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II. Eserleri

2.2. Evrensel Dinler

2.2.3. İslamiyet

Em setembro de 1937, após o fracasso do Comitê Central dos Empregados da EFS, foi criada a Associação Profissional dos Empregados da Estrada de Ferro Sorocabana. Essa

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O Ferroviário, 30/10/1937.

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entidade surgiu em meio a grande disputa eleitoral entre as correntes com influência partidária, tanto de direita, como em relação ao Sindicato. Nesse momento de forte repressão após o levante comunista-aliancista de novembro de 1935, a oposição influenciada pelos comunistas e outras representadas na participação junto à ANL, estavam sufocadas e desmontadas. Provavelmente, os comunistas continuaram a atuar entre os ferroviários da Sorocabana, mas não controlando a ala politicamente atuante como foi a Frente de Ação dos Ferroviários da Sorocabana, assuntos que trataremos posteriormente.

Essa Associação, também nasceu em meio aos chefes graduados da empresa e teve eminente caráter sindical, mas com características integralistas marcantes. A revista Nossa

Estrada fez forte propaganda em seu favor, com tom acentuado pró-fascista, fortemente

conservador e conciliador de classe: “Ela prega a harmonia, a união; tem rumos certos traçados e a vontade firme de vencer”. “Tende confiança em nós; assumimos perante Deus e parente cada um dos companheiros, a responsabilidade de executar, em todos os seus itens, o programa da Associação”249.

O Ferroviário também considerava a Associação Profissional como uma entidade

de caráter fascista250. Semanas depois, essa mesma folha questionava o caráter de classe da Associação Profissional, tendo em vista que seus aderentes eram todos chefes de divisões, de serviços etc.; nenhum operário teria se associado e muitos teriam recusado a adesão publicamente, diante de vários outros companheiros e colegas de trabalho251. Houve discussão aberta entre Benedicto Dias Baptista252, membro da União Democrática Trabalhista, centro-direita, com Mário Cabral Jr., representante integralista, sobre o caráter da organização. Benedicto acusou-o de querer fascistizar a Associação253, quando da apresentação de seu programa na sessão preparatória, na qual houve a presença de numerosos chefes tendo sido realizada em uma sala da Seção de Tráfego da EFS.

Em seu manifesto, assume o programa com todos os atributos sindicais: criação de escolas, bibliotecas etc.; promover melhorias salariais e das condições de trabalho, mas

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Nossa Estrada, Setembro de 1937.

250

O Ferroviário, n.° 28 de 09/10/1937.

251

O Ferroviário, n.º 32 de 06/11/1937.

252 Benedicto Dias Baptista era ex-vice-presidente do SFEFS, um dos ex-líderes da Frente de Ação dos

Ferroviários da Sorocabana e naquele momento, membro da União Democrática Trabalhista, de centro direita, apoiadora política de Armando Salles de Oliveira à Presidência da República.

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“dentro dos limites da justiça, dos interesses gerais de ordem pública e dos recursos da Estrada”; prevenir e dirimir conflitos entre empregados e a administração etc.

“A Associação não vê nos trabalhadores simplesmente a massa [sic]; ela distingue e reconhece em cada um a sua dignidade de homem, com harmonia interior, que deve ser mantida mesmo quando ele entre em ação”254.

O manifesto menciona muito a família, a fé, a hierarquia e até a empresa – todos os direitos devem ser defendidos, desde que não firam a empresa, as leis, a ordem e que não sejam “abusivos”.

“Ela visa congregar todos os ferroviários da Sorocabana em um bloco sólido, sem distinção de categorias, credos políticos, religiões ou quaisquer compromissos com outras associações de classe. Assim, ela não é contra o Sindicato, o Centro Ideal, a Cooperativa [de Consumo dos Ferroviários da EFS, criada anexa ao Sindicato], etc. Nas questões em que essas organizações têm a mesma orientação e finalidade da Associação, será estabelecida, de comum acordo, uma norma de ação para cada entidade, mediante termo de concordata. É assim, um movimento de harmonia e não de luta.

Um movimento desse vulto só se pode efetivar mediante disciplina e escala hierárquica na Associação. Deverão todos os associados por ocasião de sua adesão, prestar compromisso de disciplina e obediência às autoridades da Associação, cumprindo as ordens que receber, desde que elas se enquadrem no programa estabelecido neste manifesto. A falta de disciplina implica na exclusão, mediante processo organizado por Conselho eleito pelos associados.

É também necessária união total, ou pelo menos da grande maioria dos empregados da Estrada. A Associação só se organizará se obtiver a adesão de 8.000 empregados, no mínimo. Caso isso não aconteça, este manifesto fica sem efeito e os seus organizadores dispensados de qualquer compromisso com os que o tiverem subscrito”.

São Paulo, 9 de outubro de 1937.255

No texto fica clara a tendência autoritária e de cunho integralista da entidade, comprovada por seus apelos à autoridade e referências a Deus, à Família e à Pátria. A promessa do tratamento do trabalhador não como massa, mas em sua individualidade integral, mesmo quando ele está trabalhando, é uma contradição, na medida em que pretende que o associado seja um cumpridor de ordens, submetido à rigorosa disciplina e hierarquia. Parece-nos que os autores desse manifesto quiseram marcar a diferença ideológica em relação ao sindicalismo de classes proletário, que utilizava-se fartamente do

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Nossa Estrada, Setembro de 1937.

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termo massas, do que algo que realmente estivessem dispostos ou em condições de fazer, em consonância com sua orientação ideológica.

Elemento extra, é sua referência à empresa e sua preocupação com a mesma, condicionando o atendimento das reivindicações por direitos de seus sócios às conveniências e necessidades da EFS e julgando em relação à ela, o que seria ou não “abusivo” em matéria de direitos.

Quando o manifesto menciona a questão da falta de disciplina e propõe o rigor em sua manutenção e respeito hierárquico, além de expressar o seu caráter autoritário, supomos alusão ao Sindicato, que com as violentas dissensões internas, e debates travados em público, com organização de oposições, declarações políticas, organização de Assembléias Gerais etc., parecia desorganizado. Supomos, que isso pode ter provocado seu desgaste junto às suas bases. A Associação Profissional propunha-se como alternativa ordeira…

Outro ponto interessante a destacar é o da pretensão da Associação Profissional de iniciar quase que imediatamente com um quadro de 8 mil sócios “no mínimo”, senão com a totalidade dos trabalhadores da EFS. A EFS tinha durante esses anos, cerca de 12 mil empregados, o que daria à Associação Profissional dois terços deles. Caso ela os obtivesse, supomos que conseguiria a desfiliação desses trabalhadores junto ao SFEFS, que possuía cerca de 11 mil filiados, dessa forma asseguraria o direito, segundo as leis de 1934, de representar legalmente os trabalhadores e tornando-se na prática, a única entidade realmente reconhecida, já que o Sindicato o seria, mas perderia sua capacidade legal de representação dos trabalhadores.

Conseqüentemente, essa era uma pretensão sindical semi declarada da Associação Profissional e, pelo seu caráter, representava uma disputa ideológica com o Sindicato que se pretendia democrático e defensor de classe do proletariado, com tendência inicialmente socialista, ao menos expressa e propagandeada.

Essa disputa com o SFEFS fica mais clara, quando reparamos que a Associação Profissional surgiu em meio à uma greve branca, organizada como conseqüência do forte mal-estar que envolvia os trabalhadores, especialmente os operários das oficinas de Sorocaba e de Mairinque. A greve branca de setembro-outubro de 1937 foi vitoriosa, da mesma forma que sua antecessora, mais curta, porém mais violenta, a grande greve de Janeiro de 1934.

A criação da Associação Profissional, com suas características e caráter adotado, parece-nos uma clara resposta da Administração da Estrada ao Sindicato e uma tentativa de derrotá-lo. O próprio caráter integralista da nova entidade marcava a oposição mais completa a este e, supomos que a Administração de Mário Salles Souto tenha deixado que elementos integralistas existentes entre sua chefia agissem em combate ao sindicalismo de classe reivindicativo. Seria uma forma de combatê-lo, mas não diretamente, como o fizera Gaspar Ricardo Jr. que fracassara em seu intento.

No início de 1938, o Sindicato dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana passou um telegrama à polícia, acusando a diretoria da EFS de estar perseguindo funcionários, para “obrigá-los a apoiar” a Associação Profissional.

O delegado de polícia ouviu as partes, os delegados sindicais, a representação da Administração da EFS e o departamento jurídico da Associação, bem como diversos funcionários da empresa. O fato se concretizava com a remoção forçada de um chefe de estação pelos motivos mencionados. Houve trabalhadores desmentindo o Sindicato e um declarou que a perseguição se dera porque o referido chefe de estação havia fixado cartazes em apoio ao Estado Novo. Seguiram-se acusações recíprocas entre o Sindicato e a Administração de exploração política da massa dos trabalhadores, de subversão de desrespeito ao Estado Novo. O delegado de polícia concluiu pela improcedência da acusação do Sindicato256.

A Associação Profissional teve pouco sucesso entre os trabalhadores. Pelas informações que dispomos, parece que teve maior quantidade de adesões entre os trabalhadores de escritório do que entre os operários, embora supostamente tenha se registrado adesões “em massa do pessoal de trem e de depósito” na linha da Ituana. Seu manifesto teria sido bem recebido em Piracicaba e na linha da Ituana, dezenas de adesões se registraram, inclusive “cem por cento dos serventuários da estação, dos escritórios, almoxarifado” etc.257.

Contudo, o número de dezembro de 1937 de Nossa Estrada, juntamente com propagandas a favor do “Governo Forte”, expressando a adesão ao Estado Novo e propagandas da Associação Profissional, vemos um possível ponto de resistência dos

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Arquivo do DEOPS, Prontuário 6839, Sindicato dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana, Relatório de Investigação de 26/03/1938.

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trabalhadores. Elogiando e incentivando a todos a aderirem à Associação, Nayme Bussamara, articulista e propagandista da revista, revela alguns problemas em meio ao operariado, ao perguntar o por quê da não aceitação da entidade.

“União, Inteligência e Boa Vontade” (…)

“Porque a Associação vem sendo apresentada, na sua maioria por chefes de serviço dos mais graduados? A dúvida a esse respeito é inteiramente descabida se atentarmos para o fato bem evidente de que, na Sorocabana, não há distinção entre chefes e subordinados. Todos são empregados [sic] da Estrada (…). O fato de a idéia ter nascido de um pugilo sincero de chefes é tanto mais significativa porque indica que a Associação nasce forte, bem amparada, bem alicerçada”.

As dúvidas dos trabalhadores sobre o caráter da Associação e da sinceridade em defender seus interesses, vinha certamente, do fato de ela ter sido criada e dirigida por chefes em uma época em que eram constantes os conflitos entre os operários e seus superiores hierárquicos nos locais de trabalho. Podemos supor ainda, que a desconfiança talvez também viesse da forte campanha anti integralista desenvolvida pelo Sindicato, desde novembro-dezembro de 1934, bem como da luta que as esquerdas em geral e o movimento operário travaram contra o integralismo entre 1934 e 35 e, de certa maneira, ainda travavam com menor intensidade até o Golpe de 10 de Novembro, que implantou o Estado Novo.

Veremos mais adiante, quando tratarmos da história do sindicato em si, que a luta entre integralistas e sindicalistas, fossem eles comunistas, trotskistas, libertários ou socialistas/tenentistas ou socialistas “amarelos” foi intensa, pelo menos no nível da propaganda e do combate aos “chefes” que usavam a “camisa verde”. Segundo Maria Helena S. Paes258, a disputa entre os sindicalistas “amarelos” ou “ministerialistas” com os integralistas foi intensa no sindicato dos metalúrgicos da cidade de S. Paulo. A diferença é que naquele sindicato, os integralistas chegaram à direção, depois de uma intervenção do Departamento Estadual do Trabalho e só foram removidos após o início da repressão efetiva contra a Ação Integralista Brasileira, em 1938 e, através de uma nova intervenção do DET.

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O Syndicalista fez importante campanha contra o integralismo em 1937, poucos meses antes do lançamento do manifesto da Associação Profissional, em letras garrafais:

“Num regime em que só vale a opinião do chefe, o operário perde até o direito de viver. Em busca dessa prática fascista é que os integralistas armam suas milícias verdes contra a liberdade do proletariado”259.

Somando a intensa campanha contra o integralismo em geral e contra os chefes adeptos dessa ideologia desde 1934 e outras campanhas, podemos supor que grande parte dos trabalhadores em contato com os sindicalistas, estivesse pronta a recusar, ou, ao menos, desconfiar dos apelos e palavras de ordem direitistas.

Uma chamada importante é o texto de última página, no Syndicalista260, que faz

apelo para que os ferroviários ficassem atentos contra a arremetida de chefes de distrito, inspetores etc. que tivessem aderido ao integralismo. A ideologia foi apresentada como extremismo de direita, infiltrada nos serviços públicos, visando subverter a ordem dentro de um estado democrático de direito. É possível que os sindicalistas visassem o combate à Associação Profissional, cuja organização e preparativos deveriam ser de conhecimento geral.

Os sindicalistas procuraram utilizar a mesma tática conservadora que os apresentava diversas vezes como “extremistas” contra os integralistas, apresentado-os do mesmo modo, mas de direita. Seriam eles propagadores de idéias estrangeiras incompatíveis com a índole e tradições brasileiras; de idéias que subverteriam a ordem e trariam o caos.

E apresentavam o aspecto classista burguês autoritário do integralismo, bem como procuravam demonstrar e advertir sobre as conseqüências para os trabalhadores, da aplicação prática desses princípios.

Os sindicalistas também reforçaram sua posição com a instauração do Estado Novo, quando destacaram que:

“A nova Constituição assegura exclusivamente aos sindicatos reconhecidos, o direito de representar e defender os interesses dos profissionais de uma mesma profissão.

De acordo com esta disposição constitucional, o Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana é a única organização profissional que tem o direito de representar, perante os poderes

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O Syndicalista, n.° 32, maio de 1937.

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constituídos ou Administrativos, os direitos e os interesses dos empregados da referida ferrovia.”261

Novamente usaram argumentos conservadores e adesistas ao regime, para combater, embora sem citar nomes, as pretensões sindicais da Associação Profissional.

A partir de julho de 1938, depois da Intentona Integralista de 11 de maio de 1938, os artigos de extrema direita deixaram de ser publicados e a revista Nossa Estrada passou a ser editada por outro grupo, apresentando artigos francamente favoráveis e propagandistas sobre o Estado Novo, tanto sobre seu caráter autoritário específico, como sobre sua política trabalhista.

Ao mesmo tempo, deixaram de ser publicados artigos sobre a Associação Profissional, até o final do recorte temporal abordado em nosso trabalho. Pouco sabemos sobre a Associação Profissional dos Empregados da Estrada de Ferro Sorocabana a partir de então262.

261 O Syndicalista, n.º 33, Novembro de 1937. 262

Sabemos que após o Estado Novo, continuou vedado aos ferroviários da Sorocabana constituírem um sindicato reconhecido oficialmente. Eles utilizaram uma Associação Profissional do mesmo nome dessa de 1937 para fins sindicais. Cf. Guarino Fernandes dosSANTOS, Nos Bastidores da Luta Sindical.

PARTE II – Relações e conflitos na Estrada de