BÖLÜM II. DÜNYADA İNTERNET GAZETECİLİĞİ ve BASIN ENDÜSTRİSİNİN ALANDAKİ YATIRIMLARI ENDÜSTRİSİNİN ALANDAKİ YATIRIMLARI
5. BASIN ENDÜSTRİSİNİN İNTERNET GAZETECİLİĞİ YATIRIMLARININ GÜNCEL BAĞLAMI
5.5. İNTERNET REKLAM FORMATLARI ve DAĞITIMINDA KULLANILAN ÖLÇÜTLER
Teorias desenvolvem-se por meio da controvérsia entre visões distintas da 'realidade', sendo, cada uma, uma perspectiva particular no tempo e no espaço. Dois fatores principais dão forma à teoria. Um é o movimento objetivo da história, que está continuamente agenciando novas combinações de força que interagem entre si. A outra são as percepções subjetivas daqueles que contemplam essas forças com intuito de compreender e agir sobre o movimento da história.
(Cox, 2002: 26)
Este trabalho buscou mostrar as diferentes formas pelas quais a idéia de uma emergente sociedade civil global, tema cada vez mais presente no debate político contemporâneo, vem sendo construída no campo de estudo das relações internacionais. A partir desta observação pudemos constatar algumas questões.
Em primeiro lugar, o termo tal como é amplamente utilizado por diferentes atores, é generalizante e precisa ser melhor qualificado. Do lado daqueles que afirmam que assistimos à emergência de uma sociedade civil global, este espaço não pode ser entendido apenas como a “articulação pela articulação” de grupos para além das fronteiras nacionais. Uma tentativa de retrato das tendências contemporâneas de crescente atuação de forças sociais em âmbito internacional e global é uma tarefa complexa e não pode ser resumida pela simples adoção do termo “sociedade civil global”. É preciso observar os processos sociais e políticos que impulsionam tais articulações, é necessário se dedicar a pesquisas empíricas sobre os diversos processos e dinâmicas apontados como sinalizadores da emergência de uma sociedade civil global. Cada vez que nos referimos à idéia de sociedade civil global é importante deixar claro, como vimos ao longo deste trabalho, o que se entende por sociedade civil e o papel que as transformações na ordem global têm sobre esta “globalização da sociedade civil”.
“Todos eles voltam-se para o mesmo movimento objetivo da história, mas eles o assimilam a partir de perspectivas diversas” (Cox, 2002). Sob as condições de um mundo em transformação a noção de sociedade civil global é apresentada inicialmente a partir de determinadas perspectivas que buscam “civilizar e democratizar a globalização” (Gómez, 2001). O conceito e a idéia em si são tidos como um valor a ser promovido para o futuro
das relações internacionais. Aos poucos, diferentes leituras sobre a idéia de sociedade civil global vão sendo construídas buscando compreender os processos e dinâmicas subjacentes a tal noção.
De uma maneira geral, cada uma destas perspectivas aborda o conceito de sociedade civil de uma maneira e traz esta discussão para o estudo das relações internacionais. Observar estas visões significa analisar como estas discussões passam para o âmbito internacional. Como vimos, o debate teórico em relações internacionais que surge no pós-Guerra Fria abre espaço para a aproximação da disciplina com outras áreas das ciências sociais. As perspectivas de aprofundamento das reflexões acerca da idéia de sociedade civil global em particular, e dos diversos processos sócias e políticos ligados à temática em geral, encontram-se justamente nesta ponte entre as relações internacionais e outras áreas das ciências humanas como a sociologia, a ciência política e a antropologia.
A literatura existente sobre a idéia de uma sociedade civil global, como vimos ao longo deste trabalho, reproduz o debate que já existe em torno do próprio conceito de sociedade civil e as diferentes abordagens e formas de se analisar as relações internacionais. Isto poderia parecer uma conclusão óbvia se não fosse pelo fato de que o discurso da sociedade civil global é reproduzido pelos quatros cantos do mundo, mergulhado e influenciado pelo contexto analisado no primeiro capítulo, sem que os agentes que o fazem tenham consciência da heterogeneidade de conceitos e de realidades sociais por trás desta “ação”. Nesse sentido, a sociedade civil global — idéia, conceito ou realidade — pode ser vista como um processo sujeito a interferências de projetos específicos.
Paralelamente à "indústria explicativa" que se formou ao fim da Guerra Fria, formou-se uma outra, tão frutuosa quanto a primeira, sobre "a ordem pós- Guerra Fria". Uma das características dessa produção é a sua diversidade, sendo vários os modelos do mundo pós-Guerra Fria e, mais importante, retratando, antes de mais nada, o mundo como o analista gostaria que fosse.
Assim, os diversos cenários internacionais são antes indicativos das preferências normativas desses analistas sobre a "melhor ordem", do que de sua viabilidade lógica ou empírica; são também prescritivos no sentido de indicar os meios para atingi-la. Isto se reflete tanto no uso da analogia
histórica que servirá de base para a construção da ordem provável, quanto na escolha daquela tendência ou daquele evento, a partir dos quais são projetadas linearmente i.e., sem que se mencione as condições específicas e os fatores contextuais que tornaram tal evento possível, no passado suas implicações no futuro (Lima, 1996; grifo nosso).
As críticas às diferentes perspectivas, muitas vezes, são críticas às próprias abordagens subjacentes à tal conceituação. Para alguns, elas podem apresentar um caráter muito liberal, para outros, muito marxista. O conceito de sociedade civil global mais disseminado hoje é aquele que tem como base as teses cosmopolitas, nesse sentido, o maior número de críticas que se faz ao conceito – e à idéia em si – na verdade são críticas ao próprio cosmopolitismo enquanto projeto político e modelo teórico. Sabemos que o debate teórico cosmopolita apresenta inúmeras nuances e variações, no entanto, as críticas são direcionadas a elementos comuns a este debate que atribuem à sociedade civil global um papel importante.
Seguindo o raciocínio anterior da relação com contexto político e com os modelos propostos para analisá-lo, a idéia de sociedade civil global emerge no contexto descrito no primeiro capítulo, ao mesmo tempo em que contribui para a análise que faremos dele. Em outras palavras, a importância em analisarmos o objeto proposto neste trabalho está no fato das diferentes perspectivas que se constroem hoje acerca da sociedade civil global contribuírem também para as diferentes leituras e abordagens que construiremos sobre este próprio “mundo em transformação”. A idéia de sociedade civil global é ao mesmo tempo um “produto” e um “produtor”, a partir de diferentes visões de mundo, deste mundo globalizado, “hipermoderno” e em transformação.
Por fim,
Sem um mapa que nos guie por todos esses discursos e modelos conflitantes de sociedade civil, arriscamo-nos a cultivar um otimismo ingênuo ou a assumir uma atitude francamente ideológica quanto à capacidade democratizante e à natureza e papel mundial da sociedade civil. O que está faltando é uma reflexão sistemática e cuidadosa sobre o modo
pelo qual a globalização transformou os parâmetros fundamentais da sociedade civil e como essas mudanças afetam o impacto potencial da sociedade civil nas estruturas nacionais, regionais e transnacionais. Sem uma reflexão meticulosa, não temos condições de perceber o que é novo e o que é possível, e corremos o risco de sobrecarregar o conceito de sociedade civil com funções reguladoras ou democratizantes que ela provavelmente não pode realizar (Cohen, 2003: 422; grifo nosso).
Conforme anunciado na introdução deste trabalho, a análise aqui apresentada — a partir da observação do contexto sócio-político, das diferentes perspectivas em torno do conceito e das relações com o estudo das relações internacionais — buscou dar um pequeno passo no sentido desta reflexão e colaborar, assim, com a compreensão de processos políticos contemporâneos relevantes.