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İmparator Septimius Severus Dönemi (M.S 193-211)

ROMA EYALETİ OLMASINDAN İTİBAREN GALATYA EYALETİ İLE BİRLEŞTİRİLMESİNE KADAR KAPADOKYA BÖLGESİ

2.10. İmparator Septimius Severus Dönemi (M.S 193-211)

A pertinência do tema da RSE prende-se à transversalidade e amplitude dos impactos que aborda, interessando a empresários, políticos, acadêmicos e sociedade em geral. É um dos temas organizacionais cuja relevância foi mais amplificada pelos fenômenos crescentes de globalização das economias, democratização dos regimes políticos e generalização do acesso à informação. Embora centrado no campo da administração de empresas, esta pesquisa propõe uma abordagem multidisciplinar, reunindo contribuições provenientes de diversas áreas – tais como a filosofia, a ética e a psicologia – com vista a compreender um dos fenômenos empresariais mais discutidos na atualidade: a responsabilidade social das empresas. Com esta diversificação da análise, pretende-se enriquecer o conhecimento sobre o tema, contribuindo, tal como referido por Parsons (1951)13, para aperfeiçoar a interpretação da realidade social e melhorar a compreensão dos múltiplos fatores que definem a sua complexidade.

Nesta pesquisa, o estudo da atitude do dirigente empresarial perante a RSE pretende ser uma aproximação ao estudo do seu comportamento, com algumas vantagens que reforçam a relevância desta opção. Primeiro, sendo a atitude um indicador aceitável do comportamento (FISHBEIN & AJZEN, 1975), questionar a preferência em relação a práticas permite um acesso mais direto ao objeto em análise do que questionar sobre o comportamento praticado (uma vez que a melhor forma de acessar um comportamento é observando-o, o que, neste caso, está fora das opções metodológicas da pesquisa). Segundo, pretende-se isolar o posicionamento do dirigente, tanto quanto possível, do ambiente e das circunstâncias empresariais que o envolvem, o que é conseguido questionando a atitude e não o comportamento. Esta opção justifica-se por duas razões fundamentais. Por um lado, o dirigente transporta consigo os seus valores e a sua orientação ética, independentemente da empresa que dirija, justificando-se por isto não inquirir sobre quais as práticas gerenciais concretas que ele promove na sua empresa, mas sobre a sua preferência geral em relação a determinadas práticas (ou seja, a atitude perante práticas decorrentes dos compromissos sociais das empresas). Por outro lado, o estudo da atitude permite também evitar a distorção que a duração mais ou menos dilatada da ocupação do cargo por parte de cada dirigente na

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Nas ciências sociais, uma teoria deve cumprir três funções fundamentais: a) auxiliar na codificação do conhecimento

concreto existente (por meio da formulação de hipóteses gerais ou extensão do campo de aplicação de hipóteses existentes,

evidenciando as interdependências e interligações entre o conhecimento disponível de forma fragmentada e unificando observações parciais sob a forma de conceitos gerais); b) ser um guia para o desenvolvimento de pesquisas; c) contribuir

para reduzir os viés de observação e interpretação da realidade social promovidos pela crescente fragmentação dos saberes

sua empresa poderia ter no impacto dos seus valores e crenças no comportamento empresarial14.

Ao responder ao problema enunciado, espera-se também contribuir para a compreensão dos processos de decisão que envolvem julgamentos éticos da realidade, destacando o papel fundamental dos valores individuais nas decisões e práticas empresariais. Em particular, ao associar os valores e a orientação ética dos dirigentes às suas escolhas em termos de práticas e objetivos que refletem compromissos sociais, o problema proposto abre um campo de reflexão sobre o estudo da real interferência da ética individual na filosofia que preside às decisões empresariais com implicações sociais. Apesar do reconhecimento de que as empresas são organizações compostas por indivíduos com objetivos nem sempre convergentes e caracterizadas por lógicas de distribuição de poder nem sempre coincidentes com aquelas sugeridas pela hierarquia formal, assume-se que o dirigente é o agente que conserva, por norma, o poder explícito mais significativo de influenciar a estratégia empresarial. Num estudo sobre a identidade individual das elites organizacionais brasileiras, Motta (2004a) concluiu que:

- Excluindo a família, a organização onde trabalham é a instituição com a qual os dirigentes e gerentes mais se identificam. Segundo o autor, “a centralidade da preocupação

com a empresa (…) na qual estão inseridos, é a dimensão mais importante da vida para a quase totalidade da elite organizacional” (MOTTA, 2004a: p. 36). Esta relevância central da

empresa para o dirigente, aumenta a probabilidade dele projetar nas suas decisões gerenciais as suas crenças e valores pessoais, dada a identificação medular entre ele e a organização.

- A elite organizacional não vê o seu progresso depender da solidariedade grupal e revela percepções elevadas em relação à “liberdade de opinião e expressão (70%) [e] à

consideração das próprias idéias nas decisões (87%)” (MOTTA, 2004a: p. 39). Estes

resultados parecem reforçar a crença de que existe uma relação próxima entre o pensamento, os valores e as decisões dos dirigentes, dado manterem independência de opinião.

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Será previsível que os dirigentes que ocupem há mais tempo o lugar na empresa que atualmente dirigem tenham exercido maior influência nas estratégias e práticas dessa empresa, como projeção dos seus valores e crenças pessoais. Se fosse avaliado o comportamento da empresa, este fator temporal poderia comprometer a possibilidade de estabelecer uma relação de causalidade entre os valores do dirigente e o comportamento da empresa que ele dirige. Ao estudar a atitude, a relação com o comportamento é inferida teoricamente e a causalidade entre variáveis pode ser analisada com maior segurança.

TESE DE DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO Responsabilidade Social das Empresas e Valores Humanos

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- Por fim, Motta (2004a) conclui que “os dirigentes e gerentes, por sua relação

diferenciada, se comparada com os demais funcionários, aprendem a inserir melhor a organização do trabalho em sua própria identidade (…), [vivendo] esse mundo intensamente e [carregando] a percepção, tanto de seu papel influente na construção da realidade, quanto de ser influenciada por ela” (2004a: p. 42).

Neste sentido, ao centrar o estudo da RSE – que é um fenômeno organizacional – no nível de análise individual, procura-se explicar a adesão da empresa a princípios de responsabilidade social a partir dos valores e da ética individual de quem toma decisões sobre a estratégia e o posicionamento das empresas perante a sociedade. Esta é uma abordagem ainda pouco explorada que se pretende aprofundar, contribuindo adicionalmente para conhecer melhor a realidade empresarial brasileira. A este respeito, Jobim (2004: p. 36) refere-se à insuficiência de estudos sistemáticos no Brasil, afirmando que “a ética é um tema

emergente na sociedade mas, a despeito de várias iniciativas ainda parece ser carente de referenciais próprios como casos e análises estruturadas da realidade brasileira”.

Para as organizações, as respostas encontradas no estudo empírico podem fornecer pistas sobre como a ética individual interfere nas decisões gerenciais e influencia a administração de empresas. A sobrevivência e sustentabilidade das empresas depende da sua capacidade de responder eficazmente às expectativas da sociedade, superando-as sempre que possível. Para isso, contribui o esclarecimento sobre a natureza das responsabilidades sociais das empresas e o conhecimento dos múltiplos fatores que podem impedir ou incentivar o seu cumprimento, incluindo aqueles não relacionados com o ambiente envolvente ou com a estratégia empresarial. Por outro lado, pretende-se que este estudo contribua para o corpo teórico da ética empresarial, destacando o papel do dirigente empresarial nas escolhas socialmente relevantes das empresas privadas. Em particular, a resposta ao problema deverá contribuir para o reforço da integração da teoria dos valores humanos e da filosofia moral no campo dos estudos organizacionais, promovendo, assim, a interdisciplinaridade que invariavelmente enriquece o produto do esforço acadêmico e científico.

Este estudo visa também responder à necessidade de compreender a moral subjacente às responsabilidades sociais das empresas, procurando conhecer o sistema de valores que está na sua origem. O modelo que regula a vida econômica evolui não só por meio de impulsos tecnológicos e políticos, mas também através da apreciação crítica dos seus pressupostos. Vázquez (2005) alerta para a urgência de reavaliar a moral da vida econômica,

tradicionalmente sustentada por um egoísmo que afasta o bem individual do bem coletivo, ameaçando a própria sustentabilidade do sistema. A busca de uma moralidade superior e o reconhecimento de que as virtudes podem ser ensinadas e estimuladas em cada pessoa através da prática, do hábito ou da reflexão, encontra raízes longínquas no pensamento de Sócrates (469-399 a.C.). Embora céptico em relação à condição moral do homem, Sócrates vislumbra o caminho do desenvolvimento da consciência individual como aquele que pode assegurar a harmonia coletiva. Durant (1966) sintetiza esta idéia socrática numa espécie de lamento confessional que expõe nos seguintes termos:

“Se se pudesse ensinar os homens a ver claro aquilo que é de seu verdadeiro interesse, a prever os remotos resultados de seus atos, a submeter a exame, e coordenar seus desejos, fazendo-os sair dum caos esterilizador e convertendo-os em harmonia criadora visando a um fim – isto talvez proporcionasse ao homem educado e artificializado a moralidade que para os iletrados se radica nos preceitos ouvidos repetidamente e na observância das exterioridades. (…) O homem inteligente pode ter os mesmos impulsos violentos e anti-sociais do ignorante; mas certo os refreará melhor, deixando mais vezes de imitar os animais. E numa sociedade inteligentemente dirigida – na qual se restitui ao indivíduo, com um aumento das suas faculdades, mais do que a porção de liberdade que lhe foi tomada – todos os homens achariam vantagem em um bom e correto proceder social e bastaria somente a clara visão das coisas para garantirem-se a paz, a ordem e a boa vontade” (DURANT, 1966: p. 29, 30).

Assim, os valores, enquanto expressão de virtudes individuais, podem ser educados e modificados pelo hábito e pela experiência. Esta educação do caráter em busca do aperfeiçoamento das virtudes pessoais constitui uma das mais exigentes, mas também mais nobres e compensadoras, missões a que o ser humano pode aspirar ao longo da sua vida. Ao estudar a relação entre os valores pessoais dos dirigentes e a RSE, pretende-se identificar os valores que favorecem uma administração de empresas socialmente mais responsável, que responda adequadamente aos compromissos econômicos, éticos e legais que vinculam as empresas à sociedade. O conhecimento da estrutura de valores humanos subjacente a uma gestão empresarial socialmente responsável permite compreender o significado profundo da RSE do ponto de vista da consciência pessoal que a interpreta e, talvez mais importante, identificar os valores que podem ser educados em cada dirigente a fim de desenvolver uma consciência de gestão socialmente justa, ou seja, uma prática gerencial mais virtuosa.

PARTE II