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1.2. İkincil Enerji Kaynakları

1.2.2. Hidrojen Enerjisi

O discurso jurídico é constituído por todo enunciado - sequência que forma uma unidade de comunicação no gênero jurídico - que integra o universo jurídico, seja ele oral ou escrito. Por universo jurídico entende-se o que gravita em torno de uma lei, anterior ou posterior a sua publicação, e abrange diferentes produções orais e textuais. É nesse universo que se utiliza uma linguagem jurídica, definida por Damette (2007)76 como sendo a linguagem que é usada por juristas e também pelo legislador, além de pertencer aos poderes judiciário, legislativo e eventualmente aos poderes privados, por ocasião do contato deste último com os outros.

Dentre as características apontadas pela autora, vale ressaltar que a linguagem do Direito é uma linguagem de “autoridade” porque a situação de comunicação onde ela acontece é “contrainte notamment par le fait que celui qui s’exprime le fait au nom d’une “institution”77, s’abstrait en tant que sujet

énonciateur et est censé représenter un auteur dont Il aurait délégation de la parole.”

Esta é a posição que adota este trabalho, pois como já se viu o enunciador se apaga na medida em que se reveste da competência que lhe é conferida pela posição que ocupa como representante de um poder: por isso o juiz decide uma questão levada a ele, pois está autorizado pelo Poder Judiciário a fazê-lo. Essa competência é conferida, atribuída e não apenas resultado de uma imposição, ela é um atributo real e não hipotético, é adjudicada ao homem incumbido de julgar outros homens, por uma decisão legitimada do Poder Judiciário que aprovou o juiz em um concurso público.

76Damette, Eliane 2007: 85-95

77 “constrangedora sobretudo pelo fato de que aquele que se exprime o faz em nome de uma instituição”.

A linguagem jurídica vai ultrapassar a esfera jurídica e permear outras esferas, pois seus textos interagem com a sociedade, regulam a vida dos homens que nela vivem. É, entretanto, uma linguagem diferenciada da linguagem corriqueira.

Segundo Damette (2007) a linguagem jurídica é uma linguagem de especialidade e como tal produz enunciados específicos, pois é dotada de um léxico, de construções sintáticas e argumentação especificas. Integra esta linguagem um vocabulário jurídico constituído de termos e expressões que têm um sentido específico atribuídos pelo Direito.

Essa linguagem específica, ainda segundo Damette, « nomme tous les éléments que la pensée juridique découpe dans la réalité pour en faire des notions juridiques »78. Ainda ressalta a autora que a linguagem jurídica é tradicional, pois é inscrita na história, ao mesmo tempo em que diacronicamente, é evolutiva já que testemunha uma evolução dos costumes, na medida em que se adapta para descrever novas situações e para isso pode criar palavras para definir novas noções, conceitos, atos e fatos.

Essa evolução pode ser verificada, por exemplo, em relação aos termos, expressões e conceitos novos criados pela Lei 11.419/2006 (Lei da Informatização do Processo Judicial) analisada nesse trabalho. Como se pode observar no artigo 1°:

§ 2o Para o disposto nesta Lei, considera-se:

I - meio eletrônico qualquer forma de armazenamento ou tráfego de documentos e arquivos digitais;

II - transmissão eletrônica toda forma de comunicação a distância com a utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de computadores;

III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do signatário:

a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma de lei específica;

78 “nomeia todos os elementos que o pensamento jurídico recorta da realidade para fazer deles noções

b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos.

Além desses conceitos a lei também cria novos termos específicos, que se referem aos atos processuais peculiares, tais como:

Art. 2o O envio de petições, de recursos e a prática de atos processuais

em geral por meio eletrônico serão admitidos mediante uso de assinatura eletrônica, na forma do art. 1o desta Lei, sendo obrigatório o credenciamento

prévio no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos.

§ 1o O credenciamento no Poder Judiciário será realizado mediante procedimento no qual esteja assegurada a adequada identificação presencial do interessado.

Art. 3o Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no

dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser fornecido protocolo eletrônico.

Art. 4o Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico,

disponibilizado em sítio da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações em geral.

§ 1o O sítio e o conteúdo das publicações de que trata este artigo

deverão ser assinados digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade Certificadora credenciada na forma da lei específica.

§ 2o A publicação eletrônica na forma deste artigo substitui qualquer

outro meio e publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos que, por lei, exigem intimação ou vista pessoal.

Por fim a lei cria um novo veículo de comunicação oficial, mudando assim a prática profissional, pois os advogados terão que consultar o novo Diário da Justiça eletrônico.

Este movimento, do direito para a língua, que provoca alterações no léxico, mostra como as ciências se cruzam, atestando a interdisciplinaridade, revelando a relação entre diferentes culturas jurídicas e diferentes esferas da sociedade: uma esfera especifica e jurídica intervém na esfera social do quotidiano ao introduzir termos específicos, como o diário judicial eletrônico. Ao mesmo tempo, isso é possível porque a informática evoluiu e trouxe da sua esfera especifica de ciência a tecnologia que interferiu nas práticas sociais, testemunhando a existência e a importância do habitus do qual fala Bourdieu. Esse dinamismo é característico da língua e é inerente às sociedades que se adaptam às suas necessidades internas e externas.

Por isso a concepção que adota Cornu (2005:207), em que o discurso jurídico é «la mise en œuvre de la langue, par la parole, au service du droit »79

é a que melhor define a linha deste trabalho, pois o autor entende que o “discurso jurídico integra o uso da língua” e se mostra em todas as operações normais de comunicação que um universo particular requisita, modificando determinados elementos, se necessário, a fim de cumprir sua função.

Para Cornu propõe uma tipologia para o discurso jurídico classificando-o em legislativo (textos de lei), jurisdicional (relativo a decisões de justiça), costumeiro (máximas e adágios de direito) e de expressão corporal (para os casos em que os juristas fazem uso da expressão oral, por exemplo, em uma audiência).

Recordando que este trabalho trata apenas dos textos escritos, e antes de passar à análise dos mesmos, faz-se necessário situar os textos escolhidos e sua inserção no sistema jurídico brasileiro.

O Brasil considera que no topo da hierarquia do seu sistema jurídico se encontra a Constituição Federal (CF 1988). Vigente desde 1988, todo o ordenamento jurídico interno deve a ela se adequar. Por isso, é a CF 1988 que autoriza e é a base para a publicação da Lei da Informatização Judicial, Lei 11.419/2006.

Na CF 1988 o artigo 5°, por sua vez, prevê no inciso LXXVIII § 2º e § 3º, como já anteriormente mencionado, a inclusão dos tratados internacionais (que o Brasil tenha assinado) e das convenções e tratados de direitos humanos. Isso implica a integração da Declaração Universal dos Direitos do Homem assinada em 1948, ao sistema jurídico brasileiro.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem é, por sua vez, um aperfeiçoamento, no âmbito internacional, dos direitos do homem e do cidadão (DDHC), proclamados por ocasião da Revolução Francesa em 1792.

79 “implementação da língua, pela palavra, a serviço do direito” (Trad, Nossa). “Parole” para o autor é a

Apontado o liame entre os documentos principais que serão aqui analisados, fez-se necessária uma classificação desses documentos quanto ao gênero textual.