1.2. DOĞRUDAN YABANCI YATIRIMLARIN TEORİK ÇERÇEVESİ VE
2.1.2 Klasik İktisadi Büyümede İnsan Sermayesi
Existem dois textos principais em que Kuhn nega a possibilidade de que a ciência se desenvolva em direção a um fim, ambos já explicitados por nós ao longo de nossos capítulos. O primeiro texto encontra-se na própria Structure, bem como no Postscript, momento em que a temática está associada especialmente à ciência normal e à elucidação dos valores na atividade científica e, o segundo texto, é o The road since Structure, no qual ela está associada à explicitação dos elementos que compõem a analogia entre o desenvolvimento das espécies na teoria evolutiva de Darwin e o desenvolvimento do conhecimento.
Quanto ao Postscript, Kuhn associa a finalidade ou meta [goal] com a formação da comunidade científica já que, para ele, os “(...) membros da comunidade científica se veem e são vistos por outros como homens unicamente responsáveis pela busca de um conjunto
143 compartilhado de finalidades, incluindo o treinamento de seus sucessores” (Kuhn, 1970b [1969], p. 177). Na passagem em questão, Kuhn está tratando da ciência normal e, portanto, da situação de desenvolvimento científico que pode ensejar o progresso paradigmático. Como vimos, esse primeiro tipo de progresso tem como objetivo a articulação do paradigma (cf. Kuhn, 1970a [1962], p. 35). A seguir, Kuhn trata da transição de certo conjunto de finalidades com as quais os cientistas estão comprometidos para outro, em razão das revoluções científicas que, a seu turno, faz com que a atividade científica altere a sua “(...) imagem sobre o campo [de conhecimento], seus métodos e suas finalidades” (Kuhn, 1970a [1962], p. 85). Nessa passagem Kuhn está, portanto, explicitando o progresso revolucionário, no qual são realizadas, inclusive, revisões acerca do conjunto de metas a que aquela prática científica se dirige.
Assim, Kuhn refere-se de modo a-problemático ao fato de que a comunidade científica compartilha determinadas finalidades as quais visa realizar em sua prática de pesquisa. De modo especial, Kuhn destaca a função de resolução de problemas como base para a escolha entre paradigmas (cf. Kuhn, 1970a [1962], p. 169), embora não deva ser considerado o único critério que pode ser levado em conta pelos cientistas. Mas, certamente Kuhn é um defensor do progresso na ciência, na medida em que, para ele, os “(...) cientistas farão todo possível para assegurar o crescimento contínuo dos dados recolhidos que podem ser tratados com precisão e detalhe” (Kuhn, 1970a [1962], p. 169-70). Porém, dado que as revoluções científicas em algumas situações deixam de considerar determinados problemas como relevantes, ela implica que a ciência “(...) aumente em profundidade, podendo crescer também em amplitude [breadth]. E, se ela o fizer, aquela amplitude será manifesta especialmente na proliferação de especialidades científicas, não no escopo de uma única especialidade isolada” (Kuhn, 1970a [1962], p. 170).
Porém, a concepção de progresso científico, quer no sentido de progresso paradigmático quer no de revolucionário, prescinde da relação com a verdade, pois, segundo Kuhn, o critério, por exemplo, para a consideração de que haverá crescimento quanto aos problemas resolvidos e também quanto ao aumento de sua precisão, não existindo melhor critério do que a decisão de uma comunidade científica (cf. Kuhn, 1970a [1962], p. 170). E, ao rejeitar a verdade como critério para a consideração do progresso, Kuhn acentua que o
(…) processo de desenvolvimento descrito nesse ensaio [Structure] foi o processo de evolução a partir de [from] um começo primitivo [período pré-paradigmático] – um
144 processo cujos estágios sucessivos são caracterizados por uma compreensão da
natureza cada vez mais detalhada e refinada. Mas nada do que foi dito ou será dito faz dele um processo de evolução em direção à [toward] coisa alguma. Inevitavelmente essa lacuna terá perturbado muitos leitores. Nós estamos todos profundamente acostumados a ver a ciência como um empreendimento traçado constantemente mais próximo de alguma finalidade definida antecipadamente pela natureza (Kuhn, 1970a [1962], p. 170-1).
Aqui, portanto, encontra-se explicitamente exposta a concepção de finalidade rejeitada por Kuhn, que é aquela que concebe a prática científica como dirigida à realização de certa finalidade determinada pela natureza.85 Por outro lado, Kuhn considera que a atividade científica parte de um começo primitivo (período pré-paradigmático), determinando um tipo de desenvolvimento que se dá pela evolução a partir daquilo do que realmente conhecemos, não sendo necessária a postulação de uma abordagem verdadeira sobre a ciência, ou seja, o “objetivo final”, com o qual comparar os avanços da ciência (cf. Kuhn, 1970a [1962], p. 171). Podemos afirmar, então, com base nesse conjunto de afirmações de Kuhn que a finalidade que ele sugere para a prática científica é móvel (em oposição ao critério fixo determinado por uma concepção única sobre a natureza) e determinada pela comunidade científica (em oposição ao plano de desenvolvimento imanente à natureza, ou presente na mente de um criador), banindo, por conseguinte, a evolução de tipo “teleológico” (cf. Kuhn, 1970a [1962], p. 172).
Tal conclusão parece-nos plenamente de acordo com o outro texto em que Kuhn que trata da questão do progresso do conhecimento científico como análogo ao desenvolvimento das espécies. Como vimos, em The road since Structure, Kuhn reafirma que o progresso da ciência ocorre “(...) empurrado por trás e não puxado pela frente” (Kuhn, 2000 [1990], p. 96). E, sobre essa questão, Mendonça e Videira esclarecem que, para Kuhn, a ciência não possui uma finalidade última, seja ela estabelecida por Deus ou pela natureza (cf. Mendonça &
85 Para melhor compreender essa passagem em que Kuhn em ele critica a possibilidade de uma finalidade última determinada pela natureza, cabe brevemente comparar com sua descrição da reação à primeira publicação da teoria da evolução de Darwin em 1859. Segundo Kuhn, as “(...) teorias evolutivas pré-darwinianas – aquelas de Lamarck, Chambers, Spencer e a Naturphilosophen alemã – consideraram a evolução como sendo um processo dirigido por finalidades. Pensou-se que a “ideia” de homem e da fauna e da flora contemporâneas estava presente desde a primeira criação da vida, talvez na mente de Deus. Essa ideia ou plano forneceu a direção e a força orientadora de todo processo evolutivo. Cada novo processo do desenvolvimento evolutivo era uma realização mais perfeita do plano que existia desde o começo” (Kuhn, 1970a [1962], p. 171-2). Assim, analogamente, a postulação de uma finalidade que determine a prática científica pressupõe uma situação ótima acerca do conhecimento da natureza, que se apresenta como meta para a avaliação da aproximação dos avanços científicos em relação a ela.
145 Videira, 2007, p. 176). Não estando disponível uma finalidade última para o progresso da ciência, a ciência passa a desenvolver-se dirigida para o aumento da capacidade do paradigma em resolver problemas através das teorias científicas e dos métodos, proporcionando, assim, o aumento da especialização (através do progresso paradigmático) e da amplitude do conhecimento científico (através do progresso revolucionário). As finalidades com as quais cada comunidade científica se compromete podem variar, inclusive, como afirma Lacey, em função de determinados elementos sociais que podem levar a prioridades na investigação (cf. Lacey, 2010b[2006], p. 59).
Porém, essa concepção da finalidade da ciência parece-nos ainda assim um tanto vaga, pois ela não especifica as etapas das práticas científicas que contribuem para a realização de determinadas finalidades. E, para essa especificação, parece-nos que tanto a noção de estratégia de pesquisa de Lacey quanto os valores exercem o papel de fixar metas para a prática científica. Diferentemente, no entanto, da axiologia proposta por Laudan, como um dos níveis da ciência que podem ensejar dissensos e a busca por um novo consenso, sistematizando o conjunto formado pelos níveis factual, metodológico e axiológico, a finalidade proposta para a atividade científica, especialmente quando relacionada ao tema do progresso científico, ultrapassa as fronteiras da ciência, alcançando os valores sociais. Veremos a seguir como as estratégias científicas vinculam a ciência a determinadas finalidades estabelecidas socialmente, levando em consideração a reflexão desenvolvida por Lacey e por Dupas, que enseja uma terceira concepção de progresso científico.