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1.2. İkincil Enerji Kaynakları

2.1.1. Birincil Enerji Kaynakları

Para se proceder à análise dos textos do corpus foi elaborada uma classificação dos textos jurídicos a fim de se poder estabelecer algumas de suas características, ligadas à definição do status do enunciador. Esta classificação difere da tipologia apresentada por Cornu (2005), pois ultrapassa os limites por ele propostos, indo além e sendo mais abrangente, numa tentativa de dar conta de outros fenômenos observados em relação aos textos jurídicos.

Cornu (2005) tratou apenas do discurso jurídico no seu sentido estrito. O corpus desse trabalho apresenta, entretanto, um aspecto dialógico que não pode ser desconsiderado. Além disso, um texto jurídico que figura no jornal da OAB, por exemplo, não é um texto de gênero diferente, e ainda que contenha características de ambos os gêneros, poderia ser considerado como de gênero misto. Para o discurso jurídico o artigo numa publicação como a da OAB é formador de opinião e não pertence exclusivamente ao gênero jornalístico, que provavelmente o classificaria como texto de área de especialidade ou área técnica. Por essas razões a solução que parece mais adequada é tratar do texto jurídico jornalístico, assim como de outros que apresentam características mistas, como integrante do discurso jurídico.

A fim de estabelecer alguns critérios em relação aos textos que pertencem ao gênero jurídico considerem-se os seguintes aspectos:

- todos os textos pertencentes a esse gênero devem ser de conteúdo jurídico e gravitar em torno de uma lei;

- os textos jurídicos possuem finalidades distintas, que devem ser consideradas;

- o local de produção do texto também atribui características específicas ao texto jurídico;

A partir dessas primeiras observações propõe-se a seguinte classificação para os sub-gêneros dos textos jurídicos:

a) Textos de lei: são os que passam a vigorar depois de sua publicação, sendo publicados de forma oficial. Aqui se incluem um tratado internacional, uma constituição, uma emenda constitucional, uma lei federal, etc. São textos oficiais e publicados, geralmente, em um jornal do tipo Diário Oficial.

b) Textos legislativos: são os produzidos em função da lei e dos debates pertinentes a ela nas casas parlamentares, enquanto o texto ainda era um projeto de lei. Este item comporta tanto o voto do deputado relator de uma comissão parlamentar, quanto o parecer técnico de um membro de uma comissão especifica, ou a recomendação para alteração da redação de um artigo ou mesmo uma proposta de emenda ao projeto. Há também a possibilidade de um questionamento posterior a uma lei já vigente, tal qual a arguição de inconstitucionalidade, que pode gerar debates e relatórios semelhantes aos do projeto de lei.

c) Textos jornalísticos: são textos publicados pela imprensa especializada em relação ao trâmite do projeto e sua repercussão na sociedade ou mesmo críticas a respeito de uma lei vigente ou a falta de uma lei para regular um problema. Tais textos podem ser encontrados no jornal da OAB, na revista Consultor Jurídico ou até mesmo em um jornal de grande circulação, tal qual o Estado de São Paulo ou O Globo em uma sessão específica. É muito possível que estes textos figurem na rubrica destinada à política ou a noticias internacionais.

d) Textos teóricos: são os produzidos por professores, profissionais da área jurídica ou especialistas, que discorrem sobre o tema a fim de referendar ou discordar do que dispõe a lei ou até mesmo propiciar

uma reflexão que resulte na proposição de uma lei. Geralmente estes textos se apresentam em livros –dentre os quais figuram os manuais de direito, que são usados para o ensino nos cursos de graduação-, ou revistas acadêmicas.

e) Textos processuais: são as peças que fazem parte de um processo ou um pedido ao Poder Judiciário, ou dele emanados, a fim de fazer cumprir a lei. São os textos produzidos pelos advogados, juízes, promotores, peritos, pelas próprias partes demandantes ou outros funcionários do Poder Judiciário e que existem em função de um pedido ou de uma ordem e, em geral, decorrem da existência de uma lei. Neste item incluem-se a jurisprudência e a súmula80.

f) Textos de discurso: são os discursos proferidos por um representante, tal qual um presidente do Senado ou o presidente da República ou mesmo proferido por outro representante e que, por força da própria situação de comunicação, de sua assinatura ou da importância que adquire, torna-se jurídico. Inserem-se neste item também as cartas de intenção 81 e os compromissos assumidos de forma oficial82.

80 Tanto a jurisprudência como a súmula são resultado de decisões, isto é, de sentenças proferidas em

processos. Segundo explica o Vocabulário Jurídico: “Jurisprudência: Extensivamente assim se diz para designar o conjunto de decisões acerca de um mesmo assunto ou a coleção de decisões de um Tribunal.”. “Súmula: No âmbito da uniformização da jurisprudência, indica a condensação de série de acórdãos, do mesmo tribunal, que adotem idêntica interpretação de preceito jurídico em tese, sem caráter obrigatório, mas persuasivo, e que, devidamente numerados, se estampem em repertórios”.

81 Exemplo de tema carta de intenção: “Uma carta de intenções entre a Secretaria Nacional de Justiça do

Ministério da Justiça e o Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas Migratórias (International Centre for Migration Policy Development – ICMPD) foi assinada na última quarta-feira, 29/8, para aprofundar a cooperação existente na área de regulação da migração e de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Para assinatura do documento, o representante do ICMPD, Luckas Gehrke, foi recebido pelo secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão.

O documento prevê que ambas as partes deverão cooperar para garantir que as políticas e programas de migração existentes e futuros sejam eficazes, sustentáveis e em conformidade com as obrigações internacionais.” In http://blog.justica.gov.br/inicio/ministerio-da-justica-assina-carta-de- intencoes-com-centro-europeu-de-politicas-migratorias/ em 16/11/2012

82 Discurso proferido pelo Ministro Celso Amorim nas Nações Unidas na Reunião de Seguimento da

A partir dessa classificação tipológica dos textos jurídicos é possível descrevê-los da seguinte forma:

a) Os textos jurídicos de lei de um sistema democrático são polifônicos e não tem um enunciador que figura sob a forma de sujeito mostrado. O sujeito é propositalmente apagado a fim de mostrar isenção e é sempre resultado de um processo de consenso de vozes que demonstra a vontade de vários enunciadores.

b) Os textos jurídicos têm um caráter dialógico, pois estão, normalmente, ligados de forma intrínseca a textos anteriores. Essa ligação pode ser resultado de uma reformulação do texto precedente ou até mesmo uma oposição a ele: em ambos os casos a relação é dialógica.

c) Os textos jurídicos são resultado de um habitus. Podem, porém, ser inovadores e tratar de tema sem precedentes. Nessa hipótese há um corte no habitus social e a sociedade é chamada para opinar e agir. Por isso os primeiros textos tendem a ser de caráter argumentativo,

“(...)Senhor Presidente,

Ainda há muito o que ser feito, particularmente no apoio à cooperação Sul-Sul.

O Brasil vem implementando projetos de cooperação em mais de 25 países na América Latina e na África. Tais projetos envolvem o fortalecimento das capacidades nacionais, treinamento de recursos humanos e doação de medicamentos anti-retrovirais genéricos.

Compartilhamos a mesma responsabilidade. As vidas de milhões de pessoas dependem das decisões e compromissos que adotarmos hoje.

Obrigado."

(http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/discursos-artigos-entrevistas-e-outras-

comunicacoes/ministro-estado-relacoes-exteriores/discurso-proferido-pelo-ministro-celso-amorim-nas

formadores de opinião. Se proposto um projeto de lei, este será votado e aprovado.

d) Os textos jurídicos de lei são coercitivos e essa coerção é legitimada pela própria publicação da lei, que passou por um processo legislativo, nos países democráticos.

e) Os outros textos jurídicos que não são textos de lei pertencem a mais de um gênero. O voto, por exemplo, faz parte do gênero legislativo, por sua forma e do jurídico, por seu conteúdo. Já no jornalístico há a divulgação de um conteúdo específico de forma simplificada.

f) Nos textos jurídicos sempre há a reformulação de um termo, conceito ou princípio e é importante que esse procedimento possa ser reconhecido, pois ele permite melhor compreensão do texto. Por conseguinte, permite um melhor domínio da atividade jurídica.

O corpus de texto escolhido para este trabalho contempla os textos de lei, os textos legislativos e os jornalísticos. Cabe ressaltar que diversos textos teóricos anteriores não integrantes do corpus, além de explanarem princípios do Direito, serviram como reflexão à propositura dos textos que serão examinados. Por isso poder-se- ia dizer que, em alguns casos, até mesmo a reformulação discursiva está apagada, fazendo parte da memória discursiva. Um bom exemplo disso é a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão83.

Ao se analisar o conjunto de documentos escolhidos com valor de lei, a partir de uma perspectiva histórica linear tem-se, como ponto de origem, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, passando pela Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e por fim a lei federal nº 11.419 de 19 de dezembro de 2006. Essa última vem ancorada por outros documentos, legislativos e jornalísticos, e que são seus fundamentos.

83 JELLINECK aponta em sua obra que a DDHC foi influenciada pelas cartas de direitos das colônias