• Sonuç bulunamadı

A segunda parte do questionário levantou questões de conforto lumínico. Sobre o uso de luz natural ou artificial durante o dia, a maioria dos funcionários (12) respondeu que usa a iluminação natural por mais tempo, usando a iluminação artificial de forma complementar (Figura 4.40). Quatro pessoas ainda disseram usar exclusivamente a luz natural e três disseram usar os dois sistemas de forma semelhante. Apenas dois funcionários responderam que usam mais a luz artificial, ou apenas ela.

Novamente, a maioria dos funcionários (12) respondeu que as decisões em relação à iluminação são tomadas de forma compartilhada com os demais colegas de sala, e 15 deles consideram o conforto lumínico bom nos ambientes de trabalho (Figuras 4.41 e 4.42).

No entanto, como esse controle é limitado – não dá para graduar o nível de luminosidade, mas apenas o uso entre um ou outro sistema – foi o item que sofreu mais críticas durante o grupo focal, como será relatado mais adiante.

Figura 4.40 – Uso de iluminação natural X iluminação artificial

Fonte: elaboração da autora

Figura 4.41 – Autonomia sobre o controle lumínico e uso ou não de iluminação natural

Fonte: elaboração da autora

Figura 4.42 – Avaliação do conforto lumínico

Fonte: elaboração da autora

Ao contrário do resultado encontrado para o conforto térmico, no conforto lumínico, a maioria os respondentes (12) disse preferir o sistema natural de iluminação e os demais, a combinação de usos entre o sistema natural e artificial. Essa preferência favorece o uso das estratégias de iluminação natural do projeto, confirmando o resultado do estudo de Fonte: Lima, Carvalho e Pedrini (2009), que demonstra o baixo consumo de energia para iluminação artificial durante o dia e que também pôde ser verificado durante as observações: a luz artificial praticamente não era utilizada, a não ser nos horários finais do dia, por causa da diminuição da luminosidade externa. Nenhum usuário disse preferir o uso de iluminação artificial, conforme demonstrado no gráfico da Figura 4.43.

0 2 4 6 8 10 12 14

Só luz artificial Mais luz artificial, menos luz natural Ambos, de forma parecida Mais luz natural, menos luz artificial Só luz natural

Número de pessoas (sede adm. CRN/INPE)

0 2 4 6 8 10 12 14

Controle total Muito controle Decisão em conjunto com colegas Pouco controle Nenhum controle

Número de pessoas (sede adm. CRN/INPE)

0 2 4 6 8 10 12 14 16

Muito claro Bom, mas poderia ser mais escuro Bom Bom, mas poderia ser mais claro

Escuro

Figura 4.43 – Preferência entre iluminação natural ou artificial

Fonte: elaboração da autora

As justificativas para as preferências foram classificadas nas seguintes categorias: desconforto por excesso de luz ou ofuscamento, desconforto por reflexo nos computadores, desconforto visual (cansaço) provocado pela luz artificial, iluminação natural satisfatória, questões relacionadas à saúde visual, economia de energia, alternância dependendo da luminosidade do dia. Novamente, alguns usuários apresentaram respostas que se enquadram em mais de uma categoria, sendo os grupos de justificativas relacionados a seguir.

A) Doze pessoas preferem a iluminação natural por:

a iluminação natural no local de trabalho ser satisfatória (4); ser melhor para a saúde visual (3);

economia de energia elétrica (2);

desconforto visual provocado pela luz artificial (1); não justificaram (3).

B) Nove preferiram usar as duas, dependendo do momento por:

Desconforto em alguns momentos provocado pelo excesso de iluminação natural e ofuscamento (2);

Reflexo nas telas dos computadores provocado pela luz natural em determinados momentos (2);

a iluminação natural ser satisfatória na maior parte do tempo (1); possibilidade de alternância dependendo da luminosidade do dia (1); não responderam (3).

Verifica-se que cinco funcionários justificaram suas respostas apenas pelo fato de a iluminação natural ser suficiente no local de trabalho e um, que optou pelo sistema misto, apontou que sua preferência pode mudar de acordo com a luminosidade do dia. Podemos inferir que, em dias normais, quando a luminosidade em Natal é mais elevada, esses usuários

0 2 4 6 8 10 12 14

Iluminação natural Iluminação artificial Ambas

têm o hábito de optar pela iluminação natural – ao contrário do caso do conforto térmico, que os usuários parecem mais temerosos em não poder contar com o ar-condicionado.

As justificativas demonstraram algumas das qualidades que os usuários percebem no uso da iluminação natural: é mais benéfica à saúde, menos desconfortável à visão que a iluminação artificial e proporciona economia de energia elétrica.

No entanto, alguns usuários (4) apontaram alguns fatores negativos que a iluminação natural apresenta em seus escritórios: reflexo na tela dos computadores, ofuscamento e excesso de luminosidade em alguns momentos do dia.

Durante o grupo focal foi possível entender melhor essas questões. Os funcionários foram unânimes em dizer que a iluminação natural é melhor que a artificial e que preferem utilizá-la. Também ressaltaram que há um nível suficiente de iluminação natural e que muito raramente precisam acender luzes por questões de baixa luminosidade. Mas apontaram ressalvas:

os funcionários do pavimento superior disseram que, provavelmente pela falta do

brises e pelo tipo de vidro muito transparente aliado ao tamanho das aberturas, eles

sofrem com o excesso de luminosidade em determinados horários. Dizem que os funcionários que ocupam os locais mais próximos às janelas da frente (fachada norte) têm problemas com excesso de luminosidade principalmente pela manhã, mas até 16hs ainda sentem incômodo. Quem está localizado mais ao fundo da sala, têm problemas com reflexos nos computadores e à tarde, quando fica muito claro, acendem a luz para tentar diminuir os efeitos do reflexo da luz que vem da janela; os funcionários do térreo dizem não sofrer com problemas de excesso de luminosidade

– que a iluminação natural em suas salas é bastante agradável. Mas, em determinados momentos do dia, o problema apontado por eles é o ofuscamento provocado pelo reflexo dos raios solares nos para-brisas dos carros estacionados nas vagas em frente ao prédio. Por isso, dizem que, principalmente pela manhã, os funcionários evitam colocar os carros nessas vagas, motivo pelo qual é comum encontrar esse estacionamento quase todo desocupado. Vale salientar que esse foi um problema que se destacou nas respostas dos questionários, no grupo focal, e mesmo, desde a fase de observações de reconhecimento da edificação, quando os funcionários pediram à autora que não estacionasse na frente do prédio e se queixaram dessa situação (Figura 4.44).

Figura 4.44 – Estacionamento vazio para evitar o reflexo da luz do sol nos para-brisas dos carros

Fonte: Acervo da autora

Novamente, os próprios funcionários oferecem algumas sugestões que eles acreditam poder melhorar estas situações, como: colocação de cobertura ou de árvores para sombrear os carros parados em frente, colocação de películas ou vidros mais reflexivos nas janelas, dispositivos móveis para melhor controle da luminosidade que entra (como brises móveis ou persianas).

Apesar dessas colocações, os funcionários demonstraram satisfação com seu ambiente de trabalho no quesito iluminação.