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3.1. Motivasyon ile İlgili Kavramlar

3.1.1. İhtiyaç

Até este ponto da dissertação tecemos, essencialmente, sobre as bases que fundamentam a dnsarticulação e a sua anatomia envolvido pela dinâmica gnrnncial burgunsa. Nesta seção, apresentaremos, de forma mais concreta e contemporânea – ainda que sem abortar ou se distanciar das questões do modo dn snr – como tais fundamentos se expressam e se materializam no cotidiano das nstratégias de dnsarticulação dos representantes do capital sobre as classes trabalhadoras. Porém, como não é nossa pretensão, nem objetivo, fazer uma antologia dos métodos dnsarticuladorns, apenas referenciaremos aqui alguns exemplos que julgamos importantes e, ao mesmo tempo, demonstrativo do movimento mais geral de como tais dinâmicas nstratégicas operam enquanto método nos processos de trabalho.

Escolhemos fazer a discussão sobre as nstratégias contemporâneas por entendermos que, trazendo-as à análise, estamos, de certo modo, incorporando, versando e ilustrando, também, ainda que indiretamente, sobre as nstratégias pretéritas. Como já destacamos, as novas formas de gerência não prescindem por completo dos antigos formatos, mas reafirma-os em novas bases. Assim, a estrutura e a dinâmica das nstratégias contemporâneas, sob a marca do toyotismo, carregam consigo o conjunto mais íntimo de processualidades das demais racionalidades técnicas da produção. Entender a lógica da produção e reprodução dos instrumentais de gnstão n organização do trabalho da contemporaneidade significa, também, tematizar mediadamente a lógica mais ampla de desenvolvimento das nstratégias gnrnnciais burgunsas em suas diversas formas de expressão.

4.1 – O Contexto de Emersão da Reestruturação Produtiva de 1970 e do Toyotismo

Para compreendermos a essencialidade das nstratégias em evidência nos empreendimentos capitalistas das últimas décadas do século XX e início deste século XXI, nos parece importante entender, ainda que brevemente, o contexto e as

razões das condições que tornaram possíveis e, genericamente, necessárias o modelo de gnstão n organização do trabalho de tipo toyotista.

Em fins da década de 1960 e início da década de 1970 – após um áureo período de prosperidade econômica ao sistema de produção e reprodução do capital – o capitalismo é atravessado por uma grave crise que lhe acomete estruturalmente e numa dupla dimensão. Por um lado, uma crisn dn acumulação; por outro, uma crisn dn mobilização das forças dn trabalho. É a confluência e as múltiplas determinações de reciprocidade entre essas duas dimensões centrais da crise que acaba por desencadear um novo processo histórico de reorganização conformativo da nxploração e dominação do capital, que ficou conhecido como a rnnstruturação produtiva dn 197045.

4.1.1 – A Crise de Acumulação do Capital

A crisn dn acumulação é aquela que se funda no estancamento das bases vitais da economia burguesa; é aquela que se apresenta em virtude do sufocamento dos ganhos do capital. A crisn dn acumulação é aquela em que tem, fundamentalmente, o seu fulcro desencadeante na interseção, por um lado, da extração e produção cada vez mais insuficiente de mais-valia e de lucro; por outro lado, da elevação dos custos do projeto burguês de expansão e acumulação do sistema do capital.

No conjunto dos elementos que desencadeiam as condições a uma menor taxa de mais-valia e margem de lucro está a ineficiência, dos então mecanismos de gnrência vigentes, em responder as alterações no padrão de demanda do consumo. O sistema de produção em série, operado pelo binômio taylorista/fordista, não mais se adequava a um cenário com baixo crescimento econômico e com restrições de demanda. A fabricação em larga escala não encontrava mais o suporte do consumo igualmente de larga escala. O modelo e a atividade de consumo que se desenhava não mais comportava uma massificação de

45 A base desta formulação é a boa análise de Ricardo Antunes em seu livro “Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho”. Particularmente em seu Capítulo II: Dimensões da crise estrutural do capital, e o seu Capítulo III: As respostas do capital à sua crise estrutural (ANTUNES, 2006, p.29-45).

produtos como a que vigorava. A indústria se ressentia de um escoamento mais vigoroso de sua produção ao comércio.

Concomitantemente, e ainda no conjunto dos elementos que afetam os volumes da mais-valia e da lucratividade dos empreendimentos capitalistas produtivos, está a ativação da tnndência à qunda da taxa dn lucro, como normalmente chamam os críticos do capital pela tradição marxista; ou nxpnctativas crnscnntns, rntornos dncrnscnntns, como prefere chamar um dos ícones da gestão empresarial, Gary Hamel (2000)46. Tal lei efetiva-se, essencialmente, na

concorrência intracapitalista, quando, ao perseguir seus objetivos, o capitalista recorre a instrumentos, ferramentas e métodos de trabalho que lhe possibilita baratear seus custos de produção e aumentar suas margens de lucro. A competição mercadológica com outros capitalistas faz com que, constantemente, todos sejam obrigados, pela própria sobrevivência de suas fontes de rendas, a adotar, também, meios mais eficazes às suas forças produtivas. A tecnologia aplicada como vantagem competitiva de um, generaliza-se entre todos; o preço das mercadorias tende a cair, e junto as taxas de provento.

Já no conjunto dos elementos de encarecimento da produção e reprodução do sistema do capital, um de seus principais determinantes é, essencialmente, o aumento dos salários diretos e indiretos; ou dito de outro modo, nas palavras de Braga (2003, p.104), a "elevação do custo social de reprodução da força de trabalho". Encarecimento este que tem no seu bojo os custos, ao capital, das aquisições de direitos, sobretudo, sociais pelas classes trabalhadoras. Conquistas, ampliações e efetivações de direitos – como regulamentações sobre as relações de trabalho, melhores remunerações, aprofundamento da seguridade social, educação e saúde pública e de qualidade, e generalizações das políticas sociais universais –, que permitiram as classes do trabalho desfrutarem de melhores condições de vida.

Sobre as tais aquisições de direitos, é mister atentar ao fato de que o capitalismo apenas conseguiu prover aos países capitalistas centrais porque, para sermos direto, pôde penalizar países de capitalismo periférico. O chamado Estado de Bem-Estar Social, ou Welfare State, só existiu para um conjunto restrito de cerca de uma dezena de nações. A redução da taxa de lucro da burguesia nos países 46 Para uma análise minuciosa desta lei, ver (MARX, 2008, p.277-347). Para uma análise sintética sobre o tema, ver (NETTO e BRAZ, 2006, p.151-154). E para um reconhecimento burguês desta tendência, ver (HAMEL, 2000, p.31-57).

capitalistas centrais, devido aos altos custos diretos e indiretos de suas forças de trabalho, foi arcada pela força de trabalho barata e precarizada dos países que, como diz Antunes (2006, p.39), "estavam totalmente excluídos desse 'compromisso'"; num processo de expansão monopolista das indústrias para além das fronteiras sedes. O que se perdia, ou se deixava de ganhar, em um determinado espaço territorial, compensava-se com assaz reservas em outros territórios. Nas palavras de Lessa (2007a, p.290), o que houve foi uma "integração subordinada das economias da periferia às dos países centrais". A redução da lucratividade nas matrizes era o preço a pagar para fornecer melhores condições sociais a um proletariado de significativa consciência política e de classe, na tentativa – que se mostrou bem-sucedida – de esvaziar-lhes o ímpeto de mobilização combativa e o seu potencial avanço nas lutas de classes47.

O estancamento das bases vitais e o sufocamento dos ganhos do capital são, sem dúvidas, elementos fortemente condicionantes na necessidade de reordenamento dos processos de trabalho. Muito provavelmente, inclusive, o maior determinante deste processo da reestruturação produtiva. Certamente a análise desses condicionantes, e seus desdobramentos, fornece relevantes pistas para a investigação de nstratégias que buscam dnsarticular o operariado. Optamos, entretanto, em apenas sintetizar indicativamente esta dimensão da crise, por considerarmos que, a despeito de sua importância, a crisn dn mobilização tem uma vinculação mais estreita e imediata com as nstratégias gnrnnciais dn dnsarticulação da burgunsia sobre o proletariado do que a crisn dn acumulação – que é, mais propriamente, a matéria deste estudo dissertativo.

4.1.2 – A Crise do Capital de Mobilização das Forças de Trabalho

A crisn dn mobilização da força dn trabalho, por sua vez, diz respeito às tensões e desafios imposto ao capital em virtude dos movimentos contestadores, reivindicativos e revolucionários das classes trabalhadoras. Esta crisn dn

47 Para uma análise do Estado de Bem-Estar Social mais desenvolvida, ainda que muito insuficiente, ver (LESSA, 2007, p.278-291). Para um outro exame do mesmo momento histórico, também sintético, e com algumas diferenças de avaliação quanto às lutas das classes trabalhadoras, mas ainda no campo crítico e da esquerda, ver (BEHRING e BOSCHETTI, 2007).

mobilização – importante identificar – não é a crise dos movimentos das classes subalternas que vínhamos fazendo referência ao longo desta pesquisa, e em especial na introdução. Neste caso, em particular, a expressão está posta do ponto de vista do capital, e não do ponto de vista do trabalho e do movimento operário. A crisn dn mobilização, nesta perspectiva de explicação das dimensões da crise do capital, é uma crise sofrida e enfrentada pelo sistema do capital, cujo vigor dos movimentos das classes trabalhadoras é o seu responsável mais imediato. A crisn dn mobilização é, pois, a crise que permeia a burguesia por ter dificuldades de colocar em movimento, como parte das forças produtivas, os sujeitos sociais que pertencem às classes cujos interesses e necessidades são contraditórios e antagônicos aos das classes representantes do capital.

Tendo nós exposto sobre a oneração do capital pelos direitos sociais, o primeiro aspecto que devemos, então, destacar sobre a processualidade da crisn dn mobilização é que, as tensões e desafios impostos ao capital em virtude do vigor dos movimentos das classes trabalhadoras, têm uma implicação direta naqueles aspectos da crisn dn acumulação. A elevação dos custos de produção e reprodução do capital possui uma relação significativamente estreita com os movimentos contestadores, reivindicativos e revolucionários das classes trabalhadoras. O encarecimento da expansão e acumulação do capital se dá, em larga medida, tanto como resultado de correlações de forças nas lutas de classes benéficas ao proletariado, quanto como resultado de nstratégias dnsarticuladoras emergenciais e/ou antecipatórias da burguesia mediadas pelo Estado de caráter keynesiano48. Um

dos principais elementos da crisn dn mobilização é, portanto, os seus rebatimentos na crisn dn acumulação – que é, também, uma de suas expressões.

Um outro importante e notável elemento que tenciona e desafia o capital, e o remete à sua crisn dn mobilização, são as insatisfações, e consequentes contestações, por parte do operariado – então também chamado de operário-massa – em relação às condições e relações de produção nos processos de trabalho hegemonicamente taylorista/fordista.

48 O pilar do plano keynesiano é um Estado atuante na reativação e na dinâmica cotidiana do mercado, e com o controle sobre os ciclos econômicos. O pleno emprego se apresenta, neste sentido, como umas das suas principais proposições para o restabelecimento do poder de compra, em concomitância com um maior tempo livre para os gastos dos trabalhadores. A oferta de crédito, de subsídios, os investimentos e gastos governamentais, como o próprio fundo público, tem, como lembram duas autoras do serviço social brasileiro (BEHRING e BOSCHETTI, 2007, p.86), um "papel ativo na administração macroeconômica" e na elevação da demanda global. O Wnlfarn

Mesmo com os inúmeros aprimoramentos do sistema de Ford, em que procurou-se incorporar diversos aspectos da subjetividade do trabalhador – como a absorção dos estudos da sociologia do trabalho e das escolas de recursos humanos, para citarmos exemplos que minimamente já mencionamos –, os processos de trabalho da produção tipicamente em série não conseguem cessar os problemas com as resistências e abandonos de emprego por parte das forças de trabalho.

4.1.3 – Bases e Expressões da Crise do Capital de Mobilização das Forças de Trabalho

Para termos uma noção da realidade de descontentamento do operariado e as dificuldades que isto trouxe aos representantes capitalistas, sobretudo na fase de esgotamento desta forma de gnstão n organização do trabalho, nos parece sintomático a avaliação desenvolvida em uma edição de julho de 1970 da revista Fortune – uma publicação mensal da elite empresarial (apud PIGMON e QUERZOLA, 2001, p.94). Na ocasião, dizia o periódico que "o absenteísmo, o tournovnr, o trabalho malfeito e até a sabotagem, são as chagas da indústria automobilística americana". Segundo a revista, o "esbanjamento de mão-de-obra", o "baixo rendimento", a "admissão de maior número de inspetores e retocadores", os "concertos mais frequentes de carros na garantia", como consequência da "resistência" ou "descaso dos jovens operários", representam um problema urgente de "desperdício" que reflete nas taxas de lucros do patronato e na "competitividade" da indústria dos Estados Unidos.

De acordo com os dados publicados pela Fortune (apud BRAVERMAN, 1987, p.37-39), "o absenteísmo aumentou drasticamente" nos últimos dez anos (60- 70) na General Motors e na Ford Motor Company. O índice de abandono de emprego, nas palavras da revista, "de fato, dobrou", obtendo "a curva máxima no ano passado [1968]". Na GM, chegou-se a um ponto em que uma "média de 5 por cento" dos trabalhadores horistas, e em certos dias a cifra "sobe a 10 por cento", faltam ao trabalho todos os dias, sem explicações. No caso da Ford, o índice de saída voluntária dos trabalhadores em busca de condições de trabalho mais favoráveis, o chamado turnovnr, "foi de 25,2 por cento" em 1969. Particularmente

quanto a uma fábrica de montagem, nos subúrbios de Detroit, foi preciso "contratar 4.800 novos trabalhadores a fim de manter uma força de trabalho de 5.000". Na empresa capitalista privada que continha o maior número de trabalhadores no mundo por volta de 1970, o truste American Telegraph and Telephone, o recrutamento de empregados tornava-se o pesadelo da direção de pessoal: "mais de 2 milhões de entrevistas anuais de admissão para recrutar 250.000 trabalhadores por ano", o que representa 12,5% de aproveitamento.

Também sobre este mesmo ano, 1969, o Wall Street Journal (de 16 de julho de 1971), e o New York Times (de 2 de abril de 1972), publicaram (apud BRAVERMAN, p.1987, p.38-39) que na Chrysler Corporation, com absenteísmo diário de 6 por cento, "quase metade de seus trabalhadores deixaram de completar seus primeiros 90 dias no trabalho". Em todas estas fábricas, gerentes informavam, segundo as palavras da própria Fortune, "com estarrecimento", que alguns operários da linha de montagem chegam a ir "embora em pleno expediente, sem mesmo voltar para receber pelo tempo que trabalharam".

Um outro informe importante, agora um relatório do governo americano, intitulado “O Trabalho na América” (apud BRAVERMAN, 1987, p.37,39), preparado por uma Força-Tarefa Especial, escolhido pelo Secretário da Saúde, Educação e Bem-Estar, publicado em 1973, aponta para um mesmo sentido: que um "significativo número de trabalhadores americanos estão insatisfeitos com a qualidade das suas vidas no trabalho". O relatório trata do "absenteísmo", da "má qualidade" da produção, e entre outras coisas, da "relutância por parte dos trabalhadores em empenharem-se nas suas tarefas". Segundo o texto, "muitos estão rebelando-se contra o autoritarismo anacrônico do local de trabalho". No entanto, ainda conforme a publicação, as companhias estão descobrindo que os trabalhadores "sentem que a indústria tem que mudar alguma coisa na tediosa e monótona linha de montagem. Do contrário continuará havendo desassossego na fábrica".

Em nossa investigação, conforme já justificamos em outras passagens, tratamos fundamentalmente sobre as relações sociais de produção. Não obstante, é interessante observar que, apesar de a indústria automobilística e a linha de montagem representarem "o locus classicus" de insatisfação no trabalho, tal condição não lhe fica restrita. Este mesmo relatório (apud BRAVERMAN, 1987, p.39- 40), “O Trabalho na América”, sumaria bem as condições de trabalho, também, nos

espaços de escritório. De acordo com o escrito, "o que espanta é o grau em que o descontentamento da linha de montagem e do operário se reflete no funcionalismo do escritório e até nas funções gerenciais". A sua avaliação é de que, por ser o trabalho nestes espaços, semelhantemente, "segmentado e autoritário", "insípido" e "rotineiro", o escritório é "quase sempre uma fábrica". "Para um número cada vez maior de funções pouco há que distinguir entre eles a não ser a cor do colarinho do trabalhador". Segundo o relatório, "secretárias, escriturários e burocratas já foram antigamente agradecido por se terem livrado da desumanização da oficina". Neste espaço de trabalho, o documento nos mostra que as taxas de abandono são igualmente altas: são de até 30 por cento anual; e comenta que em "uma pesquisa efetuada por um grupo de assessores gerenciais numa amostragem de empregados em escritório descobriu que eles estavam produzindo apenas 55% de seu potencial", apontando que entre as razões mencionadas na pesquisa "está o tédio das funções repetitivas".

Os números do descontentamento e da relutância do operariado que acabamos de mencionar, como precisa Braverman (1987, p.39), guarda algo de comum com as indústrias européias. Por exemplo, a Fiat Motor Company, naquela época "o maior empregador privado da Itália, com mais de 180.000 empregados", "teve 21.000 empregados ausentes numa segunda-feira e um absenteísmo diário médio de 14.000"; o que corresponde a 7,7 por cento. Em relação à economia italiana como um todo, uma associação gerencial da Itália declarou que "uma média de pelo menos 800.000 trabalhadores de um total de aproximadamente 20 milhões faltavam ao trabalho diariamente”. E, segundo o informe, isto era atribuído essencialmente ao "descontentamento com a disciplina da linha de montagem".

A seguir, colocamos algumas falas de operários britânicos que operaram os processos de trabalho da Ford na Inglaterra; principalmente na década de 1960. Entendemos que tais relatos – extraídos do revelador livro de Huw Beynon, “Trabalhando para Ford”, publicado em 1973 – nos fornece um acurado panorama dos fundamentos da crisn dn mobilização da força dn trabalho amargado pelo capital que culminaria na necessidade da rnnstruturação produtiva dn 1970.

Quando a gente está fazendo o mesmo serviço, dia após dia, faria quase qualquer coisa para mudar. Mas eu estou acostumado com isto. Às vezes a gente olha em volta e se pergunta quando é que se vai ser outra coisa além de um número no cartão de ponto (BEYNON, 1995, p.162).

aparece uma vaga, peço para ser transferido, só para variar (idem, p.163). É o trabalho mais chato do mundo. A mesma coisa sempre e sempre. Isto não muda, esgota a gente. Dá um cansaço horrível. Torna o raciocínio lento. Não precisa pensar. É tudo formalizado. A gente apenas aguenta. Suporta isto por causa do dinheiro. É para isso que somos pagos – para aguentar o tédio disto aqui. Se eu tivesse a chance de mudar, sairia na mesma hora. São as condições aqui. A Ford trata a gente mais como máquinas do que como homens. Fica em cima o tempo todo. Espera que a gente trabalhe todos os minutos do dia. O clima que existe aqui é totalmente falso. Todo mundo abatido e irritado (idem, p.164).

Eu não sentiria falta alguma desta firma. É a pior firma que conheço para deixar as pessoas horrorizadas (idem, p.164).

Não consigo imaginar nada mais tedioso que o trabalho na linha de montagem (idem, p.165).

Advém desta conjuntura de forte descontentamento por parte dos trabalhadores, e que trouxe consequências de dificuldades ao capital, a incorporação por parte das nstratégias gnrnnciais burgunsas, ao processo de reestruturação produtiva de 1970, de questões relacionadas com a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Os fundamentos das escolas de recursos humanos, renovados e desenvolvidos, integrados de maneira muito mais intensa e sólida à gnstão n organização do trabalho, tornam-se, assim, um dos principais aspectos a serem levados em conta e introduzidos nos locais de trabalho com vistas a superação da crise.

Conforme deverá ficar mais claro com a exposição da análise de alguns desses fundamentos estratégicos que veremos a seguir, o capital precisa, para garantir sua produção e reprodução, forjar aquilo que Gramsci (2001, p.248), referindo-se ao fordismo, chamou de "um novo tipo humano". Isto é, um indivíduo "adequado ao novo tipo de trabalho e processo produtivo", e que, com isso, sustente e justifique ideologicamente as necessidades do capital.

4.2 – Os Fundamentos Estratégicos do Toyotismo na Reestruturação da Acumulação do Capital

É para dar uma resposta à dupla dimensão de sua crise (de acumulação e de mobilização), que o capital, personificado em seus representantes, num processo de reestruturação do padrão de acumulação, incorpora ou adota

hegemonicamente os pressupostos do sistema de produção da Toyota Motor.