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Os autores SARRELL, COHEN & KAHAN (2002), realizaram pesquisa com intuito de verificar o conhecimento dos pais, médicos e enfermeiros acerca da febre infantil. Médicos e enfermeiros obtêm conhecimento principalmente através da leitura de livros, jornais, artigos científicos e internet. No entanto, esses profissionais não estão livres da cultura popular e outras influências.

Em relação ao papel da febre nas defesas orgânicas, foi identificado que a maioria dos médicos (85,8%) consideravam que a febre é geralmente benéfica para o sistema de defesa de organismo, enquanto muitas enfermeiras consideravam que não (36%) (SARRELL; COHEN & KAHAN, 2002) .

Quando questionados quanto aos danos ocasionados pela febre a maioria dos médicos estavam preocupados com a desidratação e convulsão, enquanto os enfermeiros estavam menos preocupados com convulsões. Surpreendentemente grandes proporções de médicos da família expressaram preocupações acerca de danos cerebrais (40,5%) e morte (34,1%) (KARWOWSKA et al., 2002).

Ao serem abordadas questões referentes ao tratamento da febre, averiguaram que muitos profissionais de saúde consideravam o estado clínico da criança e conforto para decidir qual o tipo de tratamento iriam iniciar (KARWOWSKA et al., 2002).

SARRELL, COHEN & KAHAN (2002), expõem que os pediatras geralmente recomendam o uso de métodos naturais e não farmacológicos para controle e tratamento da febre baixa, não com o intuito de acelerar a recuperação, mas apenas reduzir o desconforto da criança.

Obviamente, alguns antipiréticos que também são analgésicos são comumente utilizados para aliviar a agitação e inquietação da criança, mesmo quando esta apresenta febre baixa (SARRELL, COHEN & KAHAN, 2002).

Dada a aparente preocupação dos profissionais de saúde em relação à febre, não é de se estranhar que estes também verificam constantemente a temperatura (KARWOWSKA et al., 2002).

Em relação às práticas utilizadas por enfermeiras pediátricas no manejo da febre, WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG (2007), relataram que práticas inconsistentes ainda são utilizadas e que as atitudes e conhecimentos desses profissionais frente à febre na infância é limitado. Algumas práticas descritas por enfermeiros atuantes nos hospitais na Austrália, não são baseadas em informações científicas atuais, o que implica em conhecimento inadequado sobre as atitudes negativas acerca da febre. As práticas inconsistentes de enfermagem podem causar confusão sobre as melhores práticas a serem abordadas na febre na criança entre os profissionais de enfermagem novos no campo de trabalho e também nos pais das crianças febris.

A pesquisa realizada por WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG (2007), com enfermeiros, teve como objetivo principal identificar as temperaturas consideradas como febre por esses profissionais e quando as intervenções para reduzir devem ser iniciadas. Enfermeiros do Reino Unido, Estados Unidos da América, Canadá e Austrália são unânimes em relatar a temperatura representativa como febre em torno de 38,0ºC. As temperaturas relatadas por enfermeiros para dar inicio às estratégias de redução da febre, nos Estados Unidos é quando a temperatura esta em torno de 38,3°C e 38,0°C na Arábia Saudita. Nas décadas de 1980 e, 1990, eram 39,9°C nos Estados Unidos e 38,6°C no Canadá. Mudanças na Austrália não têm sido significantes, os valores se concentram em torno de 38,3ºC e 38,4°C.

Outra questão identificada no estudo de WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG (2007), foram déficits de conhecimento dos enfermeiros acerca da fisiologia e alterações imunológicas associadas à febre. Além disso, déficits nos princípios gerais de manejo da febre foram relatados juntamente ao desconhecimento dos efeitos da febre e do momento de se iniciar a redução da mesma. Também identificaram dúvidas sobre antipiréticos e pouco conhecimento sobre o pico de absorção e efeitos adversos do paracetamol.

Um achado interessante foi que verificou-se que enfermeiros recém-formados e enfermeiros mais experientes, com um a quatro anos de exercício de profissão, tinham conhecimento similar a respeito da febre (WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG, 2007).

As maiorias dos estudos identificam atitudes negativas em relação à febre. Relatos de enfermeiros confirmam as práticas e atitudes negativas, muitos consideram a febre como perigosa e temem a convulsão febril. Outros resultados prejudiciais incluem lesões cerebrais e desidratação. Alguns enfermeiros descreveram que tratam a febre ativamente, de forma a reduzi-la e prevenir convulsão febril, para aumentar o conforto e reduzir a ansiedade dos pais (SARRELL, COHEN & KAHAN, 2002; KARWOWSKA et al., 2002; WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG, 2007).

Estudos realizados no Reino Unido e Israel tiveram relatos de enfermeiros que acordam crianças febris para administrar antitérmicos. E mais de um terço de enfermeiros que atuam em setores de emergência nos Estados Unidos, administram antitérmicos alternados em crianças nas quais a temperatura não reduziu suficientemente em uma hora e alguns repetiram o mesmo antipirético (GONZALEZ-DEL REY & MONROE, 2000; SARRELL, COHEN & KAHAN, 2002; WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG, 2007)

Enfermeiros e profissionais de saúde com conhecimentos limitados acerca da febre na criança podem levar a atitudes negativas e inconsistentes na prática do cuidado e tal fato gera preocupações acerca da qualidade do atendimento prestado (WALSH, COURTNEY, MONAGHANS, WILSON & YOUNG, 2007).

Um estudo recente concluiu que os profissionais de saúde estão em posição única para educar os pais no que diz respeito à febre na infância. Muitos pais têm como principais fontes de informação médicos, enfermeiros e familiares, sugerindo a necessidade desses profissionais deterem o conhecimento científico acerca da febre e práticas de manejo da febre (CROCETTI, MOGHBELI & SERWINT, 2001; KARWOWSKA et al., 2002).

A febre na infância continua a inspirar medo nos pais e profissionais de saúde, médicos e enfermeiros são importantes fontes de informação dos pais e podem transmitir informações contraditórias que podem aumentar a ansiedade dos pais e desencadear a utilização de serviços de saúde sem necessidade. Médicos e enfermeiros devem ser capacitados para dar aos pais informações corretas, a fim de evitar a “febre fobia” (KARWOWSKA et al., 2002).

KARWOWSKA et al., 2002, sugerem que os profissionais de saúde se capacitem de forma a adquirir e atualizar conhecimentos científicos acerca da febre infantil, os dados mostram a necessidade de educação desses profissionais, a fim de dissipar seu próprios equívocos sobre a febre, para que posteriormente possam beneficiar os pais com informações consistentes, dando-os segurança para lidar com a febre na criança.