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2.1. Kuramsal Çerçeve

2.1.2. Öğretmen Bilgisi

2.1.2.2. İstatistik eğitiminde öğretmen bilgisi

b) SUJEITO (Receptor) de cuidado não espontâneo (do “dever cuidar”)

A partir desta categorização (esquema acima), é importante especificar que, quanto ao “receptor e doador de cuidado” conforme RICKS, é necessário introduzir uma visão conceitual diferente, prefere-se aqui, a utilização do termo “MEDIADOR de cuidado” ou simplesmente CUIDADOR (RA), ao invés de “ doador de cuidado”, em razão da conotação associada à “caridade”, à generosidade, à compaixão, uma perspectiva que no contexto do “dever cuidar” geraria uma profunda contradição, já que na esfera do “dever” existe uma relação autônoma ou heterônoma uma obrigatoriedade que não se refere a nenhuma forma de favor ou benemerência, mas sim, à esfera ética e moral da consideração do direito de ser cuidado, o conceito “mediador de cuidado”, como foi visto, possibilita articular e dar sentido para a dinâmica de desenvolvimento que a atividade de cuidar possibilita ao sujeito de cuidado, e próprio cuidador (ra), por meio da interação.

Esclarecida esta diferenciação a respeito da inter-relação entre “receptor e emissor de cuidado”, podemos a partir de então pensar na diferentes, possibilidade e condições de “conexão humana” e que segundo Carol Gilligan (1982, p.40) a “conexão humana“ para ela conceitualmente se refere a “um laço primário entre o outro e si mesmo”.

Concordante com esta proposta conceitual, a abrangência da “conexão humana” remete ao aspecto epistêmico, ontológico à concepção existencial de “ser” em relação a si, e ser em relação ao “outro”, de ser em relação ao universo intra e inter psíquico, intra e inter pessoal.

Equivale a pensar que, toda concepção ou percepção humana só é possível frente ao conceito de “conexão”.

Se todos os fatos, fenômenos observáveis, cognitivamente compreensíveis só são perceptíveis ou concebíveis, e objetos de fato enquanto aquilo que se denomina “outro em mim”, então temos uma “conexão” implícita enquanto conceito que nos capacita e dá sentido à percepção ou concepção do “outro” e do “si mesmo” , “do mim mesmo”, “do nós mesmos”, deste(s) outro(s) em mim enquanto contexto, objeto, pessoa ou ideação, numa condição que opera a existência e a diferenciação do o “eu” do “não eu” observável, percebido ou idealizado (imaginado), possível enquanto ente subjetivo, ou enquanto concretude, realidade, ainda que ressaltemos o relativismo e diversidade ideológica, perceptual sobre o que é realidade enquanto pergunta epistêmica.

Prosseguindo, “conexão” enquanto conceito envolve a dimensão cognoscível, cognitiva do “existir”, sobre a existência de algo nas esferas micro ou macro, intrínseca, ou extrínseca, inter-subjetiva ou intra-subjetiva, enfim, tudo só é existente frente a uma “conexão” intencional ou funcional, voluntária ou involuntária, ressaltando que, mesmo frente a um fenômeno não explicável (inteligível), nossa capacidade cognitiva e perceptível está circunscrita à hipóteses onde os paradigmas são construídos frente a um mecanismo que supõe o conceito de “conexão” a priori, como ferramenta ou elemento epistemológico.

Assim, “ser para si” é ser “intra-conectado” (self-regarding) segundo a expressão de Campbell e Christopher (1996) conforme Yves de La Taille em “Vergonha, a ferida moral” (p.13), onde a capacidade de perceber-se enquanto “si-mesmo” nos sugere uma conexão intrínseca, e que se dá pela consideração de que existe um “eu” que é observável por um outro “eu” que observa (eu observador), isto ontologicamente remete este “outro em mim”, este outro como ser, como ente possível de ser percebido, conhecido, pensado, compreendido, objeto da ação ou intenção de cuidado.

Retomando, ainda que GILLIGAN não proponha uma teoria a respeito da “conexão humana”, creio que fica pressuposta a partir da argumentação acima a potencial correlação entre “cuidado” (cuidar), “conexão humana” e a questão ética e moral, da importância destes elementos no processo psicológico de construção da auto regulação humana.

E como já exposto, não se considera, portanto, a ética do cuidado simplesmente como um princípio relacionado apenas ao desejo, ao querer, mas também ao dever autônomo, envolvendo os campos da afetividade e da razão.

Aprofundando um pouco mais a reflexão teórica em relação à “conexão humana”, para que se possa considerá-la enquanto valor e variável ética e moral relevante, e possível, parte-se do pressuposto da conceituação da “conexão” como envolvendo uma inter ou intra relação de coexistência intencional ou funcional, sincronicamente nas dimensões espacial e temporal (tempo e espaço), considerando-se as relações concretas, objetivas, bem como a transcendência desta coexistência sincrônica de tempo e espaço, quando se considera as relações subjetivas, metafísicas, concernentes à capacidade simbólica, a memória e a história.

Com isto, o pressuposto envolve enquanto grau maior de amplitude, o campo cosmológico, universal enquanto abrangência, aonde as possibilidades de interações envolvem conexões que determinam a gênese e a manutenção da existência ou coexistência animada e inanimada, enquanto equilíbrio existencial e adaptativo, lembrando como já mencionado, que parafraseando GILLIGAN, “conexão humana” se relaciona a interação primária entre o outro e o si mesmo, constituindo um “mim mesmo” (a percepção, ou reflexo do outro em mim), da empatia.

Cabe exemplificar que dentro de uma perspectiva moral, tal conceito poderia equivaler comparativamente ao estágio moral seis (6), proposto por Lawrence Kohlberg, que considera e caracteriza tal estágio moral segundo (BIAGGIO(2002, p.27) da seguinte maneira:

“Nesse estágio (6), o pensamento: pós-convencional atinge seu nível mais alto. O indivíduo reconhece os princípios morais universais da consciência individual e age de acordo com eles. Se as leis injustas não puderem se modificadas pelos canais democráticos legais, o indivíduo ainda assim resiste às leis injustas. É a moralidade da desobediência civil, dos mártires e revolucionários pacifistas, e de todos aqueles que permaneceram fieis a seus princípios, em vez de se conformarem com o poder estabelecido e com a autoridade7(grifo meu) . Jesus Cristo, Gandhi, Martin Luther King, são exemplos dados por Kohlberg de seu pensamento nesse estágio.

Numa de categorização mais abrangente, “conexão humana” na perspectiva ética e moral pressupõe a consideração do “Outro” sempre significativo a mim, e como sujeito de cuidado, conforme quadro a seguir:

7 A palavra autoridade aqui, não se refere ao conceito de Hannah Arendt de autoridade, e que significa agir

com poder, participativo e reconhecido por outros, não implicando em nenhuma forma de coerção. A palavra (autoridade) da citação se refere no conceito de ARENDT como autoritarismo, “Totalitarismo”, o oposto da autoridade exercida pela democracia.