BÖLÜM 3: VERİ ANALİZİ VE BULGULAR
3.2. Hediyeleşme Faktörüne İlişkin Alt Temalar
Os relatos trazidos pela gestora da unidade, assim como pela assistente de direção, indicaram a busca constante pela efetivação da gestão democrática na unidade, fazendo uso, para isso, da abertura oferecida pela proposta de CA para a participação da comunidade escolar e de entorno.
Quadro 9 – Participação das gestoras
Dimensão transformadora Dimensão exclusora
E1AD- Assistente de direção compactuava com a
proposta de CA sobre a importância da abertura da escola para os familiares.
E1AD- Aulas de macramé possibilitavam
conversas informais entre familiares a assistente de direção sobre o desempenho e comportamento dos/as filhos/as.
E1D- Gestora buscava aproveitar os encontros
informais com os familiares para aproximá-los da escola.
E1C- A gestão da unidade era aberta para atender
a comunidade em qualquer horário e em decorrência de qualquer problema.
E1C- Ressaltou a presença de uma gestão
democrática na unidade, feita em parceria com a coordenação e com os professores, buscando atender aos familiares.
E1D- Gestora destacou a importância de que todos
os espaços possíveis fossem utilizados para discutir ideias e expectativas, desejos e opiniões dos/as professores/as que não participavam do Conselho de Escola, da Comissão Gestora, da APM etc.
E1D- Apresentava desejo de viabilizar o potencial
de Comunidades de Aprendizagem: pensar juntos e também fazer juntos.
Percebe-se por meio dos relatos da gestora, da assistente de direção e da coordenadora pedagógica da EMEB “Clarice Lispector” que a gestão da escola, implicada com a implementação dos princípios de Comunidades de Aprendizagem, buscou abrir novos canais para a participação de todos/as: “Bom, pra mim, por exemplo, que sempre achei que a escola tem que ter abertura, vi a possibilidade de concretizá-la” (E1AD). Para tanto, procuravam fazer das oficinas e cursos oferecidos na CA, que contavam com a frequência dos pais, espaços de aproximação para com estes. A assistente de direção, por exemplo, oferecia, no período noturno, curso de macramé, para as mães. Algumas delas passaram a trazer também seus filhos e maridos: “Então nesse trabalho de ensinar um macramé eu tive a possibilidade de conversar com um pai que estava presente, com a mãe que estava presente aqui, e ela me questionar, por exemplo: ‘meu filho dá muito trabalho’?” (E1AD). Fazer dos espaços e encontros informais uma possibilidade de aproximação entre gestão e comunidade era meta constante também na fala da gestora: “Porque ainda a gente tenta aproveitar essas oportunidades [diversas]: Ah, você é fulano? Você mãe, pai, ou irmão, ou tia. Senta ai, vamos conversar da escola” (E1D). Outra forma encontrada pela gestão para atrair a comunidade e os familiares, fazendo com que se sentissem acolhidos e, portanto, motivados a participar cada vez mais, era o atendimento realizado a qualquer momento em que buscassem a escola, sem necessidade de hora marcada ou qualquer formalidade: “Aqui a gestão é muito aberta para atender a comunidade em qualquer horário, para qualquer problema, para a gente tentar resolver. Então, isso sempre foi assim por parte da gestão, a gestão é assim” (E1C). Esta abertura, entretanto, somente alcança o efeito desejado quando envolve a todos os profissionais da escola. Por esta razão, as gestoras também procuravam envolver coordenadores/as e professores/as no atendimento aos familiares e comunidade de entorno: “tem que ser uma gestão democrática, feita numa parceria da direção [...] Com a coordenação,
e por parte dos professores também pra se disponibilizarem a estar em outro horário, atender os familiares em um outro horário” (E1C).
Se alcançar uma maior participação da comunidade era um dos objetivos da gestão, também o era alcançar um envolvimento mais intenso dos professores da unidade, sobretudo dos professores PIII. Diante da limitada presença destes nos colegiados da instituição, as gestoras buscavam potencializar sua participação nos processos decisórios da EMEB por meio do diálogo nos espaços em que isso se tornava possível, como HTPC15, por exemplo: “Então foi colocado assim: a gente tenta potencializar ao máximo, pelo menos, já que não tem um representando o PIII no Conselho [de Escola], na APM, na Comissão Gestora, mas que no espaço que seja possível dentro da escola realmente a gente discuta ideias, levante, veja com eles as expectativas, o que estão pensando, os desejos, o que acham, a opinião deles” (E1D). A potencialização da participação de todos e todas, almejada pela gestora, visava à realização daquele que era entendido por ela como o grande potencial existente em Comunidades de Aprendizagem, o da articulação entre pensamento e ação: “Então, o Comunidades permite isso, ele tem esse grande potencial. ‘Tá bom, vamos pensar juntos, mas vamos fazer juntos’. Esse é um diferencial que eu acho que contribui para a dinâmica da escola” (E1D). Percebemos, em seu relato, o potencial existente em CA para a realização da práxis autêntica (FREIRE, 1980), que é ação e reflexão dos homens e mulheres sobre o mundo para transformá-lo.
Pudemos notar na fala das gestoras a busca constante pela aproximação dos familiares, com o objetivo de que estes passassem a participar cada vez mais do cotidiano e das decisões da EMEB. Ressaltaram, também, a necessidade de envolver professores/as e coordenadores/as neste processo de abertura e receptividade à família na escola. Da mesma forma, buscavam fazer das reuniões de HTPC espaços para que os professores que não participavam dos colegiados pudessem expor ideias e defender argumentos, que eram posteriormente levados ao Conselho de Escola e à Comissão Gestora, potencializando também sua participação. Mostraram, desta forma, que acreditam na ideia de que todos e todas têm a capacidade de, por meio do diálogo intersubjetivo, criar novo sentido, buscando canais para a superação dos problemas e/ou da exclusão. Assim, mostravam acreditar, em consonância com Comunidades de Aprendizagem, que todas as pessoas são capazes de transformar seus contextos e, por esta razão, deveriam participar.
15 Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo.
4.9 Participação nos colegiados (Conselho de Escola e Comissão Gestora) e