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2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.4. Görev Temelli Dil Öğretimi

Devido à variedade de papéis que desempenha na produção e compartilhamento da informação o sujeito também pode ser visto como um indexador no contexto das folksonomias.

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“[...] classification theory must reject the simplistic goal of organizing a universe of knowledge and accept the more demanding challenge of organizing a plurality of “communiverses”.

Na CI, a indexação é o processo interpretativo e intencional através do qual se elabora a representação temática de um dado documento para uso futuro. Esse processo é composto pela análise do assunto, a escolha de descritores ou palavras-chave que melhor o representem e a tradução desses termos para uma linguagem de indexação68

(MAI, 2001). Assim, o indexador profissional está inserido em um contexto institucional e possui ferramentas que o auxiliam tanto no mapeamento da comunidade a qual o Sistema de Recuperação da Informação irá atender, quanto na escolha e na validação das unidades que irão representar o assunto do documento.

Uma abordagem semiótica para o entendimento do processo de indexação foi proposta por Mai (2001). O autor considera que a indexação não é uma representação neutra e objetiva do assunto de um documento, mas sim a representação de uma interpretação de um documento para uso futuro, então a Semiótica é proposta como estrutura teórica para o entendimento da natureza interpretativa do processo. Argumenta ainda que o fato do processo de indexação ser realizado através do cumprimento de etapas previamente determinadas não lhe garante objetividade devido a fatores como as influências do contexto social e cultural sobre o indexador.

Nos SBFs os sujeitos desenvolvem por meio da etiquetagem um processo semelhantemente interpretativo para representar conteúdos com os quais possuem aproximações variadas, tal processo também é conhecido como indexação social.

Indexadores, sejam profissionais ou amadores, elaboram essa atividade segundo hipóteses de organização (LARA, 2002). Um indexador profissional fundamenta suas hipóteses de organização em teorias e princípios da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação bem como nas experiências oriundas da prática profissional. Por outro lado, o indexador social, ainda que tenha ou não consciência disso, constrói suas hipóteses de organização de acordo com pertencimentos, experiências e motivações

68 “As linguagens de indexação são instrumentos auxiliares no processo de representação da informação e visam estabelecer uma equivalência aproximativa entre as linguagens do autor do documento, a linguagem de abordagem adotada pelo usuário da informação e aquela adotada pelo sistema de informação” (MOURA, 2009b, p.62).

pessoais. De acordo com Cañada (2006) as motivações dos sujeitos na indexação social geram padrões de etiquetagem que influenciam o sistema como um todo.

Existem perfis em que o conjunto de tags gerado pelo sujeito indica princípios de organização extremamente subjetivos, estes são caracterizados por Cañada (2006) como oriundos de uma etiquetagem egoísta. A FIG. 25 exemplifica um conjunto de tags gerado por um usuário do Delicious em que as mesmas denotam códigos decifrados apenas por ele próprio e dessa forma, possuem baixa utilidade no contexto social. Conforme Cañada (2006 apud MOURA, 2009a, p.36)

A perspectiva egocêntrica orienta-se pela descrição pessoal da informação com vista a sua recuperação futura, sem, contudo, haver uma preocupação com o fato de essa informação poder ser útil a outros sujeitos em distintos contextos sociais. Nesse caso, a indexação realizada funciona como lembretes mnemônicos que revelam o uni verso semântico de seu criador.

FIGURA 25 – Conjunto de tags de

um usuário do Delicious

Fonte:<http://www.delicious.com/>.

FIGURA 26 – Conjunto de tags de

um usuário do Delicious interessado em jogos digitais

Já a FIG. 26 exemplifica um conjunto pessoal de tags de um usuário desse mesmo serviço que possui interesse pela temática de Jogos Digitais e compartilha sua terminologia com esse universo através de um vocabulário objetivo que pode ser reutilizado no contexto social.

Na perspectiva de Cañada (2006) esse tipo de usuário pratica uma etiquetagem amigável quando sua motivação é compartilhar o conteúdo com pessoas de seu círculo social que compartilham termos próprios e consensuais. Ou altruísta, quando a intenção é compartilhar o conteúdo com um universo mais amplo e por isso busca descrevê-lo com os termos mais gerais possíveis. O altruísta tem total consciência de que ao descrever um conteúdo está contribuindo para a manutenção de um repositório coletivo e global.

Cañada (2006) descreve ainda um comportamento de etiquetagem populista em que a motivação é atrair visitas a determinados domínios mediante o uso de tags chamativas, ou buzzwords. Segundo Moura (2009a, p.36)

A perspectiva populista, por outro lado, busca incorporar o aprendizado da dinâmica colaborativa em rede para ofertar conteúdos comerciais embalados em etiquetas de apelo popular. Nesse sentido, essa perspectiva viabiliza comercialmente o monitoramento das práticas colaborativas na web ao vincularem o universo semântico de determinadas etiquetas à oferta de bens e serviços.

O modo de etiquetagem populista também enquadra sujeitos que utilizam os SBFs apenas para promoverem a otimização de buscas (SEO).

Através desses exemplos, percebe-se que os SBFs abrigam coleções pessoais cujas

tags denotam as práticas informacionais e os acordos de sentido entre os sujeitos, bem

como o compromisso ontológico estabelecido por eles em relação aos objetos que descrevem. A noção de compromisso ontológico de Ingetraut Dhalberg é explicitada por Campos (2010) da seguinte maneira:

[...] toda representação é uma aproximação imperfeita da realidade, ao selecionar uma representação, estamos tomando um conjunto de decisões sobre como e o que ver no mundo. Ou seja, selecionar uma representação significa fazer um conjunto de compromissos ontológicos. Estes compromissos determinam o que pode ser visto, enfocando alguma parte do mundo em detrimento de outras. (CAMPOS, 2010; p.225)

Nesse sentido, a relação que o sujeito possui com o conteúdo que descreve e compartilha com os outros é algo que devido à natureza sígnica da linguagem está em constante modificação e sendo moldada pela experiência colateral. Dessa forma, a questão da significação e do compromisso ontológico perpassa diversos pontos de tensão presentes nos SBFs. O QUADRO 6 apresenta os quatro pontos de tensão apontados por Smith (2008)

QUADRO 6

Os quatro pontos de tensão em SBFs

PONTOS DE TENSÃO EM SISTEMAS BASEADOS EM FOLKSONOMIA

Pessoal

Social Inicialmente, as pessoas etiquetam conteúdos em benefício próprio? Ou elas são motivadas pelo desejo de compartilhar informação com o grupo, pelo desejo de obter reconhecimento ou outros fatores sociais?

Idiossincrasia

Padronização As tags devem ser únicas e subjetivas? Ou devem ser padronizadas a fim de que sejam utilizadas na navegação e na recuperação da informação?

Liberdade

Controle Os sistemas devem preconizar um usuário livre? Ou devem influenciá-lo através de sugestões de tags, por exemplo?

Noviços

Especialistas Quão qualificada é a indexação realizada pelas pessoas? As tags geradas por noviços devem contar tanto quanto as tags geradas por especialistas? Como conciliar a ocorrência de discordâncias entre o senso comum e o conhecimento especializado que se manifestam através das tags?

Fonte: SMITH, 2008, p.15.

Além de visões de mundo representadas por meio do conjunto de tags, os sujeitos denotam por meio delas, motivações variadas e distintos estágios de maturidade em

relação ao compromisso ontológico. Ao analisar um agrupamento de tags criado por um sujeito há quatro anos e outro gerado atualmente sobre conteúdos relacionados a um mesmo assunto tende-se a observar um movimento que reflete seus movimentos em relação ao compromisso ontológico e o efeito do ambiente colaborativo sobre ele num percurso de evolução terminológica que descreve e ao descrever qualifica o objeto informacional sempre de um modo movente que se explica pela idéia de expansão e

continum que caracteriza a Terceiridade peirciana.

Essa expansão própria da dimensão simbólica dos signos é contemplada e enaltecida pelos SBFs, embora envolvam a existência de outras dimensões dadas pela Primeiridade e a Secundidade. Por serem ambientes que exploram e “libertam” as marcas desses processos de significação, eles não são apenas exuberantes semanticamente, mas também redutores do gap entre o objeto informacional e suas representações.

As folksonomias seguem uma tendência que apregoa a concepção de ferramentas que promovam a personalização da recuperação da informação na web e assim sejam mais próximas da linguagem utilizada pelos sujeitos.