II. BÖLÜM
2.15. Hayalet Gemi’ye Veda
Este aspecto demonstra a existência de posicionamentos e entendimentos distintos sobre
a política, em especial no que se refere às MPE’s. O foco tributário aparece de forma relevante no sentido de ter sido o critério determinante para a definição dos limites de enquadramento,
com a conseqüente utilização dos benefícios introduzidos pela Lei Geral. Este entendimento fica bem caracterizado nas respostas dos atores que participaram da fase de elaboração, que
O valor é que é um problema, não é o que a gente quer... o que a gente gostaria de ter, o valor foi criado, a receita fez os cálculos das perdas, isso até porque os benefícios da Lei complementar 123 estão atrelados, também a um faturamento, [...] então nesse sentido, a Receita Federal teve que fazer uma análise, teve uma análise das perdas, de quanto o governo perderia, ou iria perder de arrecadação. Com base nisso, eles acabaram admitindo estes limites, não aceitaram qualquer outro limite que fosse superior, então foi uma negociação que teve um final, foi esse, a Receita só aprovava, só aceitava, só chega-se se os valores não ultrapassassem, o que foi estabelecido, que é R$ 2.400.000,00, e R$ 240.000,00, reais. (SLTI)
A proposta do SEBRAE foi no sentido de que deveria ter um enquadramento. Essa foi a proposta que o SEBRAE apresentou nas discussões gerais. Só que a gente não ganha todas e houve um avanço. Hoje você não tem mais a do Simples, mas tem o Estatuto. Você tem uma única. Então você conseguiu harmonizar uma única tributária e legal. (SEBRAE)
Esse limite ele, na verdade, ele é flexível, de acordo com a participação dos estados no PIB nacional, ele pode ser diminuído ou atingir o teto que é 2.400. Como esse limite foi definido pela Receita Federal em conjunto com a Secretaria de Fazenda do Estado, esse limite prioritariamente diz respeito à parte tributária, então nós do Fórum não nos sentimos a vontade para nos pronunciarmos sobre se esse limite é adequado ou não. Entendemos que sim, porque é uma posição de governo, respeitando Pacto Federativo, super negociado, com a Secretaria de Fazenda... Então a gente entende que foi o limite possível e que é adequado sim à realidade das micros e pequenas empresas do país. Esse é o nosso entendimento. (DEPME) Então este limite na verdade ele é mais pra fins de tributação. Mas o que passar disso é muito bem-vindo, porque ele atinge um número maior de empresas. (DEPME)
Outros fatores também foram ressaltados, como os critérios utilizados para esse enquadramento, o conceito do MERCOSUL e a questão do risco bancário, que se ligam
diretamente à definição de políticas de financiamento este segmento. Porém, no tocante à implementação e os seus objetivos, as colocações da FINEP demonstram claramente as
divergências quanto à sua operacionalização e a relevância dos interesses dos atores neste processo:
A FINEP trabalha com o conceito de micro e pequena empresa do MERCOSUL. A micro e pequena empresa, para a FINEP, eu premio a micro e pequena empresa com faturamento bruto/ano de 10,5 milhões de reais. Para todos os efeitos, isso não é uma empresa do Simples, eu fico completamente à vontade em dizer isso porque eu sou a pessoa que em 1969/1970 estudei as políticas da “Small Busines
Administration” americana e japonesa, para lançar, em 72, as bases do programa
CEBRAE no Brasil, com C. (FINEP)
O conceito que tínhamos para referenciar a micro, pequena e média empresa no Brasil sempre foi postos de trabalho e valor faturado. O blade dessa mistura, ao longo dos últimos, sei lá, 20/30/36 anos, os conceitos mudaram sempre. O conceito
do SEBRAE é um, o conceito da Federação das Indústrias é outro, o conceito do Congresso é outro, o conceito do BNDS é outro, mas a gente tem usado o conceito do BNDS e do MERCOSUL que é o conceito do faturamento, até 10,5 milhões você tem pequena empresa. (FINEP)
Engraçado falar disso com você, mas eu diria a você o seguinte: o Simples foge dos patamares daquilo que a gente estabeleceu como sendo, por quê? Porque o Simples está muito interessado em tentar regularizar para efeitos fiscais, para efeitos de estatísticas, os tais estabelecimentos que vivem à margem da chamada economia do piso terreno. São as chamadas economias do subsolo, são as chamadas economias informais, é o maldito do sujeito que é chamado de empreendedor porque ele é um camelô da feira do Paraguai em Brasília, ou do contrabando indiscriminado feito pela Rodoviária Novo Rio, em um ônibus que a gente sabe as condições, e o cara vai ali para a Rua Uruguaiana ou atrapalhar a Praça Saeñs Penã ou atrapalhar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana! Eu não posso chamar essa gente de empreendedor, nem de inovador de porra nenhuma. Isso é uma ofensa à minha inteligência, isso é uma subcondição social humana, essas pessoas não tem nenhuma certeza do amanhã, e o rapa é o seu aliado, o seu inimigo, o seu fornecedor, muitas vezes a mercadoria retorna às suas mãos mediante propinas conhecidas. (FINEP) A FINEP não lida com CPF,s, a FINEP lida com CNPJ´s, empresas regularizáveis, regularizadas, empresas que pertencem a um conjunto de situações nas quais o seu portfólio de produtos e a sua natureza de empreendedora está reconhecida, quase sempre com uma atividade de inovação, produzindo atividades inovadoras. (FINEP)
Do ponto de vista da FINEP, torna-se muito difícil encarar as indústrias do Simples, eu diria que as empresas do Simples, para a FINEP, não esta na FINEP, está no SEBRAE. (FINEP)
Essas afirmações mostram a importância da definição de um critério único para o
estabelecimento de políticas para este segmento, conforme salienta LEONE (1991), além de marcar posições quanto às possibilidades de se alcançar a inovação tecnológica para novos
produtos, o que se alinha às teorias econômicas que colocam a inovação tecnológica associada diretamente à capacidade gestora da empresa. A ABM se pronunciou pouco sobre o assunto,
mas também destaca a importância do aspecto tributário neste contexto, conforme se observa quando da análise de suas ações pra a implementação da política.