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3. Sosyal Hizmetler ( kişilere topluca sunulan hizmetler ) Sağlık Hizmetler
2.2. Hizmet Kalitesi Kavramı
Nesta seção, a título de ilustração, serão arroladas e analisadas algumas criações lexicais de autoria de Melo Neto, com ênfase ao teor expressivo que singulariza suas criações.66
(3.2.1) BOMBA MOTOR: Então se sente que o som / da máquina, ora interior, / nada
possui de passivo, / de roda de água: é motor; / se descobre nele o afogo / de quem, ao fazer, se esforça, / e que ele, dentro, afinal, / revela vontade própria, / incapaz, agora, dentro, / de ainda disfarçar que nasce / daquela bomba motor / (coração, noutra linguagem) / que, sem nenhum coração, / vive a esgotar, gota a gota, / o que o homem, de reserva, / possa ter na íntima poça. (PC, p. 94).
Análise: A formação bomba motor sugere a idéia daquilo que funciona,
simultaneamente, como bomba e motor. Conforme o contexto em que aparece, esta criação refere-se ao coração do homem que está em plena atividade, movimento e
66 Os dados apresentados e analisados correspondem a uma pequena amostra do conjunto das
esforço. Logo, a junção dos dois substantivos que, em conjunto, encerram expressivamente a ideia de plena atividade.
(3.2.2) CORONEL PADROEIRO: Meu caminho divide, / de nome, as terras que
desço. / Entretanto a paisagem, / com tantos nomes, é quase a mesma. / A mesma dor calada, / o mesmo soluço seco, / mesma morte de coisa / que não apodrece mas seca. / Coronéis padroeiros / vão desfilando com cada vila. / Passam Cheos, Malhadinha, / muitos pobres e sem vida. (PC, p. 279).
Análise: De acordo com o trecho onde coronel padroeiro é empregado, pensa-se que a
formação do composto é destinada a conferir expressivamente a ideia de liderança exercida por coroneis que lideram uma região muito pobre e marginalizada, mas que são considerados santos, protetores, padroeiros do povo que vive nessa região. Interessa-nos observar que o autor, pertencente a uma família tradicional da época, passou parte de sua infância, no início do século XX, em engenhos da região pernambucana. Assim sendo, Melo Neto vivenciou, de forma muito próxima, o poderio político, econômico, social e religioso por parte dos coroneis, grandes fazendeiros de cana de açúcar.
(3.2.3) LAMA E LAMA: Entre a paisagem / (fluía) / de homens plantados na lama; /
de casas de lama / plantadas em ilhas / coaguladas na lama; / paisagem de anfíbios / de lama e lama. (PC, p. 309).
Análise: No trecho todo, a palavra lama é empregada para se referir ao tipo de vida
miserável em que vivem os homens. O composto em questão é criado no sentido de expressar enfaticamente a situação de miséria, abandono, inércia sugerida ao longo do trecho poético.
(3.2.4) FAZ-REFAZ: Sofia vai de ida e de volta (e a usina); / ela desfaz-refaz e faz-
refaz mais acima, / e usando apenas (sem turbinas, vácuos) / algarves de sol e mar por serpentinas./ Sofia faz-refaz, e subindo as cristal, / em cristais (os dela, de luz marinha). (PC, p. 12).
(3.2.5) FAZ-DESFAZ: Êle faz quando na ida, ou a desfazer / em bagaço e caldo; ele
faz o informe; / faz-desfaz na direção de moer a cana, / que aí deixa; e que de mel nos moldes / madura só, faz-se: no cristal que sabe, / o do mascavo, cego (de luz e corte). (PC, p. 12).
(3.2.6)DESFAZ-REFAZ: Sofia vai de ida e de volta (e a usina); / ela desfaz-refaz e
faz-refaz mais acima, / e usando apenas (sem turbinas, vácuos) / algarves de sol e mar por serpentinas./ Sofia faz-refaz, e subindo as cristal, / em cristais (os dela, de luz marinha). (PC, p. 12).
Análise: Os verbos faz-refaz, faz-desfaz e desfaz-refaz, combinados coordenativamente,
sugerem a simultaneidade dos atos de fazer e refazer; fazer e desfazer; e desfazer e refazer, respectivamente. Tais criações imprimem ao trecho poético a ideia de movimento incessante de ir e vir, sugerindo ritmo musical aos versos.
(3.2.7)CHUVA ATMOSFERA: É a chuva feita estado: / nela se está em aquário, /
onde ninguém atina / onde é embaixo, em cima. / É uma chuva atmosfera: / envolve e então penetra, / infiltrando no corpo / o aquário que era em torno. (PC, p. 81).
Análise: Conforme a abonação, a chuva mencionada tem a propriedade de envolver,
penetrar e infiltrar no corpo de alguém, propriedades específicas daquilo que se encontra na atmosfera. Daí, a junção do substantivo atmosfera ao substantivo chuva para qualificar, determinar esse tipo de chuva.
(3.2.8)LINHA FRONTEIRA: entre o que nela cavalga / e o que é cavalgado nela, /
que o melhor será dizer / de ambas, cavaleira e égua, / que são de uma mesma coisa / e que um só nervo as inerva, / e que é impossível traçar / nenhuma linha fronteira / entre ela e a montaria: / ela é a égua e a cavaleira. (PC, p. 129).
Análise: O substantivo fronteira se junta ao substantivo linha no sentido de melhor
realçar, reforçar, sustentar a idéia de que não é possível haver nenhum limite entre a cavaleira (a que cavalga) e a égua (a que é cavalgada). Portanto, fronteira funciona na criação linha fronteira como qualificador, determinante do primeiro substantivo, assumindo a função de um termo adjetivo que sugere a ideia de limite.
(3.2.9)EITO FUNCIONÁRIO: Onde João Prudêncio dormia / nunca pôde acordá-lo o
dia. / Não por horror ao leito, / mas por passarinheiro. / Na várzea do Tapacurá / viveu revoando sem cessar, / só pousando no engenho / que o precisasse menos. / Ninguém armou uma arapuca / para engaiolar sua fuga, / nem pôde enfileirá-lo / nem eito funcionário. / E de corpo, mais passarinho: / no madeiramento franzino, / maneiro e quase oco, / leve, de pele e osso. (PC, p. 70).
Análise: A criação eito funcionário comporta o elemento determinante funcionário
atuando como qualificador de eito. Porém, o segundo substantivo não confere ao primeiro a acepção de trabalhador remunerado de acordo, exprimindo-se ideia contrária a esta, pois os empregados dos engenhos são tratados como escravos em virtude do pouco reconhecimento e da pouca recompensa financeira recebida. A nova palavra pode ser interpretada como lugar onde os trabalhadores são escravizados e, voltando ao tema abordado no poema, onde João Prudêncio, comprador e vendedor de passarinhos, poderia ser encontrado.
(3.3) PRÉ-DIDÁTICA: Outra educação pela pedra: no Sertão / (de dentro para fora, e
pré-didática). / No sertão a pedra não sabe lecionar, / e se lecionasse, não ensinaria nada; / lá não se aprende a pedra: lá a pedra, / uma pedra de nascença, entranha a alma). (PC, p. 11).
Análise: A preposição pré antecede o substantivo didática, determinando-o. Conforme
o trecho poético em que pré-didática é empregada, entende-se que uma nova abordagem de educação é proposta. Logo, o emprego da preposição “pré” antecedendo o substantivo parece não sugerir ideia do que vem antes, do que antecede, mas assume o sentido de negação, ou seja, o que é colocado como didático é negado e uma nova concepção de educação é posta.
(3.3.1) NÃO-UVA: contêm nadas, contêm apenas vazios: / o que a esponja, vazia
quando plena;/ incham do que a esponja, de ar vazio, / e dela copiam certamente a estrutura: / toda em grutas ou em gotas de vazio, / postas em cachos de bola, de não- uva. (PC, p. 37).
Análise: A justaposição do advérbio não ao substantivo uva sugere a ideia de negação
daquilo que parece ser o elemento uva, daquilo que se assemelha ao formato dessa fruta. Nesse caso, o advérbio funciona como determinante e o substantivo como elemento determinado.
(3.3.2)FURTA-FORMA: Há gente que se infiltra / dentro de outra, e aí mora, /
vivendo do que filtra, / sem voltar para fora. / E passa uma outra gente / que se infiltra e retorna, / vivendo com o de dentro / que subtraiu na volta. / É coisa complicada / dizer, pelas manobras, / o parasita simples / e o de alma insidiosa; / [...] / Mas se o primeiro tipo / se satisfaz com a sombra / e no corpo que o abriga / vegeta mudo, em coma / o outro, mais cedo ou tarde, / retorna e desabrocha: / na flor da delação, / a única em que flora, / flor toda à imagem dele, / furta-cor, furta-forma, / flor de planta que não / pode florir, e aborta. (PC, p. 75).
Análise: Em furta-forma, tem-se um tipo de criação em que o primeiro elemento é um
verbo ao qual se subordina o substantivo em função sintática de objeto direto. Conforme a abonação, versa-se sobre uma gente parasita que vive na dependência do outro. Nesse sentido, o composto em questão é criado para evocar, de forma bastante expressiva, a dependência de um ser em relação ao outro, dependência esta reforçada pelo verbo furtar, que sugere a ideia de invasão, posse, roubo das propriedades pertencentes a outrem que, nesse caso, seria sua forma.