D ördüncü bölüm namazların kılınışı
NAMAZLARIN KILINIŞI
IX. İMAMA UYANIN DURUMU
Todo texto pode ser concebido como um folhado textual, dividido em três camadas superpostas, parcialmente hierarquizadas e interativas (cf. tópico 2.2, quadro 03). Essa afirmação de Bronckart (2009[1999]), com a qual concordamos, compreende as capacidades de linguagem.
Como já tratamos da capacidade de ação, responsável por envolver o conteúdo temático e as condições de produção, em tópico anterior a esse, partimos para a breve análise da capacidade discursiva, situada no nível mais profundo daquele folhado textual: na infraestrutura. Nesta identificamos o plano geral de um texto, os tipos de discursos que podem estar presentes e os tipos de sequências.
O falante/produtor, ao mobilizar a capacidade discursiva, reconhece e organiza o plano textual de um gênero para realizar uma determinada ação de linguagem que, por sua vez, é constituída de variantes discursivas e sequências textuais. Desta forma, o indivíduo deve saber selecionar essas variantes e sequências de acordo com as características dos gêneros, para compreendê-los e/ou produzi-los. A produção de um texto requer constante escolha e elaboração de conteúdos temáticos, já que os gêneros se transformam e se organizam constantemente.
Analisamos, então, as três partes que compõem a infraestrutura, tendo como exemplos os textos traduzidos em nossa pesquisa.
No plano geral dos textos traduzidos, podemos reconhecer o gênero diálogo organizado tematicamente como:
a) Saudações: Boa noite!40 , Boa. ;
b) Diálogo entre Ken e Liz sobre o que ela (Liz) faz em Paris: Fazendo o
que em Paris? , O que você está fazendo em Paris?, O que você faz em Paris? ;
40Os exemplos para marcação do conteúdo temático foram retirados dos textos traduzidos pelos alunos desta pesquisa.
c) Liz fala sobre o filme: Por causa de “uma” papel “numa” filme. , Estou
interpretando “uma” papel em “uma” filme. , Tô participando de um filme. ;
d) Ken e Liz marcam um encontro: Posso ver? , Eu posso ir assistir? , Eu
posso ver? , Se quiser... , Se você quiser... , Se tu quiser... ; e
e) Saudação final: Até. , Até mais. , Até mais tarde.
Os textos que foram traduzidos são transcrições de um diálogo, gênero genuinamente oral, produzido para/em um filme (apesar deste diálogo ter sido retextualizado para a escrita em formato de roteiro). Os textos traduzidos são articulados a uma situação de ação de linguagem, implicando dois agentes que alternam tomadas de turno em um espaço-tempo comum.
Essas características pertencem ao tipo de discurso responsável por envolver os vários segmentos que os textos comportam. Os segmentos que constituem o gênero devem ser vistos como tipos linguísticos, ou seja, como formas de semiotização em discursos dependentes de elementos morfossintáticos de uma língua.
Em nossos textos-exemplos, o tipo de discurso predominante é o discurso
interativo. Seja produzido na modalidade oral ou escrita (no nosso caso, no filme, temos
o diálogo oral e nos textos traduzidos temos esse diálogo retextualizado para a escrita, como dissemos), o discurso interativo tem unidades que remetem à própria interação verbal, real ou encenada, de caráter conjunto implicado do mundo discursivo criado.
Ele é caracterizado por unidades pronominais, de 1ª e 2ª pessoas do singular ou do plural, remetendo diretamente aos personagens da cena em momento de interação, por exemplo: eu, me, ou ao espaço da interação, como, Paris. A presença de nomes próprios, Ken e Liz, antes de cada turno de fala, é, também, um indício de discurso interativo. Em outros segmentos semelhantes, podemos encontrar unidades remetendo ao interlocutor, você, ou ao momento da interação, esta noite.
Há também a presença de verbos no presente e no futuro perifrástico que exprimem o momento do acontecimento verbalizado no texto e o momento da tomada de fala na interação, com valores simultâneo e posterior respectivamente, por exemplo,
Você vai gravar hoje à noite? e Começo em uma hora. Podemos encontrar, também,
dêiticos espaciais, como estes que acabamos de citar: hoje à noite e em uma hora. Devido ao estatuto dêitico dessas unidades, a interpretação de um segmento de discurso
interativo demanda conhecimento dos parâmetros da situação de ação de linguagem em curso, isto é, das condições de produção mobilizadas na capacidade de ação.
Nas formas dialogadas, a interação é marcada pelas trocas de turnos de fala e pela presença de várias frases não declarativas, por exemplo, Que é que tu quer? ,
Você bebe o quê? e Se eu for, não vão me expulsar? , e imperativas, como: Coloque 001. e Tome cuidado. Além dessas marcas, há a presença de auxiliares de modo, como
nas frases: Se eu for, vou poder entrar? e Pode me ligar, nas quais identificamos o verbo poder com valor pragmático de poder-fazer.
Identificamos, também, os modos de planificação da linguagem que se desenvolvem no interior do plano geral de um texto. Nos textos traduzidos, em nossa pesquisa, esses modos correspondem, claramente, às sequências dialogais que podem ser distinguidas nas seguintes fases gerais:
a)Abertura, na qual os personagens interagem, conforme usos e ritos do meio social onde se inserem: Boa noite! ;
b)Transação, na qual o conteúdo temático é construído em interação com o outro: O que você quer?, Dois chopes, por favor. , Ok. ;
c) Encerramento, na qual há a finalização explícita da interação: Até mais.,
Até mais tarde.
Em cada fase podem ocorrer várias trocas ou unidades dialogais compostas por intervenções ou turnos de fala; em nossos textos traduzidos há 12 trocas, dentre elas, uma é resposta interrogativa que remete à incompreensão da personagem em relação à língua estrangeira. Além das trocas, há a possível presença de atos discursivos, ou seja, enunciados que concretizam um dado ato de fala (pedido, injunção etc.).
Vejamos, a seguir, os níveis citados em um dos textos traduzidos:
Abertura (saudação) Boa noite!
Transação: Troca 1(saudação e pergunta) Boa noite. Você bebe o quê? (afirmação) Um chope.
Transação: Troca 2(pedido) Dois chopes, por favor. (afirmação) Ok.
Transação: Troca 3(pergunta) O que você faz em Paris?
(afirmação) Eu tenho um papel “numa” filme. Transação: Troca 4(pergunta) Que tipo de filme?
(afirmação) Um filme de época.
Transação: Troca 5(pergunta) Você vai gravar hoje à noite?
(afirmação) Sim. “Todo” a noite. Começo em uma hora.
Transação: Troca 6(pergunta e pedido) Posso ver? (afirmação) Se quiser...
Transação: Troca 7(explicação e pergunta) Quero dizer... Se eu for, não vão me expulsar?
Transação: Troca 8(pergunta) Como?
Transação: Troca 9(pergunta) Se eu for, não vão me expulsar? (afirmação) Você me liga, então.
Transação: Troca 10(pedido) Não tenho o seu número. Transação: Troca 11 (agradecimento) Obrigado.
Transação: Troca 12(injunção) Mas tem que digitar 001, porque é um telefone americana.
Encerramento (conselho) Cuidado, que essa é forte. Até mais.
Como podemos observar no texto-exemplo, cada intervenção é coerente ao tema desenvolvido durante a sua produção, promovendo uma linearidade no modo de planificação dessa ação de linguagem. Por exemplo, entre as transações 10 e 12, a continuidade do texto é possível por conta das ações que se passam no filme, pois na transação 10, Ken afirma não ter o número de Liz e, na transação 12, de acordo com a imagem, Liz anota seu número de telefone em um pedaço de papel e entrega-o a Ken, afirmando que ele deve digitar o código de área para efetuar a ligação. Essa progressão acontece através da imagem e dos mecanismos de que dispõe a língua para assegurar a coerência global do texto. Assim como nesse texto traduzido, há também nos outros textos, desta pesquisa, a presença de todos os fatores que aqui analisamos: o plano geral, os tipos de discurso e os tipos de sequência. Logo, a capacidade discursiva foi
mobilizada à medida que os alunos fizeram o uso efetivo desses elementos pertencentes à infraestrutura de um texto.
Por mais que consideremos alguns fatores como pré-estabelecidos, por exemplo, a seleção do gênero textual traduzido, um texto pode guardar semelhanças de outro texto e possuir em sua composição interna modalidades de gestão e mecanismos de textualização e enunciativos imputáveis ao agente-produtor e aprendiz, em atividades sociais.
E mesmo que tenhamos dividido as capacidades, por questões didático- metodológicas nas análises, compreendemos que elas co-ocorrem, em uma relação que comprova a argumentação teórica do folhado textual formado por três camadas superpostas, parcialmente hierarquizadas e interativas. Observamos esse dado ao longo das análises, nas quais foi possível remeter uma capacidade a outra.
Assim, veremos, nos próximos tópicos, que as operações linguísticas observadas e analisadas nos textos traduzidos foram utilizadas segundo os repertórios (conhecimentos teóricos e comuns, por exemplo) de cada agente. Este, por sua vez, promove a coerência temática e pragmática mobilizando as capacidades de ação e discursiva, que acabamos de tratar, e a linguístico-discursiva, que trataremos na análise de cada uma das traduções.