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5.1. İç ve Dış Mekânda 10-12 Yaş Çocuk Resimlerinin Şema Renk

5.1.1. İç Anadolu Bölgesi Çocuk Resimleri Analizi

Os saberes oriundos da experiência do trabalho quotidiano parecem constituir o alicerce da prática e da competência profissionais, pois essa experiência é para o professor a condição para a aquisição e produção dos seus próprios saberes profissionais. Ensinar é mobilizar uma ampla variedade de saberes, reutilizando-os no trabalho para adaptá-los e transformá-los pelo e para o trabalho. A experiência de trabalho, portanto, é apenas um espaço onde o professor

aplica saberes, sendo ela mesma saber do trabalho sobre saberes, em suma: reflexividade,

retomada, reprodução, reiteração daquilo que se sabe naquilo que se sabe fazer, a fim de produzir sua própria prática profissional. (TARDIF, 2002)

A docência superior é marcada pela inserção do professor nas atividades de pesquisa, ensino e extensão. Porém, a produção dos saberes sobre o ensino não pode ser mais privilégio exclusivo dos pesquisadores, os quais devem reconhecer que os professores também possuem saberes, saberes estes que são diferentes dos conhecimentos universitários e obedecem a outros condicionantes práticos e a outras lógicas da ação.

Assim, cada professor com suas histórias e valores próprios, constrói a sua trajetória de carreira, priorizando ensino, pesquisa ou extensão. Se toda atividade de trabalho gera, em graus variados, sempre experiência e encontro, deste fato se submetem à prova normas e valores antecedentes de uma situação histórica sempre singular. Nesse sentido, o depoimento do Professor P6 ilustra a opção do professor pela pesquisa, ou pela extensão, ou pelo ensino:

Estes vão construindo trajetórias particulares dentro da Instituição, respondendo àquilo que pode representar para eles melhor situação na carreira em detrimento de outros aspectos que são fundamentais, que são importantes, mas que infelizmente estão sendo deixados para segundo, terceiro ou quarto plano. É quando a gente começa a observar este predomínio da pesquisa sobre o ensino, da pós-graduação sobre a graduação, etc. (Professor P6)

O Professor P6, por exemplo, investe na sua atuação administrativa na Faculdade, como se pode ser observado no item deste trabalho reservado à sua caracterização. Desde 2003, coordena a Coordenadoria das Licenciaturas da Universidade; é o Coordenador do Colegiado de Licenciatura da Faculdade, representante do colegiado na Congregação e representa a unidade no Conselho Universitário. Desde 2002, desenvolve um projeto de pesquisa que consiste em resgatar a memória da Faculdade de Educação da Universidade, sendo o responsável pela elaboração e atualização anual do Perfil Institucional da Faculdade. Para ele, o professor é acima de tudo professor; ele se indigna ao falar de seus colegas que não priorizam a atividade-fim da profissão:

Olha a que ponto nós chegamos: foi preciso estabelecer uma GED – Gratificação de Ensino à Docência para levar o professor para a sala de aula. É verdade que nós somos pesquisadores, é verdade que é importante o

nosso trabalho na pesquisa, na administração, mas nós somos antes de tudo professores. Estar na sala de aula e ser comprometido com a sala de aula, é o que há de mais primário em qualquer expectativa que se faz de um professor na Universidade. Agora o que aconteceu ao longo do tempo, a sala de aula virou um castigo. Tem professor, que se ele pudesse, não viria para a sala de aula. (Professor P6)

Neste depoimento, percebemos claramente como o Professor P6, talvez pela responsabilidade com o cargo administrativo o qual ocupa na Faculdade, defende o ensino como prioridade. Para ele, a responsabilidade com os alunos e com os trâmites burocráticos associados às tarefas do ensino na graduação é condição primordial para o exercício da profissão de um professor:

Então, o professor responde de modo ambíguo a estas exigências institucionais. Ele responde a elas positivamente, quando a pressão é pela produção de artigos, ele trabalha mais e produz mais artigos. Mas, ele não responde positivamente quando a exigência é que ele cumpra o tempo do trabalho dele com um aluno, para que ele seja pontual com seu aluno, para que ele entregue os diários no tempo certo na seção de ensino. Para ele, isto pode ficar para depois, sem ele se dar conta de que o atraso do diário na seção de ensino causa um caos administrativo para a vida do aluno. Imagina para a universidade, se os professores começarem a entregar os diários quando bem entenderem. Os alunos não vão conseguir dar uma reposta se eles foram aprovados ou não nas disciplinas, e não vão poder se matricular nas disciplinas do semestre seguinte. (Professor P6)

Outros professores já possuem um perfil mais focado na pesquisa. É o caso da Professora P3, que valorizou a pesquisa ao longo de sua carreira acadêmica. Em sua fala, assume uma postura bem pragmática em relação à priorização da pesquisa, em detrimento do ensino e da extensão:

“O pior para mim foi isto: uma apatia, a gente não consegue encontrar estratégia coletiva de

luta contra uma política e nós somos subjetivados por ela”.

A professora complementa sua fala dizendo que, diante desse contexto, restam poucas opções aos professores. A forma como eles se apropriam dos critérios quantitativos é o palco dos conflitos. No fundo, pesa sobre o professor admitir que ele esteja ‘aceitando’ incorporar a forma de avaliação quantitativa. Ela cita exemplos de professores que passaram grande tempo da carreira priorizando ensino, ou extensão, ou até mesmo os encargos administrativos na instituição, mas eles, não podem mais hoje continuar com essa concepção. Isso se eles

quiserem ser beneficiados pelo sistema:

Eu tinha professor que tentava me incentivar e tudo bem e era tranqüilo, e tinha outro professor que fazia mais pesquisa, que tinha mais perfil de trabalhar pesquisa, e tinha professor no próprio departamento. A gente tem historia disto que é mais administração. Então a pessoa podia fazer estas coisas, mas hoje ela não pode mais, hoje se ela faz isto, ela é punida de todas as formas. Ela atua apenas em uma destas esferas, graduação não pode né? Ela estaria perdida. Antigamente tinha quem gostava de se dedicar apenas à graduação. Tinha uma colega aqui que foi chefe de colegiado há muito tempo, feliz da vida, mas ela podia investir. Se você pegar aquela placa você vai perceber que já teve gente que foi chefe de departamento duas, três vezes seguidas. Gostava disto e podia investir nisto. Agora não, tem que ser chefe de departamento, coordenadora de núcleo, orientar não sei quantas teses de mestrado, orientar monografia, orientar iniciação cientifica, fazer pesquisa. Talvez você ainda possa não trabalhar com extensão, por enquanto, ainda não te cobram, e eu te falo que eu não trabalho quase nada na extensão. (Professora P3)

O depoimento da Professora P1 vai de encontro à exposição da Professora P3:

Você tem que estar produzindo, produzindo, produzindo, porque se você não produzir, produzir, produzir, você não ganha uma bolsa do CNPq igual eu ganhei, e também ganhei nem sei porque. Eu me sinto na mão de calango, da mesma forma que podia não ter ganho, igual teve colega que não ganhou. Agora, se eu não faço essa produção como que eu ganho bolsa da CNPq? Se eu não faço essa produção como eu ganho a minha bolsa de pós-doutorado? Então para você conseguir algumas coisas na carreira, você tem que ser altamente produtiva. Essa produtividade quantitativa, sem qualquer discussão política da finalidade social da universidade como pesquisa, que bota o artigo na revista internacional valendo não sei quantos pontos e o artigo lá da extensão, que dez mil professores vão estudar valendo nada, diz que aquilo lá é material didático. Uai, e a revista científica não é material didático também não? o material didático não tem cientificidade também não? (Professora P1).

O professor que opta por não privilegiar a lógica vigente sofre as conseqüências de sua escolha. É o caso do Professor P7, que investiu em atividades administrativas na Faculdade (ligadas a serviços de manutenção e infra-estrutura do prédio). O tempo passou e ele não acompanhou a ‘onda’ da crescente qualificação: ele possui apenas o título de mestre. Hoje ele se sente ‘marginalizado’ pelo sistema, embora reconheça que seus colegas se sentem gratos por sua dedicação à instituição.

desqualificou para este momento. De forma que a cobrança hoje existe, eu a percebo, mas eu não dou conta de acompanhar e de responder. (Professora P7)

Nas condições atuais de trabalho, com tantas exigências, fica difícil de pensar em projeção de carreira com o mínimo de qualidade de vida, o que fica nítido pela fala do Professor P4:

Humanamente, não dá para a pessoa fazer ao longo de sua vida essas três coisas, com o mesmo pé, com a mesma força, ao mesmo tempo. E essa é outra coisa que a gente tem dificuldade, que é pensar na carreira. Eu tenho brincado muito com os colegas aqui que nós temos que projetar mais racionalmente a carreira, porque tem gente que vai passar aqui por mais 20 anos, 30 anos, e não dá para sustentar uma alta atividade durante muito tempo.(Professor P4)

O caminho trilhado pelos professores é influenciado pela política de gestão de recursos humanos das universidades federais. Os professores hoje são mal remunerados, e muitos só conseguem complementar o salário assumindo consultorias externas, via extensão, ou pela obtenção da bolsa de produtividade de pesquisa. Com base nisso, e mediante a história de vida de cada um, os professores priorizam atuar em uma das esferas dessas múltiplas tarefas, sendo que o que lhes confere maior prestígio, com toda certeza, é a pesquisa.