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BÖLÜM IV: BULGULAR

4.1. OKUL ÖNCESĠ DÖNEMDE DEĞERLER EĞĠTĠMĠ KAPSAMINDA

4.1.7. Tasarruf Teması Bağlamında Yer Alan Etkinliklere Dair Bulgular

4.1.7.3. Hava Kirliliğine Dair Etkinlikler

4.1.7.3.1. Hava Hakkında Deneyler -Fen Etkinliği-

Agora nos resta responder a questão acerca do que caracteriza uma sentença psicológica em primeira pessoa. Já vimos que o significado das palavras para

49 No sentido de explicações filosóficas, porque como ele afirma no parágrafo 496 das

Investigações “a gramática não nos diz como a linguagem deve ser construída para realizar sua

finalidade, para ter tal ou tal efeito sobre os homens. Ela apenas descreve, mas de nenhum modo explica o uso dos signos”. Wittgenstein ressalta nessa passagem que a descrição do uso dos conceitos não nos dá nem um fundamento nem uma explicação causal do seu significado.

50 O que leva o metafísico a esse tipo de equívoco é não considerar o uso ordinário dessas

palavras, adotando um novo uso para estas palavras, uso que não estava previsto nas práticas comuns que deram o significado das palavras, como afirma no parágrafo 303: “o que aqui é aparentemente uma elucidação ou uma asserção sobre os processos anímicos, é na verdade uma substituição de um modo de falar por outro que, quando filosofamos, nos parece mais adequado”.

sensações não são dados por um ato de definição ostensiva interna, mas que, como qualquer outra palavra da nossa linguagem, é dependente do uso que é feito das palavras num jogo de linguagem. O uso, por sua vez, é determinado pelas regras que justificam a aplicação da palavra. A pergunta que se coloca é então: quais são as regras do jogo de linguagem para sensações ou, em outras palavras, qual é a gramática dos termos psicológicos e das sentenças psicológicas em primeira pessoa?

A tese de que se conhece por introspecção o que se passa na mente no próprio caso levou à conclusão de que não podemos jamais saber ou conhecer o que se passa na mente do outro, porque tal possibilidade dependeria de que se pudesse “entrar” na mente do outro para lá ver o que se passa, o que é logicamente interditado. Por isso, só podemos inferir o que lá se passa a partir do comportamento do outro, mas sendo assim só podemos ter uma crença daquilo que o outro afirma, nunca conhecimento51.

Entretanto, a possibilidade do conhecimento pressupõe a capacidade da percepção, ou seja, que certas coisas possam ser observadas de forma independente, que essa observação possa, por sua vez, ser compartilhada, justificada e confirmada por novas observações; aquilo que pode ser percebido e observado é que pode ser apresentado numa descrição, que poderá ser verdadeira ou falsa. Então parece que, para estabelecermos as diferenças entre as descrições e o jogo de linguagem das sensações, em primeiro lugar é preciso estabelecer quais são as características das descrições. Wittgenstein já chamou a atenção para o fato de que esse não é um jogo de linguagem que comporta uma única possibilidade. Pelo contrário, a própria descrição deve ser compreendida a partir dos diferentes contextos em que é aplicada: “pense em quantas coisas diferentes são chamadas de ‘descrição’: descrição da posição de um corpo pelas suas coordenadas; descrição de uma expressão fisionômica; descrição de uma sensação tátil; de um estado de humor” (IF, § 24), com o que Wittgenstein ressalta

51 Desta conclusão se extrai a tese empirista que afirma que o fundamento do conhecimento são

as proposições psicológicas em primeira pessoa, que tratam do que é diretamente conhecido pelo sujeito, suas experiências imediatas, as quais podem servir como as proposições básicas a partir das quais se constroem todas as outras proposições sobre objetos e eventos externos.

que diferentes características podem perpassar diferentes possibilidades de descrição.

As seguintes características, apresentadas por Peter Hacker (1993, p. 86- 87), permitem identificar uma descrição, ao mesmo tempo em que mostram em que elas se distinguem dos enunciados psicológicos em primeira pessoa:

1. As descrições são baseadas na percepção: se alguém é questionado sobre como sabe que há uma mesa octogonal na sala, pode responder dizendo que é porque ele a vê ali, o que significa que a verdade dessa afirmação pode ser justificada fazendo-se uma comparação com fatos observáveis. Isso não acontece no caso de dores, intenções, pensamentos. Pode haver a tentação de dizer que sei que tenho uma dor, por exemplo, porque eu sinto essa dor. Mas isso segundo Wittgenstein não acrescenta nada, porque sentir a dor é o mesmo que ter a dor52, e não uma justificação de um conhecimento acerca dessa dor ou de uma asserção sobre ela. Nesse caso não cabe falar sobre ter ou não conhecimento, do mesmo modo que não se pode falar em certeza ou dúvida sobre ter ou não uma dor.

2. No jogo de linguagem das descrições pode-se questionar as condições externas de observação e as competências perceptivas do sujeito. Considerando- se que enunciados psicológicos em primeira pessoa não são baseados na observação, não faz sentido falar em condições de observação, ou capacidades perceptivas relacionadas a dores, emoções ou pensamentos.

3. Enquanto podemos perfeitamente reconhecer ou não, identificar ou não objetos físicos, não é o caso que uma pessoa identifica ou não identifica, reconhece ou não reconhece o que se passa com ela mesma, por exemplo, que possa identificar ou não que está com uma dor, que tem uma intenção ou determinada emoção ou pensamento. Pode-se dizer: “Pensei ter visto um alfinete sobre o sofá, mas estava enganado”, entretanto, não faz nenhum sentido dizer “Eu pensei que tinha uma dor em meu peito, mas estava enganado”. Pode-se estar enganado acerca da causa da dor, mas não sobre ter ou não a dor.

52 Seria o mesmo que afirmar que “Eu sei que tenho a dor porque eu tenho a dor”, ou seja, uma

4. Nos casos habituais de descrição pode-se verificar o que foi afirmado, observando-se mais de perto ou usando-se instrumentos para ajudar na observação. Pode-se também cometer erros e corrigi-los posteriormente, fazendo- se novas observações e investigações. Pode-se mesmo consultar autoridades ou perguntar a outras pessoas o que pensam sobre o assunto. Enfim, faz sentido a questão “Como você sabe disso?” porque a pessoa tem justificativas para suas identificações e descrições. Porém, nada disso faz sentido quando a pessoa está falando de suas próprias dores, emoções ou pensamentos; não faz sentido checar o que se está falando “observando mais de perto” nem comparar suas próprias sensações, emoções ou pensamentos com paradigmas de correção ou ainda consultar outras pessoas ou alguma autoridade para saber se tem uma sensação, emoção ou pensamento.

5. Os enunciados psicológicos em primeira pessoa não se apóiam em evidências, por isso perguntas como “Como você sabe que tem dor de cabeça?” não tem sentido.