A questão da avaliação na contemporaneidade se constitui em uma das ferramentas de acompanhamento imprescindíveis no processo educativo, porém devido à sua complexidade se torna um desafio. Consoante Libâneo (1994, p. 195):
a avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino e aprendizagem. Através dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos propostos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o trabalho par as correções necessárias.
Concorda-se com a perspectiva do autor que aponta para uma concepção de avaliação processual, priorizando a aprendizagem do aluno. Por outro lado, outros teóricos pensaram a avaliação de forma distinta, como classificatória e, dessa forma, o que prevalece é a nota. As
teorias são influenciadas por um conjunto de ideologias que compreendem os setores econômico, político, cultural e também representam a filosofia da instituição direcionando uma prática avaliativa.
Analisando elementos da história da Escola Normal desde o seu funcionamento em 1884 até 1958, percebe-se uma “linearidade” do trabalho escolar fundamentado na tradição, disciplina, a presença de provas escritas e orais como um modelo para a formação de professoras primárias (CARVALHO 1998). Mas será que continuou essa prática avaliativa no IEC/EM em 1958-1960? Pelo o que já se apresentou referente às aulas, práticas docentes, didática, atividades se percebeu que professores trabalhavam com perspectivas mais distantes da pedagogia tradicional que tem como uma de suas características da avaliação a classificação. Dessa forma, será que houve também mudanças na forma dos professores avaliar? No tocante à legislação que normaliza a avaliação no período, que procedimentos e diretrizes apontou?
Em relação à legislação brasileira Lei Orgânica do Ensino Normal (BRASIL, 1946), no artigo 16º - os trabalhos escolares constarão de lições, exercícios e exames. Parágrafo único. Integrarão a vida escolar trabalhos complementares. Relacionando ao que já enfatizado na seção anterior, observa-se que em muitas disciplinas foram realizadas atividades que contribuíam para a nota final das normalistas. Avançando no estudo dessa lei se depara com o Capítulo VII “Da habilitação dos alunos” compreendendo os artigos: 30º – 33º, 35º e 84º e seus parágrafos específicos que assinalam regras para se trabalhar a avaliação no curso normal. Consoante sua relevância ilustra-se abaixo:
Quadro 14 – Diretrizes para avaliação a partir da Lei Orgânica do Ensino Normal (BRASIL,
1946).
ARTIGOS PARÁGRAFOS
Art. 30º - A habilitação dos alunos, para a promoção à série imediata,
ou conclusão de curso, dependerá, em cada disciplina, de uma nota anual de exercícios, da nota obtida em prova parcial e das notas do exame final.
Parágrafo único. As notas serão expressas em escala de
zero a cem.
Art. 31º - A partir de abril e excetuados os meses em que se
realizarem provas escritas, será dada, em cada disciplina, e a cada aluno, pelo respectivo professor, uma nota resultante da avaliação de seu aproveitamento. A média aritmética dessas notas mensais será a nota anual de exercícios.
Não tem.
Art. 32º - Haverá, na primeira quinzena de junho, para todas as
disciplinas, prova parcial, escrita, ou prática, que versará sobre toda a matéria ensinada até uma semana antes de sua realização; e ao fim do ano letivo, exames finais que constarão de prova escrita e de
Parágrafo único. As provas escritas dos exames finais
serão realizadas na segunda quinzena de novembro, e as provas orais e práticas no mês de dezembro.
prova oral, ou de prova escrita e de prova prática.
Art. 33º - Será habilitado nos trabalhos do ano, o aluno que obtiver
nota final cinqüenta, pelo menos, em cada disciplina. § 1º - A nota final resultará da media aritmética da nota anual de exercícios da obtida na prova parcial e das obtidas nas duas provas do exame final.
§ 2º - Será facultada segunda chamada para qualquer
das provas, nas condições que o regulamento admitir.
Art. 35º. Não poderão prestar exames finais, na primeira época ou na
segunda, os alunos que houverem faltado a vinte e cinco por cento das aulas e exercícios, ou dos trabalhos complementares, quando de caráter obrigatório.
Não tem.
Art. 84º. Aos alunos que não tiverem obtido habilitação em uma ou
duas disciplinas, será assegurado o direito de realizarem exames finais em segunda época, os quais se farão na primeira quinzena de março.
Parágrafo único. Nessa hipótese, o cômputo de
habilitação se fará pela mesma forma indicada no art. 33º, substituindo-se, apenas, os resultados das provas de primeira época pelas de segunda.
Fonte: Lei Orgânica do Ensino Normal (BRASIL, 1946). Elaboração própria.
Observando o quadro alguns elementos podem ser pontuados: a nota como um somatório das atividades; a escala utilizada de zero a cem, como já dito, tendo a média 50. No último artigo se traz a denominação de “segunda época” que seria um processo de recuperação. Sobre este último aspecto as falas das normalistas a seguir trazem algumas contribuições sobre este processo:
N3 da 3ª. turma - lá era recuperação mesmo.
N2 da 3ª. turma - eu fiz recuperação. Eu fiquei em Física e Química que era chamada
de “2ª época”, era a recuperação. Fazia prova oral e escrita. Só no estágio é que você podia dá uma aula e como era em equipe porque tinha pouca sala de aula, a gente observava as aulas depois dava aula e fazia um trabalho e apresentava a professora na nossa sala
Em relação à primeira fala se percebe nas entrelinhas a presença da rigidez e seriedade de como o processo de recuperação era conduzido. No seguinte, a normalista aborda a questão do tipo de avaliação sendo oral e escrita. Já nas duas falas posteriores atestam não ter recuperação e também reprovação
N1 da 2ª. turma - em relação a recuperação, não me lembro disso não. Não havia
aluna reprovada não.