ 9- Onde trabalhava quando foi treinado pela primeira vez? ___________________________
10- Realizou algum treinamento de hanseníase em outro Estado? Sim ( ) Não ( ) Se sim,
quais:_____________________________________________. Questões Norteadoras
1) Como você avalia a assistência ao portador de hanseníase no seu PSF? Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima ( ) Por quê?
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2) Como você avalia a estratégia do PCH-RN, para a formação e educação
permanente através dos treinamentos dos profissionais em relação às ações de controle da hanseníase:
Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima ( ) Por quê?
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 3) Como você avalia a atuação dos médicos e enfermeiros no desenvolvimento das ações do PCH no Rio Grande do Norte?
Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima ( ) Por quê?
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 4) Que sugestões você daria que venham a contribuir no desenvolvimento das ações dos médicos e enfermeiros no PCH no Estado do Rio Grande do Norte? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 5) Em sua opinião, a equipe do Estado da qual você recebeu o treinamento em clínica de hanseníase estava bem capacitada para este fim?
Sim ( ) Não ( ) Por quê?
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 6) Você se sentia capacitado para desenvolver as ações de controle da hanseníase antes de receber o treinamento em clínica oferecido pelo PCH-RN?
Sim ( ) Não ( ) Por quê?
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 7) Você se sente capacitado para desenvolver as ações de controle da hanseníase depois de receber o treinamento em clínica oferecido pelo PCH-RN?
Sim ( ) Não ( ) Por quê?
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 8) Você alguma vez suspeitou de hanseníase em algum paciente antes de receber o