10 Paradigmalar
10.3. Bağlantısal Estetik
A emancipação é uma das causas pelas quais cessa a incapacidade para os menores, permanecendo, entretanto, o problema dos pais continuarem ou não responsáveis pelos atos dos filhos emancipados.
Há três correntes que tratam sobre o tema. A primeira delas entende que com a emancipação os pais não se eximem da responsabilidade pelo ato dos filhos emancipados. Os defensores desta corrente utilizam como argumento o fato de o art. 932, I do Código Civil falar em menoridade apenas, e não em capacidade.
Desta forma, cessando a incapacidade e não a menoridade, os pais devem continuar responsáveis pelos filhos ainda que estes já estejam emancipados. Para estes doutrinadores, a maioridade, assim como a emancipação, é uma das formas de cessão da menoridade, mas que, entretanto, a emancipação não leva à maioridade.
A segunda corrente defende que a emancipação exime os pais da responsabilidade advinda de atos cometidos pelo filho emancipado. Dentre os defensores desta teoria encontra-se Orlando Gomes, que também critica a responsabilidade irrestrita dos pais:
“Mais estranhável ainda a opinião de que o pai responde pelos atos ilícitos do filho emancipado. Para todos os efeitos, a emancipação equivale à maioridade. É apenas o processo de antecipá-la. Não é possível, assim, sustentar que persiste a responsabilidade do pai. Até porque tal opinião esbarra com um obstáculo intransponível, que é a lei. Segundo o disposto no artigo 1.521, no. 1, o pai responde pelo filho menor que estiver sob seu poder, e a emancipação é, precisamente, a libertação antecipada desse poder”200.
Outro doutrinador que também não admite a possibilidade de persistir a responsabilidade paterna após a emancipação é Mário Moacyr Porto. Para este, uma vez que se tem a extinção do poder familiar pela emancipação e a
responsabilidade paterna decorre justamente deste poder familiar, não há porque se justificar a continuidade da responsabilidade paterna presumida.
Observa, ainda, que o art. 482, alínea 2, do Código Civil Francês exclui de forma expressa a responsabilidade dos pais pelos atos dos filhos emancipados. Da mesma forma, pode-se encontrar o assunto no art. 2048 do Código Italiano201.
A última tese é a de que os pais continuam, sim, responsáveis pelos atos dos filhos, mas apenas quando a emancipação é voluntária. Desta feita, se a emancipação for resultado de qualquer uma das hipóteses previstas no parágrafo único do art. 5º do Código Civil – como casamento ou colação de grau em ensino superior – os pais não mais responderiam pelos atos do filho emancipado.
Para Caio Mário:
“Em caso de emancipação do filho, cabe distinguir: se é a legal, advinda por exemplo do casamento, os pais estão liberados; mas a emancipação voluntária não os exonera, porque um ato de vontade não elimina a responsabilidade que provêm da lei”202
O Superior Tribunal de Justiça possui o mesmo entendimento:
201 Mário Moacyr Porto. O caso da culpa como fundamento da responsabilidade civil, p. 47. 202
Responsabilidade civil, p. 92. No mesmo sentido, Marinice Cecin. A responsabilidade civil dos pais pelos filhos emancipados, p. 158.
“Tratando-se de atos ilícitos, a emancipação, ao menos a que decorra da vontade dos pais, não terá as mesmas conseqüências que dela advêm quando se cuide da prática de atos com efeitos jurídicos queridos. A responsabilidade dos pais decorre especialmente do poder de direção que, para os fins em exame, não é afetado. E possível mesmo ter-se a emancipação como ato menos refletido; não necessariamente fraudulento. Observo que a emancipação, por si não afasta a possibilidade de responsabilizar os pais, o que não exclui possa isso derivar de outras causas que venham a ser apuradas”203.
Outro fundamento que justifica essa diferenciação está voltado para os pais cujos filhos cometem atos ilícitos. Aqueles procuram eximir-se de responsabilidade sobre um filho problemático, o qual, justamente por ter esse adjetivo, requer os cuidados dos pais em dobro para si.
203
Recurso especial n.122.573, 3ª T, j. 23/6/1998. Nesse mesmo sentido destaca-se acórdão do Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul: “A emancipação concedida pelo pai ao filho menor é liberalidade exclusivamente benéfica deste. Tem a finalidade de liberá-lo da assistência, facilitando-lhe a prática dos atos jurídicos. Desavém ao pai utilizá-la para descartar-se da responsabilidade pelos atos do filho menor ‘na idade em que os riscos se maximizam - da puberdade até a maioridade’, porque torna mascarada a libertação do pátrio poder. Nestas circunstâncias a delegação total da capacidade outorgada pelo pai ao filho menor não compreende exoneração da responsabilidade, que não se substitui, nem se sucede, para delir a solidariedade nascida do ato ilícito. Não é nulo, mas ineficaz o ato da emancipação em face de terceiros e do menor, prejudicial pela totalidade da carga na obrigação de indenizar, por isso cognoscível o defeito e pronunciável de ofício no próprio processo” (Apelação Cível n.0 186065454, 2ª. C., Rel. Juiz Clarindo Favretto, j. 18/8/1 988, publicado na RT 639/1 72).
Entretanto, é fato que mesmo nas hipóteses de emancipação previstas nos incisos II a V, do parágrafo único do art. 5º do Código Civil, o menor, na realidade, continua morando com os pais e dependendo deles financeiramente, o que denota uma emancipação apenas jurídica e não fática, pois os pais que têm seus filhos sob o mesmo teto devem fazer com que os mesmos continuem seguindo suas regras e estejam, portanto, sujeitos à autoridade paterna.
Gelson Amaro de Souza, sobre este tema, diz:
“A emancipação que afasta a responsabilidade dos pais há de ser a fática e não a jurídica. O filho pode não ser emancipado juridicamente, mas, a partir do momento que ele se afasta do pai, passa a ser autônomo em seus negócios e não mais estará sujeito às ordens e orientações dos pais; haverá a emancipação de fato e em razão dela os pais ficam desonerados da responsabilidade por atos desse filho. Ao contrário, em havendo a emancipação jurídica, mas não existindo a emancipação de fato, circunstância averiguável pela submissão do filho em relação aos pais, quando destes continua a depender, a responsabilidade dos pais persistirá”204.
Pela realidade social ser outra, o mais correto deveria ser que os pais, cujos filhos emancipados continuam vivendo sob o mesmo teto, permaneçam
com a responsabilidade sobre os mesmos, independentemente do tipo de emancipação ali ocorrida.
Por ser uma teoria difícil de ser mantida, pois não é economicamente viável para muitas famílias terem duas ou mais moradias apenas pela questão da responsabilidade, uma solução justa seria a aplicação da responsabilidade solidária entre os pais e os filhos emancipados que morem sob o mesmo teto, recaindo tal responsabilidade para os pais apenas quando estes falharam ou contribuíram para o ato ilícito205. A solidariedade atende aos anseios de garantir o ressarcimento da vítima e não causa injusta irreversível aos pais que, provando a condição de emancipação do filho e a ausência de responsabilidade pelo ato por ele praticado, podem exercer direito de regresso em relação ao filho, uma vez que o art. 934 do Código Civil veda o direito de regresso apenas se o descendente for incapaz.
A solidariedade nesse caso, além de justa, está em estrita conformidade com o texto legal, uma vez que a subsidiariedade prevista no artigo 928 do Código Civil é afeta apenas aos incapazes, condição que inexiste se há emancipação, incidindo em relação aos emancipados a regra da solidariedade prevista no artigo 942 do Código Civil.
205 Carlos Roberto Gonçalves, que também defende que a responsabilidade do filho, em regra, é subsidiária e
mitigada, entende que no caso de emancipação voluntária, a responsabilidade do menor é solidária (Responsabilidade civil, p. 137).