• Sonuç bulunamadı

Gufranla Tüllenen Ay

Belgede GÜNLER BAHARI SOLUKLARKEN (sayfa 34-38)

Se Friedrich Hayek acende a fogueira para a discussão acerca da proposição de uma nova (nem tão nova assim) orientação tecnocrática da sociedade capitalista, pautada nos postulados econômicos liberais contra a política econômica keynesiana, Milton Friedman, por sua vez, alimenta e enriquece o debate, ao organizar teoricamente os princípios para a reinstalação da política econômica clássica, com a primeira edição de Capitalismo e

Liberdade (1962), ao defender que a organização econômica de uma sociedade livre deve ser

apreendida como um fim em si mesma e como instrumento imprescindível para assegurar a liberdade política em virtude da importância de suas funções essenciais, tanto na dispersão quanto na concentração do poder.

Friedman procurou adequar a ação do Estado às necessidades da economia de mercado, pois considerava que as atividades de um sujeito, que gerassem benefícios para terceiros, deveriam ser consideradas. Por exemplo: se “A” realizar algo que beneficie involuntariamente “B”, e se “B”, não tiver como retribuir – pagar – pelo benefício recebido, está caracterizado um efeito colateral do livre mercado, portanto, cabe ao Poder Público, a tarefa de corrigir tal defeito, tributando “B” para pagar “A”.

Na concepção friedmaniana, a liberdade do mercado, por essência, é o espaço

característico para a competição que abriga as relações de cooperação mútua – compra e

venda – e tem por finalidade o lucro. O mercado é o lócus para a expressão de uma das

maiores virtudes do homem: a liberdade econômica. Para o autor, o liberalismo constitui o modelo de organização econômica capaz de assegurar a existência do “capitalismo competitivo e resguardar a liberdade política, uma vez que separa o poder econômico do

constituinte da liberdade e precisa ser considerado em suas relações diretas e indiretas com o campo político (FRIEDMAN, 1977, p. 19).

A organização social, por sua vez, pode e deve ser encontrada na coordenação e utilização de recursos materiais e imateriais, orientada pela divisão do trabalho e especialização das funções ancoradas nas oportunidades fornecidas pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia modernas. Friedman aponta os meios para a coordenação das atividades econômicas da sociedade capitalista: a direção central coercitiva e a cooperação

voluntária dos indivíduos. Tal técnica mercadológica baseia-se na “proposição elementar de

que ambas as partes de uma transação econômica se beneficiam dela, desde que seja realmente organizada e voluntária”, o que caracteriza aquilo que chamamos de capitalismo competitivo (FRIEDMAN, 1977, p. 21).

Segundo Friedman, a cooperação só pode ser considerada essencialmente individual e voluntária desde que as empresas ou instituições sejam privadas, e os indivíduos que as representam sejam realmente livres para participar ou não de trocas específicas, de modo que todas as transações possam ser voluntárias. O estabelecimento de leis e sua consequente manutenção servem para evitar qualquer possibilidade de ação coercitiva de uma pessoa sobre outra e reforçar os contratos voluntariamente estabelecidos entre as partes, assegurando legalidade jurídica à concepção e apreensão do termo privado.

Somente o Estado, por meio da ação e atuação dos especialistas, pode agir coercitivamente para assegurar a saúde da economia, argumenta Friedman; as pessoas, individualmente, não têm esse direito, uma vez que as suas relações e interações obedecem ao Regime de Leis e à liberdade do mercado. Desse modo, o exercício do poder político deve concentrar-se na garantia da liberdade do mercado para organizar as atividades econômicas da sociedade capitalista.

Para a economia liberal, a atuação intervencionista estatal na livre economia não seria desejável, mas a sua existência é importante para a formulação e instituição das leis

que regulam e fiscalizam as relações no e do mercado – conforme apontado anteriormente.

Legislação, que maximiza a restrição intervencionista aos assuntos econômicos por meios políticos que, consequentemente, minimizam o papel desempenhado pelas ações estatais acerca das questões referentes à liberdade do capitalismo competitivo.

Nesse sentido, as ações do Estado são fundamentais para estabelecer as regras do jogo, visto que o mercado em si procura reduzir ao máximo as questões que devem ser

resolvidas por meios políticos e, por isso mesmo, procura relativizar e/ou minimizar as intervenções estatais no campo econômico, pois o principal aspecto da ação política, de um lado:

[...] é o de exigir e reforçar uma conformidade substancial; de outro lado, a função do mercado é a de permitir uma grande diversidade, significando, em termos políticos, um sistema de representação proporcional. Cada homem pode votar pela cor da gravata que deseja obter; ele não precisa ver que cor a maioria deseja e então, se fizer parte da minoria, submeter-se (FRIEDMAN, 1977, p. 23).

Friedman (1977) justifica que, ao descentralizar a autoridade política da organização da atividade econômica, o mercado limita a fonte do poder do Estado e institui a força econômica como instrumento de controle do poder político, isto é, ao afastar o raio de ação e influência do poder político, o poder econômico se constitui um instrumento essencial para o controle e a defesa contra o próprio poder político, utilizando-o em razão de suas necessidades constantes e imediatas.

Essa descentralização do poder, no entendimento friedmaniano é fundamental para movimentar as prerrogativas do liberalismo econômico, considerando que o poder para fazer coisas boas é o mesmo que pode fazer coisas ruins. A política econômica liberal tem o dever de reunir e aplicar os meios necessários para promover as transformações em direção à descentralização do poder do Estado, as quais devem penetrar as estruturas organizacionais e administrativas das instituições governamentais (FRIEDMAN, 1977, p. 12 e 23).

Milton Friedman afirma que a liberdade assegurada ao mercado capitalista constitui a redução da tensão aplicada sobre a imbricação das relações em sociedade por tornar a conformidade do campo político e de seus canais, irrelevantes em relação a qualquer atividade que pretenda patrocinar, pois:

[...] quanto maior o âmbito de atividades cobertas pelo mercado, menor o número de questões para as quais serão requeridas decisões explicitamente políticas e, portanto, para as quais será necessário chegar a uma concordância. Quanto menor o número de questões sobre as quais será necessária a concordância, maior a probabilidade de obter concordância e manter uma sociedade livre [...] um bom jogo exige que os jogadores aceitem tanto as regras quanto o árbitro encarregado de interpretá-las e de aplicá-las (FRIEDMAN, 1977, p. 30-31).

Para ele, a importância da aceitação das condições gerais determinadas pelas convenções sociais representa a utilidade do conjunto de leis, regras e costumes assimilados pela sociedade na efetiva ação do Estado. O estabelecimento dessas regras, de seus significados e de suas possíveis alterações devem ser cumpridas por todos, uma vez que a liberdade de uma pessoa deve se restringir ao início da liberdade da outra, por exemplo:

[...] o consumidor é protegido da coerção do vendedor devido a presença de outros com quem pode negociar. O vendedor é protegido da coerção do consumidor devido à existência de outros consumidores a quem pode vender. O empregado é protegido da coerção do empregador devido aos outros empregadores para quem pode trabalhar, e assim por diante. E o mercado faz isto, impessoalmente, e sem nenhuma autoridade centralizada (FRIEDMAN, 1977, p. 23).

Entretanto, a necessidade existencial do Estado, representado por meio das ações do governo, se encontra na ausência de recursos que dificultam a execução de determinadas tarefas consideradas inviáveis pelo e para o mercado, tanto pelo alto investimento a ser empregado como pelo baixo e demorado retorno financeiro de tal investimento. Isso torna possível e não contraria a ação do Estado em algumas questões do campo econômico, na medida em que a transação voluntária é impraticável para a iniciativa privada, consubstanciando os denominados monopólios, as imperfeições e os efeitos laterais

do mercado – o campo social – pois:

A) Os monopólios constituem a ausência de alternativas ou oportunidades e limitam a liberdade efetiva das transações voluntárias (livre competição), porém são tecnicamente eficientes, pois as rápidas e constantes transformações científicas e tecnológicas justificam a razão de sua existência, por dizerem respeito a bens e serviços considerados essenciais (FRIEDMAN, 1977);

B) As imperfeições e efeitos laterais, por sua vez, são caracterizados pelas ações consequentes de umas pessoas sobre as outras, como o desmatamento, a poluição das águas, a poluição da atmosfera entre outros. A rede de transportes, os programas de habitação, de saúde e de educação pública, a utilização de espaços públicos são considerados efeitos laterais do mercado que exigem a intervenção do Estado, mas que são injustificáveis (inviáveis) para o liberalismo econômico (FRIEDMAN, 1977).

Segundo Friedman, é preciso examinar os riscos envolvidos em cada proposta de intervenção governamental e seus efeitos laterais na ameaça à liberdade. Ele rebate os argumentos difundidos após a Grande Depressão de 1930 pelos formuladores do New Deal nos Estados Unidos da América e da Revolução Keynesiana na Inglaterra: a Grande Depressão não decorreu da instabilidade do liberalismo econômico, mas sim da incompetência administrativa do governo estadunidense, responsável por uma política monetária pautada numa atuação do Federal Reserve System, que transformou uma moderada contração econômica numa crise financeira aguda.

O autor reitera que o caminho para solucionar ou amenizar a crise se encontrava no estabelecimento de um governo de leis e regras firmes, de legislação e normas que pudessem assegurar as condições básicas para a direção administrativa da política monetária em atendimento às necessidades prementes do mercado competitivo, permitindo “ao público exercer controle econômico por meio das autoridades políticas e, ao mesmo tempo, evitar que a política monetária fosse vítima dos caprichos das autoridades políticas” (FRIEDMAN, 1977, p. 52).

Na concepção liberal, o Estado – quando passou a subsidiar os vários

segmentos do campo social como a previdência, transporte, saúde, segurança, educação –

produziu consequentemente um inchaço nas contas públicas. A ideia de que uma política fiscal seria capaz de garantir o equilíbrio econômico da sociedade não pode ser considerada em termos lógicos como solução ao déficit governamental, pois ela se baseia numa análise

keynesiana que presume, implicitamente, que o financiamento dos gastos com o campo social,

via arrecadação de tributos e impostos ou mediante a tomada de empréstimos, não produzem qualquer consequência de cunho negativo sobre as demais despesas do Estado.

O papel a ser desempenhado pelo Estado em condições de laissez-faire, afirma Friedman, é exatamente o de suprir as necessidades do mercado e satisfazer as carências da sociedade por meio da elaboração, regulação e implementação das políticas públicas tendo em vista garantir:

[...] a manutenção da lei e da ordem para evitar qualquer tipo de coerção de um sujeito sobre outro; a execução de contratos voluntariamente estabelecidos; a definição do significado de direitos de propriedade, a sua interpretação e a sua execução; o fornecimento de uma estrutura monetária [...] e prover os meios para modificar as regras, regular as diferenças sobre os seus significados e garantir o seu cumprimento por aqueles que não se submetem a elas (FRIEDMAN, 1977, p. 32).

Os objetivos do Estado sob o jugo da racionalidade liberal restringem-se à proteção das liberdades individuais e dos grupos de interesses privados contra possíveis inimigos (internos ou externos) para garantir a preservação da lei e da ordem, conforme as determinações estabelecidas em contratos privados, para promover uma maior competitividade entre as empresas. A essência do liberalismo econômico na concepção

friedmaniana encontra-se:

[...] na crença da dignidade do indivíduo, em sua liberdade de usar ao máximo suas capacidades e oportunidades de acordo com suas próprias escolhas, sujeito somente à obrigação de não interferir com a liberdade de outros indivíduos fazerem o mesmo. Este ponto de vista implica a crença da igualdade dos homens num sentido; em sua desigualdade noutro. Todos os homens têm direito importante e fundamental

precisamente porque os homens são diferentes, pois um indivíduo quererá fazer com sua liberdade coisas diferentes das que são feitas por outros, e tal processo pode contribuir mais do que qualquer outro para a cultura geral da sociedade (FRIEDMAN, 1977, p. 165).

Como poder político, o liberalismo se estabelece no consenso entre e sobre todos aqueles que a ele se submetem e, vincula os direitos do homem às convenções sociais (contratualismo) assentadas numa concepção individualista de sociedade: primeiramente, existe o indivíduo singular com suas carências e interesses, depois, somente depois, a sociedade.

Belgede GÜNLER BAHARI SOLUKLARKEN (sayfa 34-38)