Tilden foi útil ao sistema quando se meteu em problemas. Apesar de que quando o encontramos na peça, ele é arredio, infantil, e dependente, ele claramente passou a maior parte da vida dele agindo com uma ira frustrada da família.
Tilden faz sua contribuição para família ao adotar e expressar a raiva, o desapontamento e a frustração de cada membro familiar. Qualquer criança pode aprender a interpretar esse papel. Por exemplo, se o relacionamento entre os cônjuges já é dominado pela fúria, patente ou reprimida, quando a primeira criança nasce, a criança pode ser adestrada para interpretar aquele papel.
O papel autodestrutivo interpretado por Tilden, que se comporta mal e irresponsavelmente, desperdiça tempo quando deveria estar trabalhando, mete-se em problemas e traz desgraça. Ele também tem tendência a retirar-se precipitadamente sendo arredio ou fugindo, mas se ele for típico, ele volta-se para outra rota de fuga – produtos químicos. Como podemos ver e ouvir na peça a escolha de Tilden é o álcool. A primeira referência a Tilden em Buried Child não é o papel que ele está interpretando, mas a sua incapacidade: “DODGE: Tilden não consegue nem proteger a ele mesmo” (p. 68). A primeira ação de Tilden, entretanto inocentemente intencionada, o coloca em problemas. Porque ele traz o milho para casa, Dodge e Halie presumem que existe ou existirá, algum tipo de problema. Pois eles não plantam milho “lá trás na propriedade” desde “1935”, Tilden não pode ter obtido o milho honrosamente. Dodge diz: “Eu não tenho problemas com vizinhos há mais de 57 anos. Eu nem mesmo sei quem são os vizinhos! E nem quero saber! Agora vá colocar esse milho de onde ele veio” (p. 70). Quando Tilden responde jogando o milho no colo de Dodge, o velho pergunta, “Você está com algum problema, Tilden? Você está com algum tipo de problema?” (p. 70). A negação de Tilden para essa pergunta faz com que Dodge mencione “um pequeno problema lá em Novo México” que nunca é explicado, mas é mencionado mais tarde por Tilden: “Eu não roubei [o milho]. Eu não quero ser expulso de Illinois. Eu fui expulso do Novo México e não quero ser expulso de Illinois” (p. 76). No Ato III, Dodge também diz para Shelly que Tilden, “foi para o oeste e meteu-se em problemas. Meteu- se em problemas sérios. Não queremos nada disso por aqui” (p. 113).
O problema de Tilden no Novo México é o que o trouxe recentemente para casa, mas não é o único problema que ele teve. Halie relembra velhas histórias: “Tilden meteu-se em todo aquele problema. Não se precisa de cérebro para ir para cadeia” (p. 73). Halie inflexivelmente insiste que Tilden não pode ter permissão de “beber nada”, nem ser deixado sozinho, especialmente “lá no terreno atrás da casa”. “Precisamos vigiá-lo agora como costumávamos fazer antigamente. Do jeito que sempre fizemos. Ele ainda é uma criança” (p. 77). Quando ela retorna no Ato III, Halie reage a ausência de Tilden: “Dodge! (ela o chuta) Eu disse para você não tirar os olhos de Tilden! Onde ele foi?” (p.
119) Apesar de Dodge dizer para Tilden que “Você não deveria precisar dos seus pais na sua idade. Isso não é natural”, ele não obstante tenta monitorar o paradeiro de Tilden (p. 78). No Ato III, ele diz para Shelly, “Não podemos nos dar ao luxo de deixá-lo sozinho. Não agora” (p. 113).
A conduta de Tilden e sua narrativa sobre si mesmo também salientam seu papel, mas na peça ele é sincero e solidário na maior parte do tempo. No Ato I, por exemplo, ele repetidamente assegura a Dodge que ele ficará em casa com ele, mas assim que o seu pai adormece, Tilden pega a garrafa escondida e sai para beber. (p. 79 -81). A narrativa de Tilden sobre dirigir quando ele era uma “criança”, sugere que o fato dele correr riscos e escapar da família está também associado com a construção desse personagem: “Eu dirigia o dia todo algumas vezes. Através do deserto. Longe de outros lugares ou prédios no deserto. Eu dirigia passando pelas cidades. Qualquer lugar. Passava pelas palmeiras. Relâmpago. Qualquer coisa...” (p. 102).
A relação de Tilden com Dodge é uma indicação adicional do papel que ele está interpretando. O forte laço de identificação entre o pai e Tilden que é do mesmo sexo, tem um número de elementos. Eles são: alguém para culpar por tudo que está saindo errado, e, portanto um escudo para parte da ira familiar que seria de outra maneira direcionada ao próprio Dodge; um foco alternativo para a conduta controladora de Halie, e um aliado e uma cópia exata dele. Isto não significa, entretanto, que o relacionamento entre o pai Dodge e Tilden é necessariamente agradável. Sempre acontece que os relacionamentos deles são nada além de raiva, culpa, e amargor. Em outros casos o pai ou a mãe pode liderar o caminho para o perdão e a compreensão assumindo um pedestal nos olhos infantis de Tilden e realçando a força de identificação. Dodge e Tilden parecem existir, ou permutar entre esses dois extremos.
Pai e filho comportam-se conspiradoramente para proteção mútua unindo-se contra Halie:
A VOZ DE HALIE: O que o Tilden está fazendo? DODGE: (para TILDEN) Não dê uma resposta para ela. TILDEN: (para DODGE) Não estou fazendo nada errado. DODGE: Eu sei que você não está.
A VOZ DE HALIE: O que ele está fazendo ai embaixo? DODGE: (para Tilden) Não responda.
TILDEN: Não vou responder. (p. 72)
Dodge também defende Tilden quando Halie ameaça de chutá-lo para fora de casa: “Por que você teve que dizer aquilo para ele? Quem se importa onde ele pegou o milho? Por que você tinha que ir lá dizer aquilo para ele?” (p. 76). Halie enfatiza o relacionamento entre os homens quando ela insiste que Dodge seja o escolhido para dizer para Tilden “não ir lá fora na parte de trás da propriedade, nunca mais”, dizendo: “Ele nunca me ouve Dodge. Ele nunca me ouviu no passado” (p. 77). Apesar dessas coisas, Dodge não oferece para Tilden nem conforto nem consolo por sua vida destruída. Quando Tilden confessa que, no Novo México, “Eu estava sozinho. Eu pensei que estava morto”, Dodge responde, “Poderia ter estado. Para que você voltou para cá?” (p. 78). Muitos dos seus pedidos ou comandos para Tilden ficar na casa com ele parecem vir do medo de Dodge do que Tilden possa desenterrar, ou da frustração da sua própria incapacidade tanto da sua preocupação por Tilden: “Eu não preciso de nada! Mas posso precisar.
Posso precisar de alguma coisa a qualquer momento. Qualquer segundo agora. Não posso ser deixado sozinho por um minuto!” (p. 79).
As linhas de identificação que amarram Dodge e Tilden vão além da conduta presente deles. Dodge refere-se a ele mesmo mais de uma vez com um cadáver, um homem já morto. Como foi mencionado acima Tilden refere-se a ele mesmo similarmente no Novo México. Dodge afirma que Tilden “perdeu o juízo”, Halie afirma que Dodge está “louco”, (p. 118). A mais completa combinação dos dois, entretanto, vem da identificação do pai da criança assassinada; em algum momento na peça, cada um reivindica ou é acusado da paternidade do filho enterrado.