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İştirak 163

Belgede TCK'da suçu bildirmeme suçu (sayfa 179-183)

II. BÖLÜM

10.2. İştirak 163

O fato de conhecerem melhor do que ninguém suas próprias necessidades e limitações faz com que os deficientes físicos em diversos momentos procurem sugerir modificações e possibilidades de interferência naquilo que consideram inadequado para seu usufruto. Durante a realização dos grupos de foco, ao final de cada reunião foram ouvidas essas sugestões, que são apresentadas nesta seção. Embora não se relacionem diretamente aos objetivos do estudo, esse tópico é importante no sentido de demonstrar de que forma, para os participantes, suas percepções de risco poderiam ser minimizadas por meio de iniciativas dos empreendedores do setor de turismo.

Um dos aspectos mais destacados foi a necessidade de preparar os profissionais da área para o atendimento aos deficientes físicos:

Eu acho também que as empresas de serviços, de transportes, deveriam orientar seus funcionários... porque às vezes, não é porque o funcionário não quer, é porque ele não sabe, entendeu?... Então eu acho que precisa de que... A gente não fica estudando quatro ou cinco anos numa faculdade? Que exista um curso de formação para mostrar que aquilo que o atendente da rodoviária está fazendo, o atendente do aeroporto, o atendente do hotel, do cinema ou do shopping, ele não está fazendo porque tem obrigação, mas porque é um direito de todo cidadão... Não é um direito do deficiente, é um direito do cidadão. (Homem com monoparesia, Grupo G1)

... ter uma mão-de-obra qualificada, para o portador de necessidades especiais poder se interessar mais em viajar, tudo isso, entendeu? No caso, os hotéis, terem pessoas qualificadas... ter pessoas qualificadas para lidar com os vários tipos de pessoas portadoras de deficiência, né? Falta muita coisa em termos de adaptação... Precisa de pessoas preparadas, eu acho que nós brasileiros, em geral, nós não estamos preparados para receber o deficiente. (Homem com monoparesia, Grupo G2)

Na percepção desses participantes, o atendimento é problemático devido à falta de preparação adequada para lidar com o deficiente. Por esse motivo, faltam informações e tratamento direcionado às suas necessidades. No Grupo G2, um participante deu uma sugestão interessante no que diz respeito à disponibilização de informações específicas para turistas deficientes físicos:

Eu acho que deveria ter... na cidade de Petrópolis, por exemplo: Secretaria de Turismo de Petrópolis/ Especiais... Quando você liga para Petrópolis, para saber o que existe em Petrópolis, “Olha só, eu sou portador, eu sou cadeirante... eu posso entrar no Museu Imperial?” “Eu posso entrar no Banco do Brasil?” “Não, porque é só escada...”, entendeu? Deveria ter um site, pelo menos, da cidade, em que você se comunicasse diretamente com deficientes. Porque... o idoso também é especial, ele não consegue ter certos acessos... o cara está com uma bengala... Qual o tipo de coisa em que eu tenho desconto? Qual o tipo de hotel ou pousada que tem tudo para um deficiente? E 90% dos especiais não viajam sozinhos, viajam com alguém... Eu pelo menos, eu vejo desse jeito... (Homem com nanismo, Grupo G2)

Além das sugestões de melhorias no atendimento e nas informações, a maioria das recomendações foi direcionada às adaptações físicas necessárias em instalações utilizadas durante uma viagem, como banheiros, hotéis, atrativos e transportes.

As cidades têm que se preparar para receber os deficientes, porque isso ainda é muito pouco trabalhado... Eu acho que muitos deficientes iam viajar mais, iam sair mais de casa, se tivessem acesso melhor na rua onde moram, se tivesse mais rampas, mais ônibus com adaptação... Hoje o deficiente não sai de casa porque tem medo do que o espera do lado de fora... (Homem com monoparesia, Grupo G3) Uma coisa que falta demais é banheiro também... tem muito restaurante aí que você vai, tem rampa pra você entrar mas não tem banheiro adaptado... é um absurdo! E preparo para atender os deficientes, qualificação... eu acho que falta investir mais nisso. (Homem com monoparesia, Grupo G3)

As sugestões convergem para a solução dos problemas que mais preocupam os deficientes físicos quando decidem viajar. O desejo de que não haja dificuldades no acesso a nenhum serviço ou equipamento turístico permeia essas sugestões, de modo que é possível resumir esses anseios na fala de uma participante do Grupo G1:

Uma coisa seria legal... que chegasse a um ponto que aonde se fosse, estava tudo adaptado para a gente, né? (Mulher com paraplegia, Grupo G1)

As recomendações dos participantes servem como ponto de partida para uma nova forma de planejar o turismo, tendo como foco o atendimento a qualquer pessoa, criando soluções de inclusão e acessibilidade.

Feitas as considerações relativas aos riscos percebidos e às estratégias redutoras de risco percebido identificadas entre os deficientes físicos pesquisados nas duas fases da coleta de dados, convém sistematizar as categorias abordadas, propondo associações e relações entre elas. No próximo capítulo, portanto, essas relações darão origem à proposta de uma abordagem específica para o estudo do risco percebido entre turistas deficientes físicos.

6 RISCO PERCEBIDO ENTRE TURISTAS DEFICIENTES FÍSICOS – ATRIBUTOS PARA UMA ABORDAGEM ESPECÍFICA

A análise dos dados coletados durante as entrevistas e os grupos de foco revelou peculiaridades na percepção de risco dos turistas deficientes físicos pesquisados. Por esse motivo, elementos importantes como o receio de depender dos outros ou de sofrer preconceito não puderam ser incluídos dentro das categorias de riscos pré-existentes nas teorias consultadas.

Da mesma forma, fortes associações como as observadas entre as percepções de risco físico e risco de desempenho diferiam da separação encontrada nos pressupostos teóricos. Nesse sentido, o objetivo deste capítulo consiste em sistematizar as categorias consideradas relevantes entre os pesquisados, propondo uma abordagem específica no estudo do risco percebido entre turistas deficientes físicos. Para tanto, a organização proposta diferencia-se das tipologias clássicas de riscos percebidos, dificilmente adaptáveis a casos específicos como o estudo do comportamento de viajantes deficientes físicos.

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