10 Paradigmalar
10.1. Bireysellik Kavramı
Quanto ao conteúdo patrimonial do poder familiar, pode-se destacar que, embora as funções de conteúdo pessoal se apresentem com maior transcendência em relação ao poder familiar, não é menos importante a análise das relações jurídicas do vínculo paterno -filial de conteúdo econômico. E nessa esfera incumbe aos pais:
156 Carlos Roberto Gonçalves, Direito, cit., p. 367; Maria Helena Diniz, Curso, cit., p. 445-446. 157 Denise Damo Comel, Do poder, cit., p. 127. Nesse sentido RT 724/690 e RT 779/632.
1. A administração dos bens dos filhos menores não emancipados,
conforme dispõe o art. 1.689, II do Código Civil. Esse dever constitui-se na prática de atos idôneos à conservação e incremento do patrimônio, podendo celebrar contratos, como o de locação de imóveis, pagar impostos, defender judicialmente, receber juros ou rendas, adquirir bens, aliená -los, se móveis; contudo, não poderá dispor dos imóveis pertencentes ao menor, nem contrair obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, pelo fato de que esses atos importam em diminuição patrimonial.158 Há uma exceção, quando restar provada a necessidade da vantagem econômica à prole, desde q ue haja a prévia autorização judicial.
Orlando Gomes assinala que os pais não responderão pela administração dos bens do filho, a não ser que ajam com culpa, não estando, ainda, em regra, obrigados a prestar caução, nem a lhe render contas.159 E por essa administração, importa destacar que os pais que exercem o poder familiar não terão direito à remuneração.
Para Maria Helena Diniz, sempre que no exercício do poder familiar colidirem os interesses dos pais com os do filho, a requerimento deste ou do Ministério Público, o juiz lhe dará curador especial, nos termos do art. 1.692, do Código Civil, e artigos 142, parágrafo único, e 148, parágrafo único, f, da Lei nº. 8.069/90, para que fiscalize a solução do conflito de interesses de pais e filho zelando pelo do menor; recebendo em seu nome doação que os pais irão fazer-lhe; concordando com a venda que os genitores efetuarão a outro descendente;
158 Maria Helena Diniz, Curso, cit., p. 446. 159 Orlando Gomes, Direito, cit., p. 420.
intervindo na permuta entre o filho menor e os pais; levantando a inalienabilidade que pesa sobre o bem de família.160
É de se destacar, ainda, que conforme os ensinamentos de Maria Helena Diniz, o curador especial terá a tarefa de fiscalizar a solução do conflito de interesses entre pais e filho, zelando pelos menores (RT, 106: 126), recebendo em seu nome, p. ex., doação que o pai irá fazer-lhe, concordando com venda feita pelo genitor a outro descendente, intervindo na permuta de bens entre o menor e os pais etc161.
Isto porque, sempre que no exercício do poder familiar colidirem os interesses do progenitor com os do filho menor, resultará impedimento para que os pais exercitem a função de representação e assistência, devendo o juiz, a requerimento do filho ou do Ministério Público, nomear curador especial a quem competirá exercer os atos que aos pais competiriam praticar, segundo o disposto no artigo 1.692, do Código Civil. 162
Assim, se o pai demonstrar necessidade ou utilidade para venda ou hipoteca de imóvel do filho, ao ser deferida a autorização judicial, incumbe ao juiz
160 Maria Helena Diniz, Curso, cit., p. 447. 161 Maria Helena Diniz, Código, cit., p. 1.253.
162 Oportunas, a respeito, as lições de Carlos Roberto Gonçalves (Direito, cit., p. 438), quando põe em
destaque que a alegação de conflito de interesses não exige a prova de que o pai pretende lesar o filho, bastando, para a caracterização da colidência que estejam posicionados em situações cujos interesses são aparentemente antagônicos, como na venda de ascendente a descendente que dependa da anuência dos demais descendentes.
que nomeie o curador. Washington de Barros Monteiro lembra que é necessária a nomeação de curador:
“a) para receber em nome do menor doação que lhe vai fazer o pai; b) para concordar com a venda que o genitor efetuará a outro descendente; c) para intervir na permuta entre o filho menor e os pais; d) para levantamento da inalienabilidade que pesa sobre o bem de família”.163
Já para Sílvio de Salvo Venosa, nessa administração legal não há a necessidade de caução ou qualquer modalidade de garantia, pois se entende que ninguém melhor do que os próprios pais para adquirir o que é melhor para o patrimônio de seu filho, até porque, o progenitor somente responde por culpa grave, e não está também obrigado a prestar contas.164
2. O usufruto165 sobre os bens dos filhos menores que se acham sob o seu poder, regra contida no art. 1.689, inciso I do Código Civil.
Sílvio Rodrigues ensina que o usufruto é inerente ao exercício do poder familiar, pelo qual resta assegurado aos pais, independentemente de quaisquer providências formais, o usufruto dos bens dos filhos menores, sem que fiquem submetidos à obrigação de prestar caução e, igualmente, da obrigação de
163 Washington de Barros Monteiro, Curso de direito civil: direito de família, São Paulo: Saraiva, 2004,
p. 294.
164 Sílvio de Salvo Venosa,Curso, cit., p. 364.
165 Usufruto é direito real de fruir as utilidades e frutos da coisa, enquanto temporariamente destacado
prestar contas, cessando com a inibição do poder paternal ou maternal, maioridade, emancipação ou morte do filho.166
Embora o direito de usufruto esteja associado ao de administração, é possível existir um sem o outro, podendo haver administração sem usufruto, e usufruto sem administração, hipóteses em que aos pais assiste tão-somente uma pretensão de entrega dos frutos contra o administrador.167
Finalmente, há bens que estão excluídos tanto do usufruto como da administração, e assim incumbe ao juiz nomear um curador especial para a sua gerência, tal como nas hipóteses dos bens adquiridos pelo filho havido fora do matrimonio, antes do reconhecimento, para evitar que o pai ou mãe o reconheça com o propósito lucrativo, de beneficiar-se de seus bens.168
Restrição outra, voltada à proteção do patrimônio que se acha confiado aos pais, está contida no artigo 1.691 do Código Civil. Referido dispositivo legal não permite aos pais a alienação ou mesmo que gravem de ônus real os imóveis dos filhos, nem contraiam em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo com prévia autorização judicial mediante
166 Sílvio Rodrigues, Direito, cit., p. 366. 167 Maria Helena Diniz, Curso, cit., p. 448.
168 Sílvio de Salvo Venosa esclarece que: ”quanto aos bens adquiridos pelo filho fora do casamento,
antes do reconhecimento, a norma tem nítido caráter moral: pretende-se não transformar o ato de reconhecimento como incentivo à cupidez para o pai reconhecente. Ademais, enquanto não houver reconhecimento, não há poder familiar.” (Direito, cit., p. 378-379).
pedido formal devidamente motivado, submetendo os genitores ao dever de prestar contas dos atos em evidente interesse da prole.169
No tocante à responsabilidade advinda do poder familiar, o Código Civil mexicano, em seu artigo 411170 estabelece o pátrio poder de forma mais
genérica estabelecendo uma obrigação de respeito mútuo, diferente da especificidade do legislador pátrio. Ainda quanto ao poder familiar, o legislador mexicano demonstra preocupação quanto à administração dos bens do menor a ser exercida por seu legítimo representante, conforme asseverado em seu artigo 425171.
No direito português nota-se que o conteúdo do poder familiar é mais próximo do direito pátrio, estabelecendo-se a obrigação de zelar pela saúde, segurança, sustento, educação, bem como administrar-lhe os bens (artigo 1878°172), cabendo ressaltar que naquele país dá-se expressamente aos pais a atribuição de prover a educação religiosa (artigo 1886°173).
169 Ementa: Autorização para venda de bem de menor. Exige cumprida demonstração de
necessidade ou utilidade para a prole (artigo 386 do Código Civil). Sem demonstração, indefere-se o pedido. (TJDFT – 2ª Câmara Cível – Embargos Infringentes na Apelação Cível nº 3644596-DF, rel. Desembargador Mario Machado, publicado no DJU de 26.02.97, p. 2427).
170 Art. 411. Em la relación entre ascendientes y descendientes debe imperar el respeto y la
consideración mutua, cualquiera que sea su estado, edad y condición.
171 Art. 425. Los que ejercen la patria potestad son legítimos representantes de los que están bajo d
ella, y tienen la administración legal de los bienes que les pertenecen, conforme a las prescripciones de este Código.
172 Artigo 1878° - Conteúdo do poder paternal
1. Compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover ao seu sustento, dirigir a sua educação, representa-los, ainda que nascituros, e administrar os seus bens.
173 Artigo 1886° - Educação religiosa