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İmtiyazlı Esas Sermaye Payı Sahipleri Özel Kurulu Karar- Karar-larına Karşı İptal Davası Açılması

H LİMİTED ŞİRKET SÖZLEŞMESİNİN DEĞİŞTİRİLMESİ *

D. İmtiyazlı Esas Sermaye Payı Sahipleri Özel Kurulu Karar- Karar-larına Karşı İptal Davası Açılması

3.8.1 A psicanálise e a sua aproximação com a semiótica

Em 1999, a pesquisadora Lúcia Santaella publicou na revista de Psicologia da Universidade de São Paulo o artigo As Três Categorias e os Três

Registros Lacanianos. No entanto, o texto é uma extensão de um ensaio

publicado em 1986, na revista Cruzeiro Semiótico, da Associação Portuguesa de Semiótica e promove uma interlocução entre as obras de Peirce e Lacan. A autora apresenta então as categorias fenomenológicas de Peirce (primeiridade, secundidade e terceiridade) e os três registros lacanianos (imaginário, real e simbólico).

De acordo com essa lógica triádica do signo, o imaginário, isto é, a categoria da demanda de amor, ocupa a posição do fundamento do signo. O real, a categoria da pulsão sexual, ocupa a posição lógica do objeto do signo, enquanto o simbólico, a categoria do desejo, ocupa a posição lógica do interpretante, o imediato, o dinâmico e o final, são levados em consideração para uma melhor compreensão do imaginário, real e simbólico (SANTAELLA, 1999).

Para continuarmos as reflexões propostas por Santaella, é necessário um breve esclarecimento sobre os três registros lacanianos. Passemos a eles:

3.8.2 O imaginário

O imaginário correspondente ao eu. Seu investimento libidinal foi denominado por Freud de Narcisismo, em 1911.

O eu é como Narciso: ama a si mesmo, ama a imagem de si mesmo... que ele vê no outro. Essa imagem que ele projetou no outro e no mundo é a fonte do amor, da paixão, do desejo de reconhecimento, mas também da agressividade e da competição. (QUINET, 1995, p.7)

Apesar de o termo narcisismo ter ganhado notoriedade com Freud, ele já havia sido utilizado em 1898, por Havelock Elias com a primeira

alusão ao mito Narciso. Elias faz uma referência a propósito das mulheres cativadas por sua imagem no espelho. Paul Näcke, em 1899, introduz o termo narcisismo no campo da psiquiatria referindo-se ao “estado de amor por si mesmo que constituiria uma nova categoria de perversão” (NASIO, 1988, p. 47).

Freud formulou a sua teoria sobre o narcisismo a partir do estudo sobre a psicose do presidente Schreber. Em sua tese, postulou como uma evolução normal da libido, designava a energia sexual que parte do corpo e investe os objetos.

Segundo Freud, temos dois tipos de narcisismo: o primário e o secundário. O primário é um estado que não podemos observar diretamente, mas cuja hipótese devemos formular por um raciocínio recorrente. Segundo Nasio:

Originalmente, não existe uma unidade comparável ao eu; este só se desenvolve muito progressivamente. O primeiro modo de satisfação da libido seria o auto-erotismo, isto é, o prazer que um órgão retira de si mesmo; as pulsões parciais procuram, cada qual por si, sua satisfação no próprio corpo. Esse é o tipo de satisfação que, para Freud, caracteriza o narcisismo primário, enquanto o eu como tal ainda não constituiu (Nasio, 1988, p.48)

Em 1914, Freud colocou em relevo a posição dos pais na constituição do narcisismo primário. Segundo ele, o amor dos pais pelo filho equivale a seu narcisismo recém-renascido. Assim, os pais revivem uma reprodução do narcisismo dos pais, que atribuem ao filho todas as perfeições e projetam nele todos os sonhos a que eles mesmos tiveram de renunciar. Assim, o bebê realizará os sonhos de desejo que os pais não colocaram em prática nas suas vidas. Desse modo, revivem e colocam em prática a sua imortalidade.

O narcisismo secundário corresponde ao narcisismo do eu. Trata- se de um retorno do investimento dos objetos, transformando em investimento do eu, para que se constitua o secundário. Ele subdivide-se em dois movimentos. O primeiro trata das pulsões sexuais parciais; a libido investe o objeto, já que a primazia das zonas genitais ainda não foi instaurada. O

segundo movimento retorna posteriormente para o eu. A libido toma então o eu como objeto.

Assim o tipo de escolha narcísica pode ocorrer a partir do amor de uma pessoa por ela própria, isto é, amar a si mesma; amar o que ela foi; amar o que ela gostaria de ser; ou ainda, alguém que fez parte dela mesma, como é o caso de mães que amam o filho.

3.8.3 O Estágio do espelho

A primeira formulação do estágio do espelho foi realizada por Jacques Lacan em 1936. Esta fase designa o momento em que o indivíduo, por volta dos 18 meses, forma uma representação de sua unidade corporal por identificá-lo com a sua unidade corporal à imagem do outro. Esse momento é ilustrado por Lacan como aquele no qual a criança é exposta frente ao espelho e tem a sua primeira experiência identificatória com a matriz do ego. No entanto, não devemos ver nessa fase o momento da constituição do sujeito. Isto ocorrerá ainda com o imaginário ao simbólico, isto é, após o domínio da linguagem. Segundo Safatle (2007):

O estágio do espelho visa demonstrar como a formação do Eu depende fundamentalmente de um processo ligado à constituição da imagem do corpo próprio. Nos primeiros meses de vida de uma criança, não há nada parecido a um Eu, com suas funções de individualização e de síntese de experiência [...] Na verdade falta ao bebê o esquema mental de unidade do corpo próprio que lhe permita constituir o seu corpo como totalidade, assim como operar distinções entre interno o externo, entre individualidade e alteridade. (SAFATLE, 2007: p.27)

Estamos nos referindo à imagem espetacular da criança frente ao espelho, seguida por uma grande euforia com o reconhecimento de seus gestos redobrados no reflexo. Apesar da experiência se dar frente ao espelho, ela pode ocorrer frente à outra pessoa. O que os infans têm devolvido pelo espelho, pela mãe ou pelo outro é uma Gestalt cuja função primeira é ser estruturante do sujeito, mas ainda em nível Imaginário. É a vivência do corpo como despedaçado de si por um processo de identificação ao outro. Esse si não pode ainda ser considerado uma subjetividade, ele estaria mais próximo do

“sentimento de si” de que nos fala Hegel ao caracterizar a consciência. Quando muito, poderíamos falar numa subjetividade animal, ainda não humana.

A constituição do eu toma lugar durante o estágio do espelho e começa com o reconhecimento da identidade própria do eu através da imagem especular em um jogo paradoxal, de oscilação entre o eu e o outro. Senhor e servo do imaginário, o ego se projeta nas imagens em que se espelha: imaginário da natureza, do corpo, da mente das relações sociais. Buscando por si mesmo, o ego acredita se encontrar no espelho das criaturas para se perder naquilo que não é ele. Esta situação é fundamentalmente mítica. É uma metáfora da condição humana, uma vez que estamos sempre buscando por uma completude que não pode jamais será encontrada, infinitamente capturada em miragens que ensaiam sentidos onde o sentido está sempre em falta.

3.8.4 O real

O registro psíquico do real não deve ser confundido com a noção corrente de realidade. Para Lacan, o real é aquilo que sobra como resto do imaginário e que o simbólico é incapaz de capturar. O real é o impossível, aquilo que não pode ser simbolizado e que permanece impenetrável ao sujeito do desejo, para quem a realidade tem uma natureza fantasmática. Diante do real, o imaginário tergiversa e o simbólico tropeça. Real é aquilo que falta na ordem simbólica, os restos que não podem ser eliminados em toda articulação do significante, aquilo que só pode ser aproximado, jamais capturado.

Não há repouso possível porque o objeto da pulsão, chamado por Lacan de objeto “a”, é um objeto perdido sem nunca ter sido ganho, do que decorre que existem objetos substitutivos. Existindo em um espaço curvo, o objeto “a” não é uma entidade positiva, mas é tão-somente uma curvatura do próprio espaço do que resulta que só seja possível dar voltas quando se quer alcançar o objeto. Por isso mesmo, é o objeto “a” que impede que o círculo do prazer se feche, introduzindo um desprazer irredutível na própria busca por prazer. Entretanto, o aparato psíquico encontra uma espécie de prazer perverso no desprazer, na irremediável circulação em torno de um objeto desde sempre perdido. (SANTAELLA, 2006, p.146-147).

3.8.5 O Simbólico

O registro do simbólico é o lugar do código fundamental da linguagem. Ele é lei, estrutura regulada sem a qual não haveria cultura. Lacan chama isso de grande Outro. O Outro, grafado em maiúsculo, foi adotado para mostrar que a relação entre o sujeito e o grande Outro é diferente da relação com o outro recíproco e simétrico ao eu imaginário. Miller (1987) nos fornece uma apresentação bastante clara do simbólico, no que se segue.

O outro é o grande Outro da linguagem, que está sempre já aí. É o outro do discurso universal, de tudo o que foi dito, na medida em que é pensável. Diria também que é o Outro da biblioteca de Borges, da biblioteca total. É também o Outro da verdade, esse Outro que é um terceiro em relação a todo diálogo, porque no diálogo de um com outro sempre está o que funciona como referência tanto do acordo quanto do desacordo, o Outro do pacto quanto o Outro da controvérsia. Todo mundo sabe que se deve estar de acordo para poder realizar uma controvérsia, e isso é o que faz com que os diálogos seja tão difíceis. Deve-se estar de acordo em alguns pontos fundamentais para poder-se escutar mutuamente. ...É o Outro da palavra que é o alocutário fundamental, a direção do discurso mais além daquele a quem se dirige. A quem falo agora? Falo aos que estão aqui e falo também à coerência que tento manter. (p.22).

Santaella (1999) aponta que a teoria geral dos signos de Peirce permite perceber uma relação entre as categorias fenomenológicas peirceanas e as três categorias essências da realidade humana de Lacan:

Essa é evidentemente uma relação explícita, que permite uma comparação imediata entre Peirce e Lacan. Mas uma tríade similar já estava em Freud (id, ego e superego), e Freud nunca chegou a conhecer Peirce. Aponto para este fato para evidenciar que a correlação entre Peirce e Lacan já seria possível, mesmo que Lacan não tivesse se baseado em Peirce na divisão dos seus três registros. Tanto ela seria possível que outras comparações de tópicos que não foram baseados em Peirce também são possíveis (p.5)

3.8.6 Modelo de análise – semiótica psicanalítica

Figura 6 - Modelo de análise semiótica psicanalítica

3.9 A junção das metodologias semióticas