2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.3. İletişimsel Dil Öğretimi (İletişimsel Yaklaşım)
2.3.2. İletişimsel Dil Öğretiminde Öğretmen ve Öğrenci Rolleri
A Organização da informação tem na classificação enquanto processo um de seus conceitos fundamentais. Entretanto, o termo se revela polissêmico visto que a classificação é entendida não apenas como atividade, mas também como ferramenta e campo de estudo conforme o diagrama abaixo:
FIGURA 24 – Polissemia do termo “classificação” Fonte: A autora.
A classificação, enquanto processo, é a atividade essencial pela qual os seres humanos estabelecem relações com o mundo e a capacidade de fazê-lo perceptível e inteligível. Não apenas seres humanos, mas também diversas espécies de seres vivos têm na classificação a atividade basilar para a vida. A ação de classificar gera o agrupamento de entidades de acordo com suas semelhanças e diferenças.
CLASSIFICAÇÃO
PROCESSO PRODUTO ÁREA DO
A classificação como produto, ou taxonomia, tradicionalmente remete a um esquema hierárquico oriundo de estudos como a classificação dos seres de Lineu em Biologia, a tabela periódica na Química ou a Classificação Decimal Universal (CDU) na Biblioteconomia. No entanto, atualmente as taxonomias também possuem um caráter mais flexível como as taxonomias corporativas.
A classificação pode ser considerada como uma área do conhecimento. A ciência da classificação é definida por Pombo (1988, p.3) como:
[...] um novo domínio cientifico que tem por tarefa o estudo de todos os possíveis sistemas de classificação. O objeto de analise é então, o conceito de classificação na sua idealidade e abstração máxima; o objetivo, a constituição de uma teoria da classificação que estude a totalidade dos possíveis sistemas de classificação e det ermine os meios de sua realização.
Uma visão mais apurada da classificação como ciência é exemplificada no trabalho do matemático e bibliotecário indiano Ranganathan na década de 1930. Além de estabelecer fundamentos teóricos para a classificação, o teórico investigou os sistemas de classificação de acordo com três dimensões distintas: o plano da idéias, que é constituído pelos conceitos, o plano verbal, que remete a esfera terminológica e o pla no notacional. A classificação analitico-sintética de Ranganathan é apontada por Vickery (1980) como o maior avanço teórico na área de classificação no séc. XX, uma vez que tal iniciativa considerou o caráter multidimensional do conhecimento e representou a possibilidade de construir sistemas de classificação mais flexíveis que possibilitassem não apenas o acesso físico, mas também intelectual aos conteúdos.
Os sistemas de classificação convencionais são compostos por um conjunto de termos (vocabulário) e um conjunto de regras que determinam a combinação e o uso dos mesmos (sintaxe), são, portanto, metalinguagens que objetivam atenuar os efeitos da linguagem natural através do seu controle (GUINCHAT; MENOU, 1994). Desse modo, considera-se que em termos de formalização, seguem um caminho oposto ao das folksonomias.
Os SBFs são espaços sociais semânticos em que ocorre a agregação de representações subjetivas, objetivas e práticas dos objetos informacionais (QIN, 2008
apud MOURA, 2009a). Isso faz com que sejam fracos em relação à formalização, mas
confere aos mesmos um elevado potencial de semanticidade. Percebe-se que os instrumentos de classificação são perpassados pela obrigatoriedade da alternância nesses quesitos, pois, alta formalização implica em baixa semanticidade e vice-versa.
Convencionalmente, os estudos em classificação fornecem as bases teóricas para o entendimento tanto da prática classificatória quanto para a elaboração dos instrumentos de classificação (JACOB; ALBRECHTSEN, 1999). Ao controlarem a linguagem utilizada para se representar um determinado domínio do conhecimento, esses instrumentos estabelecem de modo arbitrário os limites desse domínio e atuam como um padrão que norteia e modela a prática de quem o utiliza. Já nas folksonomias são as práticas dos utilizadores que modelam os sistemas.
As folksonomias devem ser abordadas considerando o contexto histórico e cultural em que se originam, totalmente perpassado pelo digital e alterado pela atuação de redes sociais, que possuem manifestações humanas e artificiais. Instrumentos de classificação são criados para atenderem a uma determinada comunidade em uma determinada época, embora não seja descartada, com as devidas adaptações, a aplicação dos mesmos a outro contexto sócio-temporal. Sistemas de classificação criados no século passado, como a Classificação Decimal de Dewey (CDD) trazem toda uma visão ideológica que refletem suas origens. Corroboram com esta reflexão as noções de “Linguagem unitária” de Bakhtin e “Linguagem bem-construída” de Foucault, que conforme Jacob e Albrechtsen (1999, p.522) são equivalentes e criadas por grupos específicos (ideológicos, organizacionais ou socioculturais) na tentativa de controlar a diversidade das manifestações simbólicas através da imposição de restrições verbais, impondo um “invariável padrão de realidade” e uma visão de mundo.
Jacob e Albrechtsen (1999, p.533, tradução nossa)67 destacam que uma “[...] teoria da
classificação deve rejeitar o objetivo simplista de organizar um universo de conhecimento e aceitar uma mudança mais necessária de organização de uma pluralidade de “communiverses””. Através desta afirmação, as autoras levam a uma reflexão sobre as diversas realidades e o caráter dinâmico da informação para o desenvolvimento de novas estruturas classificatórias, considerando que tanto a informação quanto o conhecimento pressupõem a linguagem e que esta está em constante alteração.
Sob esta perspectiva, os sistemas de classificação atuam necessariamente com recortes da realidade, aspectos do conhecimento, uma vez que os limites impostos pela natureza complexa e múltipla da realidade e seus sistemas de organização impossibilitam a concepção de classificações perfeitas, universais e imutáveis ( JACOB; ALBRECHTSEN, 1999). Por isso, tais sistemas se aplicam de modo satisfatório a alguns contextos e não a outros. O constante desenvolvimento do conhecimento humano e a necessidade de sua efetiva comunicação levam tanto ao estabelecimento, quanto a contestação dos sistemas de classificação. Especificamente no caso da web, tem sido cada vez mais requeridas estratégias e instrumentos alternativos para a organização da informação que agreguem tanto a formalização quanto a linguagem dos sujeitos.