ROMA EYALETİ OLMASINDAN İTİBAREN GALATYA EYALETİ İLE BİRLEŞTİRİLMESİNE KADAR KAPADOKYA BÖLGESİ
2.6. İmparator Hadrianus Dönemi (M.S 117-138)
O modelo econômico de inspiração capitalista que caracteriza a generalidade dos países e das sociedades contemporâneas confere às empresas um papel de central relevância no processo de desenvolvimento social e humano. À sua função econômica original, foi acrescentada uma função socializadora de integração, educação e convívio entre indivíduos, uma função política de intervenção na resolução de problemas sociais e, até mesmo, uma função moral de reforço de crenças e de concepções de mundo com impacto nas relações interpessoais. Esta diversidade de papéis torna a administração de empresas uma atividade com profundas implicações éticas, na medida em que dela depende uma parte significativa da ação empresarial que tem impactos estruturantes no bem-estar coletivo. É em torno destas práticas, da sua legitimidade e dos seus limites que se desenvolve o debate sobre a Responsabilidade Social das Empresas (RSE).
Do ponto de vista filosófico, a ética é uma disciplina integrada no campo mais amplo da teoria dos valores humanos. Segundo Hessen (2001), a Teoria dos Valores é uma das grandes categorias do pensamento filosófico, tratando de três dimensões fundamentais da vida humana que implicam juízos de valor: a Ética, a Estética e a Religião. Nestas três áreas, a reflexão envolve preferências subjetivas baseadas no sistema de valores pessoais. Na Ética, em particular, o objeto de estudo é a ação humana e a interação social, tomando como critério o impacto do comportamento individual no bem-estar coletivo e no bem-estar do próprio indivíduo que o pensa e produz. A Ética é, portanto, a parte da Teoria dos Valores que procura definir o que é o “bem” e quais os princípios que devem regular a conduta no sentido de alcançá-lo. Assim, embora possam ser estudados separadamente, os conceitos de ética e de
valor estão intimamente relacionados, devendo aceitar-se que, quando se fala em valores
humanos, neles se inclui também a sua dimensão ética.
Nos termos descritos, o sistema de valores de cada indivíduo está presente em diversas facetas da sua vida, manifestando-se nas suas escolhas e na forma como se relaciona com as outras pessoas em sociedade. No contexto empresarial, os valores pessoais influenciam a ação gerencial, adquirindo especial relevância quando se trata da definição de estratégias com implicações diretas no quadro de responsabilidades sociais da empresa. Esta relação entre valores pessoais – em especial, os valores de natureza ética – e administração de empresas parece tão evidente quanto difícil de identificar, dada a complexidade de fatores que
influenciam a prática e as escolhas empresariais. A esta dificuldade acresce ainda a ampla variedade de sentidos que encerra o conceito de valor humano. No entanto, apesar da ambigüidade do seu significado e das suas múltiplas – e por vezes contraditórias – acepções, a palavra “valor” é invocada nas diversas áreas do conhecimento como porta de acesso à essência espiritual do ser humano. Os valores pessoais são também freqüentemente referidos como conceito central para entender fenômenos sociais (KLUCKHON, 1951; ROKEACH, 1973), entre eles o comportamento humano em contexto organizacional. Por isso se considera relevante o estudo dos valores dos dirigentes empresariais e da sua influência nas opções estratégicas da empresa. A relevância de estudar os valores humanos para compreender a administração de empresas encontra fundamento em áreas distintas do saber, tais como a filosofia, a psicologia ou as ciências sociais aplicadas. Em seguida, são apresentados argumentos e visões de cada uma dessas fontes de conhecimento.
Da Filosofia
O estudo dos valores humanos e o questionamento do seu significado ocupam, desde a antiguidade clássica, uma parcela importante da reflexão filosófica. Aqui, os valores são analisados como um dos principais elementos que distinguem o homem dos restantes seres, sendo manifestação espiritual inerente e exclusiva da condição humana, que a explica e a condiciona. Na sua Filosofia dos Valores, originalmente publicada em 1937, Hessen (2001) alerta que “só conhecemos os homens quando conhecemos os critérios de valoração a que
eles obedecem; é destes que dependem, em última análise, o seu caráter e o seu comportamento em face das situações da vida” (2001: p. 34), acrescentando que os valores
“são como que os pontos cardeais por que se orienta toda a atividade espiritual e moral do
homem” e, “orientando-se por eles, adotando-os como norma para o seu querer e agir, o homem realiza a sua essência” (2001: p. 86). Sobre a importância dos valores, Hessen (2001)
defende que “todo aquele que conhecer os verdadeiros valores e, acima de todos, os do bem,
e que possuir uma clara consciência valorativa, não só realizará o sentido da vida em geral, como saberá ainda achar sempre a melhor decisão a tomar em todas as situações concretas”
(2001: p. 33). O filósofo adverte que não é necessário possuir um conhecimento reflexivo sobre os valores para ter um alto valor moral, uma vez que basta a cada homem “confiar no
seu instinto do valioso, no seu sentimento intuitivo do axiológico, fundando-se naquele património de valores e de normas que possui gravadas no seu coração e que atuam, como
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seiva vivificante, em todo o homem normal e ainda não corrompido” (HESSEN, 2001: p. 33).
No entanto, o autor defende a reflexão crítica sobre os valores como forma de desenvolvimento pessoal, afirmando que a consciência imediata dos valores beneficiará com a investigação sistemática dos problemas de natureza axiológica, transformando em “saber
consciente e sólido” o que a princípio é apenas um “sentimento confuso” ou “um vago pressentimento” (HESSEN, 2001: p. 34). Esta visão parece coincidir com as pretensões da
educação do caráter recomendadas pela ética aristotélica das virtudes.
Um dos fundadores da moderna filosofia dos valores, Max Scheler (1941), fundamenta a sua doutrina ética personalista defendendo o princípio de que todos os valores decorrem e estão subordinados aos valores pessoais, incluindo os “valores das coisas, das
organizações ou das comunidades” (SCHELER, 1941: p. 17). A pessoa assume uma
centralidade fundamental no seu pensamento, sendo ela a única entidade que pode ser originalmente considerada boa ou má, praticando atos de bondade ou de maldade, sendo “tudo
o resto bom ou mau unicamente com relação às pessoas” (SCHELER, 1941: p. 127)7. Daqui
se conclui que o estudo dos valores das pessoas que integram organizações e empresas constitui uma abordagem nuclear que busca compreender valores coletivos por meio do entendimento da sua origem.
Mais recentemente, outros filósofos manifestaram concordância com estas posições fundadoras da filosofia dos valores humanos. Em particular, Rescher (1969) considera os valores um fenômeno mental relacionado com a “visão que cada pessoa tem sobre o que é
uma ‘boa vida’ para si e para os que lhe estão próximos”, constituindo o critério segundo o
qual avalia “o seu grau de satisfação na e com a vida” (1969: p. 4, 5)8. Desta forma se estabelecem os valores como fundamento ético que orienta as decisões pessoais – e empresariais – que têm impacto significativo no bem-estar coletivo, tais como aquelas que se inscrevem no âmbito da RSE. Rescher (1969) alerta ainda que, conhecendo-se os valores de uma pessoa, é possível efetuar inferências plausíveis acerca das coisas que ela valoriza na vida e como poderá projetar nas suas escolhas cotidianas essas preferências. Estas posições filosóficas conferem relevância ao estudo dos valores humanos que vise compreender por quê os dirigentes valorizam uma determinada forma de relação da empresa com a sociedade, ou seja, um determinado equilíbrio de compromissos sociais decorrentes do exercício da RSE.
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Tradução livre.
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Da Psicologia
O interesse pelos valores como variável psicológica desenvolveu-se fundamentalmente a partir da segunda metade do século XX. A psicologia desencadeou um esforço acadêmico de integração dos valores com outras dimensões da psicologia humana, procurando operacionalizar o conceito e estudá-lo empiricamente. Rokeach (1973), um dos precursores deste movimento, considera que os valores humanos estão presentes em todos os campos das ciências sociais e têm pertinência transversal para o estudo da maioria dos fenômenos abordados pelos cientistas sociais. O autor defende que o conceito de valor, mais do que qualquer outro, “deveria ocupar uma posição central em todas as ciências sociais –
sociologia, antropologia, psicologia, psiquiatria, ciência política, ciências da educação, economia e história”, constituindo uma variável “capaz de unificar os interesses aparentemente diversos de todas as ciências que revelam preocupações com o
comportamento humano” (ROKEACH, 1973: p. 3)9. Reforçando a centralidade do conceito,
Williams (1968) defende que a abordagem dos valores como critério de avaliação é a mais importante para efeitos de análise social. Além disso, o seu estudo, a eventual mensuração e a comparação cultural foram facilitados pela crença de que o número total de valores de cada pessoa é relativamente pequeno (WILLIAMS, 1968; ROKEACH, 1973), tendo gerado inúmeros estudos e ensaios com impacto fundamental na compreensão do fenômeno e como ele se articula com outras dimensões do pensamento e da vida social. De fato, as elaborações teóricas e as pesquisas de campo promovidas pela psicologia projetaram o entendimento dos valores humanos para além do campo restrito da reflexão filosófica.
A defesa da importância dos valores para a compreensão das motivações profundas de cada ser humano encontra eco também no campo da psicanálise. Carl Jung (1972) refere que, embora os valores não sejam “âncoras para o intelecto, (…) ninguém lhes pode negar a
existência e nem tampouco que a atribuição de valor seja uma função psicológica importante. Se quisermos ter uma visão profunda do mundo, é fundamental que nela consideremos o papel desempenhado pelos valores” (1972: p. 28). A sensibilidade expressa por Jung em
relação à necessidade de compreender os valores para também compreender a vida humana, revela a abrangência multidisciplinar do tema. Durante o século XX, o estudo dos valores libertou-se definitivamente das amarras estritamente filosóficas para passar a ser também objeto de análise das correntes comportamentais da psicologia. Apesar da ambigüidade
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conceptual que esta amplificação do significado axiológico possa ter reforçado, a psicologia aprofundou o conhecimento sobre as implicações comportamentais do sistema de valores e forneceu meios operacionais para estudá-los empiricamente. As fronteiras e a essência do conceito ainda não estão esclarecidos, mas existe uma maior consciência da sua interferência na vida coletiva e da importância que os valores assumem na explicação e até transformação de hábitos e de condutas.
Dos Estudos Organizacionais
Nas últimas décadas intensificou-se a atenção dedicada a problemáticas organizacionais, desenvolveu-se o campo da teoria organizacional e multiplicaram-se os estudos sobre questões ligadas à administração de organizações e de empresas. Também aqui a terminologia dos valores foi adotada sob múltiplas formas, para além das mais comuns já utilizadas na linguagem econômica. Os valores passaram a contribuir para classificar princípios coletivos orientadores da ação, para definir cultura organizacional e para explicar comportamentos individuais no contexto organizacional. Embora ainda dispersa, existe já literatura acadêmica e pesquisa empírica significativas sobre a importância do sistema de valores pessoais nas práticas de administração empresarial (KOZAN & ERGIN, 1999; MUNENE et al., 2000; TAMAYO et al., 2001; ESPARZA & FERNÁNDEZ, 2002; SMITH et al., 2002). A este respeito, Vieira e Cardoso (2003) defendem que “os gestores das
organizações estarão sempre agindo no sentido de propiciar novas reconstruções de valores, visando o predomínio dos seus próprios valores, na busca da singularidade organizacional e do ponto de equilíbrio desejado por eles” (2003: p. 6). Os autores acrescentam ainda que a
reflexão sobre os valores pessoais e o debate sobre as suas implicações representa “a essência
do conhecimento sobre o indivíduo, as relações interpessoais, os grupos, as organizações e a sociedade”, concluindo que, com isso, “contribuir-se-á para o enriquecimento da teoria geral de administração” (VIEIRA & CARDOSO, 2003: p. 4).
O reconhecimento de que através da análise dos valores pessoais pode amplificar-se a compreensão sobre o comportamento organizacional é um desenvolvimento recente na área dos estudos organizacionais. Em particular, a pesquisa sobre decisão gerencial que envolva dilemas éticos pode beneficiar do estudo aprofundado sobre valores humanos. Leone (1991) defende que a conduta empresarial, enquanto projeção do comportamento da classe dirigente, pode ser explicada pelo efeito combinado dos valores pessoais dos dirigentes e das
informações que eles recebem do ambiente envolvente. A autora conclui que os valores constituem as “variáveis de referência com as quais podemos entender melhor as decisões
tomadas no interior das empresas: a sua direção, o seu alcance e, mesmo, o seu limite”
(LEONE, 1991: p. 112). Assim se justifica também a pertinência de estudar o sistema de valores dos dirigentes empresariais a fim de compreender as razões subjacentes e implícitas da sua conduta e das suas escolhas estratégicas.
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