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II. Eserleri

2.1. Milli Dinler

2.1.11. İsrail Dini/ Yahudilik

A revista O Apito foi um caso à parte. Nascida quase como uma brincadeira de Ignácio Batista de Almeida em 1911226 e ressurgida em janeiro de 1931 depois de quase sete anos de recesso, tomou outros rumos durante no início da década de 1930. Ignácio B. de Almeida era funcionário da Contadoria da EFS.

Em seu manifesto de volta, Seu Iba, como era conhecido o redator, declara não ter cor política ou partidária, pois “quem se mete em partido sempre sai rachado, por isso é preferível ficar à margem, pois um apito naquelas condições não pode apitar (…).”227 Contudo, a partir de julho de 1932, defende calorosamente a causa “Constitucionalista”. O

222

Cf. Estatutos e Regulamentos dos Departamentos de Beneficência, Pecúlios e Funerais do Centro Ideal

Ferroviário, Art. 1.º Parágrafo Único: “Poderão também ser admitidos como sócios, os ferroviários das

demais estradas de ferro do Estado de São Paulo”.

223 Nossa Estrada, Fevereiro de 1935. 224

Nossa Estrada, exemplares de Abril e Julho de 1939.

225

Nossa Estrada, Junho de 1939.

226

“O Apito apareceu pela primeira vez em 4 de novembro de 1911, caprichosamente impresso à mão, [com] tiragem de 0001 exemplares e assim foi até o número 13”. Em agosto de 1914 a revista parou de ser editada, voltando em fevereiro de 1915, parando novamente em dezembro do ano seguinte. Voltou novamente em janeiro de 1922 e, em agosto de 1923, parou “por falta de pressão”. Cf. O Apito, n.º 1 janeiro de 1931.

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humor da publicação foi uma constante até os últimos números consultados, 70 e 71 de dezembro de 1933.

A revista pretende ser noticiosa e informativa no que toca aos interesses dos ferroviários da Sorocabana. Ao par dessa função, o redator quis desenvolver uma militância em favor dos ferroviários, participando de comissões formadas por elementos da chefia das seções e departamentos da Estrada. Essas intervenções em favor dos trabalhadores foram o pedido de supressão do desconto em folha de pagamento dos empregados em geral da Sorocabana, do imposto sobre os vencimentos dos funcionários públicos; a aplicação da Lei de Férias e a construção de moradias para os ferroviários.

Em seu terceiro número, a revista lança a campanha pela conquista da Lei de Férias, em fevereiro de 1931.

“Há longos anos que a lei de férias foi sancionada pelo Governo da República; há vários meses que ela vem sendo beneficiadora de inúmeras classes trabalhadoras; há longo tempo que todos nós esperamos com anseio que a lei atinja, na Sorocabana, como justo prêmio que é aos milhares de homens que aqui lutam pelo seu progresso intenso (…), maior grandeza de São Paulo”.228

Parece-nos interessante comparar essa declaração com a constante na biografia de Gaspar Ricardo Jr., escrita por seu filho Octávio, que afirma que, entre as realizações desse ex-diretor, estava a “concessão de férias antes de qualquer legislação a respeito, (…) etc.”229. Provavelmente, o autor se refere à anterioridade em relação à Lei de Férias de 1934, que atrelava o direito à sindicalização do trabalhador, mas certamente não à Lei de 1927, que em muitos casos, permaneceu esquecida e inaplicada na maioria das empresas brasileiras, como indicam diversos autores.

A comissão criada pela revista para conferenciar com o Secretário da Viação e Obras Públicas teve como companhia o Diretor da EFS, “o Ex.mo. Dr. Gaspar Ricardo Jr.”, “que fez a apresentação nominal dos funcionários ao Ex.mo. Sr. Secretário de Viação”. A comissão d’O Apito era composta Alberto Rocha Lima, Fausto Rocha, Ignácio Batista de Almeida e Octávio de Souza Coutinho, todos pertencentes às chefias de setores e seções e membros do Centro Ideal Ferroviário. Essa comissão obteve do Secretário de Viação a aplicação da Lei de Férias, concedendo 15 dias anuais aos trabalhadores que tivessem

228

O Apito, n.° 4, Abril de 1931.

229

Octávio Gaspar de Souza RICARDO, Gaspar Ricardo Júnior: contribuições à sua gente. Edição

menos de 6 faltas no referido período e isso foi apresentado como uma “conquista” pela redação, em letras garrafais:

“Nossa primeira conquista – o entendimento da comissão dos funcionários da Sorocabana com o Ex.mo. Sr. Dr. Secretário de Viação e Obras Públicas – a concessão de férias aos empregados da Estrada de Ferro Sorocabana – outras notas”230.

A luta contra o imposto estadual sobre os vencimentos dos funcionários públicos obteve resultados indiretos que foi um reajuste salarial geral, compensando o desconto do referido imposto. A obtenção desse reajuste salarial foi objeto de uma visita de agradecimento de uma comissão composta pela Diretoria e chefia da empresa ao Secretário de Viação e Obras Públicas, tendo Fausto Rocha discursado na ocasião.

A atuação da revista sempre envolvia a chefia e mesmo a Diretoria da EFS, procurando apresentá-las como beneméritas e defensoras dos trabalhadores. A nosso ver, a sua intenção, falando em nome dos trabalhadores, mas, não com o seu consentimento, era incutir hábitos e laços patriarcalistas entre trabalhadores e a chefia.

A revista fez campanha em favor da construção de moradias, de “casas higiênicas” para os ferroviários, que foi compartilhada com as outras entidades da categoria.

Durante os anos de 1931, 32 e 33, os assuntos debatidos geralmente versavam sobre a Lei de Férias, construção de casas e moradias para os trabalhadores; a conveniência ou não de os ferroviários serem considerados funcionários públicos e notícias acerca da Caixa de Aposentadorias e Pensões. Tratou em menor proporção da possível transformação dos Armazéns de Abastecimento da EFS em cooperativas de consumo, às quais os trabalhadores deveriam se associar e receber dividendos ao final do exercício contábil, proporcionais às suas compras efetuadas.

Depois da criação do Sindicato Ferroviário do Estado de São Paulo e, especialmente depois da criação do Sindicato dos Ferroviários da EFS, as ações vindicatórias e impulsos militantes de O Apito em favor dos trabalhadores diminuiu, quase desaparecendo.

Politicamente, a redação da revista defendeu e se envolveu com o movimento constitucionalista de 1932, incentivando a doação de fundos para auxílio de feridos e órfãos.

Em novembro de 1931, publicou as impressões de uma visita ao Fascio de Sorocaba, caracterizando-o como “conceituada agremiação desta cidade”, cujos diretores

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“foram de uma gentileza sem limites para com o representante desta revista”. Também publicou alguns artigos anti-tenenteistas e pró-direita. Durante o ano de 1933, publicou outros artigos com as mesmas tendências ideológicas, como o “Direita Rodar!”, anti- liberal, anti-socialista etc., próximo do que se apresentaria como o integralismo:

“(…) Destroças os partidos e não poupes a República – tudo o que contribuir para o grande crime de lesar a Família, a Pátria e a Deus. Eu não te prometo o céu como o socialismo, para depois te dar o inferno. Eu te prometo e dou a terra. Vem comigo. Direita Rodar!” de Paim Vieira231

Os últimos exemplares localizados da revista foram os números 70 e 71 de dezembro de 1933.

2.2.3 A folha “O Ferroviário” e o Comitê Central dos Empregados da Estrada