MESES GRANDE GALA PEQUENA GALA
Janeiro 1o - Cumprimento de bons annos a Suas Magestades
Imperiaes.
22. - Natalicio de Sua Magestade e Imperatriz.
6- Dia de Reis.
Fevereiro 26 - Dia em que Sua Magestade Imperial Proclamou no Rio
de Janeiro o Systema Constitucional. Não tem
Março 13 - Primeira oitava da Paschoa. 7 - Chegada de Sua Magestade Imperial a
esta Côrte.
11 - Nascimento de Sua Alteza Imperial a Senhora Infanta D. Januaria.
30- Domigo de Paschoa. Abril 4 - Natalicio de Sua Alteza Imperial a Senhora Princeza D.
Maria da Gloria.
25- Natalicio de Sua Magestade a Rainha de Portugal, e Algarves, Augusta Mãide Sua Magestade Imperial.
Não tem.
71 Cf. Kraay, 2010, p. 53: “Neste artigo, trago novas fontes para essa discussão e argumento que, na realidade, o 7 de setembro foi reconhecido como o dia da independência do Brasil em 1823 e que sua celebração ganhou relevância rapidamente, pelo menos no Rio de Janeiro, apesar de o 12 de outubro ter permanecido o “dia de festa nacional” mais importante na maior parte da década”.
Maio 13 - Natalicio de Sua Magestade El Rei de Portugal e
Algarves, Augusto Pai de Sua Magestade Imperial. 29. - Procissão de Corpo de Deos. Junho 5- Procissão de Corpo de Deus na Capella Imperial. 6 - Coração de Jesus, Festa dos
Commendadores na Capella Imperial.
Julho Não tem Não tem
Agosto Agosto – não tem 15 - Assumpção de Nossa Senhora.
Setembro Não tem 14 - Exaltação de Santa Cruz, e Festa dos Cavalleiros de Christo na Capella Imperial.
19 - S. Januario. Outubro 12 - Natalicio de Sua Magestade Imperial, e Sua
Acclamação.
19 - Nome do mesmo Augusto Senhor.
Não tem
Novembro 15 - Nome de Sua Magestade a Imperatriz. 5 - Chegada de Sua Magestade Imperial ao Brazil.
Dezembro 1o - Anniversario da Sagração e Coroação de Sua Magestade
Imperial, e Festa dos Cavalleiros da Ordem Imperial do Cruzeiro.
8 - Conceição de Nossa Senhora. 26 - Primeira oitava do Natal.
25 - Dia de Natal. 31 - S. Silvestre.
Fonte: http://www2.camara.leg.br. Quadro: elaboração da pesquisadora.
Analisando os dados do quadro, nas datas e festas previstas no mês de setembro, percebe-se que todas elas estão relacionadas às comemorações de cunho religioso, mostrando também a tradição da Igreja católica no Brasil, fato terá grande influência nas instituições escolares, sobretudo, nas que seguem essa religião. Comprova-se a ausência do dia 7 de setembro no ano de 1822, portanto, não a reconhecendo como data comemorativa relevante para o país.
Em 3 de maio de 1823, durante a abertura da Assembléia Constituinte D. Pedro faz alusão à Independência do Brasil, fato que proporciona notoriedade a esse acontecimento, pois é a primeira vez que faz uma declaração completa sobre o assunto. (KRAAY, 2010). Corroborando com esse momento, vale destacar o que esse autor ressaltou na p.54:
[...] No início de setembro, a assembléia decidiu que o dia fosse considerado, temporariamente, feriado nacional, por ser o aniversário da independência brasileira, e enviou uma grande delegação para parabenizar Pedro. Para a surpresa de Condy Raguet, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o 7 de setembro de 1823 ‘foi celebrado com
toda pompa militar, civil e religiosa apropriada a uma festa tão importante‟. Ele
especulou que a cerimônia se devesse à política cada vez mais acirrada relativa à assembléia e se questionou se andara equivocado ao ver a aclamação (12 de outubro) como „o verdadeiro dia da declaração da independência‟. (Grifo da pesquisadora).
No trecho acima se pode inferir que havia uma discordância no que se refere às datas do dia 7 de setembro e 12 de outubro como sendo uma delas mais significativa que a outra, antes prevalecendo a segunda. Outra questão mencionada é a presença da trilogia “militar, civil e religiosa” como elementos que caracterizavam essa festa como importante e o fato de se tornar “importante” devia também a estes segmentos que participavam com pessoas que tinham destaque na sociedade. As festas cívicas eram comemoradas com saudações da artilharia dos navios de guerra, parada militar, um cortejo no Paço da cidade e iluminação noturna. (KRAAY, 2010).
O 7 de setembro se tornou um marco no processo da História do Brasil em comemoração a Independência configurando-se como um dia “feriado” nacional para que a comunidade civil pudesse acompanhar os festejos que são marcados pelo patriotismo, a presença dos desfiles dos militares que representam as forças armadas brasileira em defesa da Pátria, portanto, tornando-a uma data especial comemorada por uma solenidade na maioria das vezes cheia de pompa.
Posteriormente, nessa festividade participarão algumas instituições escolares centenárias. Assim, com o passar dos anos se intensifica a comemoração do dia 7 de setembro no Brasil, como um ritual festejado, se tornando uma tradição em todo Brasil até os dias atuais. Na foto e fragmento da matéria do jornal abaixo designados, mostram o registro dessa festa na cidade de Fortaleza, já com a participação da escola Liceu do Ceará.
Foto 47 – A data da Independência e a sua
comemoração em Fortaleza
É importante mencionar partes da matéria deste Jornal - Tribuna (9/9/1921) que registrou o momento desta festividade em Fortaleza:
A data que assignalou, antehontem, a decorrência do 99 aniversário da emancipação política nacional foi nesta capital, como em todo o território da pátria, comemorada de maneira solene e brilhante. As festas levadas a effeito, em Fortaleza, em comemoração ao grande dia estiveram imponentes e significativas e pozeram em movimento toda a cidade, cuja população, vibrando de entusiasmo, appareceu sorridente e festiva, estampando, no rosto alegre, o solenne e doce reflexo de um pareitismo glorioso e perfeito. (Sic)
Continuando a matéria, foi assinalado o percurso do desfile que marcou a festividade do dia 7 de setembro nessa época:
Depois, houve o desfile solenne de todas as forças pelas cidades, indo cada batalhão puxado pela banda de música respectiva e por uma banda de corneteiros. A formação das tropas em marcha foi a seguinte; em primeiro lugar, isto é, á frente, a Escola de Aprendizes Marinheiros e, depois, na ordem, o collegio militar, em segundo logar, o 23º de Caçadores, em terceiro, o Regimento Militar do estado, em quarto, o Tiro de guerra n. 38, em quinto, e, finalmente, o Lyceu do Ceará, em sexto. O desfile foi feito pela rua Senador Pompeu, boulevard Duque de Caxias, rua Barão do Rio Branco, Travessa 24 de Janeiro, Praça do ferreira, rua Floriano Peixoto, rua das Flôres e Praça da Sé, onde se desmembraram os batalhões, tomando, então, cada um, o rumo de seu quartel. (Sic).
(Grifo da pesquisadora).
Observa que o desfile tinha como percurso o Centro da cidade de Fortaleza, ruas e avenidas (boulevard) respaldando a importância do Centro como um lugar privilegiado onde aconteciam as festas e momentos relevantes da história cearense.
No ano de 1935 aconteceu um fato importante em Fortaleza que vale ser enfatizado, por acentuar a importância do dia 7 de setembro, influenciando a mudança de nome de uma instituição escolar particular de tradição com grande contribuição para a educação cearense. Outro fato relevante é que conceitos como disciplina e patriotismo dessa instituição também faziam parte do cotidiano de escolas publicas, destacando aqui a Escola Normal, como também, fatores que aconteceram na vida do diretor fundador e familiares dessa tradicional instituição particular com a história da também tradicional Escola Normal.