• Sonuç bulunamadı

10 Paradigmalar

10.5. Blues Formu

Em que pesem as opiniões divergentes de José Afonso da Silva229 e de José Nilo de Castro230 e mesmo que não tenham participação no Senado Federal, acreditamos que os Municípios fazem parte do pacto federativo, integrando a organização político-administrativa da República (arts. 1.° e 18, CF).

Dotados de autonomia político-administrativa, os Municípios possuem certa margem de liberdade para se auto-organizarem, aprovando suas leis orgânicas, verdadeiras Constituições municipais.

229 SILVA, José Afonso da. Curso... cit., p. 475.

230 CASTRO, José Nilo de. Direito municipal positivo. 4. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 1998. p. 53- 60.

As leis orgânicas dos Municípios devem ser votadas em dois turnos, com o interstício de dez dias entre eles, sendo aprovada por dois terços dos membros das Câmaras Municipais. Tais leis devem atender aos princípios estabelecidos na Constituição da República e do Estado de que o Município fizer parte.

As Câmaras Municipais são os órgãos legislativos dos Municípios. Elas são do tipo unicameral, sendo compostas por vereadores eleitos para mandato de quatro anos, mediante eleições diretas. O número de vereadores deve ser proporcional ao da população do Município, observados os limites estabelecidos pelo art. 29 da CF.

O total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento da receita do Município. Os subsídios dos Vereadores serão fixados pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a subseqüente, observadas as disposições da Constituição Federal, os critérios estabelecidos na respectiva lei orgânica e os seguintes limites:

1. Em Municípios de até 10.000 habitantes – subsídio máximo dos vereadores será de 20% do subsídio dos deputados estaduais;

2. Em Municípios de 10.001 até 50.000 mil habitantes – subsídio máximo dos vereadores será de 30% do subsídio dos deputados estaduais;

3. Em Municípios de 50.001 até 100.000 habitantes – subsídio máximo dos vereadores será de 40% do subsídio dos deputados estaduais;

4. Em Municípios de 100.001 até 300.000 habitantes – subsídio máximo dos vereadores será de 50% do subsídio dos deputados estaduais;

5. Em Municípios de 300.001 até 500.000 habitantes – subsídio máximo dos vereadores será de 60% do subsídio dos deputados estaduais;

6. Em Municípios de mais de 500.000 habitantes – subsídio máximo dos vereadores será de 75% do subsídio dos deputados estaduais.

Os vereadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município. Na vereança, eles possuirão proibições e incompatibilidades similares às dos membros do Congresso Nacional e dos membros da Assembléia Legislativa do respectivo Estado.

Os Legislativos municipais detêm funções fiscalizadoras, as quais são exercidas com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município, em que houver.

Dotados de autonomia, os Municípios têm o poder de autolegislação, de modo que possuem competências legislativas delineadas pela Carta Federal, quais sejam: 1. competência privativa para tratar de assuntos de interesse local; 2. competência concorrente para suplementar a legislação federal e a estadual; e 3. competência comum para tratar dos assuntos dispostos no art. 23 da CF.

O citado art. 23 trata basicamente de matérias de natureza urbanística, recordando que o art. 182 da Carta Republicana atribuiu aos Municípios a política do desenvolvimento urbano e a aprovação do Plano Diretor.

Quanto à possibilidade de legislarem sobre assuntos de interesse local, entendemos que as matérias aí incluídas não importam exclusivamente aos Municípios, mas seu interesse é predominantemente municipal, sem que isso exclua o interesse reflexo dos Estados e da União.

Como já dissemos acima, os Municípios devem observar as regras inerentes ao processo legislativo estabelecidas pela Constituição Federal e pela Constituição do respectivo Estado, cabendo-lhes as observações por nós realizadas a respeito das regras sobre a iniciativa nos Estados, exceto no que ser refere ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e aos militares e com as adequações que se façam necessárias.

Conseqüentemente, o Prefeito poderá iniciar propostas de emendas às leis orgânicas e projetos de leis ordinárias e complementares, devendo sancionar ou vetar, assim como promulgar e publicar as leis aprovadas pelas Câmaras

municipais. Além disso, as leis orçamentárias serão de iniciativa privativa dos Prefeitos e as regras relativas às emendas a tais leis deverão guardar consonância com o que foi estabelecido pela Constituição Federal.

As Câmaras Municipais detêm a iniciativa privativa das leis de fixação dos subsídios dos Prefeitos, dos vice-Prefeitos, dos Secretários Municipais e dos vereadores. Estes últimos também poderão propor emendas às leis orgânicas e projetos de lei relacionados a assuntos afetos à competência municipal, observadas as matérias de iniciativa privativa e reservada.

Quanto à iniciativa popular, a Constituição Federal estabelece que ela deve existir para tratar de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, por meio da manifestação de pelo menos cinco por cento do eleitorado municipal.

No que tange à edição de medidas provisórias municipais, tal possibilidade dependerá de previsão expressa nesse sentido pela lei orgânica do Município e pela Constituição do Estado em que ele estiver situado. Isso porque o art. 29 da CF estabelece a necessidade de que a lei orgânica siga as linhas constitucionais estaduais e federais.

Uma vez adotado o instituto em nível municipal, ele deverá se espelhar no formato federal e no formato estadual, sendo editado pelo chefe do Poder Executivo e submetendo-se à deliberação pela Câmara Municipal.

As medidas provisórias expedidas pelo Prefeito somente poderão versar, por óbvio, sobre matérias inseridas no rol de competências dos Municípios, nos termos da partilha constitucional.

Por fim, mister destacar que, havendo normas municipais que desobedeçam aos princípios da Constituição Federal relacionados ao processo legislativo, caberá ação direta de inconstitucionalidade da norma municipal em face da Constituição estadual a ser proposta perante o Tribunal de Justiça estadual. Nesse caso, a decisão é passível de recurso extraordinário se “a interpretação da norma

constitucional estadual, que reproduz a norma constitucional federal de observância obrigatória pelos Estados, contrariar o sentido e o alcance desta”.231

É que ao ferir preceito constitucional estadual, a norma municipal poderá, ao mesmo tempo, estar lesando a Constituição Federal. Isso ocorrerá quando se tratar de norma estadual de reprodução obrigatória, que é o caso dos princípios da Lei Maior que versam sobre processo legislativo.

Destarte, os princípios de processo legislativo que constam da Constituição Federal e são de reprodução obrigatória pelas Constituições estaduais, podem ensejar o exame da lei municipal pelo STF, por meio de recurso extraordinário. Nessa seara, poderá ser concedida eficácia erga omnes à decisão do STF, como ocorreu no Recurso Especial 187.142-RJ.232