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Urry (1996) fala que o viajante possui um olhar próprio chamado de “olhar do turista”. Ao mesmo tempo em que, ao coletar os dados, dá-se um olhar mais científico no

trabalho - um olhar de pesquisador -, também não se pode negar que aprecia-se e espera-se algumas ações diretamente relacionadas ao que é esperado por um turista, não fugindo à analise um olhar de turista, se assim podemos o chamar. Desta forma, apresento no quadro 8 um comparativo do que foi encontrado na realidade do circuito, visto com os dois olhares citados acima.

Quadro 8: Confronto de visões pesquisadora X turista quanto ao roteiro Caminhos do Frio. VISÃO DE PESQUISADORA VISÃO DE TURISTA HOSPEDAGEM: Os meios de hospedagem da

região ainda não se apresentam como turisticamente adequados a um circuito de tal dimensão, entretanto correspondem à realidade local e ao nível de envolvimento da comunidade (que são os proprietários dos MDHs), já que o empresariado é composto em sua maioria pelos próprios moradores e apenas em 2 municípios há investimento externo na área de hotelaria, nos quais pode-se perceber a diferenciação destes Meios de Hospedagem (MDH’s) para os demais. Além disto, como o circuito ocorre apenas em 1 semana ao ano em cada município, o elevado número de MDH’s ocasionaria baixa ocupação nos demais períodos considerados de baixa temporada. TRANSPORTE: As estradas que levam aos municípios da rota estão em situação precária, sem sinalização e acostamento. Algumas estradas entre as cidades são de barro, estreitas e apresentam buracos que na época do circuito, coincidentemente inverno, formam poças de águas e lama, provocando atolamento dos veículos. Não há transportes turísticos, exceto aqueles contratados em pacotes de agências de viagens e quanto ao transporte público, não há diferenciação de horários e aumento da frota no período do projeto, entretanto isto não parece ser um problema ao turista, que em sua maioria não chegam à região pelo transporte público.

INFRAESTRUTURA BÁSICA: Até o presente momento não foram registrados problemas com abastecimento de água, energia, saneamento e coleta de resíduos ou demais problemas relacionados com o aumento do fluxo de pessoas nos municípios no período do circuito.

HOSPEDAGEM: Reduzido número de MDHs e ausência da prestação de alguns serviços turísticos comuns em hotelaria como telefonia, alimentação, serviço de quarto e governança, etc. MDHs com gestão muito familiar e alguns com instalação precária, sobretudo aqueles com preços muito baixos. Nos estabelecimento de categoria turística há mais luxo e sofisticação conforme o esperado e ainda superando expectativas para a localidade, todavia apenas em 2 municípios há a ofertas destes.

TRANSPORTE: Há partes da estrada que são mais difíceis de transitar, mas a rusticidade e a paisagem rural acabam por justificar aqueles percursos, que se tornam até uma aventura, algo diferente de sua rotina, algo a experimentar e liberar/sentir adrenalina. Há opção de contratação de guias com motos e jipes para o acompanhamento dos turistas aos atrativos.

INFRAESTRUTURA BÁSICA: Não houve qualquer tipo de inconveniente com falta de agua, luz ou problemas de telefonia, etc., ou seja, tudo parece funcionar perfeitamente no circuito.

INFRAESTRUTURA DE APOIO: Os municípios apresentam uma infraestrutura de apoio condizente com a realidade da região. Ainda há falta de alguns serviços de apoio ao turista como câmbio, entretanto há outras facilitadoras financeiras. Há hospitais e Unidades de Pronto Atendimento na região em número reduzido e em casos mais sério a remoção é feita para os centros vizinhos (Guarabira, Campina Grande ou João Pessoa).

ASPECTOS CULTURAIS/

APRESENTAÇÕES: Não há

espetacularização dos aspectos culturais visando ao encantamento dos turistas. Há uma utilização dos mesmos de forma mais organizada e valorizada por parte da comunidade. Diversas opções de entretenimento e enriquecimento culturais, tanto populares quanto eruditas. Ligação com a comunidade/ contato direto com o nativo que proporciona uma interação cultural.

ARTESANATO: Destaca-se o artesanato feito com a palha da banana, bordados, pinturas, etc e a utilização de símbolos de grande valor cultural como Jackson do Pandeiro, miniaturas das cachaças locais, etc. a produção e comercialização é feita pelos nativos ou associações às quais os mesmos participam. A renda fica na localidade.

GASTRONOMIA: Tanto o festival gastronômico quanto os estabelecimentos de restauração oferecem pratos diversificados e de acordo com a culinária local, demonstrando o uso dos produtos locais no circuito, com um diferencial toque de criatividade e requinte, trazidos pelo chef de cozinha do SEBRAE. ROTEIROS E PASSEIOS: Não existem agência ou operadoras de turismo locais então os serviços de passeios são oferecidos por guias de turismo locais treinados pelo SEBRAE especificamente para atender a esta nova demanda e por operadores de turismo de João pessoa e Campina Grande.

PRECIFICAÇÃO: Os preços praticados nos equipamentos turísticos da região não tem qualquer tipo de regularização. Na maioria dos municípios os preços são abaixo do mercado. Entretanto, nas ultimas edições percebe-se um crescente interesse por empresários de cadeia, que já praticam preços regularizados e conforme valores de mercado.

INFRAESTRUTURA DE APOIO: Foram encontrados agentes bancários e demais serviços necessários ao atendimento ao turista. Quanto a hospitais de mais serviços, estes não foram utilizados pela mesma para uma efetiva avaliação.

ASPECTOS CULTURAIS/

APRESENTAÇÕES: A diversidade de apresentações, oficinas e demais atividades do roteiro mostram-se como singulares e autênticos. Pode-se interagir com os moradores locais a todo tempo, o que nos traz um conhecimento da cultura local a todo tempo.

ARTESANATO: Em todos os municípios pode-se obter/ comprar facilmente souvenires que representem a cultura local. São produzidos pelos nativos e vendidos por eles mesmos. E o preço é considerado barato se comparado aos mesmos artesanatos em outras localidades.

GASTRONOMIA: A quantidade de pratos encontrados e ao baixo custo atraem o turista a experimentar de tudo um pouco, fazendo exceder-se em sua quantidade de consumo diário e comprando alguns dos produtos para seus pares experimentarem, em parte, de tal experiência gastronômica. ROTEIROS E PASSEIOS: Muitas opções de passeios para conhecer as belezas naturais e culturais da região como cachoeiras, monumentos históricos, sítios arqueológicos, engenhos, etc. os preços são baixos e os roteiros podem ser feitos acertando diretamente na cidade com os guias/ mototaxistas.

PRECIFICAÇÃO: Os preços dos equipamentos e atrativos turísticos são baixos, excetuando-se os equipamentos de categoria luxo, em especial nas cidades de Areia e Bananeiras. Isto torna-se mais um atrativo à região, pois economiza-se e assim pode-se aproveitar mais atrativos e mais cidades.

SÍNTESE: Não há uma disparidade no que o turista tem acesso e no que é visto por um pesquisador. O circuito apresenta- se em evolução e isto requer algumas adaptações, entretanto numa avaliação geral de forma equilibrada.