BÖLÜM 1: GĠRĠġĠMCĠLĠK VE KADIN GĠRĠġĠMCĠLĠĞĠ
1.1. GiriĢimcilik
1.1.8. GiriĢimcilik Türleri
2.1 – O desenvolvimento contraditório do capitalismo no campo brasileiro
Antes de adentrar nas ações do Estado através das políticas governamentais, para se pensar as particularidades do caso brasileiro, faz-se necessário discutir as interpretações teóricas sobre o desenvolvimento do capitalismo no campo.
Entendo que as principais correntes teóricas existentes sobre o modo capitalista de produção e agricultura brasileira são: a teoria clássica, defendendo uma generalização inevitável das relações capitalistas do campo, sendo que, em determinado momento, há uma divergência com relação aos caminhos dessa generalização; a tese que defende a existência e permanência de relações feudais de produção na agricultura; e uma terceira corrente, que tem como princípio e entendimento a criação e recriação do campesinato e do latifúndio no campo brasileiro (OLIVEIRA, 1995).
A primeira corrente, denominada teoria clássica, segundo seus teóricos, concebe que há uma generalização das relações capitalistas, no campo brasileiro. Porém, na mesma tese, há uma divergência com relação ao processo para se chegar definitivamente à total inserção do trabalho assalariado. Alguns acreditam que esse caminho se daria pela destruição do campesinato, por meio de um processo intitulado diferenciação interna. Como, pois, se chegaria ao total assalariamento desses camponeses?
Segundo a compreensão desses teóricos, o camponês cada vez que se insere e mantém relações com o mercado capitalista acaba descaracterizando e perdendo seu referencial, que, no limite, terminaria por suprir sua produção natural. Essa inserção das relações capitalistas aconteceria principalmente pelos empréstimos e as altas taxas de juros, o acesso e dependência da mecanização, dos insumos agrícolas, agrotóxicos etc. Em seu ápice, chega-se ao seguinte cenário, através de duas classes sociais distintas: “[...] os camponeses ricos, que seriam os pequenos capitalistas
rurais, e os camponeses pobres, que se tornariam trabalhadores assalariados,
proletarizar-se-iam, portanto”.7
Um outro entendimento dentro dessa corrente é o de que a inserção total das relações capitalistas, no campo, aconteceria através do processo denominado modernização do latifúndio (compreendido também, por alguns estudiosos, como processo de “modernização conservadora”, “junkerização”).
Nessa perspectiva, com a inserção de máquinas cada vez mais potentes, com os insumos mais eficientes e, atualmente, com os melhoramentos genéticos e plantios transgênicos etc., os grandes latifúndios evoluiriam para as denominadas grandes empresas rurais capitalistas. O papel que caberia aos camponeses, nesse contexto, seria vender sua força de trabalho para essas empresas (agora grandes capitalistas) e igualmente para os camponeses ricos (pequenos capitalistas), que estariam unificando seus interesses. Nessa corrente teórica, os milhares de camponeses que hoje, segundo os dados do IBGE, crescem cada vez mais, seriam considerados como resíduos de uma agricultura em via de extinção.
A contradição dessa abordagem teórica e a realidade agrária aparece quando analisamos os dados referentes à participação do trabalho familiar na agricultura e aos latifúndios, no Brasil.
Oliveira (2001, p.188) demonstra, através de dados do Censo Agropecuário do IBGE que,
[...] nos 4,3 milhões de estabelecimentos com área até 100 hectares, havia em 1995-96, cerca de 88% do pessoal ocupado de origem familiar, ou seja, o trabalho assalariado representava apenas 12% restantes. Uma realidade oposta e contrastante com a dos estabelecimentos de mais de mil hectares, onde o trabalho assalariado representava 81%”.
Os mesmos números de estabelecimentos sob o domínio da força do trabalho familiar de até 100 hectares, com relação aos anos anteriores, já indicavam um
7 OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Modo capitalista de produção e agricultura. São Paulo: Ática, 1995.
crescimento: em 1970 ,o pessoal ocupado de origem familiar representava 85% dos trabalhadores, enquanto, no ano de 1980, atingia os 87%.
Contraditoriamente, essa é a lógica, o número de latifúndios também cresceu. Oliveira (1994, p. 56 e 2001, p. 156) salienta que, “[...] em 1940, 1,5% dos proprietários de estabelecimentos agrícolas com mais de 1.000 ha, ou seja, 27.812 ocupavam uma área de 95,5 milhões de hectares, ou 48% do total de terras”.
Essa mesma análise, realizada no ano de 1985, aponta o crescimento do latifúndio no Brasil, ou seja, aumentou ainda mais a concentração de terras: “[...] menos de 0,9% dos proprietários dos estabelecimentos agrícolas com área superior à 1.000 ha, ou seja, 50.105 unidades, ocupavam uma área de 164,7 milhões de hectares, ou 44% do total das terras”.
Já em 1992, havia no Brasil 43.956 (2,4%) imóveis rurais acima de 1.000 ha, ocupando 165.756.666 hectares, segundo os dados do INCRA.
Kageyama (1986, p.63) elaborou um estudo sobre os maiores proprietários do Brasil e, segundo suas considerações, percebeu que
[...] uma outra característica dos maiores proprietários é a forte presença de grandes empresas (pessoas jurídicas), muitas delas ligadas a ramos de atividades não-agrícolas, indicando que a terra é hoje no Brasil, mais um ativo de reserva e especulativo de interesses dos grandes capitais (agrícolas ou não). Indica também, que a força política dos representantes da propriedade rural não pode ser isolada da força do capital em geral (industrial, bancário, financeiro, comercial etc.).
Nesse contexto, as cinco empresas que aparecem como maiores proprietárias de terras, em 1984, eram: Light Serviços de Eletricidade S.A, Siderurgia Belgo- Mineira, Aracruz Celulose, Klabin, Florestas Rio Doce S.A.
Portanto, há algo equivocado no pensamento dessa corrente teórica. Os camponeses não desapareceram, apesar de o latifúndio tornar-se, em parte, uma grande empresa rural, mesmo que sem uma finalidade voltada de fato para esse fim.
Há uma outra corrente teórica que acredita fielmente na permanência das relações feudais de produção, na agricultura. O campesinato e o latifúndio seriam os indícios da permanência e fundamento dessa interpretação. A total “penetração” do
capitalismo no campo ocorre “[...] a partir do rompimento com as estruturas
políticas tradicionais de dominação”8.
Esse processo aconteceria nas seguintes etapas: 1) a transformação do camponês em produtor individual, em que este perderia todos os vínculos com o modelo comunitário tradicional vivido anteriormente; 2) a maior inserção no mercado, forçando-o a procurar instrumentos que antes eram fabricados domesticamente (separação de industrial rural e agricultura); 3) já como produtor individual, “livre” das amarras do modelo arcaico e atrasado, esse camponês estaria totalmente inserido e dependente do mercado, a tal ponto que se vai endividando e pagando altos preços, nos empréstimos para saldar as dívidas. O processo é bem linear. Necessitando de produtos, compra-os por preços altíssimos; como não tem como pagar, começa a se endividar e chega ao limite de vender sua propriedade para pagar sua dívida ou parte dela. Resta-lhe, como pessoa “livre” que se tornou, vender sua força de trabalho, tornando-se um trabalhador assalariado.
Essa abordagem teórica não é igualmente satisfatória, pelas explicações sobre as relações de produção da agricultura brasileira, como se pode ter observado, nos dados citados anteriormente.
A terceira corrente de interpretação sobre o desenvolvimento capitalista na agricultura entende que há um crescimento tanto do campesinato, como do latifúndio, pois parte do pressuposto de que o próprio capital cria e recria relações especificamente não capitalistas de produção. Ressalta Oliveira (1994): “[...] o processo contraditório de reprodução ampliada do capital além de redefinir antigas relações de produção, subordinando-as à sua reprodução, engendra relações não
capitalistas igual e contraditoriamente necessárias à sua reprodução”9.
O desenvolvimento contraditório e combinado no campo é fator intrínseco ao processo capitalista. Diferentemente do que se passa nas indústrias e nas cidades, onde ocorreu uma sujeição formal e real do trabalho ao capital, no campo acontece
8 OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Modo capitalista de produção e Agricultura. São Paulo, Ática, 1995.
9 OLIVEIRA, A. U. O campo brasileiro no final dos anos 80. In: STÉDILE, J. P. (Org.) A questão agrária
a sujeição da renda da terra ao capital, e é por esse fenômeno que se explica o processo de expansão do capitalismo no campo.
Quando se menciona a contradição existente do capitalismo no campo, entende-se que este cria as relações tipicamente capitalistas de produção na forma do assalariamento, ao mesmo tempo em que cria e recria relações não capitalistas. Objetivando essa interpretação para a realidade, têm-se os boias-frias, os diaristas, os empregados rurais como expressão de uma relação de produção tipicamente capitalista, que, despossuídos dos meios de produção, mas livres, vendem sua força de trabalho ao capital. Já no caso das relações não capitalistas de produção, podem- se citar algumas, como a produção camponesa, a produção comunitária, a produção coletiva.
Para se ter uma dimensão desse processo de recriação das formas não capitalistas de produção, os camponeses da região de Pereira Barreto podem elucidar seu significado. Na referida região do Estado de São Paulo, em 2002, houve um grupo de 25 famílias acampadas que sofreram dificuldades, à espera de uma definição do órgão federal (INCRA) para a desapropriação da área reivindicada. Alguns fazendeiros da região, com receio de que suas propriedades fossem questionadas por improdutividade, iniciaram um processo de parceria com algumas famílias camponesas, dentre as quais algumas acampadas. Essas famílias, através da parceria, plantam na área (geralmente quiabo, pimentão, cenoura), com sua força de trabalho.
O fazendeiro compra as sementes e insumos e, no final da colheita, descontadas as suas despesas, divide a produção entre os meeiros, que frequentemente vendem sua parte para o fazendeiro. Segundo o contrato (no caso verbal), os camponeses devem entregar o pasto reformado, após a colheita.
Nesse caso, está embutida nitidamente a forma de renda denominada renda em produto, que, de acordo com Oliveira (1986),
[...] sob o ponto de vista econômico em nada altera a caracterização da renda em trabalho, que no caso está convertida em produto. Ou, por outras palavras, a renda em produto nada mais é que renda em trabalho
transformada em produto, uma vez que é a renda em trabalho a própria essência da renda da terra.
O fator intrigante é que o camponês acaba não dando conta de todo o trabalho e paga a alguns companheiros do acampamento, em forma de diárias.
Todas essas relações são complexas, pois há várias circunstâncias envolvidas. Em um primeiro momento, são camponeses acampados em barracos de lona reivindicando o acesso à terra (permanecendo somente à noite); em um segundo momento, são meeiros, porém só podem ficar na propriedade durante o dia; já em um terceiro momento, usam o trabalho acessório (assalariado) em momentos mais apurados do ciclo agrícola. Com o relato desse caso, no Estado mais rico do país, pode-se notar a complexidade das relações capitalistas de produção.
Portanto, o capital procura, de acordo com aspectos conjunturais e necessidades estruturais, criar e recriar relações não capitalistas de produção. Recria o latifúndio e o campesinato, ao mesmo tempo. O latifúndio, pelo fato de a área reivindicada pelos camponeses sem-terra não ser mais questionada e, mesmo que o fosse, os laudos técnicos apontariam produtividade; de outro lado, criando estratégias de sobrevivências camponesas até a conquista de uma solução definitiva, no caso, se transformarem em assentados.
Esse exemplo nos faz entender um pouco mais sobre o processo contraditório e desigual do desenvolvimento capitalista, no campo brasileiro.
Um debate que atualmente aquece os estudiosos da questão agrária, tanto no meio acadêmico, como no político – ou em ambos simultaneamente – remete-se à interpretação de duas visões de mundo diferenciadas: agricultura familiar x agricultura camponesa.
Os estudos referentes à conceituação da agricultura familiar vêm basicamente com a finalidade teórico-metodológica e política de desencadear um desenvolvimento linear do modo de produção na agricultura. O entendimento com
relação à agricultura camponesa é compreendido como um estágio para transformação em agricultura familiar. Para Abramovay (1995, p.143),
[...] os estudos com relação ao campesinato são inadequados para o caso de sociedades em que a agricultura familiar está mergulhada num ambiente em que se caracteriza pela força das instituições típicas do mundo capitalista. Onde para essa corrente: as dinâmicas familiares não têm o poder de se sobrepor aos contextos sócio-econômicos em que se inserem as explorações agrícolas.
É justamente neste ponto que entendo a diferenciação entre os dois conceitos. Para o camponês, a terra tem um sentido de reprodução do espaço e da vida familiar, um sentido de autonomia, autogestão e liberdade. É compreensível e lúcido perceber que, com as transformações históricas ocorridas no mundo, os camponeses também se metamorfosearam, só que em um outro sentido, pois, para o camponês, como descreve Ianni (1985, p.28),
[...] a terra é muito mais do que objeto e meio de produção. Para o camponês a terra é o seu lugar natural, de sempre, antigo. Terra e trabalho mesclam-se em seu modo de ser, viver, multiplicar-se, continuar pelas gerações futuras, reviver os antepassados próximos e remotos. A relação do camponês com a terra é transparente e mítica; a terra como momento primordial da natureza e do homem, da vida.10
Nos estudos interpretativos sobre a agricultura camponesa, o relacionamento do camponês com a terra possui um sentido, enquanto para a agricultura familiar, o produtor familiar negocia resultados.
Sobre esse assunto, gostaria de registrar a seguinte passagem, escrita por Oliveira (2001, p.263):
[...] é como se a dicotomia conceitual resolvesse, por meio de um sistema classificatório, a dinâmica das categorias sociais, pela qual o camponês dá lugar ao agricultor, ao pequeno produtor e, hoje, ao produtor familiar. Coisa que o camponês sempre foi; mas quando não se consegue compreender essa categoria em novos contextos, muda-se a sua definição para servir às estatísticas.11
10 IANNI, O. Revoluções camponesas na América Latina. In: SANTOS, J. V. T. (Org.). Revoluções
Camponesas na América Latina. São Paulo: Ícone; Campinas-SP: Editora da Unicamp, 1985, p. 15-45.
11 OLIVEIRA, B. C. Tempo de travessia, tempo recriação: os camponeses na caminhada. Estudos
2.2 – Condicionantes histórico-geográficos das regulamentações fundiárias: privatização e concentração das terras
É difícil iniciar uma discussão sobre a concentração fundiária, no Brasil, sem remeter-se à própria formação do território brasileiro. Desde o período
colonial até recentemente12, a concentração de terras explica o porquê da não
concretização de uma real Reforma Agrária, em nosso país.
A finalidade desta parte do trabalho é levantar pontos centrais sobre as normas jurídicas, no tocante às questões fundiárias no Brasil. Entende-se que ocorreram formas diferenciadas de intervenção do Estado, em momentos da história. Porém, a permanência na defesa do direito a propriedade e sua metamorfose em mercadoria esteve sempre presente.
Para isso, utilizaremos o trabalho de Moraes (1987), sobre uma proposta de periodização histórica da legislação fundiária brasileira, com algumas adaptações. Nesse texto, realizou uma avaliação entre o período de 1530 até as discussões iniciais do 1º Plano Nacional de Reforma Agrária, em 1985. Contudo, indicarei alguns pontos centrais da legislação, que possaam ajudar na análise da pesquisa, pois as políticas governamentais direcionadas a essa questão estarão abordadas posteriormente. Como pode ser observado, na tabela 01, dividimos em nove períodos históricos a legislação fundiária brasileira. Cabe ressaltar que a utilização do termo fundiária é proposital, porque adoto uma concepção que
diferencia os termos agrário, fundiário e agrícola13.
Moraes (1987) denominou essa periodização como o processo de privatização das terras do Estado, revelando o caráter privativo e individualista
12 Segundo a FAO/1990, o Brasil foi considerado o segundo país do mundo em nível de concentração de propriedade da terra, só ficando atrás do Paraguai. Se levarmos em conta que grande parte dos proprietários rurais, nesse país, tem origem brasileira, somente nos resta nos considerarmos os primeiros no ranking. 13 Entendo os termos agrário, fundiário e agrícola, de forma diferenciada: agrário é o mais abrangente, pois engloba o fundiário e o agrícola, ou seja, todas as formas de relações sociais, de trabalho de produção, de organização etc.; fundiário remete-se à propriedade, à posse da terra, aos imóveis rurais, sua distribuição e configuração na formação territorial; é importante diferenciar o agrícola, que também faz parte do agrário, com uma orientação mais direcionada à questão dos preços, comercialização, créditos, financiamentos, enfim, questões mais técnicas e quantitativas.
presente na formação territorial brasileira. O primeiro período (1530 a 07/09/1822), principiou com a implementação das Datas e Concessões de Terras. As terras brasileiras foram distribuídas à nobreza portuguesa ou a quem proporcionasse serviços à Coroa, de acordo com a lei de 1375, de Portugal. Logo após, foi implantado o sistema das sesmarias, no qual tinham o direito de repartir e distribuir as parcelas de sua capitania a quem lhes interessasse, de preferência àqueles com o intuito de explorar seus recursos naturais.
O tamanho das áreas concedidas, no início desse processo, segundo Sodero (1972), podia chegar a aproximadamente 4 léguas por 4 léguas, perfazendo um total de 697 km2 cada uma. Com o passar do tempo, a legislação tentou reduzi- las (sem eficácia), para 4 léguas por uma, três léguas por uma, até o tamanho de meia légua. Tal extensão revela que era praticamente impossível usufruir e/ou realizar algum tipo de controle sobre as terras concedidas.
Mesmo assim, a legislação do sistema sesmarial introduziu, no Brasil, o regime da obrigatoriedade e necessidade do aproveitamento produtivo das terras incultas e abandonadas, que deveriam ser adaptadas mais às necessidades do povoamento do que à própria agricultura no Reino de Portugal. Ainda que dando concessão a grande extensão de terras, o sistema sesmarial, ao menos teoricamente, exigia uma série de obrigações, cláusulas restritivas e atribuições de responsabilidade, que os concessionários deveriam assumir diante da Coroa Portuguesa. Fato que, obviamente, não foi realizado pelos concessionários.
Na visão de Moraes (1987), esse primeiro período de concessão de terras foi até 17 de julho de 1822, com a resolução que suspende tais ações. Assim:
Tabela 01 – PERIODIZAÇÃO HISTÓRICA DA LEGISLAÇÃO FUNDIÁRIA BRASILEIRA
Período Norma jurídica Intervenção do Estado na propriedade privada
1º
1530 a 17/7/1822º
Datas e concessões da Coroa – origem no regime de Sesmaria de Portugal (1375)
Posses – reconhecimento de direitos aos posseiros de terras (Alvará de 5/10/1795 e Resolução de
14/3/1822)
Desapropriação por utilidade pública, prévio ajuste de preço (decreto de 21/5/1821 do Príncipe Regente)
2º
18/07/1822 a 1850
Posse - Resolução de 17/7/1822 e vacância legal sobre novas concessões ou domínios
Propriedade – competência do poder legislativo para “regular” a administração dos bens nacionais
e decretar a sua “alienação” (item XV do art. 13, Constituição de 1824) Garantia absoluta do direito à propriedade (art. 179, Constituição 1824)
Desapropriação por exigência de uso e emprego da propriedade pelo bem público
Indenização prévia do valor da propriedade (nº 22 do art 179, Constituição 1824)
(omissão quanto à espécie de pagamento)
3º
1851 a 1891
Propriedade – aquisição por compra de terras à Coroa
Legitimação de Posses e Concessões anteriormente havidas, com prazos e condições limitados
(Lei nº 601/1850)
Garantia absoluta do direito à propriedade (art. 179, Constituição 1824)
Idem às disposições anteriores
4º
1892 a 1930
Propriedade – aquisição sob 4 formas de titulação das terras devolutas dos Estados: compra,
concessão gratuita, legitimação de posses e aforamento
Garantia absoluta do direito à propriedade (art. 179, Constituição 1891)
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública, indenização prévia (§ 17 do art. 72, Const. 1891)
5º
1930 a 1946
Propriedade – aquisição idem anterior
Legitimação de posses – Novos dispositivos constitucionais – para brasileiros em área de 10 ha.,
ocupação por 10 anos sobre limites para venda de terra públicas em áreas superiores a 100.000 ha. (art.125 e 130, Constituição 1934 e arts. 148 e 153, Constituição 1937)
Garantia absoluta do direito à propriedade (art.113, Const. 1934 e art. 122, Const. 1937)
A Constituição de 1934 previa explicitamente que o direito de propriedade não poderia ser exercido contra o interesse social ou coletivo (nº 17 do art. 113)
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública Indenização prévia e justa (§ 17 do art. 113, Const. 1934)
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública – indenização prévia (nº 14 do art. 122, Const. 1937)
(omissão, em ambas as Constituições, quanto à espécie do pagamento)
6º
1946 a 1964
Propriedade – aquisição (idem forma anterior)
Regularização de posses – preferência para aquisição de terras devolutas até 25 ha. (§ 1º do
art.156, Const. 1946)
Legitimação de posses – com área de 25 ha., ocupação por 10 anos (§ 3º art. 156 – Const. 1946);
limites para venda ou concessão de terras públicas com áreas superiores a 10.000 ha. (§ 2º. Art. 156, Const. 1946). Garantia absoluta do direito à propriedade (art. 141, Const. 1946)
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse social Indenização prévia e justa em dinheiro (§16 art. 141. Const. De 1946)
1965 a 1984 Regime militar
7º
1985 a 1988
Propriedade – uniformização em nível de Lei Federal sobre alienação e concessão de terras para
Reforma Agrária e Colonização (Emenda Constitucional nº 10/1964 e Estatuto da Terra/1964)
Legitimação de Posses e preferência à aquisição: de até 100 ha. de terras públicas (art 164,
Const. 1967 e art. 171, Const. 1969)
Limites para alienação e concessão de terras públicas com área superior a 3.000 ha. (§ único art. 164, Const. 1967 e § único art 171, Const. 1969)
Garantia absoluta do direito à propriedade, tendo como implícito o princípio de sua “função social” (art. 150 e item III do art. 157, Const. 1967 e art. 153, Const. 1969)
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse social Indenização prévia e justa, em títulos especiais da dívida pública, com exata correção monetária (Emenda constitucional nº 10/1964 e § 1º do art 157, Const. 1967)
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse social Indenização prévia e justa, em títulos especiais da dívida pública, com exata